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sábado, 28 de novembro de 2015

ILHA PERDIDA NO CORAÇÃO DO MAR EGEU É DESCOBERTA POR PESQUISADORES

A equipe de pesquisadores encontrou resquícios de artefatos do período Helenístico próximos ao porto descoberto na ilha que abrigou a cidade de Canae (Foto: Felix Pirson / Felix Pirson)

No ano de 406 a.C., as águas ao redor da cidade grega de Canae foram palco de um dos últimos e decisivos embates navais da Guerra do Peloponeso. Nas “Helênicas”, o filósofo Xenofonte descreveu a surpreendente vitória da inexperiente tripulação ateniense sobre a poderosa armada espartana na Batalha das Arginusas, um pequeno arquipélago de três ilhas entre Lesbos e Eólia. Com base nos escritos, duas delas já haviam sido localizadas, e uma equipe internacional de pesquisadores acaba de descobrir a terceira “ilha perdida” no Mar Egeu.
As ilhas Arginusas, conhecidas hoje como ilhas Garip, ficam próximas à costa da Turquia. Em qualquer mapa, é possível ver duas delas claramente, mas a terceira sempre esteve ali, escondida. O pesquisador Felix Pirson, diretor do Instituto Arqueológico Alemão em Istambul e líder das pesquisas, explica que a “ilha perdida”, hoje, é uma península. Com o passar do tempo, a deposição de sedimentos fez com que uma ponte se formasse no canal que a separava do continente, fazendo com que ela não fosse percebida por estudos anteriores.

— Ela se parece com uma península, mas podemos dizer que era uma ilha — disse Pirson ao GLOBO. — A cidade de Canae já havia sido localizada por outros pesquisadores, com base em escritos que descrevem sua localização. O que nós descobrimos é que essa cidade ficava em uma ilha.

Os estudos nos arredores de Canae faziam parte de um projeto mais amplo para o entendimento de antigas redes de navegação entre os portos da região. A descoberta de que a cidade estava localizada em uma ilha que era procurada há anos aconteceu por acaso. Durante a análise dos arredores, os pesquisadores realizaram levantamentos geoarqueológicos que indicaram que determinados trechos do terreno, no passado, eram cobertos por água.

— Durante a nossa pesquisa, inferimos que Canae tinha um porto importante, e por isso fomos trabalhar lá — contou Pirson. — Nós encontramos restos do porto com resquícios de artefatos do período Helenístico (323 a.C. a 31 a.C.), mas descobrimos que Canae estava em uma ilha. E essa informação arqueológica corrobora fontes históricas de que deveriam existir três ilhas Arginusas.

Agora, os pesquisadores realizam exames de datação por carbono no material orgânico encontrado para compreender melhor o processo de assoreamento do canal. Depois de as três ilhas terem sido citadas por Xenofonte e outros autores da Antiguidade, como Estrabão e Diodoro Sículo, um mapa da região elaborado pelo cartógrafo otomano Piri Reis, no século XVI, já apontava a ligação entre a ilha e o continente.

— Resta saber quando o assoreamento do canal aconteceu, o que nos vai ser dito pela datação do material orgânico que encontramos — explicou o explorador.

ROTAS MARÍTIMAS IMPORTANTES

Pirson lidera uma equipe multidisciplinar formada por arqueólogos, historiadores, geógrafos e geofísicos de oito universidades turcas, alemãs e britânicas. Para eles, a principal descoberta foi a constatação da existência de um porto de dimensões significativas para Canae, que era praticamente uma vila. E o estabelecimento da cidade em uma ilha indica que a relação de trocas com o continente não tinha importância primordial. A questão era ter o controle da baía.

— A cidade era muito pequena, com um porto muito grande. Obviamente, foi ponto de parada de grandes rotas marítimas. Esta é a descoberta que eu, particularmente, acho mais interessante — disse Pirson. — Mas é claro que as Arginusas são pontos geográficos importantes, e sempre houve essa discussão de onde estaria a terceira ilha. Todo mundo fica feliz quando se encontra algo que estava perdido.

Além disso, a descoberta reacende o debate sobre um período determinante da História do Ocidente. O professor André Chevitarese, do Instituto de História da UFRJ, destaca que a chamada Guerra do Peloponeso, entre 431 a.C. e 404 a.C., colocou em confronto duas forças antagônicas. De um lado, Esparta, representando as forças e estruturas oligárquicas. Do outro, Atenas, com sua democracia.

— Nós temos a derrota da primeira referência de uma experiência democrática bem-sucedida, que inspirou os revolucionários franceses e americanos — comentou Chevitarese. — E a Batalha das Arginusas foi determinante para o revés dos atenienses.

Após serem esmagados na tentativa de invasão da Sicília, entre 415 a.C. e 413 a.C., os atenienses continuaram de pé, mas com forças militares bastante reduzidas. Do outro lado, os espartanos conseguiram o apoio dos persas, que também desejavam destruir o poderio de Atenas, sobretudo o domínio dos mares.

A Batalha das Arginusas era a oportunidade para Esparta destruir as forças navais rivais. A frota principal ateniense, comandada por Conon, estava bloqueada por espartanos em Mitilene, na ilha de Lesbos. Para resgatá-la, Atenas construiu uma esquadra às pressas, com tripulação inexperiente, e se lançou ao mar. O esforço permitiu a construção de 150 embarcações, com oito comandantes.

Ao perceber a movimentação do inimigo, o almirante espartano Calicrátidas rumou com 140 navios de encontro ao reforço ateniense, deixando 50 embarcações no cerco a Conon. Pela primeira vez na Guerra do Peloponeso, a vantagem estava ao lado da frota de Esparta, sobretudo pela experiência dos comandantes e da tripulação. O confronto aconteceu perto das ilhas Arginusas e, de forma surpreendente, Atenas saiu vencedora.

Calicrátidas foi morto e cerca de 70 navios espartanos afundaram, contra perdas de apenas 25 do lado ateniense, mas uma tempestade após a vitória selou o destino de Atenas na guerra. Os oito comandantes decidiram dividir a frota em duas, com a maior parte seguindo em perseguição aos espartanos restantes, e um destacamento menor ficando para socorrer os sobreviventes dos navios afundados ou danificados. Por causa das condições climáticas, nenhuma das ações foi possível.

A inesperada vitória foi comemorada em Atenas, mas a euforia foi rapidamente substituída pelo debate na Assembleia sobre a responsabilidade da falha no resgate da tripulação dos navios perdidos. Os oito comandantes foram depostos e levados a julgamento. Dois conseguiram escapar, mas os outros seis foram condenados à morte.

— A Batalha das Arginusas praticamente marca o desfecho da chamada época clássica grega — explicou Chevitarese. — Mesmo com a vitória ateniense, a condenação dos comandantes à morte implicou, no ano seguinte, a derrota de Atenas para Esparta.

CONDENAÇÃO VIRA REFERÊNCIA DE MODELO POLÍTICO

Os atenienses chegaram a se arrepender da decisão, mas a condenação marca o debate sobre a democracia até os dias atuais. Na experiência ateniense, todos os cidadãos tinham direito a voto. Foi o povo que determinou a execução dos vitoriosos comandantes.

— Os críticos da democracia, não apenas na época, usam a condenação dos militares como argumento que o povo, reunido em assembleia, pode ser perigoso quando dirigido por pessoas inescrupulosas — disse Chevitarese. — Dessa forma, eles defendem que o sistema democrático via representação é melhor, porque não se elege a turba. Elege-se políticos profissionais que vão, em pequenos colegiados, deliberar os caminhos a serem seguidos.

Sem os oito talentosos comandantes e com a substituição de Calicrátidas por Lisandro no comando da frota espartana, Atenas foi derrotada no ano seguinte na Batalha de Egospótamos. Praticamente todas as embarcações atenienses foram afundadas ou danificadas. Sem resistência, Lisandro foi capturando todas as cidades no caminho para Atenas, onde o cerco teve início. Em março de 404 a.C., Atenas se rendeu. Os muros da cidade foram demolidos, um governo pró-espartano foi estabelecido e Esparta foi alçada ao posto de completa dominância no mundo grego.

AUTOR: EXTRA

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