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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

SITE SIMULA IMPACTO DA BOMBA DE HIROSHIMA EM CIDADES BRASILEIRAS

O site Nuke Map, um simulador desenvolvido por Alex Wellerstein, historiador e professor do Instituto de Tecnologia Stevens, nos EUA, mostra como seria o efeito devastador da explosão de bombas atômicas em qualquer lugar do mundo. (veja o site Nuke Map)

Veja abaixo uma simulação em cidades brasileiras de como seria a explosão de uma bomba como a 'Little Boy', a primeira bomba atômica usada em guerra, cuja detonação destruiu em 1945 a cidade de Hiroshima, no Japão. O ataque completa 70 anos nesta quinta-feira (6):

Rio de Janeiro
No Rio, se jogada sobre o centro, uma bomba equivalente à “Little boy” – como ficou conhecida a bomba de Hiroshima – mataria mais de 34 mil pessoas e deixaria mais de 60 mil feridas, segundo o simulador (o site explica que se trata de uma estimativa vaga, já que é difícil fazer uma projeção de mortes por uma bomba atômica). O mapa abaixo mostra que os feitos mais graves se estenderiam por uma área que vai da Central do Brasil ao Aeroporto Santos Dumont, e além.
Nuke Map simula detonação da bomba 'Little Boy' no centro do Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/ NukeMap)

Nas imagens, o círculo central amarelo representa a bola de fogo gerada pela explosão, com raio de 180 m.

O círculo vermelho mostra a área da explosão no ar, a uma pressão de 20 psi e com raio de 340 m. Nessa área os prédios de concreto pesado seriam demolidos ou seriamente danificados e todas as pessoas morreriam.

Veja fotos históricas da bomba atômica de Hiroshima, em 1945

O círculo verde abriga área de raio de 1,2 km em que entre 50% e 90% das pessoas morreriam se não recebessem atendimento médico, sendo que as mortes poderiam demorar semanas para ocorrer, como de fato aconteceu em Hiroshima.

O círculo azul, com raio de 1,67 km, corresponde à área em que a explosão ocorreria a pressão de 5 psi e a maioria dos prédios residenciais colapsariam e todos ficariam feridos.

Por fim, o círculo laranja, com 1,91 km de raio, mostra onde as pessoas seriam afetadas por queimaduras de terceiro grau, que causariam graves cicatrizes, invalidez ou amputação.

"Os efeitos diminuem aos poucos à medida que se afasta do epicentro. Mas não é que dentro do mesmo raio foi tudo igual. Os efeitos se sobrepõem", observa a professora Emico Okuno, do Instituto de Física da USP. "Grande parte das mortes imediatas [em Hiroshima] ocorreu devido às queimaduras em todo o corpo e ao trauma por terem sido lançadas no ar pela onda de calor e de choque. A morte devido à radiação ionizante foi posterior", diz.

São Paulo
Se caísse sobre o centro de São Paulo, a explosão de uma bomba com as mesmas características da de 1945 mataria mais de 170 mil pessoas e quase 190 mil ficariam feridas, também segundo o cálculo aproximado do Nuke Map.
Simulação de bomba de Hiroshima detonada em São Paulo pode ser feita pelo aplicativo Nukemap (Foto: Reprodução/ NukeMap)

Brasília
Em Brasília, se disparada sobre o Eixo Monumental, teria o mesmo efeito devastador: mais de 170 mil mortes e quase 190 mil feridos, estima o Nuke Map.

App mostra raio de destruição que a 'Little Boy', bomba atômica lançada sobre Hiroshima, teria em Brasília (Foto: Reprodução/ NukeMap)
Imagem rara mostra o cogumelo atômico de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945 (Foto: AFP/Escola Honkawa)

Detonação de 1945
A bomba lançada pelos Estados Unidos no fim da 2ª Guerra Mundial sobre Hiroshima foi detonada com uma intensidade de 16 quilotons a cerca de 600 metros de altura. Uma bola de fogo abrasador explodiu a um milhão de graus centígrados, arrasando quase tudo que estava a seu redor.

Os prédios de pedra sobreviveram às altas temperaturas, mas ficaram impressos, como um negativo fotográfico, pelas sombras das coisas e pessoas carbonizadas a sua frente.

A onda de choque inicial gerou rajadas de 1,5 quilômetro por segundo que arrastaram com força os escombros e arrancaram em sua passagem membros e órgãos humanos. Então, um cogumelo nuclear começou a se elevar acima da cidade até atingir 16 km de altura.
Simulação da bomba 'Litlle Boy' no site Nuke Map em Hiroshima. Bomba verdadeira matou, de imediato, 80 mil pessoas quando explodiu, em 1945 (Foto: Reprodução/ NukeMap)

A explosão matou de forma imediata cerca de 80 mil pessoas. Até dezembro do mesmo ano, o número de mortos subiu para 140 mil. Nos anos seguintes, o número continuou crescendo devido às vítimas da radiação nuclear.

O bombardeio americano de 6 de agosto de 1945, com o avião Enola Gay, foi uma ação decisiva para acabar com a 2ª Guerra Mundial.

Três dias após o ataque, outro avião dos EUA lançou uma segunda bomba nuclear sobre o porto deNagasaki, a “Fat Man”, de cerca de 20 quilotons. A explosão matou 70 mil pessoas e forçou a rendição do Japão da 2ª Guerra e seu fim, no dia 15 de agosto de 1945.

De acordo com as estimativas, o número total de sobreviventes da bomba - conhecidos no Japão como 'hibakusha' - em Hiroshima e Nagasaki em março de 2014 era de 192.719, 9.060 a menos do que no ano anterior, e a média de idade das vítimas era de 79,44 anos.

Veja imagens de Hiroshima destruída pela bomba comparadas com fotos atuais:
Combinação de fotos mostra a Cúpula Genbaku, hoje chamado Memorial da Paz, depois da explosão da bomba e em julho de 2015 (Foto: REUTERS/Shigeo Hayashi/Hiroshima Peace Memorial Museum/Handout via Reuters/Issei Kato)
Acima, foto histórica mostra pessoas caminhando perto da ponte Aioi, em Hiroshima, em 1945; abaixo, o mesmo lugar aparece em foto de julho de 2015 (Foto: REUTERS/Shigeo Hayashi/Hiroshima Peace Memorial Museum/Handout via Reuters/Issei Kato)
PRIMEIRA FOTO MOSTRA MARCA NO CHÃO DE SILHUETA DE PEDESTRE QUE ESTAVA NA PONTE YOROZUYO QUANDO A BOMBA EXPLODIU, EM 1945; A SEGUNDA IMAGEM MOSTRA O MESMO LOCAL, QUE FICA A 860 METROS DO EPICENTRO DA EXPLOSÃO, EM JULHO DE 2015 (FOTO: REUTERS/U.S. ARMY/HIROSHIMA PEACE MEMORIAL MUSEUM/HANDOUT VIA REUTERS/ISSEI KATO)

AUTOR: G1

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