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sábado, 14 de abril de 2018

SAIBA DOS RISCOS DE PARTICIPAR DE GRUPOS PÚBLICOS NO WHATSAPP

Em seis meses, pesquisadores conseguiram informações sem dificuldade de 45.794 pessoas GETTY IMAGES

Nas últimas semanas, o escândalo da Cambridge Analytica colocou o Facebook na mira de seus usuários mais críticos.

Um deles é Brian Acton, um dos fundadores do WhatsApp, que se juntou a uma campanha para incentivar as pessoas a deixar a plataforma de Mark Zuckerberg: "Chegou a hora. #deleteFacebook", disse ele em sua conta no Twitter.

No entanto, agora é o serviço que ele fundou - e que foi comprado pelo Facebook em 2014 - que tem chamado a atenção sobre quebra de privacidade e exposição de dados.

Um estudo feito pelos pesquisadores Kiran Garimella, da Escola Politécnica Federal de Lausanne (Suíça), e Gareth Tyson, da Universidade de Queen Mary de Londres (Reino Unido), mostrou como é fácil adquirir dados sobre usuários do app que usam os chamados grupos públicos.

Em seis meses, os especialistas conseguiram informações sem dificuldade de 45.794 pessoas. Para fazer isso, eles leram cerca de meio milhão de mensagens enviadas a 178 grupos públicos.
Administradores de grupos do WhatsApp podem torná-los públicos por meio de uma opção chamada "Convidar para o grupo via link" GETTY IMAGES

Por definição, qualquer grupo criado no WhatsApp é privado. Mas seu administrador ou administradores podem torná-lo público por meio de uma opção chamada "Convidar para o grupo via link". Nesse momento, os membros do grupo recebem uma notificação automática.

Em seu site, o WhatsApp recomenda o seguinte sobre o uso desta opção:

Importante: Utilize esta função com pessoas de confiança. É possível que alguém reenvie este link para outra pessoa. Se isso acontecer, essa pessoa também poderá se juntar ao grupo. Nesse caso, o administrador do grupo não precisará aprová-lo.


O que são e como funcionam os grupos públicos de WhatsApp?

- São grupos de conversação que podem ser acessados ​​livremente através de um link.

- Muitos desses links estão disponíveis em vários sites e páginas do Facebook.

- Eles também podem ser fornecidos por um dos administradores do grupo.

- Nestes grupos, são fornecidos todos os tipos de assuntos, desde esportes à política, trabalho, pornografia ou assuntos pessoais.

- Permitem conversar com até 256 pessoas ao mesmo tempo.
Pesquisadores tiveram acesso a números de telefone, fotos de perfil, vídeos, documentos, links para sites e comentários, além da localização dos usuários GETTY IMAGES

Usando a busca do Google, os pesquisadors compilaram uma lista de grupos públicos no WhatsApp. Eles escolheram 200 grupos aleatoriamente e se juntaram a eles.

Os pesquisadores tiveram acesso a números de telefone, fotos de perfil, vídeos, documentos, links para sites e comentários, além da localização dos usuários. E em nenhum momento violaram normas da plataforma.

O popular aplicativo - que tem mais de um bilhão de usuários ativos por dia - armazena todas as informações fornecidas por seus usuários no banco de dados local do dispositivo que eles usam. O problema é que ele armazena a chave para descriptografar os dados no mesmo lugar - a memória RAM.

Os pesquisadores entraram nestes grupos usaram um telefone "velho" da Samsung e executaram uma série códigos aparentemente fáceis de implementar, aproveitando-se de uma "falha no projeto".

O processo, asseguram, requer "pouca intervenção humana".

O WhatsApp tem defendido, desde a sua criação, a criptografia de ponta a ponta, uma criptografia única, que não precisa de códigos secretos ou especiais para proteger a privacidade e evitar que terceiros acessem dados privados.
#deleteWhatsApp

Este não é o único problema de segurança que a plataforma enfrentou em seus nove anos de existência.

No final de 2017, veio à tona uma falha que permitia espionar os usuários. Tratava-se de uma vulnerabilidade que foi revelada por um engenheiro de computação que estava relacionada com o "tempo de conexão" no status de contatos.

De acordo com os desenvolvedores do WhatsApp, essa falha já foi resolvida. Mas as dúvidas sobre a segurança em torno do uso da plataforma continuam.
No final de 2017, veio à tona uma falha que permitia espionar os usuários do aplicativo GETTY IMAGES

No fim das contas, o aplicativo de mensagens pertence ao Facebook. E, desde o ano passado, é de conhecimento público que ele compartilha com a rede social os números de telefone de seus usuários - entre outras informações, como o tempo de conexão.

E, enquanto Acton nos pede para deixarmos o Facebook, muitos estão agora se perguntando se é chegada a hora de também apagar o WhatsApp.

Um deles é o pesquisador de origem indiana Vivek Wadhwa, da Escola de Direito da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

"O WhatsApp precisa olhar no espelho", escreveu ele na semana passada em seu blog, no qual fala sobre o trabalho de pesquisadores europeus sobre os grupos públicos.

"Facebook e sua 'família de empresas' estão sendo um tanto informais sobre a privacidade. [...] É hora de pedir-lhes explicações sobre as falhas nos seus produtos e como deixam exposta a nossa privacidade."

AUTOR: BBC

quinta-feira, 12 de abril de 2018

POR QUE A FALTA DE FÓSFORO NO UNIVERSO REDUZ A CHANCE DE SE ENCONTRAR VIDA EXTRATERRESTRE

Pesquisadores da Universidade de Cardiff estudaram a nebulosa de Caranguejo em busca de rastros de fósforo NASA/ESA/J. HESTER/A. LOLL (ASU)

Muito além dos palitos que usamos para acender fogo, o fósforo tem um grande papel na origem da vida. E uma astrônoma britânica que comandou um estudo sobre a presença de fósforo em supernovas disse acreditar que as chances de vida extraterrestre são menores do que se pensa justamente pela falta do elemento no universo.

"Sob condições químicas pobres em fósforo, pode ser que seja realmente difícil que a vida se origine em um mundo similar ao nosso", disse a astrônoma da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, à agência Press Association.

Utilizando o telescópio britânico William Herschel, localizado nas Ilhas Canárias (Espanha), Greaves e sua equipe buscaram rastros de fósforo e ferro na nebulosa de Caranguejo, localizada a 6,5 mil anos-luz de distância, na constelação de Touro.

Para sua surpresa, Greaves não encontrou ali suficiente quantidade de fósforo para permitir que surgisse vida em novos planetas tal como a conhecemos na Terra.

Ainda que os cientistas pretendam prosseguir com esses estudos em outros resquícios de supernovas, "a rota para levar fósforo a planetas recém-nascidos parece bastante precária", agregou Greaves.

Em entrevista à BBC, Greaves, que recentemente apresentou os resultados preliminares de suas pesquisas sobre esse elemento na Semana Europeia de Astronomia e Ciência Espacial, em Liverpool, explicou que "o fósforo é um entre apenas seis elementos químicos realmente importantes" para o surgimento de vida.

A seleta lista, prossegue, é formada por carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e, por fim, o fósforo, essencial para o armazenamento e a transferência de energia entre as células. O fósforo, segundo a astrônoma, é crucial ao componente Adenosina trifosfato (ATP), que as células dos organismos vivos usam para armazenar e transportar a energia usada na atividade celular.

"Como astrônoma, me dei conta de que não havia estudos sobre o fósforo cósmico, então pensei: devemos rastreá-lo desde seus primórdios, em termos astronômicos", destaca.

O fósforo é um dos elementos químicos criados nas supernovas - as maciças explosões de estrelas - e por elas lançados ao espaço.

"Esses elementos viajam e terminam em grandes nuvens de gases na nossa galáxia. Em algumas dessas nebulosas se formarão futuras gerações de estrelas e planetas", explica a pesquisadora.
Vida na Terra depende de seis elementos químicos básicos: oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, enxofre e fósforo GETTY IMAGES

AUTOR: BBC

domingo, 8 de abril de 2018

O DIA EM QUE A CIA SEQUESTROU UMA NAVE DA UNIÃO SOVIÉTICA

Durante giro internacional em que a União Soviética exibiu seus feitos espaciais, agentes americanos sequestraram uma nave do programa Luna CIA

Pouco mais de 8 horas: esse foi o tempo que quatro agentes da CIA (agência de inteligência americana) tiveram para desarmar, fotografar e remontar uma famosa nave espacial soviética. Sem deixar rastros.

Isso aconteceu há cerca de 60 anos - em algum momento entre 1959 e 1960, mas documentos secretos da agência não deixam claro uma data mais exata. O período era de tensão entre os Estados Unidos e a então União Soviética, envolvidos em uma Guerra Fria que, entre outros desdobramentos, levou a uma verdadeira corrida espacial.

Etapa 1: Espionagem

Depois de colocar em órbita o Sputnik, o primeiro satélite artificial da história, e enviar a cadela Laika para o espaço, os soviéticos deram início a outro ambicioso programa espacial chamado Luna, apelidado Lunik no Ocidente.

Em setembro de 1959, a espaçonave Luna 2 se tornou a primeira sonda a tocar a Lua. Um mês depois, a Luna 3 fez história ao fotografar o lado oculto da Lua.
Lado oculto da Lua foi fotografado pela primeira vez em 1959 por uma sonda soviética NSSDC

Diante do sucesso, os soviéticos decidiram embarcar, entre 1959 e 1960, em um giro internacional para exibir seus feitos industriais e econômicos.

E incluíram, na caravana, um veículo espacial do programa Luna. Mas havia dúvidas de se se tratava de uma réplica ou do modelo verdadeiro.

"Uma quantidade de analistas da comunidade americana suspeitava que poderia ser (o modelo verdadeiro), e foi montada uma operação para averiguar isso", dizem os documentos sobre o caso revelados ao público pela CIA em 1995, sob o título O sequestro de Lunik.

Em um dia não identificado, em um país não especificado, agentes americanos visitaram a exibição dos soviéticos e conseguiram chegar à nave para constatar que se tratava, de fato, de uma sonda real - porém, sem o motor e outras peças mecânicas.
Modelo da Luna segundo um documento da CIA - CIA

No entanto, para fazer uma análise aprofundada, era preciso ter acesso à nave para além do contato em uma exposição - onde a máquina era fortemente vigiada por guardas.

Foi então que elaborou-se um roteiro digno de cinema.

Etapa 2: Sequestro

Os agentes passaram a monitorar a passagem da nave em turnê por diferentes cidades, buscando uma oportunidade para interceptar a carga e sequestrar a sonda.

A CIA partiu do pressuposto de que a Luna estava no último caminhão da frota.

Assim, em um dado momento, os agentes americanos, disfarçados, conseguiram parar o automóvel.

"O condutor original foi escoltado a um quarto de hotel, onde passou a noite", dizem os documentos oficiais. "O caminhão foi rapidamente conduzido (com um novo motorista) a um depósito que havia sido alugado para a ocasião".

Por 30 minutos, os agentes esperaram em silêncio e conseguiram constatar que "não havia nenhum indício de que os soviéticos suspeitavam de que havia algo errado".

Foi então que, por volta de 19h30, quatro especialistas chegaram para coletar informações científicas.
Etapa 3: Desmonte e pesquisa

Os envolvidos na missão sabiam que a Luna tinha suas paredes aparafusadas, fazendo do teto a única alternativa para que pudessem entrar sem deixar rastros.

O que eles não esperavam é que, na parte interna da sonda, teriam pouco espaço para se locomover. Eles precisaram então se dividir para estudar a nave em segmentos.
KEYSTONE/GETTY IMAGESNesta semana, completaram-se 50 anos desde a morte do astronauta soviético Yuri Gagarin, o primeiro a ir para o espaço

Iluminando o maquinário com lanternas de mão, os agentes desmontaram peças-chave da Luna, tiraram fotos e fizeram anotações. Depois, colocaram tudo de volta ao seu lugar.

"Juntamos os nossos equipamentos e fomos buscados por alguns carros às 4h da manhã", detalha um dos documentos revelados.

O motorista inicial do caminhão voltou, pegou o automóvel e levou ao próximo ponto como previsto pelos soviéticos - que aparentemente nunca desconfiaram de nada.

Segundo a CIA, "até o dia de hoje não há indício algum de que os soviéticos tenham ficado cientes de que a Lunik foi tomada emprestada por uma noite".

Etapa 4: Aprendizados

As informações obtidas naquela noite se mostraram muito valiosas.

Segundo um documento da CIA tornado público em 1994, foi possível, na missão, identificar o peso e o tamanho de várias peças da sonda, como o motor.
A primeira grande vitória dos americanos sobre os soviéticos na corrida espacial foi a chegada do primeiro homem à Lua AFP / NASA

Isto permitiu se repensar a tecnologia espacial que vinha sendo desenvolvida pelos Estados Unidos, até então sem tanto êxito quanto os soviéticos.

Ainda assim, seria preciso ainda uma década para que os Estados Unidos conquistassem uma vitória na corrida espacial.

Nos anos seguintes, foi a União Soviética que levou o primeiro homem ao espaço (Yuri Gagarin) e a primeira mulher (Valentina Tereschkova), que conquistou o voo orbital mais longo (5 dias) e que possibilitou que um humano, Alexei Leonov, realizasse pela primeira vez uma caminhada espacial.

A grande conquista americana aconteceria em 20 de julho de 1969, quando a Apollo 11 chegou à Lua, levando Neil Armstrong a dar o primeiro passo ali.

"A União Soviética perdeu sim a corrida com a chegada (americana) à Lua, mas a contínua presença do ser humano na órbita se deve muito à determinação soviética e russa de conquistar o espaço", disse à BBC Gerard de Groot, professor de história moderna da Universidade St Andrews, no Reino Unido.

AUTOR: BBC

quinta-feira, 5 de abril de 2018

CONHEÇA A SEITA QUE ACREDITA QUE O MUNDO FOI COLONIZADO POR ALIENS E PREOCUPA GOVERNO HOLANDÊS

A doutrina avatar foi criada por Harry Palmer, um ex-líder da cientologia

Relatos da infiltração de membros de uma seita em escolas na Holanda têm preocupado as autoridades do país. Uma reportagem de uma rede de televisão local encontrou ao menos seis escolas particulares que são guiadas pelos princípios da "ideologia do avatar".

Mas o que seria essa ideologia, cujo nome é o mesmo de um filme que se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema? Qual a sua real influência?

Os membros da seita, que exploram práticas controversas como o exorcismo, dizem que seu objetivo principal é criar "uma sociedade planetária iluminada". Alguns acreditam que o planeta Terra tenha sido colonizado por alienígenas.

A avatar foi criada em 1986 por Harry Palmer, ex-membro da cientologia - também bastante polêmica, a doutrina foi fundada por L. Ron Hubbard e tem entre os adeptos astros do cinema como Tom Cruise, John Travolta e Elisabeth Moss.

Ambas acreditam que em algum momento a terra foi colonizada por seres de outros planetas.

Em e-mail enviado à BBC a partir de Orlando, nos Estados Unidos, Palmer disse que sua comunidade tem quase um milhão de seguidores em todo o mundo.

"A doutrina básica de avatar é a seguinte: o que você acredita tem consequência em sua vida", diz ele.

"Nosso curso não promove uma filosofia além disso. Temos pessoas de todas as religiões. O que avatar ensina são ferramentas, técnicas e processos para você assumir o controle de sua própria mente, conectando crenças e ações às consequências", escreveu.

No e-mail, ele enviou sugestões de três minicursos para explorar a doutrina avatar.

Normalmente, os seguidores pagam por esses cursos, o que acaba gerando dinheiro para a empresa de Palmer, a Star Edge. Os preços variam entre US$ 350 (R$ 1.650) por cinco dias de aulas a U$ 7.500 (ou R$ 24.700) por treze dias.

Pessoas qualificadas como "mestres" ou "magos" podem oferecer suas próprias aulas. Porém, uma parte dos lucros deve ser revertida ao Avatar HQ.

Palmer acredita que existam dezenas de milhares de discípulos da avatar vivendo na Holanda.

A Sektesignaal, ou "alerta de seita", - uma organização holandesa criada para monitorar esses movimentos - pediu à Inspetoria de Educação do país para investigar relatos de que a avatar representa uma ameaça, pois teria infiltrado membros secretamente em instituições públicas.
A escola holandesa Guus Kieft foi apontada como uma das que tem membros da seita avatar

"Não estamos dizendo que isso (a doutrina) é certo ou errado", disse Karin Krijnen, gerente da organização. "Apenas estamos preocupados se houve abusos ou má conduta. É por isso que pedimos uma investigação".

Recentemente, três conselheiros educacionais holandeses atingiram altos status dentro da seita e usaram dinheiro público para enviar outras pessoas para participarem de cursos sobre a avatar.

Han Bekkers, 69 anos, secretário municipal da província de Limburg, no sudeste da Holanda, foi um dos mencionados nos relatórios. Seu porta-voz, Roek Lips, disse à BBC que os relatos eram "quase sem sentido".

"Han Bekkers fez o curso, mas não há dinheiro público envolvido", diz Lips. "E nada do que ele arrecada com suas oficinas é enviado para a Star's Edge, ele é totalmente independente."
Quais as semelhanças entre avatar e cientologia?

Os cursos e a doutrina avatar compartilham muitas concepções e terminologias da cientologia. A igreja oficial da cientologia até já processou Palmer por usar um seus logotipos sem autorização. Palmer deixou de usar a marca e logo depois lançou sua própria filosofia.

Ele também usou termos cientólogos típicos, como "resumo", "integridade" e "profissional"

Os cientologistas negam que sejam parte de um culto e rejeitam acusações de abuso e fraude - a igreja já foi acusada de sonegar impostos e até de torturar alguns de seus membros. Os seguidores descrevem a religião como apoio espiritual.

Os programas avatar de autodesenvolvimento também emprestam elementos do xamanismo, do hinduísmo e da filosofia nova era.

A palavra avatar vem da mitologia hindu e se refere à "manifestação da alma liberada na forma corporal da Terra".

Avatar está na escola?
Samuel Dirkse é professor na escola Guus Kieft, que teriam membros da seita avatar

A BBC decidiu procurar provas da presença de avatar em uma das escolas mencionadas nos relatórios holandeses. Uma das escola que consta no relatório como uma instituição com membros avatar, conhecida como Life!, afirmou que um de seus professores realmente fez um curso da doutrina, mas que ele nunca ensinou nada da "filosofia" a seus alunos.

Ao sul de Amsterdã, desviando de poças lamacentas ao longo de uma trilha de terra, e com o barulho dos aviões do aeroporto de Schiphol, entramos na escola Guus Kieft, na cidade de Amstelveen.

Na entrada, conhecemos o professor de sociologia Samuel Dirkse, que estava segurando uma xícara de chá e usava um gorro.

"Nunca ouvi falar de avatar", diz ele. "Conheço o filme, claro, mas nada sobre cientologia. É a primeira vez que ouço falar sobre isso".

Uma de suas colegas já fez o curso avatar, segundo o relatório da organização que procura seitas. "Ela nunca mencionou nada sobre isso antes. Era só um desenvolvimento pessoal", diz o professor.

"Os pais dos alunos estão com medo, porque eles leram o relatório e pensaram que existe uma seita. Os jornalistas não vieram aqui, eles apenas fizeram acusações. Alguns estudantes estão muito nervosos. Agora as pessoas olham para eles como se eles fossem parte de um culto".

As escolas democráticas ou livres costumam atrair pais holandeses que acreditam que seus filhos vão se destacar em ambientes menos controlados.

Um número razoável de escolas primárias e secundárias oferece aulas de desenvolvimento pessoal cujo objetivo é "identificar e remover crenças limitadoras".

A Guus Kieft, por exemplo, parece uma escola de teatro: quando a visitamos, um garoto dedilhava violão sentado em uma mesa e uma adolescente olhava seu celular enquanto ouvia música em seus fones.

Zeno, um menino de 14 anos, pareceu confuso com a sugestão de que sua escola era dirigida por magos. "É um absurdo. Eu nunca soube o que era avatar", disse ele.

Sua mãe, Christel van Zweden, explica que escolheu uma escola alternativa para livrar seu filho da pressão por notas e desempenho.

"As escolas precisam ser livres de ocultismos e extremismo. Elas precisam ser neutras. Sou contra a cientologia, sou contra a avatar, sou contra qualquer tipo de doutrinação", diz ela.

"Agora, com esse relatório, virou uma espécie de caça às bruxas. Todo mundo está apontando o dedo porque conseguimos fazer uma escola diferente aqui. Tenho certeza que não há nenhuma lavagem cerebral aqui", afirma.

Do outro lado da rua da escola Guus Kieft, um vizinho, Jurgen Seunke, andava com seus labradores na chuva. Questionado se estava preocupado com os relatos de uma seita logo ao lado, ele respondeu que não.

"Há quem leia a Bíblia e diga que as crianças não devem tomar vacina contra a poliomielite ou que não devem aceitar homossexuais porque Deus não gosta deles", ele diz. "Então, mesmo que a cientologia exista na escola, todos devem ter a liberdade de escolher. E, de qualquer forma, são apenas alguns garotos, certo? Não é como se eles tivessem um exército ou algo assim."

AUTOR: BBC

domingo, 25 de março de 2018

COMO DESCOBRIR O QUE O 'FACEBOOK' SABE SOBRE VOCÊ

Facebook armazena informações surpreendentes sobre sua atividade online GETTY IMAGES

Já parou para pensar sobre tudo o que o Facebook sabe sobre você? E mais do que isso, sobre que conexões ele faz para obter informações a seu respeito?

O gigante da tecnologia está no centro de um escândalo após a revelação de que as informações de mais de 50 milhões de pessoas foram utilizadas sem o consentimento delas pela empresa americana Cambridge Analytica para fazer propaganda política nas eleições de 2016 nos Estados Unidos.

Se você é um dos mais de 2 bilhões de usuários ativos da rede – cerca de 200 milhões no Brasil –, ela provavelmente sabe sua data de nascimento, seu número de telefone, sua profissão, as músicas que você ouve, os lugares onde vai e como você passa seu tempo livre.

Com esses dados, a empresa consegue vender anúncios segmentados para outras empresas - um restaurante que quer atingir mulheres de 25 a 40 anos em determinada cidade e que gostem de culinária asiática, por exemplo.

A companhia diz que coleta essa informação para deixar os anúncios mais interessantes e relevantes para você. Para isso, usa não só as informações sobre tudo o que você faz na rede – o que curte, o que decide que não quer ver, de onde você se conecta, onde faz check-in (marcar onde está) etc. – como também tudo o que você faz em outros sites e aplicativos nos quais optou por se cadastrar via seu perfil de Facebook.

Testes, jogos e outros aplicativos que você usa dentro da rede social costumam ter acesso a alguns desses dados – foi assim que a Cambridge Analytica conseguiu informações sobre milhões de usuários. Um teste de personalidade, que dizia usar os dados para fins acadêmicos, coletou-os e seu criador, o pesquisador Alexandr Kogan, os teria fornecido para que a empresa fizessem anúncios políticos nas eleições americanas.
Como proteger seus dados no Facebook?

"Quando você cria uma conta no Facebook, automaticamente concorda que ele usará seus dados para ganhar dinheiro. É o preço que você paga", disse à BBC Brasil o especialista em direito digital Thiago Tavares, da ONG Safernet.

Ao longo dos anos, a empresa vem respondendo a críticas sobre sua política de uso de dados pessoais e tornando mais fácil descobrir o que ela sabe sobre a sua vida. Mesmo assim, segundo Tavares, é importante gastar algum tempo lendo os termos de uso do site e explorando os dados que estão armazenados no seu perfil.

"Revisar as suas configurações de privacidade deve ser como fazer um check-up periódico de saúde. E isso deve ser feito em todas redes sociais. E sobretudo nos aplicativos que você acessa fora do site com o seu login do Facebook, por exemplo. É preciso reservar um tempo para isso, assim como reservamos tempo para fazer um backup dos arquivos que queremos guardar no computador", afirma.

Motivada pela pergunta, decidi fazer o download dos dados que o site tem sobre mim – opção disponibilizada no fim da seção "Geral", das configurações do Facebook – e investigar outros dados que ficam armazenados no meu perfil.
Confira algumas das informações surpreendentes que o Facebook armazena sobre você:
Dados pessoais podem ser baixados clicando na seta no canto superior direito da página, indo em 'Configurações' e escolhendo 'Geral' no menu à esquerda | Foto: Reprodução/Facebook

1. As coordenadas do seu rosto

Ao baixar uma cópia dos principais dados sobre mim no Facebook, obtive um pacote com pastas para fotos e vídeos e um arquivo chamado "index.htm", que deve ser aberto em um navegador. Esse arquivo permite visualizar essas informações de maneira organizada.

Logo na primeira página do arquivo, onde estão as informações pessoais, é possível ver três linhas de números que equivalem a uma espécie de impressão digital do seu rosto, segundo Thiago Tavares.

"Existem 34 pontos na face que são fixos e mapeáveis. A distância entre esses pontos pode ser calculada e esse cálculo permite que um algoritmo consiga identificar automaticamente uma face."

É por isso que, quando um amigo coloca uma foto com você, o Facebook consegue saber que você está lá e sugerir que ele te marque nela.

"Esse é um tipo de dado que as pessoas compartilham sobre você, mesmo que você não queira", explica Tavares.

No entanto, você pode impedir que a empresa guarde esse mapa da sua face e reconheça você nas fotos. Basta ir em "Configurações da linha do tempo e marcações" e escolher a opção "Ninguém" na pergunta "Quem vê as sugestões de marcações quando fotos parecidas com você são carregadas?".
2. Por onde você anda – dentro e fora da internet

Para muitos, uma das seções mais surpreendentes do arquivo do Facebook é a de "Segurança". Ali estão, por exemplo, informações sobre os computadores, celulares e tablets que você usou para entrar no site.

No meu caso, a lista cobria os três últimos anos. Ali estão os IPs – espécies de endereços numéricos usados pelos dispositivos para se comunicarem entre si na internet – e também as datas e horários em que acessei o Facebook, os navegadores que eu utilizei e até a operadora do celular com o qual eu me conectei.

Esses são tipos de "logs de acesso", que, de acordo com o Marco Civil da Internet no Brasil, devem ser armazenados por pelo menos seis meses para permitir que a polícia investigue qualquer crime que possa ter sido cometido na rede social com sua participação.

Além disso, o arquivo também lista cookies que o Facebook armazenou no seu navegador – são arquivos que registram rastros de navegação sobre o tempo que você permaneceu em cada página, a sequência de cliques que deu, os dados que você colocou em um formulário online, o site através do qual você chegou naquela página etc.

"Se eu desabilitar no meu navegador o armazenamento de cookies, não consigo usar o Facebook e muitos sites ou serviços. É por isso que esses produtos não são de graça como a maioria acha que são. Você paga com seus dados pessoais e com sua privacidade, fornecendo esse rastro de tudo o que faz", diz Tavares.
'Mapa' da sua face permite que Facebook marque você em fotos de amigos; é possível desabilitar esta opção nas configurações | Foto: Reprodução/Facebook

Até mesmo as fotos que você compartilha no seu perfil podem trazer dados detalhados sobre onde você estava quando as tirou – e não é preciso ser um grande detetive para descobri-los.

O EXIF, uma espécie de "etiqueta" que arquivos digitais de imagem possuem, contém mais dados do que se imagina.

Ao chegar na sessão "Fotos" do arquivo, percebi que as imagens feitas com câmeras analógicas que postei no site traziam informações como o modelo e o fabricante da câmera e, no caso das digitais, também as configurações usadas na foto (abertura do diafragma e foco, por exemplo), além de data e hora em que a imagem foi feita.

Já algumas fotos compartilhadas do Instagram traziam coordenadas de latitude e longitude de onde foram postadas.

Se você é do tipo que faz "check-in" nos lugares onde vai, não deve ser surpresa encontrar alguns deles, aqueles que você criou ("casa da minha avó", por exemplo), no arquivo que baixou.
3. Fotos que você 'esqueceu' no celular

A seção de "fotos sincronizadas" dos dados baixados do Facebook também é intrigante. Como eu não tinha nenhuma, não sabia exatamente o que aquela "gaveta" deveria armazenar.

O app do Facebook para smartphones traz, atualmente, uma opção de sincronizar automaticamente o seu celular com o seu perfil na rede.

Habilitando a opção, o site se comunica com seu celular e transfere as últimas fotos que você tirou, sem que você precise fazê-lo manualmente, para um álbum privado. Caso você queira, pode tornar o álbum público ou compartilhar fotos individuais com amigos.

De acordo com a empresa, "o recurso tem o objetivo de facilitar o compartilhamento com aqueles que importam para você. Nenhuma foto é postada no Facebook, a menos que o usuário decida compartilhá-las e confirme a ação".

Mas Thiago Tavares alerta também para os perigos da ferramenta. Afinal, fotos indesejadas também podem acabar indo parar no site, mesmo que não estejam públicas. E se alguém conseguir a senha da sua conta, terá acesso a elas.

"Muitos vazamentos não intencionais de fotos íntimas acabam acontecendo assim, com a ativação da sincronização de fotos automática do celular com o Facebook. A pessoa nem sabe que vazou", afirma.

4. O que você 'gostaria' de comprar

Nos últimos anos, respondendo a críticas sobre a maneira como cria anúncios específicos para seus usuários, o Facebook passou a disponibilizar essa informação de forma mais clara. Basta acessar esta página:
Clique aqui para visitar sua página de preferências de anúncios no Facebook (é preciso estar logado no site para ver a informação)

Na seção "Seus interesses", o Facebook lista o que ele considera que são seus assuntos preferidos com base nas suas curtidas e interações no site e em aplicativos que você instalou. Clicando em cada um dos assuntos, você pode ver alguns dos anúncios específicos que a plataforma escolhe para aparecer na sua linha do tempo.

Nesse caso, é possível até tirar e adicionar coisas à lista. No entanto, vale lembrar que isso não significa que você deixará de ver anúncios. Eles simplesmente serão aleatórios, em vez de específicos para seus gostos.
Clicando em cada um dos 'seus interesses', é possível ver os tipos de anúncios que a plataforma mostra a você | Foto: Reprodução/Facebook

Na seção "Anunciantes com os quais você interagiu", o site mostra quais foram as marcas cujos anúncios você clicou, cujos aplicativos você instalou e cujas páginas você visitou. E o mais importante: quais deles você permitiu, mesmo sem saber, que tivessem seus contatos.
É possível ver as marcas com as quais você interagiu dentro e até fora do Facebook, mas em conexão com o site | Foto: Reprodução/Facebook

Na seção "Suas informações" estão os dados que você forneceu voluntariamente ao Facebook ao preencher seu perfil: status de relacionamento, empresa onde trabalha, universidade ou colégio onde estudou etc.

Mas na aba "suas categorias" fica o verdadeiro tesouro: o Facebook mostra em que grupos de anúncios você foi colocado, ou seja, a quais "públicos" você pertence. Ao criar esses grupos, a empresa consegue oferecer a seus anunciantes a oportunidade de fazer propagandas de seus produtos e serviços a pessoas com mais chances de consumi-los.
Facebook coloca cada usuário em 'categorias' que podem ser usadas para criar anúncios específicos com eles | Foto: Reprodução/Facebook

Essas categorias também mostram a verdadeira extensão do que o site sabe sobre você: o sistema operacional do seu computador, o modelo do telefone que usa e se você é amigo de pessoas que se mudaram do país recentemente, por exemplo.

Em "Configurações de anúncios", você pode escolher se quer que o Facebook lhe mostre anúncios baseados em seus interesses - não só dentro da rede social, mas também em outros aplicativos e páginas que não pertencem à empresa de Mark Zuckerberg.

Mesmo informando tudo isso, o Facebook ainda não revela o verdadeiro "pulo do gato", segundo Tavares - o algoritmo que "combina" essas informações para criar perfis e até prever preferências pessoais. Um algoritmo como esse foi criado pela Cambridge Analytica para as propagandas políticas.

"O mundo inteiro está debatendo esse assunto, mas isso envolve o segredo do negócio do Facebook e a propriedade intelectual. Ainda é uma discussão que está no início", diz o especialista.

Dentro do meu arquivo de dados pessoais, a seção "Anúncios" do meu arquivo de dados, encontrei uma lista mais específica empresas e tópicos que o Facebook acha que eu gostaria de ver na minha linha do tempo. Mais abaixo, há ainda uma lista dos anúncios em que eu cliquei no site.

De acordo com Tavares, o Facebook decide quais anúncios mostrar a você a partir do seu comportamento na rede social. Mas o site não informa exatamente quais ações executadas por você levam a essa seleção.

Qual curtida fez com que aparecesse para mim algo sobre o time de futebol de Dallas, no Estado americano do Texas, pelo qual nunca me interessei? Nem consigo imaginar.
Site permite que você escolha se quer ver anúncios baseados em suas interações; mas mesmo que marque 'não', você continuará vendo anúncios aleatórios | Foto: Reprodução/Facebook

Se você usa bastante a opção "conectar com o Facebook" em outros sites e serviços, para evitar ter diversos cadastros, saiba que o que você faz nesses sites também poderá ser usado na rede de Mark Zuckerberg.

Nas suas configurações, você pode impedir que o Facebook use dados sobre sua atividade nesses outros sites e aplicativos para refinar os anúncios que mostra a você. Mesmo assim, a empresa continua coletando essas informações – e elas não estão disponíveis para download.

Mas e se eu não quiser mais ver nenhuma propaganda no Facebook? Impossível, diz Tavares.

"É impossível não ver anúncios no Facebook, da mesma forma que é impossível ter 100% de privacidade usando redes sociais. Uma coisa se tornou incompatível com a outra. É vendendo anúncios que a plataforma ganha dinheiro", afirma.

Mas isso significa que o Facebook está enviando essas informações sobre você diretamente para outras empresas? A empresa diz que não e, de fato, segundo Tavares, não é possível afirmar que esteja.

"Os anunciantes customizam campanhas e as segmentam (escolhem o público que querem atingir com cada campanha). Como o Facebook sabe quem exatamente preenche aquele perfil, ele direciona esse anúncio para esse usuário", explica.
5. Todas as suas buscas

Nem todos os dados que o Facebook armazena sobre você estão no arquivo disponível para download. Todas as suas interações, comentários, curtidas, marcações e buscas na rede social – desde o momento em que você entrou lá – estão armazenados no "Registro de Atividades".

Para chegar lá, vá até a página do seu perfil. Clique em "Registro de Atividades", opção que fica na parte inferior direita da sua foto de capa, ou seja, aquela imagem horizontal que você escolhe para abrir o seu perfil. Em seguida, talvez seja necessário clicar em "Mais" no menu "Filtros", à esquerda, para que ele se expanda.

Um dos detalhes surpreendentes que encontrei nessa sessão são todos os vídeos a que assisti dentro do Facebook, mesmo que não tenha curtido as postagens em que eles estavam, nem deixado comentários. Basta apertar o play e o site registra que eu os assisti.

Da mesma forma, estão registradas absolutamente todas as coisas que eu digitei na seção de busca desde que criei minha conta, em 2007 – nomes de pessoas, eventos e outras palavras-chave.

O registro de atividades, aliás, é a melhor maneira e saber, em tempo real, o que você está informando ao site. Se compartilha músicas que está ouvindo, livros que está lendo, se decide não ver postagens de um amigo na sua linha do tempo ou confirma presença em eventos, tudo estará ali.
Interação com amigos, como mensagens trocadas, permanece na rede mesmo depois que você sai dela THINKSTOCK

6. O que seus amigos quiserem que ele saiba

Por ser uma rede social, o Facebook reúne informações principalmente por meio das interações que seus usuários têm entre si. Então, cada vez que você manda uma mensagem para alguém ou aparece em uma foto de amigos, essa interação passa a pertencer a vocês dois. E ela não desaparece quando você sai da plataforma.

Atualmente, o Facebook possui duas opções de saída. Desativar sua conta é como "dar um tempo" no relacionamento. Todas as suas informações permanecem lá, segundo a empresa, até que você decida voltar. Já a opção de excluir a conta significa um ponto final.

O Facebook diz que pode levar até 90 dias para deletar todas as suas publicações, mas mensagens privadas trocadas com amigos, por exemplo, continuam nas caixas de mensagens deles.

"A sua privacidade hoje não depende só do que você publica sobre si mesmo, mas também do que o outro compartilha ou publica sobre você", diz Thiago Tavares.

"Enquanto seus amigos estiverem no Facebook, você nunca vai sair completamente dele, porque suas interações permanecem lá."

AUTOR: BBC

quinta-feira, 15 de março de 2018

SAIBA COMO UMA MUTAÇÃO GENÉTICA EM UMA ÚNICA CRIANÇA DEU ORIGEM A DOENÇA QUE AFETA MILHÕES DE PESSOAS

Anemia falciforme ganhou esse nome por causa da deformação que causa nos glóbulos vermelhos, dando-lhes formato de foice SCIENCE PHOTO LIBRARY

A anemia falciforme pode não ser tão conhecida quanto doenças como a Aids, a turberculose e a febre amarela, mas afeta milhões no mundo todo.

Segundo a Fundação Sickle Cell Disease, da Califórnia, nos EUA, cerca 250 milhões de pessoas carregam o gene, que, se herdado do pai e da mãe, gera a enfermidade. Cerca de 300 mil crianças nascem todo ano com anemia falciforme.

Uma das doenças genéticas mais comuns do mundo, ela é caracterizada por uma alteração nos glóbulos vermelhos, que perdem a forma arredondada e adquirem o aspecto de uma foice. Essa deformidade faz com que eles endureçam, dificultando a passagem do sangue pelos vasos e a oxigenação dos tecidos. Pode causar dor forte, anemia crônica e prejudicar órgãos vitais.

Um estudo recente conduzido por pesquisadores do americano Center for Research on Genomics and Global Health (CRGGH), feito com base na análise do genoma de 3 mil pessoas, liga a anemia falciforme a uma mutação genética que teria se manifestado em apenas uma criança há pouco mais de 7 mil anos.

Efeito colateral

A história da doença é um exemplo de como uma coisa boa acabou tendo péssimas consequências.

Há milhares de anos, quando o deserto do Sahara era uma área úmida e chuvosa, coberta com uma floresta, uma criança nasceu com uma mutação genética que lhe deu imunidade à malária.

A doença era tão mortal há milhares de anos quanto é hoje – nos dias atuais a malária mata uma criança a cada dois minutos.

Em um ambiente que era habitat dos pernilongos que carregam a doença, essa mutação deu grande vantagem a essa criança, que viveu, cresceu e teve filhos.

Seus filhos herdaram a mutação e, graças à imunidade, se espalharam e se reproduziram. Até hoje, as pessoas que têm o gene são mais resistentes à malária.

Mas é aí que entram as más consequências: se uma pessoa herda o gene com aquela mutação de ambos os pais, ela pode acabar desenvolvendo anemia falciforme, moléstia que resulta em fortes dores e diversas complicações de saúde. Entre eles problemas pulmonares e cardiovasculares, dores nas articulações e fadiga intensa.

E, para piorar, quem herda os genes dos dois pais perde a proteção que eles têm contra a malária.

Em um estudo publicado na semana passada na revista científica American Journal of Human Genetics, os cientistas Daniel Shriner and Charles Rotimi apresentaram a descoberta sobre a origem da doença feita após uma análise do genoma de cerca de 3 mil pessoas, das quais 156 tinham anemia falciforme.

Ambos são pesquisadores do Center for Research on Genomics and Global Health, entidade ligada ao National Institutes of Health (NIH) - uma reunião de centros de pesquisa que formam a agência governamental de pesquisa biomédica do departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

Os pesquisadores dizem que rastrearam a mutação 7,3 mil anos atrás e descobriram que ela começou em apenas uma criança.

Por que isso importa?

Segundo Rotimi, a descoberta ajuda na classificação da doença. "Possibilita aos médicos um entendimento melhor sobre como classificar pacientes doentes de acordo com a severidade da enfermidade", diz ele à BBC.

Isso pode ajudar a melhorar o tratamento clínico oferecido às pessoas, segundo ele. Não há cura para a anemia falciforme. Os portadores da doença precisam de acompanhamento médico constante para garantir a oxigenação adequada nos tecidos, prevenir infecções e para controlar as crises de dor.

No entanto, um dos médicos mais proeminentes no estudo da doença - Frederick B. Piel, do Imperial College, em Londres - afirmou ao jornal americano The New York Times que gostaria de ver estudos mais abrangentes para checar se eles chegam à mesma conclusão.

Células falciformes foram descobertas pela primeira vez nos Estados Unidos, em pessoas com ascendência africana, mas também são comuns em povos do Mediterrâneo, do Oriente Médio e de partes da Ásia.

Até agora os cientistas identificavam os diversos tipos da doença usando grupos separados de acordo com etnia e língua, o que, na verdade, segundo Rotimi, não ajuda a entender a doença do ponto de vista clínico.
Glóbulos vermelhos mal formados causam diversos problemas de saúde | Foto: Science Photo Library

Por décadas os cientistas se perguntam se a mutação aconteceu apenas uma vez e se espalhou ou se diversas crianças não relacionadas desenvolveram a mutação separadamente.

Mas Shriner e Rotimi descobriram que as pessoas que eles analisaram tinham mutações genéticas muito parecidas. Pessoas do Quênia, de Uganda, da África do Sul e da República Centro Africana tinham genes tão similares que se encaixariam em um padrão compatível com a distribuição da mutação através da migração do povo bantu.

Os bantu se espalharam do oeste da África para o leste e para o sul há cerca de 2,5 mil anos.

Rotimi dá risada ao ser questionado pela BBC se está 100% seguro sobre os resultados de sua pesquisa.

"Como cientista é sempre uma péssima ideia dizer que uma conclusão é definitiva. Eu nunca assumo a posição de que existe uma resposta definitiva", diz ele.

"Mas as informações que temos hoje deixam bem claro que não é possível sustentar, no momento, a teoria de uma origem múltipla para a mutação."

Estudos maiores podem ou não trazer o mesmo resultado. Por enquanto, no entanto, a imagem que fica é de uma criança que nasceu com sorte e espalhou seus genes para descendentes no mundo todo – que podem não ter a mesma sorte que ela.

AUTOR: BBC

domingo, 4 de março de 2018

A DESCOBERTA DE DUAS MÚMIAS DE 5 MIL ANOS QUE REVOLUCIONA O QUE SABEMOS SOBRE O EGITO ANTIGO

A múmia do homem, que tinha entre 18 e 21 anos quando morreu, tem no braço dois desenhos sobrepostos de animais | Foto: Museu Britânico

Duas múmias egípcias de 5 mil anos, descobertas há 100 anos, surpreenderam os arqueólogos com uma novidade descoberta apenas agora.

Os pesquisadores chegaram à conclusão que as manchas que elas tinham nos braços eram, na verdade, tatuagens.

Com ajuda de raios infravermelhos, os arqueólogos encontraram ilustrações figurativas feitas nos corpos das duas múmias. Os detalhes dessa pesquisa foram publicados na revista de arqueologia Journal of Archaeological Science.

Daniel Antoine, curador de Antropologia Física do Museu Britânico e um dos autores do trabalho, ressalta que a descoberta "transformou" a ideia que os cientistas tinham de como as pessoas daquela época viviam.

"Apenas agora estamos tendo maior clareza sobre como era a vida desses indivíduos notavelmente preservados. Com mais de 5 mil anos de existência, eles mostram que as tatuagens na África apareceram mil anos antes do que as evidências mais recentes sugeriam", disse ele à BBC.
A primeira tatuagem tem dois animais sobrepostos: acima, um carneiro com chifres, abaixo, um búfalo selvagem | Foto: Museu Britânico

Homem também podia

As imagens obtidas por scanner de uma das múmias, a do homem, revelaram que as tatuagens representam dois animais sobrepostos. Uma delas parece ser a de um touro selvagem com um rabo grande, e a outra, a de um carneiro com chifres.

Até então os arqueólogos acreditavam que apenas as mulheres tinham tatuagens naquela época.

A múmia feminina tem quatro pequenos motivos em formato de "S" no seu ombro direito.

Ela também tem um outro desenho que parece representar um bastão usado em um ritual de dança. O pigmento usado é provavelmente fuligem.
A múmia feminina tem tatuagens em formato de 'S'; os desenhos na pele, dizem os pesquisadores, indicariam status de coragem e de conhecimento mágico | Foto: Museu Britânico
Simbolismo

Os arqueólogos acreditam que as tatuagens indicariam um determinado status dentro da comunidade, ou de coragem ou de um certo conhecimento mágico.

As múmias foram encontradas em Gebelein, a 40 km do território onde hoje fica Luxor.

As covas em que elas estavam não eram profundas, mas graças ao calor, à salinidade e à aridez do deserto, elas se mantiveram bem conservadas.

A análise de carbono 14 indica que o homem e a mulher viveram entre 3351 a.C. e 3017 a.C.. Outro exame indica que o homem foi esfaqueado quando tinha entre 18 e 21 anos.

O exemplo mais antigo de tatuagem está em uma múmia conhecida como Ötzi, descoberta em 1991 nos Alpes, na fronteira entre Áustria e Itália, que viveu entre 3370 a.C. e 3100 a.C.. 

Mas os desenhos em sua pele não traziam figuras, mas apenas traços verticais e horizontais.
Detalhe das tatuagens em formato de 'S' no ombro da múmia de mulher | Foto: Museu Britânico

AUTOR: BBC

sábado, 24 de fevereiro de 2018

ALERTA! LEVANTAMENTO REVELA CAOS NO CONTROLE DE DENÚNCIAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS

Denúncias podem chegar por diversos canais – mas raramente são as próprias crianças que denunciam GETTY IMAGES

Umas das ligações que mais marcaram a atendente Camilla*, que trabalha desde 2016 no Disque-Denúncia (100), foi um caso de abuso sexual de um bebê de um ano de idade.

Ela recebeu a ligação de uma pessoa - que não pode ser identificada para preservar o anonimato garantido pelo serviço - dizendo que, ao trocar a fralda da criança, encontrou seu órgão genital machucado e com pus.

Segundo o relato, a menina estava sendo abusada pelo padrasto, e a mãe não fazia nada porque não queria que o marido fosse preso.

Camilla anotou todos os detalhes sobre a vítima - nome, onde morava, informações sobre a família - e o caso foi encaminhado à polícia do Estado para ser apurado.
Mas é impossível descobrir, de forma organizada e sistemática, o destino de denúncias graves como a relatada pela atendente.

A BBC Brasil buscou dados para uma reportagem sobre o percentual de denúncias de violência sexual contra crianças que resultavam em abertura de inquérito e possível punição de culpados. Procurou também informações centrais sobre crianças reportadas como vítimas em denúncias, como saber se estão em segurança. Encontrou não dados, mas um verdadeiro buraco negro de informações e descontrole estatístico por parte das autoridades.

A reportagem, que envolveu dezenas de telefonemas e envios de emails para autoridades federais e também em todos os 26 Estados e no Distrito Federal, revela que nenhum órgão mapeia denúncias e monitora o que acontece com elas.

Não há controle consistente e padronizado em nível federal, estadual ou municipal que acompanhe quantas eram procedentes, quantas se tornaram inquéritos policiais, quantas chegaram à Justiça ou o que aconteceu com as crianças.
Nenhuma entidade governamental brasileira reúne números do combate ao abuso sexual de crianças de todos os Estados GETTY IMAGES

A importância dos números

A falta de dados centralizados prejudica o combate - já que o primeiro passo para criação de políticas públicas contra o crime é saber o tamanho do problema, como ele costuma acontecer, se há maior ocorrência em determinados Estados e que questões, em alguns casos culturais, precisam ser combatidas em busca de uma solução.

"É muito difícil pensar políticas públicas sem ter dados e estatísticas", afirma o pesquisador Herbert Rodrigues, que foi associado ao Núcleo de Violência da USP e é autor do livro Pedofilia e suas Narrativas.

"Os dados sobre o assunto são um caos. Os órgãos não estão preparados para lidar com o problema", afirma ele, que fez uma extensa pesquisa em diversos bancos de dados para sua tese de doutorado.

Ele defende que o poder público tenha um sistema exclusivo para monitoramento de abuso sexual infantil a exemplo do que ocorre em países como os Estados Unidos e o Reino Unido.

Em terreno britânico, os números divulgados por diversas entidades governamentais são reunidos pela NSPCC (sigla em inglês para Sociedade Nacional para a Prevenção de Crueldade contra Crianças).

Nos EUA, diversas entidades reúnem esse tipo de informação. O Departamento de Saúde federal tem um escritório específico de cuidado às crianças que publica relatórios periódicos. O Crimes Against Children Research Center (Centro de pesquisa sobre crimes contra crianças) também reúne dados nacionais - e o acompanhamento das denúncias é feito pelo FBI, a polícia federal americana.
Várias fontes, nenhum controle

No Brasil, a primeira pergunta sem resposta diz respeito ao total de denúncias de violência sexual contra crianças que chegam a diferentes autoridades.

Elas podem chegar a delegacias de polícia (especializadas ou não), ir direto ao Ministério Público, a conselhos tutelares ou a Varas de Infância e da Juventude. Casos envolvendo crimes virtuais são investigados pela Polícia Federal. Não há números consolidados de número de denúncias feitas no país todo por nenhum desses caminhos.

As suspeitas também podem chegar pelo Disque-Denúncia e serem encaminhadas a algum desses outros canais. Só por este caminho chegaram cerca de 9 mil denúncias no primeiro semestre de 2017. Em 2016, foram 15.707. Os dados são do Ministério dos Direitos Humanos, que mantém o serviço do Disque 100.

A segunda lacuna é com os dados sobre o que aconteceu com as denúncias que chegaram por esse caminho.

As suspeitas são passadas individualmente para serem investigadas pelas polícias estaduais ou por outras autoridades. Todos os casos são repassados e, em tese, investigados. Mas como não há uma regra que obrigue quem recebeu as denúncias a dar retorno, os feedbacks que chegam são poucos.

O serviço só recebe retorno sobre o andamento da apuração em 16% dos encaminhamentos na média, segundo o Ministério dos Direitos Humanos.
Crimes contra crianças cometidos na internet são investigados pela Polícia Federal
Lacunas GETTY IMAGES

Em busca dessas informações sobre o destino das denúncias que chegam por outros caminhos, a BBC Brasil procurou as polícias estaduais e também o Ministério Público de todos os 26 Estados brasileiros e do Distrito Federal.

Na maioria dos Estados, nem a própria polícia ou secretaria de segurança agrupa essas informações. A ausência de dados centralizados gera a impossibilidade de cobrança e acompanhamento de uma esfera superior.

A BBC Brasil recebeu informações apenas da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais e dos Ministérios Públicos de Santa Catarina, Distrito Federal, Acre, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

As Secretarias de Segurança Pública de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e os Ministérios Públicos de Minas Gerais, Goiás e Ceará admitiram não ter os dados.

Os outros órgãos não responderam ou não deram explicações para não terem enviado as informações.
Retrato brutal

Os únicos dados centrais que a BBC Brasil conseguiu identificar revelam a brutalidade deste tipo crime, ou seja, quando vítimas vão parar em um hospital com machucados, doenças ou outros problemas decorrentes do abuso.

Em 2016, o sistema de saúde registrou 22,9 mil atendimentos a vítimas de estupro no Brasil. Em mais de 13 mil deles - 57% dos casos - as vítimas tinham entre 0 e 14 anos. Dessas, cerca de 6 mil vítimas tinham menos de 9 anos.

As estatísticas são do Sinan, o sistema de informações do Ministério da Saúde, que registra casos de atendimento de diferentes ocorrências médicas desde 2011. É uma espécie de ponta do iceberg do problema.

O sistema consolida dados tanto dos serviços de saúde pública quanto da rede privada.

"Crianças e adolescentes de até 14 anos são mais vulneráveis à ocorrência de estupro principalmente na esfera doméstica. Os autores da violência, na maioria das vezes, são familiares e pessoas conhecidas", afirma a médica Fátima Marinho, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Os números mais consistentes são os do Ministério da Saúde - que mostram as vítimas que chegaram ao sistema de saúde GETTY IMAGES

Mas mesmo os números do Sinam, que oferecem um visão central do problema, não retratam todos os casos de abuso sexual de crianças que acabaram no sistema de saúde. Isso porque nem todos os municípios do país reportam os casos, embora o procedimento seja obrigatório.

A definição de estupro utilizada pelo Ministério da Saúde é a mesma adotada no âmbito penal. São notificados como estupro, por exemplo, conjunção carnal, masturbação, toques íntimos, a introdução de dedos ou objetos na vagina, sexo oral e sexo anal.

Nos casos de estupros de menores, os profissionais de saúde responsáveis pelo atendimento em hospitais devem comunicar as ocorrências aos conselhos tutelares locais.

A partir deste ponto, o sistema de saúde não faz mais o acompanhamento - portanto mesmo pelos números da área de saúde não há como saber quais desses casos chegaram à polícia ou à Justiça.

Para a delegada Kelly Cristina Saccheto, de São Paulo, "estatísticas são importantes, mas, para as investigações individuais, o que mais importa é ter dados suficientes no registro da ocorrência para que polícia abra o inquérito."

Segundo ela, muitas das denúncias chegam sem informações suficientes - como nome completo do acusado ou endereço - para que a polícia identifique os suspeitos.
Vulnerabilidade

Se muitas vítimas adultas já não denunciam seus casos à polícia por medo de represálias ou de serem desacreditadas, as crianças estão ainda mais vulneráveis - e a chance de o problema nunca chegar às autoridades é maior, segundo especialistas.

"Nos casos que chegam à Justiça é possível ver, em muitos processos, tentativas de desqualificar e deslegitimar as crianças para inocentar o agressor. É reflexo de uma sociedade que tem baixa confiança nas crianças, onde elas são desconsideradas, como se não tivessem agência no mundo", afirma Herbert Rodrigues, pesquisador do Núcleo de Violência da USP.

O desembargador Eduardo Freitas Gouvea, da Coordenação de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, acredita que legislação existente é bem extensa e adequada para proteger as crianças - o que falta é sua aplicação.

"É necessário um trabalho de prevenção" afirma. "Hoje em dia o Judiciário é visto como caminho de resolução de tudo, mas é preciso que o Executivo aplique a lei e haja uma rede de proteção às crianças para evitar que os crimes aconteçam."

O fato da maior parte dos abusos - físicos e sexuais - virem das próprias famílias torna o problema mais complexo e difícil de ser resolvido, já que a criança fica completamente desamparada e sem o apoio justamente de quem deveria protegê-la.

"E é um tabu, ninguém quer falar sobre isso ou lidar com o problema real", diz Rodrigues.

Camilla, a atendente do Disque-Denúncia, diz que evita pensar no que aconteceu com as vítimas.

"Tento pensar que o importante é que a denúncia tenha sido feita. Já é o primeiro passo para resolver (o caso)."

*O nome foi trocado para proteger a identidade da entrevistada.

AUTOR: BBC

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

ALERTA!!! DESAFIO DO DESODORANTE, DA CAMISINHA, DA COLA: AS ONDAS ONLINE QUE PÕE VIDAS DE CRIANÇAS EM RISCO

'Desafios' com graves riscos à saúde se proliferam online GETTY IMAGES

A morte de uma menina de sete anos por ingestão de aerossol volta a lançar luz sobre "desafios" que circulam em vídeos pela internet e têm nas crianças suas principais vítimas.

Adrielly Gonçalves, de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento no último sábado com parada cardiorrespiratória, em estado grave. As tentativas de reanimá-la não tiveram sucesso, segundo nota da Secretaria de Saúde da cidade. Um laudo do Instituto Médico Legal vai detalhar as causas da morte.

"Ela, criança inocente, colocou o desodorante direto na boca e desmaiou, tendo uma parada cardíaca na sequência. (Foi) por um motivo que jamais imaginamos, um vídeo sobre desafio de inalar desodorante aerossol", disse uma familiar em postagem no Facebook, fazendo "um alerta aos pais, (para) que fiquem de olho nos conteúdos que os filhos pesquisam na internet".

Youtubers fazem diferentes desafios que consistem em inalar a substância em vídeos que circulam pelas redes sociais e acumulam milhares de visualizações no site.

Há ainda o "jogo da asfixia" ou "do desmaio", em que compete-se para ver quem prende a respiração por mais tempo, além de desafios de inserir camisinhas nas narinas para tirar pela boca, de comer canela em pó em grandes quantidades e pura, de passar cola nas narinas e na boca. Fora as competições que induzem jovens e crianças a tomar grandes quantidades de bebidas alcóolicas.

Todas as práticas trazem gravíssimos riscos à saúde. E estão proliferando na internet.

A ONG cearense DimiCuida, voltada à conscientização sobre o perigo de jogos de asfixia, contabilizou na semana passada 24 mil vídeos em português de "desafios de desmaio" apenas no YouTube. Há outros 800 mil em inglês.
Galera que me acompanham aqui pelo face,certamente viram a minha postagem referindo sobre luto .
Gostaria de alertar ,aos pais que fiquem de olho nos conteúdos que os filhos,pesquisam na Internet.
Adrielly uma menina de 07 anos , linda e muita amada ,infelizmente veio a falecer no dia 03 de Fevereiro morava em São Bernardo do Campo ,por um motivo que nós pais jamais imaginamos, galera o vídeo era sobre um desafio de inalar desodorante aerosol, o objetivo era inalar e ver a quantidade de tempo que você aguenta, ela criança inocente colocou o desodorante direto na boca e desmaiou tendo parada cardíaca em sequência 😢.
Peço que rezem, orem pela mãezinha dela Marcia Gonçalves,pois ela está desolada uma tristeza que espero que nem uma mãe pai familiar venha passar .
Então fica aí o alerta !

"E o número de vídeos fica extraordinariamente maior se contarmos outros vídeos de jogos semelhantes que também causam asfixia, como os da camisinha ou da canela", diz Fabiana Vasconcelos, psicóloga da ONG, à BBC Brasil.

Além disso, há relatos de convites a jogos do tipo em postagens no Instagram, no Snapchat e em fóruns de games online, ainda que o YouTube seja a maior fonte de acesso.

Há cerca de um ano e meio, um jovem de 14 anos de São Vicente (litoral de São Paulo) foi encontrado morto com um lençol no pescoço. Investiga-se se ele foi induzido a isso pelo chamado "jogo do desmaio".

Desafios perigosos que viralizam online:
Ingerir álcool ao máximo que conseguir
Asfixiar a si mesmo ou a um colega para causar desmaio
Inalar aerossol de desodorantes
Ingerir canela em pó
Colocar camisinha no nariz para sair pela boca

"Muitos acidentes acontecem por causa (de brincadeiras assim), em que as crianças participam de desafios porque o amigo pediu, por exemplo", diz à BBC Brasil o capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

"Geralmente o resultado é muito ruim, com lesões que duram o resto da vida ou causam a morte."

Até jogos aparentemente inocentes, como o que estimula a ingerir canela, podem ter consequências graves: "a canela em pó bloqueia e queima as vias respiratórias e pode causar asfixia. O jogo da camisinha também pode asfixiar", explica Vasconcelos, da DimiCuida.

E o desafio do desodorante, que aparentemente causou a morte de Adrielly Gonçalves, é perigoso por causa do alto teor de etanol (álcool) presente em qualquer tipo de desodorante, explica Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP.

"Esse teor é de 70% a 90%, muito maior do que o do uísque ou o absinto, por exemplo. E, ao inalar, o volume (de álcool) absorvido é extremamente alto, provocando uma inflamação da laringe e uma parada cardíaca", diz à BBC Brasil.
Vídeo de desafio do desodorante: inalação do aerossol é arriscada sobretudo pelo alto teor alcoólico da substância | Foto: Reprodução/YouTube

Como agir no caso emergências

Em situações como essas, é preciso correr para o pronto-socorro, porque a criança precisará de inalação ou entubação urgente, explica Wong.

E, tendo havido a ingestão de produtos tóxicos ou alcoólicos, a orientação dos especialistas é nunca provocar o vômito (que pode piorar a obstrução das vias aéreas) nem oferecer nada às crianças sem antes buscar ajuda especializada.

Essa ajuda pode ser dada pelos bombeiros (telefone 193) ou por centros de assistência toxicológica, como o Ceatox da Faculdade de Medicina da USP (0800-148110), que atende ligações do Brasil inteiro nas 24 horas do dia.

"As substâncias podem causar reações diferentes entre si, e cada uma vai exigir um tipo de tratamento, então é primordial pedir auxílio especializado", diz Palumbo, do Corpo de Bombeiros.

No caso de asfixia ou parada respiratória, Palumbo orienta a colocar a criança deitada de costas no chão (por ser uma superfície rígida) com o corpo alinhado ao pescoço, para ajudar a liberar as vias aéreas.

Isso não dispensa, porém, que se chamem os bombeiros imediatamente, para obter orientações específicas para as circunstâncias de cada caso.
Jovens fazendo desafio da canela em pó, que pode obstruir vias aéreas | Foto: Reprodução/YouTube

Veja, pelo movimento do tórax, se há sinais de respiração e batimentos cardíacos. Se não houver, é possível que o atendente emergencial oriente a fazer uma massagem cardíaca (um vídeo dos bombeiros no Facebook ensina a fazer as manobras)

No caso de queimaduras, os bombeiros ensinam a lavar a área do corpo com água corrente, cobrir com gazes úmidas e com um pano, para proteger o local. Jamais passe qualquer produto (veja vídeo tutorial dos bombeiros com mais detalhes).

Como prevenir

"Como nativas do mundo digital, as crianças têm acesso muito mais rápido a esses vídeos, enquanto os pais ainda não sabem como administrar (a navegação infantil)", diz Vasconcelos, da DimiCuida.

A prevenção, diz ela, começa com respeitar a idade mínima de acesso às plataformas sociais (16 anos para WhatsApp e 13 anos para Facebook, por exemplo). E Vasconcelos sugere a pais e responsáveis acompanhar a vida online das crianças assim como ocorre com a vida offline.

"Assim como perguntamos 'com qual amigo você vai sair hoje?', devemos perguntar 'quem são seus amigos online?', 'a qual vídeo você assistiu hoje?', e assistir junto", explica.

Vasconcelos opina que não adianta proibir a visualização de vídeos perigosos.
Para especialista, adultos precisam ajudar as crianças e adolescentes a fazerem uma reflexão crítica do conteúdo que veem online GETTY IMAGES

"É preciso criar um ambiente (para discutir os vídeos) sem julgamento, mas sim com uma reflexão crítica, que ainda não está maturada nas crianças e adolescentes. 'Esse rapaz do vídeo tem quantos anos? Ele não parece ser uma criança como você. Por que ele está fazendo isso? E vale a pena correr esse tipo de risco? Vale a pena compartilhar esse conteúdo?'", diz.

Como, para crianças e adolescentes, a morte é algo muito abstrato, Vasconcelos sugere deixar claro o risco desses vídeos de forma mais concreta - dizendo, por exemplo, que a criança pode perder seus movimentos e ser impedida de jogar futebol.

Além disso, é importante denunciar vídeos com conteúdo perigoso.

A BBC Brasil questionou o YouTube sobre seus procedimentos de segurança para evitar esses conteúdos.

Em nota, o site disse que "as políticas (da plataforma) restringem conteúdos que têm a intenção de incitar violência ou encorajar atividades ilegais ou perigosas, que apresentem um risco inerente de danos físicos graves ou de morte. Qualquer usuário pode denunciar esse tipo de conteúdo e nossa equipe analisa essas denúncias 24 horas por dia, sete dias por semana".

A reportagem também questionou o Youtube sobre o número de vídeo similares já removidos, mas não obteve resposta.

AUTOR: BBC

domingo, 4 de fevereiro de 2018

'MEGALÓPOLE' MAIA É DESCOBERTA EM PLENA SELVA COM NOVA TECNOLOGIA A LASER

A cidade maia de Tikal estava rodeada de uma complexa rede de vias até então invisíveis| Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Em um marco na pesquisa arqueológica, estudiosos encontraram mais de 60 mil ruínas da população maia na Guatemala, graças a uma nova tecnologia de raio laser.

A tecnologia Lidar - abreviação, em inglês, de "detecção e alcance da luz" (Laser Imaging Detection and Ranging) - foi usada para mapear digitalmente sob a cobertura florestal, revelando uma "megalópole" de casas, palácios, vias elevadas e fortalezas.

As pesquisas cobriram até agora mais de 2,1 mil quilômetros quadrados na cidade de Petén, no norte guatemalteco. A área, identificada perto de cidades maias já conhecidas, provavelmente abrigou milhões de pessoas a mais do que pesquisas prévias sugeriam.

Arqueólogos acreditam que a tecnologia de ponta vai mudar a forma como o mundo enxerga a antiga civilização centro-americana.

"Acho que será um dos grandes avanços em mais de 150 anos de (pesquisa) arqueológica maia", diz à BBC Stephen Houston, professor de Arqueologia e Antropologia da Universidade Brown, no EUA.
Tecnologia Lidar revelou 60 mil ruínas, como esta pirâmide maia, que levarão anos para serem plenamente entendidas pelos cientistas | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Com décadas de experiência nesse ramo, ele achou as descobertas "de tirar o fôlego".

"Quando vi as imagens, fiquei com lágrimas nos olhos."

A emoção se deve aos indicativos de que os maias faziam parte de uma civilização de avanços equivalentes, à época, aos vistos em culturas tidas como sofisticadas, como a da Grécia Antiga e da China.

"Tudo virou de cabeça para baixo", diz o arqueólogo Thomas Garrison, do Ithaca College (EUA) e parte do consórcio de pesquisadores envolvidos no estudo.

Ele acredita que a escala e a densidade da população maia vinham sendo "bastante subestimadas e podem ser, na verdade, três ou quatro vezes maior do que se pensava anteriormente".
Pesquisadores se surpreenderam com a sofisticação e a densidade da civilização maia reveladas pelas imagens | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Tecnologia

Os pesquisadores usaram a tecnologia Lidar para remover digitalmente a densa cobertura florestal guatemalteca - em uma região atualmente desabitada - e criar um mapa do que esteve sob a superfície na época maia.

A Lidar é descrita como "mágica" por alguns arqueólogos por revelar coisas praticamente invisíveis ao olho nu e jamais observadas até então.

Usa-se o laser para mapear a superfície da Terra, com milhões de disparos de laser no solo, feitos a partir de um avião ou helicóptero.

Os comprimentos de onda são medidos ao baterem no solo e voltarem - método semelhante ao usado por morcegos para caçar suas presas à noite.
Estruturas estavam cobertas pela densa vegetação | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

As medições, de alta precisão, são então usadas para produzir uma detalhada imagem tridimensional da topografia. A mesma técnica já fora usada para revelar cidades até então ocultas sob o antigo templo de Angkor Wat, no Camboja.

"Essa tecnologia está revolucionando a arqueologia da mesma forma que o telescópio espacial Hubble revolucionou a astronomia", afirma Francisco Estrada-Belli, arqueólogo da Universidade Tulane à revista National Geographic. "Precisaremos de cem anos para esmiuçar os dados e realmente entender o que estamos vendo."

"A questão espinhosa é que a Lidar nos dá imagens comprimidas de 3 mil anos de civilização maia na área", explica Garrison. "É um ótimo problema, porque nos traz mais desafios à medida que aprendemos mais."
Área hoje inabitada por ter abrigado muitos milhões de maias a mais do que se pensava | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Descobertas

A civilização maia, que teve seu auge há 1,5 mil anos, ocupava uma área estimada em duas vezes maior do que a Inglaterra medieval e abrigava uma população que, até agora, os cientistas calculavam em 5 milhões.

"Com os novos dados, já não é insensato pensar que havia ali de 10 a 15 milhões de pessoas, incluindo moradores de áreas baixas e pantanosas que muitos de nós considerávamos inabitáveis", argumenta Estrada-Belli.

Os arqueólogos também se surpreenderam com as "incríveis estruturas defensivas" da megalópole recém-descoberta, como muralhas e fortalezas, que mostram que os maias investiam mais recursos em defesa do que se imaginava.
Tecnologia mapeia sob a vegetação com laser e cria imagens tridimensionais | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Outra descoberta é uma pirâmide de sete níveis, que estava tão coberta pela vegetação que praticamente desaparecia na selva.

Havia ainda uma complexa rede de vias elevadas interligando as cidades maias, permitindo o deslocamento até mesmo durante as temporadas de chuvas. A largura das estradas sugere que elas eram amplas o bastante para comportar grande movimento de pessoas e bens de comércio.

A pesquisa é a primeira parte de um projeto de três anos que visa promover a preservação histórica da Guatemala. O objetivo é mapear 14 mil quilômetros quadrados de território.

AUTOR: BBC

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