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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

THOMAS QUICK: O HOMEM QUE QUERIA SER SERIAL KILLER

Thomas Quick

Serial Killers

Serial killers, em geral, tem entre 18 e 50 anos, são solteiros e possuem personalidade instável. Muitos utilizam sempre a mesma roupa quando vão realizar um crime, como se fosse um ritual. Na média, têm bom nível social e quociente intelectual. Possuem transtorno de personalidade, são obsessivos-compulsivos e descarregam sua agressão contra um tipo de ser humano por quem têm fixação. Quando agridem sexualmente, buscam um estímulo erótico compensador à sua dificuldade de manter relações sexuais normais.

Serial killer é um assassino raro. Menos de 1% dos assassinos conhecidos são serial killers. Entretanto, quando pegos, recebem uma atenção exacerbada, principalmente da mídia, muito devido ao número de vítimas e as bestiais formas como muitas delas são mortas. 

Em casos mais graves, esses assassinos evoluem suas formas de matar para o canibalismo, vampirismo e rituais sádicos de tortura e morte, dentre outros. Um bom exemplo é Jeffrey Lionel Dahmer, um dos mais notórios serial killers norte-americanos. Dahmer, que ficou conhecido mundialmente como “O Canibal de Milwaukee”, foi preso em 1991 depois que uma vítima conseguiu escapar. Por mais de uma década, ele matou mais de uma dezena de homens e praticou os mais bestiais rituais que se possa imaginar, sem nunca levantar uma única suspeita.

A história que vocês lerão abaixo envolve desaparecimentos, assassinatos, um (ex) serial killer e …. um livro. Sim, e talvez o “ítem” mais importante desse mix seja esse livro. Mas, do que estamos falando ? Para começar, vamos voltar um pouco no tempo. 

Durante os anos de 1970 e 1980, vários desaparecimentos e assassinatos intrigaram a polícia da Suécia e Noruega. Muitos deles ficaram sem solução durante anos.
Nome: Charles Zelmanovits

Idade: 15 anos

Desaparecimento: Novembro de 1976

Local: Pitea, Suécia

Obs.: O adolescente Charles Zelmanovits desapareceu sem deixar vestígios em novembro de 1976. Ele voltava de uma festa na escola junto com outros 4 amigos quando resolveu seguir sozinho para casa, em uma região montanhosa da cidade de Pitea. Seus restos mortais foram encontrados 17 anos depois. Charles sofria de epilepsia e a polícia, na época, suspeitou que ele tivesse sofrido uma convulsão em algum local da floresta e congelado até a morte.
Nome: Johan Asplund

Idade: 11 anos

Características: Branco, cabelo marrom

Desaparecimento: 07 de Novembro de 1980

Local: Sundsvall, Suécia

Obs.: Johan Asplund é o pivô de um dos maiores mistérios criminais da história sueca. O garoto desapareceu misteriosamente no dia 07 de novembro de 1980 após sair para ir a escola. Ele vestia uma jaqueta de frio e carregava sua mochila vermelha. Seu corpo nunca foi encontrado. Um dos principais suspeitos dos pais de Johan era um ex-namorado de sua mãe. Segundo o casal, ele teria sequestrado e assassinado Johan por não se conformar com o fim do relacionamento. Em 1985 ele chegou a ser condenado pelo sequestro do jovem mas sua sentença foi anulada 1 ano depois.
Nome: Trine Jensen

Idade: 17 anos

Desaparecimento: 21 agosto de 1981

Local: Oslo, Noruega

Obs.: Trine Jensen desapareceu em 21 de agosto de 1981. Seu corpo foi encontrado 2 meses depois em adiantado estado de decomposição, em uma floresta nos arredores da cidade de Oslo. Ela estava nua e a suspeita da polícia era que Trine tenha sofrido violência sexual antes de ser morta.

Durante anos a morte da jovem norueguesa foi um completo mistério para a polícia local. Não haviam testemunhas e Trine não tinha inimigos. Provavelmente ela fora morta por um maníaco sexual ao cruzar o seu caminho.
Marinus Stegehuis e Jannie Stegehuis

Nome: Marinus Stegehuis e Jannie Stegehuis

Idades: 39 e 34 anos

Assassinato: 13 de julho de 1984

Obs.: O casal alemão, Marinus e Jannie Stegehuis, passavam as férias acampados no lago Appojaure, no norte da Suécia, quando foram brutalmente assassinados dentro da barraca do casal. Eles foram esfaqueados enquanto dormiam. Na época, 2 suspeitos foram investigados mas a polícia não conseguiu nenhuma prova que os ligassem ao duplo homicídio.
Na Foto: A barraca do casal alemão Marinus e Jannie Stegehuis no lago Appojaure.
Nome: Gry Sorvik

Idade: 23 anos

Assassinato: 1985

Local: Oslo, Noruega

Obs.: Gry Sorvik foi encontrada morta em um estacionamento ao sul da cidade norueguesa de Oslo, em Myrvoll. O local era perto de onde, 4 anos antes, Trine Jensen foi encontrada morta. E assim como Trine, Gry Sorvik também sofrera violência sexual.

Sangue e sêmem foram encontrados no seu corpo. Sua calçinha foi levada pelo assassino, o que comprova que ela foi vítima de um maníaco sexual que levou sua calçinha como uma espécie de lembrança ou troféu.
Nome: Yenon Levi

Idade: 24 anos

Nacionalidade: Israelense.

Assassinato: Junho de 1988

Local: Dalarna, Suécia

Obs.: O turista israelense estava na Suécia visitando parentes quando desapareceu. Ele havia desembarcado em Estocolmo em maio de 1988. Seu corpo foi encontrado em uma estrada florestal da região de Dalarna 1 mês depois. Yenon foi espancado até a morte e teve alguns pertences roubados. Moedas de Israel estavam espalhadas ao lado do corpo. Um homem chamado Mohammed Daassi chegou a ser investigado mas a polícia não conseguiu provas que o ligassem àF morte de Yenon. 

Mohammed foi posteriormente expulso da Suécia por “incitar um assassinato”.
Na Foto: Therese Johannessen. Créditos: http://dt.no

Nome: Therese Johannessen

Idade: 9 anos

Desaparecimento: 03 de Julho de 1988

Local: Drammen, Noruega

Obs.: Therese desapareceu misteriosamente em 03 de julho de 1988 nas montanhas de Drammen, Noruega. Uma grande investigação foi realizada pela polícia norueguesa mas seu corpo nunca foi encontrado. Drammen é um ponto turístico da Noruega e recebe centenas de turistas todos os anos. Um momento de descuido dos pais da pequena Therese foi o suficiente para que eles nunca mais a vissem.

Esses foram alguns dos desaparecimentos e assassinatos que intrigaram as polícias suecas e norueguesas durante anos. Intrigaram até 1992. Neste ano, um paciente de um hospício na cidade sueca de Sater decidiu contar o que ele sabia. Anos depois, através de várias sessões de terapia, os psiquiatras do hospício conseguiam extrair da mente do paciente suas reprimidas e macabras memórias. Psiquiatras e autoridades ficaram abismados com o que o homem contou. Ele entrava para a história criminal como “O Fantasma da Escandinávia”, o pior serial killer da história da Suécia e um dos piores dos últimos 30 anos.

Seu nome: Thomas Quick, 42 anos. Assassinatos, estupros, estripamentos, esquartejamentos, canibalismo e etc. O serial killer começou a confessar os seus crimes, um a um, com detalhes que apenas o assassino poderia saber. Em sua conta jazia mais de 30 vítimas.

Logo Thomas Quick tornou-se uma sensação da mídia sueca. E ele adorava a fama. Em suas várias entrevistas para redes de TV’s, dava para notar em seu rosto a alegria de estar no centro das atenções. Durante toda a década de 1990 ele foi figurinha carimbada em reportages de TV’s e jornais suecos, um verdadeiro pop star.

Mas em 2001, estranhamente, Thomas Quick sumiu. Quieto em seu quarto no hospital psiquiátrico, Thomasparecia distante, talvez, chegara a hora de um descanso. Chegou até à abandonar o nome Thomas Quick e voltou a usar o seu nome de batismo: Sture Bergwall. Sim, seu nome não era Thomas Quick. Thomas Quick,na verdade, era o alter ego de Sture Bergwall, uma espécie de segunda personalidade que foi a que confessou suas dezenas de assassinatos.

Durante toda a década de 2000, Thomas Quick, ou Sture Berwall, pareceu isolado e esquecido, mas não por muito tempo. Em outubro de 2012, o sinistro serial killer voltou as manchetes não só da Suécia mas do mundo inteiro. E tudo por causa de um livro. Em outubro último, foi lançado um livro do documentarista sueco Hannes Rastam (morto em janeiro de 2012). E o que o livro diz ? O livro diz o impensável. Sture Bergwall não passa de um impostor. Isso mesmo! O homem que durante mais de 1 década ficou conhecido mundialmente como um dos piores serial killers dos últimos tempos, na verdade, nunca matou ninguém.

O caso gerou um dos maiores escândalos da história sueca e colocou a justiça do país no limbo. Mas a pergunta que não quer calar ? Como um desequilibrado conseguiu enganar todo um país ? Toda uma equipe de psiquiatras, psicólogos, médicos, detetives e autoridades ?

O texto abaixo é uma tradução livre da matéria da jornalista inglesa Elizabeth Day para o jornal inglês The Guardian. Matéria que pode ser acessada neste link.

Elizabeth visitou Sture Bergwall no manicômio e escreveu o que ela viu.

Thomas Quick: O serial killer que ele nunca foi
Por Elizabeth Day (The Guardian)

Sture Bergwall mora num manicômio judicial três horas de carro ao norte de Estocolmo. Uma alta cerca metálica circunda o edifício. Câmeras monitoram os movimentos do lado de fora. As janelas estreitas, algumas lacradas, estão manchadas de sujeira e têm espessos vidros duplos. Quem o visita passa por uma sucessão de portas com fechamento automático e cruza um portal de segurança, como os de aeroportos.

É preciso deixar o celular guardado num armário específico para esse fim, e entregar o passaporte em troca de uma etiqueta de identificação e um alarme antipânico. Dois funcionários, calçando tamancos de plástico que rangem sobre o linóleo, escoltam o visitante pelos corredores.

Na sala das visitas, Bergwall está sentado com as costas eretas numa pequena cadeira vermelha, com a luz tênue cintilando em seus óculos de armação retangular, e os pés plantados no chão, ligeiramente afastados, metidos em meias cinza e sandálias com fecho de velcro. Ele é um paciente do hospital de Säter desde 1991, e, embora tenha 62 anos, a carne das suas mãos ainda é rosada e macia, resultado, imagina-se, da falta de exposição ao sol. Seu cabelo, ou o que resta dele, é branco.

Ocasionalmente, ele se inclina para alcançar um saquinho de tabaco para mascar numa lata azul, sobre a mesa baixa à sua frente, e então coloca o tabaco sob o lábio superior. Ele sorri mais do que era de se esperar, sempre exibindo uma fileira de pequenos dentes amarelados empurrados para trás, como uma cerca caindo sobre si mesmo. Quando ri, seus ombros se balançam suavemente dentro do suéter azul. A impressão geral é de um homem idoso e gentil, ligeiramente tímido, esforçando-se para agradar. 

Será que ele acredita ser penalmente insano ? Bergwall olha para mim, sorri, e aí balança a cabeça.

“Não.”

O que ele vai fazer se algum dia sair daqui ?

“Vou sair andando em frente e continuar”.

Até relativamente pouco tempo atrás, Sture Bergwall era o mais notório serial killer da Suécia. Ele havia confessado mais de 30 homicídios, e sido condenado por oito. Ele se chamava Thomas Quick. Assumindo esse sinistro alter ego, ele declarou durante uma sucessão de sessões de terapias em Säter, ao longo dos anos, que havia mutilado, estuprado e comido os restos de suas vítimas, sendo a mais jovem delas uma menina de nove anos cujo corpo nunca foi achado.

Durante a década de 1990, Thomas Quick confessou um assassinato após o outro, tornando-se, nas palavras do pai de uma das supostas vítimas,

“um fantasma que correu pela Escandinávia matando mais de 30 pessoas”.

O homicida sádico era uma sensação midiática, e seu rosto com óculos encarava o público das capas de jornal e das telas de TV. A imprensa o chamava de “o canibal”. Thomas Quick se tornou o próprio Hannibal Lecter da Suécia.

Mas aí, em 2001, ele parou de cooperar com a polícia. Retirou-se da vista do público e reassumiu o nome com o qual nasceu. Em 2008, Hannes Rastam, um dos mais respeitados documentaristas da Suécia, ficou intrigado. Ele visitou o ex-Thomas Quick, agora conhecido como Sture Bergwall, em Säter, revirou 50 mil páginas de documentos judiciais, anotações de terapeutas e interrogatórios policiais, e chegou à surpreendente conclusão de que não havia uma única prova técnica em qualquer das condenações de Bergwall.

Não havia traços de DNA, não havia armas dos crimes, não havia testemunhas oculares, nada além das suas confissões, muitas das quais apresentadas quando ele estava sob influência de fortes medicamentos com efeitos narcóticos. Confrontado com as descobertas de Rastam, Bergwall admitiu o impensável. Ele disse que inventara a história toda.

O livro que conta esse extraordinário caso acaba de ser publicado postumamente na Suécia. Rastam morreu em janeiro, aos 56 anos, vítima de câncer no pâncreas e fígado, um dia depois de concluir o manuscrito. Em“Fallet Thomas Quick: Att Skapa en Seriemördare” (“O caso Thomas Quick: a fabricação de um serial killer”), Rastam desvenda em minuciosos detalhes como o perturbado Quick foi capaz de obter junto a psiquiatras, policiais e advogados as principais informações relativas a cada caso, antes de transformar depoimentos desconexos e confusos em uma narrativa coesa, capaz de se sustentar num tribunal.
Na Foto: Capa do livro de Hannes Rastam que chocou a opinião pública sueca ao afirmar que o maior serial killer do país era, na verdade, uma fraude.

Jenny Küttim, que durante três anos trabalhou para Rastam pesquisando essa história, ficou horrorizada com o que eles encontraram.

“A pior parte é que, pelo fato de as pessoas não fazerem seu trabalho, há muitos assassinos por aí que nunca foram apanhados nem enfrentaram a Justiça”, diz ela.

Num país conhecido pelos obstinados detetives ficcionais que aparecem nas obras de Henning Mankell e nos dramas escandinavos de TV, o livro deixou a opinião pública indignada e desencadeou um escândalo judicial.Bergwall já foi absolvido de cinco dos oito assassinatos. Dois processos restantes, o assassinato de Charles Zelmanovits, 15, e o duplo homicídio de um casal de campistas holandeses, foram submetidos a uma revisão. O advogado de Bergwall, Thomas Olsson, espera que os veredictos sejam anulados, e então começará a lutar para libertar seu cliente do manicômio onde está encarcerado há mais de 20 anos. Segundo Olsson, o estranho caso do “serial killer” que nunca o foi “gera sérias dúvidas sobre todo o sistema judicial”.

Mas por que um homem confessaria crimes tão sádicos e violentos se fosse realmente inocente ? De volta à sala de visitas em Säter, Sture Bergwall tenta se explicar.

“Tinha a ver com pertencer a alguma coisa”, diz ele, falando em sueco por intermédio de um intérprete.

Sua voz é baixa, mas insistente, e seus pensamentos são expressos de forma inteligente. Sou a primeira jornalista britânica a conversar com Bergwall. Mas não foi difícil chegar até ele, embora tenha entrado em Säter antes que o uso da internet e dos celulares se disseminasse, ele atualmente tem sua própria conta no Twitter (onde é bastante ativo por sinal).

“Eu era uma pessoa muito solitária quando isso tudo começou. Estava num lugar com criminosos violentos, e notei que quanto pior, mais violento ou mais sério fosse um crime, mais interesse recebia do pessoal psiquiátrico. Eu também queria pertencer a esse grupo, ser uma pessoa interessante aqui.”

Bergwall sempre quis se misturar. Ele foi um adolescente que não se encaixava. Cresceu numa cidadezinha rural da Suécia, numa família de sete irmãos criados de acordo com rígidas crenças pentecostais. Ele se descreve como tendo sido uma criança “criativa e ambiciosa”, interessada em teatro e literatura. Aos 14 anos, percebeu que era gay. Envergonhado com sua sexualidade, ele a escondeu de seus pais, profundamente religiosos. Começou a experimentar drogas, anfetamina era a sua favorita, e, aos 19, foi acusado de molestar garotos adolescentes. Mais tarde, tentou apunhalar um ex-amante. Em 1990, fantasiado de Papai Noel, roubou um banco local para sustentar seu vício em drogas. O caixa o reconheceu, e ele foi encarcerado em Säter para receber tratamento psiquiátrico. Não era, àquela altura, um indivíduo estável, mas tampouco era um “serial killer”, não ainda, pelo menos.

Quando jovem, Bergwall sempre quis acima de tudo ser levado a sério e tratado como uma pessoa inteligente. Durante um tempo, quis ser médico e leu sobre psicanálise. Em Säter, começou a perceber que poderia usar esse conhecimento para receber a atenção e a aceitação que tanto desejava.

“O que você diria, se eu tivesse feito algo realmente ruim ?” Perguntou ele certo dia ao seu psicanalista, em 1992,

“Isso criou uma reação, um interesse. Eu disse: Talvez eu tenha assassinato alguém, e, uma vez dito isso, não havia volta.” Afirmou Bergwall.

O primeiro “assassinato” que Thomas Quick confessou foi o de Johan Asplund, pivô de um dos maiores mistérios criminais da história sueca. Johan era um menino de 11 anos que foi para a escola um dia, em novembro de 1980, e desapareceu. Seu corpo nunca foi encontrado. Durante uma série de sessões de terapia e, mais tarde, em depoimentos à polícia, Quick disse que apanhou Johan na frente da escola e o atraiu para o seu carro antes de levá-lo para uma mata e violentá-lo sexualmente. Quick alegou que entrou em pânico e estrangulou o menino, enterrando na sequência as partes desmembradas do corpo de Johan para que ninguém pudesse achá-las.

Mas, apesar das buscas feitas por peritos judiciais nos locais descritos por Quick, os restos não foram encontrados. Na verdade, os promotores levaram nove anos para montar uma acusação contra ele, que foi finalmente condenado pelo assassinato de Johan em 2001. A essa altura, Quick já havia sido condenado por sete outros homicídios. Mas, de forma excepcional em se tratando de um serial killer, não havia um modus operandi óbvio: Quick matou crianças e adultos, estuprou homens e mulheres, usou diversas armas e cometeu assassinatos em várias regiões da Suécia e da Noruega, fato bastante incomum para um serial killer.
Zero de Acerto

Em 1996, ele confessou o assassinato de Therese Johannessen, 9 anos, ocorrido oito anos antes, na Noruega. Quick inicialmente disse que a menina era loira e morava numa aldeia rural, mas na verdade ela tinha cabelos castanhos escuros e morava em um prédio de apartamentos numa área densamente urbanizada.

“Ele teve zero de acerto. Ele descreveu uma situação totalmente diferente em todos os aspectos, mas, ao invés de aceitarem isso, foram em frente com 15 novos interrogatórios.” Me disse mais tarde Thomas Olsson, advogado de Bergwall, quando voltávamos de Säter.

Olsson, contratado para representar Sture Bergwall depois que ele se retratou das confissões, tem fama de encarar casos difíceis. Esse fumante inveterado, com cabelo penteado para trás e rosto crispado, é precisamente o tipo de pessoa que se poderia imaginar interpretando em um filme o papel do advogado sueco ativista. Ele dirige rápido demais, num carro repleto de copos vazios de café. Embora não seja religioso, sua esposa insistiu para que pendurasse um rosário no espelho retrovisor, como lembrete para ir devagar.

Será que Olsson acredita na periculosidade de Bergwall ? Ele bufa.

“Não! De jeito nenhum.”

Gosta dele ?

“Não gosto muito das pessoas, em geral”, afirma ele, após uma pausa.

“Mas, é claro, se você passa tanto tempo com um cliente, sempre vê a pessoa por trás das manchetes. Tudo começa com um menininho sob uma árvore de Natal, brincando com brinquedos, e termina de forma muito trágica. Em algum momento, todo mundo é vítima.”

Após “confessar” o assassinato de Therese Johannessen, Quick foi levado à Noruega. As câmeras de TV acompanhavam cada movimento seu. Ele estava rapidamente se tornando um dos homens mais famosos da Escandinávia, e apreciava a atenção. Quando Quick declarou que havia atirado as partes do corpo de Therese em um lago próximo, as autoridades norueguesas passaram sete semanas drenando-o. Não acharam nada. Um fragmento ósseo de 0,5 milímetro foi localizado num bosque vizinho, mas descobriu-se posteriormente que se tratava de uma lasca de madeira calcinada. Apesar disso, Quick foi condenado.
Na Foto: Sture Bergwall (de boné preto) durante a reconstituição do assassinato de Therese Johannessen em 1996.

Ainda mais curioso era o fato de que ele parecia ter álibis férreos para alguns dos seus crimes. Embora tenha confessado o assassinato de um adolescente em 1964, aos 14 anos, várias testemunhas disseram depois que se lembravam de vê-lo na comunhão da igreja com sua irmã gêmea, a cerca de 400 km do local do crime. Na verdade, havia até uma foto dele lá (veja no fim do post). Quando ele assumiu a autoria da morte de Gry Sorvik em 1985 na Noruega, ele disse ter feito sexo com a vítima, apesar da sua declarada preferência sexual por homens. A polícia havia encontrado traços de esperma no corpo da moça, mas uma análise de DNA posterior descartou a possibilidade de que o sêmen pertencesse a Thomas Quick. E mesmo assim, novamente, a Justiça o considerou culpado “além de qualquer dúvida razoável”.

Defensores dos veredictos observam que, em depoimentos, Quick havia citado informações reveladoras de cada um dos crimes, que só o assassino poderia conhecer. Ainda hoje, há quem defenda ardorosamente as investigações policiais, incluindo Göran Lambertz, juiz da Suprema Corte sueca que em 2006, no cargo de procurador-geral, revisou durante uma semana o processo de Quick e o considerou ilibado.

“Não há DNA nem impressões digitais, e as provas não são tão fortes quanto poderiam ser. O que há é que tudo o que ele disse na época meio que se encaixa. Ele deu um monte de fatos sobre dois assassinatos em particular (Johannessen e Zelmanovits) que se encaixam muito bem com o que realmente aconteceu e com o tipo de crianças que esses dois eram.” Admitiu Lambertz.

Mas, de acordo com Bergwall, muitas das informações já eram de domínio público. No começo da sua série de confissões, ele ainda recebia autorizações regulares para deixar o hospital.

“Eu ia à Biblioteca Real em Estocolmo no dia de licença e estudava velhos casos nas microfichas dos jornais”, explica ele.

Bergwall anotava os detalhes reveladores nas reportagens da época: o posicionamento do corpo, minúcias da paisagem, as vestimentas da vítima, que ele mais tarde “revelaria” como Thomas Quick nas sessões de terapia. Seu terapeuta (que o encontrava para pelo menos três sessões semanais de 90 minutos cada) o elogiava por sua coragem em remexer fundo nas suas lembranças. A polícia ficava entusiasmada com o surgimento de um suspeito crível para um crime previamente sem solução. Em pelo menos duas ocasiões,Quick foi levado num jatinho para participar de reconstituições em locais de homicídios. Em todas as vezes,Quick se deleitava com a glória, como uma criança elogiada.

“Não precisei fazer muito para contar essas histórias. Geralmente, uma só matéria de jornal bastava. O resto das informações sempre vinha durante os interrogatórios, dos policiais, terapeutas e diferentes pessoas da equipe de investigação. Eu sabia que só precisava ouvir e prestar atenção.” Diz ele.

Em todas as suas sessões de terapia e nas reconstituições policiais subsequentes Bergwall estava fortemente dopado por um coquetel de benzodiazepinas. Os prontuários médicos mostram que ele recebia comprimidos a cada duas horas, com frequência até 20 mg de diazepam, suficientes para apagar algumas pessoas. Uma dosagem elevada, dada a pacientes com dificuldades para controlar impulsos, pode levar a uma queda das inibições, explicando como Bergwall conseguiu inventar uma ladainha tão grotesca de canibalismo, estupro e assassinato. Ele se lembra de estar, na época, fascinado pelas descrições de serial killers da ficção. Surpreendentemente, ele conseguiu pegar um exemplar de “O Psicopata Americano”, de Bret Easton Ellis, na biblioteca do manicômio.

“As drogas eram muito importantes. Eu tinha livre acesso a elas, e as usava para que me levassem a uma condição onde eu pudesse contar histórias e maquiná-las.” Diz Bergwall.

Que efeito as drogas tinham sobre ele?

“Muita coisa acontecia dentro de mim. Eu ficava chapado, eu ficava ligado, e aí eu tinha muitas fantasias. Minha imaginação corria solta. De certa forma, elas me davam muita criatividade. Era como um círculo vicioso. Quanto mais eu contava, mais atenção eu recebia dos terapeutas, da polícia e dos especialistas em memória, e isso significava que eu também recebia mais drogas.”
Na Foto: Sture Bergwall segurando seu cachorro. Data Desconhecida.

Havia ao redor de Quick um grupo de pessoas descrito por meus interlocutores como algo equivalente a “um culto”, “um circo itinerante” e “uma seita religiosa que não acolhia bem crenças discordantes”. Um mesmo policial, terapeuta, promotor e advogado lidou com cada uma das suas confissões ao longo dos anos. Até o mesmo cão farejador, Zampo, era usado para farejar cada suposto local de homicídio.

“Durante o curso da investigação, Quick mencionou pelo menos 24 lugares na Suécia e na Noruega onde teria cometido assassinatos, manuseado corpos ou deixado partes de corpos. Zampo apontou restos humanos 45 vezes nesses 24 locais. Nem um só traço de sangue ou parte de corpo chegou a ser encontrada. O cachorro é tão ruim quanto o resto deles”, diz Leyla Belle Drake, que foi agente literária de Hannes Rastam.
Raiva Quase Tangível

A teoria que esse seleto grupo propunha era que o paciente havia reprimido lembranças extremamente traumáticas, que ressurgiam na forma de sequências oníricas que muitas vezes poderiam estar cheias de inconsistências. Só por meio de repetidas sessões de terapias com pessoas de confiança e da administração de calmantes a narrativa real poderia vir à tona.

Para Jenny Küttim, esse é um dos elementos mais escandalosos de todo o estranho caso.

“Ele era um paciente em um manicômio em Säter. Ele era o único que não tinha um emprego. Os demais ao seu redor eram quem deveria estar dizendo: Não, não acreditamos em você! Nesse sentido, você não pode culpar Sture Bergwall, porque um monte de gente ao redor dele deveria ter dito que não. Ao mesmo tempo, a culpa também é dele, porque ele magoou muita gente ao contar essas histórias.” Diz Küttim, contendo uma raiva que é quase tangível.

Quem mais se magoou foram os parentes e amigos das vítimas, que tiveram sua dor exposta em público e suas esperanças despertadas por um fantasista, para serem depois frustradas pela incompetência profissional. Björn Asplund é um deles: o pai do menino desaparecido aos 11 anos, que foi tema da primeira confissão de Quick. Asplund, 65 anos, vive numa casa-barco chamada Viking, atracada a um ancoradouro permanente no lago Mälaren, no centro de Estocolmo. No interior, um bule de café ferve sobre o fogão, e o barco balança suavemente de lado a lado a cada exalação da maré. Da parede sobre a mesa de jantar à qual ele se senta pende uma foto em branco e preto de Johan: um menino sorridente, com um corte de cabelo tipo tigela.

“Ele era muito popular na escola, um garoto simplesmente ótimo. Seu sonho era se tornar agricultor.” Diz Asplund.

Asplund e sua ex-mulher, Anna-Clara (de quem ele se divorciou quando Johan tinha 3 anos), foram informados em 1993 que um paciente mental que eles não conheciam havia confessado o sequestro e assassinato do seu filho. Desde o começo, nenhum dos dois acreditou nisso.

“Não, por muitas razões. Em quase todos os casos em que a criança é a vítima, o autor (do crime) é alguém que tem estreita relação com a criança”, diz Asplund, que trabalha numa entidade de amparo à saúde mental.

Thomas Quick lhes era desconhecido. Na verdade, os Asplunds estavam convencidos de que sabiam quem matou o menino: um ex-namorado de Anna-Clara que queria se vingar pelo fim do relacionamento. Havia contra esse suspeito suficientes indícios circunstanciais para que os Asplunds iniciassem um processo privado contra ele. O ex-namorado foi condenado a dois anos de prisão por sequestro, mas libertado após recurso um ano depois. Björn Asplund, no entanto, continua convencido da culpa desse homem.

“Fiquei irritado quando Thomas Quick confessou, porque, a partir daí, percebi que todo o processo contra o ex-namorado estava encerrado”, diz ele.

O fato de Quick ter levado então sete anos para montar uma sequência coerente de fatos só confirmou as suspeitas do casal:

“Para toda pessoa sóbria neste país, deve ter sido óbvio que esse cara não era confiável”.

Durante a investigação, Asplund viu que era óbvio que Quick estava obtendo informações da polícia.

“Descobrimos que tudo que nós lhe dizíamos aparecia semanas depois nas suas sessões de terapia”, diz ele.

Como exemplo, ele cita o fato de que Johan tinha uma marca de nascença na nádega direita, sobre a qual apenas os seus pais sabiam. Nos primeiros depoimentos, Quick afirmou apenas que Johan tinha algumas vagas marcas ou cicatrizes na barriga, possivelmente de uma cirurgia. A polícia perguntou aos Asplunds se Johan tinha alguma dessas cicatrizes. Durante um tempo, eles se recusaram a ser específicos, porque suspeitavam que a informação acabaria chegando a Quick.

“Aí ameaçaram levar Anna-Clara ao tribunal por proteger um assassino. Então ela trouxe uma foto da marca de nascença”, relembra Asplund.

Logo depois, Quick “lembrou” da marca na terapia. Aliás, para cada assassinato confessado, Quick era submetido a uma média de 10 a 15 interrogatórios policiais. Quando afirmou ter matado o mochileiro israelense Yenon Levi nos bosques de Dalarna, em 1988, Quick foi repetidamente questionado sobre a arma usada no crime. Nos depoimentos, ele mencionava um machado de camping, uma pá e um macaco de carro, entre outros itens, até finalmente topar com o objeto “certo”: um taco de madeira. No tribunal, a indecisão de Quickfoi ignorada: constou simplesmente que ele havia identificado corretamente a arma do homicídio.

Para as famílias das vítimas, a natureza prolongada de cada investigação era extremamente angustiante. Asplund, cuja vida já havia sido abalada uma vez pelo desaparecimento do filho, foi obrigado a novamente revirar lembranças dolorosas e depois escutar o terrível depoimento de Quick à Justiça. Quick disse ter comido os dedos de Johan; que cortou a cabeça do menino e a chutou como uma bola.

Asplund olha para longe, dá uma tragada em seu cigarro enrolado à mão.

“Ficar sentado ali escutando aquilo, mesmo sabendo não ser verdade… Foi uma situação horrível.” Diz ele.

Com seu filho morto e o assassino ainda foragido, Asplund se sente traído? Ele responde com outra pergunta:

“O que se pode fazer a respeito? Não acho que ficar irado vá me ajudar. Aconteça o que acontecer, é preciso focar no futuro e ir em frente. É preciso tomar a decisão de querer viver ou não. E, se a opção for viver, é preciso viver a vida plenamente. Não dá para gastá-la sentado no canto, pensando no que aconteceu.”

De volta ao hospital de Säter, perguntei ao falso serial killer se ele pensava no impacto que suas confissões poderiam ter sobre as famílias das vítimas.

“Sim, eu pensava neles, mas não pensava. De certa forma, eu era cruel, mas esse também era um dos efeitos da benzo (benzodiazepina). Significava que eu poderia ignorar qualquer compaixão.”

Ele sabia que estava mentindo ?

“Essa é a parte mais difícil de explicar. Havia uma consciência de que eram mentiras. Ao mesmo tempo, eu estava vivendo nesse papel como Thomas Quick, e nesse papel eu podia esquecer essa consciência. Durante os anos de Thomas Quick, tentei me enforcar. Bati minha cabeça na parede até sangrar. À noite, eu acordava gritando: Não! (como de fato consta no prontuário médico). No meio da noite, havia uma consciência de que isso era tudo um faz-de-conta, e aí eu acordava, eu recebia uma dose de benzo e podia esquecer e deixar de lado.”
Na Foto: Sture Bergwall

Silêncio

Em 2001, um novo diretor clínico em Säter revisou o prontuário médico de Quick. Ele ficou chocado ao descobrir a dosagem, e a oferta de drogas para Quick rapidamente minguou. Ao parar de tomá-las, ele também parou de confessar. No lugar disso, anunciou a jornalistas que não iria mais cooperar com a polícia, e saiu da vista do público. Manteve então seu silêncio durante sete anos, até que Hannes Rastam o localizou.

“Hannes era uma pessoa muito intensa, com a capacidade de realmente escutar os outros, e também de partilhar. Eu me lembro da terceira vez que nos encontramos, Hannes havia visto os vídeos das reconstituições policiais, e disse: Posso ver que você estava chapado de drogas. Foi a primeira vez que eu me lembro de pensar: Alguma coisa vai acontecer. Eu senti: Sim! Alguma coisa vai mudar, e eu estava pronto para confessar. Foi libertador demais finalmente dizer a verdade e saber que eu não tinha nada a temer, já que era a verdade.” Diz Bergwall, pela primeira vez demonstrando algum sinal de emoção.

Mas nem todos acreditam que Sture Bergwall seja vítima de um dos mais grosseiros erros judiciais dos últimos tempos. Há quem observe que ele tem um histórico de mentir de forma convincente e manipular as pessoas. Estou ciente, por minhas conversas com ele, que Bergwall é hábil em devolver à pessoa aquilo que ela mais deseja escutar.

O juiz Göran Lambertz adverte contra “conclusões apressadas”. Ele acredita que, em meio à pilha de falsos detalhes que Bergwall deu à polícia, pode haver alguns elementos de verdade. Essa posição o tornou profundamente impopular em certos setores da sociedade sueca, especialmente entre quem, como Thomas Olsson e Jenny Küttim, faz campanha pela libertação de Bergwall.

“Muita gente fez carreira em cima do caso de Thomas Quick. Então hoje essa gente tem muito a perder.” Diz Küttim.

Lambertz desconversa quando abordo isso com ele.

“Ah, sim, sou um homem odiado. Acho que Sture Bergwall está nos fazendo de trouxas agora, é isso que eu acho. Não acho que ele seja inofensivo. Ele pode ser um idoso legal, sei lá, mas os psiquiatras por lá dizem que ele ainda é perigoso.” Diz ele alegremente.

E se Bergwall for absolvido de todos esses homicídios pelos tribunais ? Será que Lambertz continuará cético ? Será que vai pedir desculpas por ter conduzido há seis anos uma revisão do processo de Quick em que não encontrou falha alguma na investigação policial?

“Pode ser correto (absolvê-lo), pode ser totalmente errado. Pode ser um meio-termo, não sei. Mas, se você me perguntar o que eu acho, acho que é mais errado do que certo.”

Em Säter, nosso tempo está chegando ao fim. Bergwall se levanta e espera pacientemente que os dois funcionários o levem de volta à sua ala, no andar superior. Depois que ele sai, o que mais me impressiona a seu respeito é sua ausência de personalidade. Ele não deixa uma impressão forte. É perfeitamente possível, naturalmente, que depois de 21 anos de encarceramento e dependência em drogas ele não tenha mais muita noção de quem seja.

No lado de fora, de pé na tarde fria e cinzenta e olhando para cima, para o primeiro andar do edifício hospitalar, vejo Bergwall junto à janela. Ele sorri, dá um pequeno aceno, e então o serial killer que nunca foi é levado para longe. Tudo o que resta é a luz refletida no vidro e as sombras onde ele esteve um momento atrás.
Na Foto: Sture Bergwall na janela do hospital em Sater, Suécia.

“O Natal de 2008 foi o primeiro Natal da minha nova vida: nos dias 14 e 21 de dezembro deste ano foram enviados os primeiros documentários de Hannes Rastams sobre o meu caso …

Não é um clichê, é verdade: A Verdade Liberta. Este Natal será o meu 23º em cativeiro. Deus sabe que eu desejo a liberdade!

Feliz Natal, no próximo irei comemorar com alguns de vocês!”

Texto publicado por Sture Bergwall em seu blog pessoal no dia 26 de dezembro de 2012.
Na Foto: Sture Bergwall e sua irmã gêmea. Data desconhecida. Créditos: Twitter Bergwall
Na Foto: Os irmãos Bergwall. Sture Bergwall é o segundo da esquerda para direita. Créditos: Blog Bergwall
Na Foto: Sture Bergwall e sua irmã gêmea. Créditos: Twitter Bergwall
Na Foto: Sture Bergwall ao lado de uma enfermeira num hospital sueco após sofrer uma crise de tuberculose. “Memórias limpas sem nenhum tipo de terapia”, diz ele em um post no seu blog. Créditos: Blog Bergwall
Na Foto: Sture Bergwall em 1964. “Aqui estou eu na época do assassinato de Thomas Blomgren em 1964,” diz a legenda da foto postada por Bergwall em seu twitter. Creditos: Twitter Bergwall
Na Foto: Sture Bergwall e seus irmãos. Foto tirada em 1954. Créditos: Blog Bergwall.
Na Foto: Os irmãos Bergwall reproduzindo em 2012 a foto tirada 58 anos antes, quando todos ainda eram pequenas crianças. 

Informações
Nome: Sture Ragnar Bergwall

Alias: Thomas Quick

Também conhecido por: O Homem de Sater, O Fantasma da Escandinávia

Nascimento: 26 de abril de 1950 (62 anos). Korsnäs, Falun, Suécia

Vítimas: Confessou o assassinato de mais de 30 pessoas. Foi condenado pela morte de 8.

Sentença: Internação em um Hospital Psiquiátrico

Captura: 1990

Obs.: 5 de suas 8 condenações foram revogadas. As 3 condenações restantes estão atualmente sob revisão da Justiça sueca. Está preso no manicômio de Sater.

AUTOR: OBSCURA

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