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sábado, 21 de fevereiro de 2015

TAFOFOBIA: O MEDO DE SER ENTERRADO VIVO

George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, morreu em 14 de dezembro de 1799. Foi enterrado quatro dias depois, em sua casa de campo em Virgínia, Mount Vernon. Embora existissem aqueles (se estivessem vivos para reclamar) que não gostavam desse tipo de atraso, Washington não tinha nenhum problema. O atraso era, em sua maioria, para que o antepassado americano recentemente falecido pudesse ser corretamente atendido. Entretanto, segundo diz a lenda, o último pedido de Washington, em seu leito de morte, foi que não o enterrassem antes de, pelo menos, dois dias depois que fosse declarado morto. Por quê? Porque George Washington temia ser enterrado vivo.

Esses temores, lamentavelmente, tinham fundamento. Há rumores de que no século XIII, Juan Duns Scoto, um filósofo e teólogo muito respeitado, foi enterrado vivo. Segundo a história, seu corpo foi encontrado ao lado de seu caixão, com mãos e braços ensanguentados, provavelmente devido à luta para chegar ao exterior (a história é provavelmente um mito). Um livro sobre o tema, intitulado “Buried Alive”, conta a história de um açougueiro londrino chamado Lawrence Cawthorn, que, na década de 1660, ficou muito doente e foi “enterrado precipitadamente” por seu “malvado patrão”. Quando foram visitar seu túmulo, escutaram um grito abafado, que vinha do caixão e [...] encontraram marcas de arranhões nas paredes do mesmo. Quando Cawthorn foi desenterrado, já estava morto. Outro livro, intitulado “The Corpse: A History”, conta que em 1905, o empresário britânico William Tebb, carregava sobre seus ombros mais de 300 casos de enterros de pessoas vivas.
Para combater o medo, os fabricantes de caixões encontraram uma solução: “caixões seguros”. Populares ao final de 1700 e no século seguinte, o caixão seguro tinha uma espécie de vía para que as pessoas enterradas vivas por equívoco, pudessem pedir ajuda aos que estavam na superfície. Um exemplo típico era um tubo largo e um cordão, que estendia do caixão até a superfície. Na parte superior havia um sino, de modo que, uma pessoa erroneamente enterrada, podia puxar a corda e tocar o sino para que o salvassem. Outros métodos incluíam pirotecnia, bandeiras e inclusive “saídas de emergência”. Um dos primeiros incluía uma portinha com uma fechadura no interior do caixão, o corpo deveria ser enterrado com a chave dentro do bolso da calça.

Os caixões seguros realmente funcionaram? Provavelmente não, pois não existem exemplos conhecidos de alguém que tenha sido resgatado de um caixão seguro. Há, porém, alguns exemplos de alarme falso. Se, quando o corpo enterrado estava segurando a corda, a decomposição natural poderia fazer com que o cabo se soltasse e o sino tocasse. Para evitar “pequenos” movimentos e alarmes falsos, em 1897, um inventor russo criou um sistema que detectava os movimentos mais significativos e avisava que alguém havia sido enterrado vivo. O problema foi que durante um experimento, “enterraram” com vida um dos assistentes do inventor e o sistema fracassou. O assistente saiu ileso, mas a experiência fez com que o caixão não tivesse muitos compradores.
E hoje? Em pleno século XXI, ainda há casos de pessoas enterradas vivas? SIM! Existem muitos casos, mas geralmente em países muito pobres, que vivam sob algum tipo de ditadura ou em estado de guerra. Aliás, esses lugares sofrem com muitos tipos de problemas, ser enterrado vivo é só mais um entre tantos. No Brasil é muito raro acontecer, visto que a tecnologia empregada nos hospitais não permite que um corpo saia do necrotério para o túmulo sem ser confirmado o óbito. Contudo, nunca se sabe, vai que acontece algum tipo de imprevisto, que algo dá errado e quando você abre os olhos...

O escuro. A caixa apertada. O ar escasso. O terror.

AUTOR: MEDO B

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