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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

COMO SELFIE DE AMIGAS POSTADA NO FACEBOOK AJUDOU A POLÍCIA A DESVENDAR ASSASSINATO, NO CANADÁ

Cheyenne Antoine (à esq.) posa para selfie com cinto usado para matar Brittney Gargol (à dir.) | Reprodução/Facebook

Uma foto publicada no Facebook foi a chave para solucionar um crime no Canadá.

Cheyenne Rose Antoine, de 21 anos, foi condenada na segunda-feira a sete anos de prisão por homicídio culposo (sem intenção de matar) pelo assassinato da amiga Brittney Gargol, de 18 anos, ocorrido em março de 2015.

Ela foi identificada como suspeita após publicar, horas antes do crime, uma selfie com Gargol no Facebook. Na imagem, ela usava o cinto que foi encontrado ao lado do corpo da vítima na cena do crime.

Estrangulada até a morte, a jovem foi achada perto de um aterro em Saskatoon, na província de Saskatchewan, com o cinto de Antoine ao lado.

Segundo a polícia, a versão que a amiga da vítima deu inicialmente - de que as duas tinham ido a vários bares antes de Gargol sair com um homem não identificado, e ela ir ver o tio - não batia.

Os policiais usaram então as postagens do Facebook para ajudar a reconstituir a movimentação das amigas na noite do crime.

E perceberam que a publicação de Antoine na linha do tempo de Gargol na manhã seguinte - "Cadê você? Não deu mais notícias. Espero que tenha chegado bem em casa" - era uma tentativa de despistá-los.
Policiais foram ao Facebook procurar pistas 'Nunca me perdoarei' AFP

Antoine, inicialmente acusada de assassinato em segundo grau, que equivale no Brasil a homicídio doloso (com intenção de matar), se declarou culpada do crime, mas disse que não se lembrava de matar a amiga.

Ela disse que as duas estavam bêbadas e tinham fumado maconha quando começaram uma discussão acalorada.
Em um comunicado, ela se disse arrependida:

"Eu nunca me perdoarei. Nada que eu diga ou faça trará ela de volta. Eu lamento muito, muito... Isso não deveria ter acontecido", afirmou Antoine em nota emitida por meio de seu advogado.

O advogado de Antoine disse sua cliente foi à polícia um mês antes do assassinato para denunciar maus-tratos cometidos pelos pais adotivos, e que ela teria sofrido abusos similares no abrigo para crianças no qual viveu em Saskatchewan.

A família de Gargol se manifestou no julgamento.

"Não conseguimos deixar de pensar em Brittney, no que aconteceu naquela noite, no que ela deve ter sentido lutando por sua vida", disse Jennifer Gargol, tia dela, no tribunal.

AUTOR: BBC

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

CONHEÇA A SAGA EM BUSCA DE UM TESOURO REAL ROUBADO EM 1885, E CUJO PARADEIRO AINDA É MISTERIOSO

História da dominação britânica em Mianmar é cheia de mistérios GETTY IMAGES

Se a história tivesse tomado outro rumo, o homem simples de 70 anos ao meu lado, tremendo com o frio de outono de Londres, poderia ter sido o rei de Mianmar, líder de uma nação mais de 50 milhões de pessoas.

U Soe Win passou a vida mantendo um estilo discreto. Os generais que governaram Mianmar após sua conquista pelo Reino Unido, em 1885, não queriam a concorrência de pessoas com linhagem real. Assim, ele trabalhou por décadas de forma silenciosa no serviço diplomático do país.

Enquanto esperamos na rua por John Clarke, curador de arte sudeste-asiática do museu londrino Victoria & Albert, Soe Win tenta manter suas sandálias fora das poças geladas na calçada. "Agora sei por que vocês britânicos foram para Mianmar", ele brinca. Concordamos que é uma boa ideia ele usar sapatos no restante de sua estadia na capital britânica.

O objetivo de nossa visita ao museu é ver valiosos objetos que já pertenceram à sua família - e alguns que ainda pertencem. Mas também estamos à caça de um tesouro: um enorme rubi.

Quando Clarke chega, ele nos leva pelos corredores do museu e conta que, por muitos anos, o V&A, como a instituição é conhecida localmente, teve a maior coleção de arte de Mianmar do mundo: a Mandalay Regalia.

São 167 objetos de ouro com pedras preciosas que vão de armas de fogo a louças e sapatos. Os britânicos os tomaram do último rei do país, o bisavô de Soe Win, quando ele foi deposto e mandado ao exílio.

No entanto, foram devolvidos ao governante de fato de Mianmar em 1964, o general Ne Win, como um gesto de boa vontade. Tudo, menos uma peça que o general mandou de volta para o museu como um presente: um ganso de ouro. Talvez uma mensagem com a típica ironia de Mianmar para seu antigo conquistador?
Peça foi a única que permaneceu no Reino Unido após objetos preciosos saqueados serem devolvidos

Finalmente, Soe Win pergunta: o que aconteceu com o rubi de seu bisavô, o Nga Mauk, que tinha o tamanho de um ovo de pata, sobre o qual diziam "valer um reino" e que trazia sorte ao seu dono?
O que é a 'máfia PayPal', grupo de onde saíram alguns dos homens mais ricos do Vale do Silício

"Não está nem jamais esteve aqui", responde Clarke. "O mais provável é que esteja em um lugar como a Coleção Real, porque me lembro de ter lido que ele foi dado de presente à rainha (britânica) Vitória (1837-1901)."

O principal suspeito

Quando conheci Soe Win, em 2014, ele me garantiu que jamais iria a Londres. Estava aposentado havia muito tempo e vivia em uma pequena casa próxima a uma ferrovia. Havia passado sua carreira preocupado, vivendo em meio àqueles que haviam exilado seu bisavô, arruinado sua família e ocupado seu país.

Em novembro de 1885, 10 mil soldados do Reino Unido haviam sido enviados para tirar o rei da então Birmânia do poder. A invasão deu fim a seis décadas de tensão e conflitos esporádicos entre britânicos e cidadãos de Mianmar, causados entre outras coisas pela recusa de autoridades britânicas em tirar os sapatos na presença do rei. Mas o conflito principal era comercial.

O governo britânico considerava o rei Thibaw um obstáculo para o comércio com a China. Também havia o medo de que ele favorecesse a França, que expandia seus territórios imperiais a oeste da Indochina, muito próximo da Índia, a joia da Coroa britânica.
Bisneto do rei de Mianmar deposto por britânicos está em busca do maior tesouro de sua família

Os britânicos levaram apenas duas semanas para derrotá-lo. Com o palácio cercado, o rei se rendeu em 29 de novembro. Foi levado com sua mulher, que estava grávida, e suas duas filhas até um barco que os levaria a Ratnagiri, uma ilha de pescadores a milhares de quilômetros dali, na costa ocidental da Índia.

Por isso, Soe Win temia que o enviassem a Londres como parte do corpo diplomático. Mas, agora, havia aceito vir voluntariamente para buscar pelo rubi de seu bisavô.

Após nossa visita ao V&A, fomos à Biblioteca Britânica, onde são conservados muitos registros da anexação da antiga Birmânia. Ali, encontramos um desenho feito por um artista do país sobre a queda de Thibaw.

Soe Win observa a pintura, e seus olhos se concentram na figura de um homem vestido com um uniforme branco que fala com o rei. "O coronel Sladen", ele sussurra, para logo me contar a história de Edward Sladen, um condecorado veterano que chefiou a força de invasão britânica.
'Desaparecimento do rubi'

Sladen era conhecido pelo rei, falava birmanês e ficou encarregado da tarefa de fazer Thibaw se render sem gerar agitações. Foi ele quem supervisionou enquanto o rei empacotava apressadamente suas posses mais valiosas, entre elas o Nga Mauk, para ir para o exílio. O que aconteceu depois é parte de uma famosa lenda.

A filha mais jovem do rei escreveria anos depois que "Sladen pediu ao seus pais para ver o rubi, e eles o deram" ao general. "Segundo meus pais, depois de observá-lo por um tempo, ele o colocou no bolso, fingindo estar distraído, e nunca o devolveu."
Image captionNo círculo iluminado, é possível ver o coronel Sladen falando com o rei | Foto: The British Library

Esse é o relato mais famoso do que aconteceu, e muitos acreditam que o título de cavaleiro que foi dado a Sladen meses depois por seu "serviço especial na Birmânia" é a prova de que ele levou o rubi, o deu à rainha Vitória e, em troca, recebeu essa recompensa.

O próprio Thibaw dizia que havia dado a pedra preciosa ao coronel britânico para que o protegesse junto com outros objetos de valor. Do exílio, ele escreveu para autoridades britânicas na Índia em junho de 1886 para que devolvessem seu rubi.

"Os pertences na lista que envio", escreveu seu secretário, "foram entregues (por Thibaw) ao coronel Sladen porque temia que se perdessem durante a viagem. O coronel Sladen prometeu que seriam entregues quando ele quisesse. Ele espera que sua excelência o governador-geral (vice-rei da Índia) ordene que os objetos sejam devolvidos".

A lista inclui "um anel de rubi conhecido pelo nome de Nagamauk (outra possível grafia de Nga Mauk)".

Thibaw nunca deixou de reivindicar a devolução dos seus pertences. Ao fim de 1911, escreveu diretamente ao rei George 5º, sucessor de Vitória, mas as autoridades britânicas se faziam de surdas: o homem acusado havia morrido 21 anos antes. O rei Thibaw viria a falecer cinco anos depois, em 1916.

Os herdeiros

Após sua morte, sua filha mais jovem, a avó de Soe Win, manteve o pedido, inclusive escrevendo à Liga das Nações, organização internacional que precedeu a ONU.

Quando ela morreu, seu filho Taw Phaya Galae, tio de Soe Win, seguiu com a busca - e foi graças à sua investigação que ele e eu estamos em Londres.
O rei Thibaw faleceu no exílio na Índia, em 1916, aos 58 anos

Phaya Galae escreveu um livro com teorias do paradeiro do rubi. Ali, garantiu que, "por maior que seja o empenho dos imperialistas britânicos de apagar os rastros do rubi Nga Mauk, há fortes evidências de sua existência". Sua hipótese era de que a pedra podia estar escondida bem à vista, incrustada em joias reais britânicas.

Ele não era o único que pensava assim: ao fazer uma busca na internet por "rubi Nga Mauk", aparecem muitas imagens da rainha Elizabeth 2ª e suas joias, como a coroa real, mas o rubi usado nela é outro, chamado "Príncipe Negro".

Phaya Galae acreditava que o Nga Mauk poderia ter sido usado para decorar a coroa imperial da Índia, uma joia especial feita em 1911, quando George 5º viajou ao país para ser coroado imperador. Mas há um problema com essa hipótese: essa coroa não tem o tamanho do Nga Mauk. Ainda assim, quem acredita na teoria diz que a pedra pode ter sido partida em quatro e usada em diferentes partes da coroa.

Sabemos que os rubis da coroa são de "origem birmanesa", como destaca um documento oficial de 1998. Mas a realidade é que a maioria dos rubis do mundo vêm dali. O Royal Colletion Trust, a organização que cuida da Coleção Real, disse que não há informação sobre sua origem e se recusou a conceder uma entrevista.

Soe Win e eu fomos à Torre de Londres visitar a Coleção Real e ver se há algo oculto. Entusiasmados como dois estudantes, chegamos à coroa imperial da Índia e a observamos. Depois de algum tempo, me dei conta de que Soe Win não estava ao meu lado. Encontrei ele do lado de fora, no pátio, com uma cara de preocupação.

Estava convencido de que nenhuma das peças que acabara de ver era o Nga Mauk. Garantiu que, se fosse, teria sentido.

"Quero ver o que não estão me mostrando. Eu vim para isso", me disse, sorrindo.

A carta

Decidimos voltar à Biblioteca Britânica para continuar nossa busca. Encontramos ali uma carta enviada em dezembro de 1886 pelo vice-rei da Índia em resposta ao pedido de Thibaw, em que ele ordenava uma investigação.

Todas as pessoas que haviam estado presentes no Palácio Mandalay quando o rei foi deposto foram contactadas, incluindo Sladen, então um cavaleiro da Coroa que havia regressado a Londres e que se preparava para se aposentar.

Entre seus documentos pessoais ainda conservados pela Biblioteca Britânica, há três rascunhos da carta que escreveu em resposta ao vice-rei. Acredita-se que Sladen tenha tido dificuldades para achar as palavras certas.
Edward Sladen, o principal suspeito de ter levado o precioso rubi | Foto: WikiCommons

O que finalmente disse foi que não havia visto os pertences da lista de Thibaw, que o rei não havia feito "nenhuma tentativa de entregar objetos particulares" em meio ao caos e que havia entregue tudo que havia estado em seu poder. Também indicou um grande número de pessoas que poderiam ter levado um objeto tão pequeno e valioso como um anel de rubi.

Outra coisa nos chamou atenção: o diário pessoal de Sladen. Buscando em suas memórias sobre o dia 29 de novembro de 1885, achamos algo curioso: na terceira folha, 12 linhas foram rasuradas. As primeiras três foram tapadas com tinta e o restante, com lápis. É a única folha do diário que foi editada, algo muito suspeito.

Um funcionário da biblioteca se ofereceu para usar uma técnica para descobrir o texto rasurado. A parte coberta com lápis é ilegível, mas, onde foi usado tinta, é possível ler algumas palavras: "Rei me pede que receba... Regalia - eu concordo - me pede pessoalmente para levar K...".

O que vem a seguir poderia ser qualquer coisa, mas Soe Win está certo de que se refere ao Nga Mauk. "Por isso o apagou, é muito simples", ele me diz.
O diário de Sladen tem, no dia 29 de novembro de 1885, um trecho que foi rasurado | Foto: The British Library

Mas, se Sladen levou o rubi, o que fez com ele? Pergunto isso a seu bisneto, o conde de Portsmouth, quando o visito em sua mansão em Hampshire. Ali, há uma caixa com três das medalhas dadas a Sladen pela rainha Vitória.

O conde me conta que corria em sua família um vago rumor de que o coronel havia "roubado a coroa de Thibaw", mas que nunca ouviu nada sobre um rubi.

"Se roubou e ficou com ele, onde está o dinheiro?", pergunta ele, explicando que a Sladen, a família de sua mãe, não era rica. "O filho de Edward, meu avô, teve de se dedicar à caça de elefantes no Quênia para sobreviver."
Busca real

Isso cria outra possibilidade: talvez Sladen o tenha levado, mas entregado à rainha Vitória, como acreditava Clarke, do V&A.

Ele me envia uma carta que o Royal Collection Trust escreveu em resposta ao professor universitário Michael Nash, que, em 2003, fez uma consulta sobre o Nga Mauk.

Uma funcionária da instituição disse que, em um inventário das joias da rainha Vitória feito em 1896, havia menção a um "rubi cabochão (75)". O termo faz referência a uma pedra preciosa polida, mas não lapidada. O número poderia ser dos quilates: o Nga Mauk tinha mais de 80, mas talvez possa ter sido cortado.
Rubi poderia ter sido herdado pela princesa Louise? GETTY IMAGES

"O inventário destaca que a pedra veio do rei da Birmânia, foi entregue à rainha por embaixadores e restaurado em estilo clássico", escreveu a funcionária.

Onde está hoje essa pedra? "Um bracelete foi herdado pela princesa Louise, duquesa de Argyll", diz, em referência à quarta filha da rainha Vitória. "Portanto, não faz mais parte da Coleção Real."

Nash escreveu à atual duquesa de Argyll, que lhe disse que a joia já não está mais entre os bens de sua família. Aparentemente, a princesa o deixou para alguém ao morrer, mas não é possível ter acesso à sua lista de herdeiros.

Quando pergunto a Soe Win por que é tão importante encontrar o rubi de seu bisavô, sua resposta me surpreende. "Vocês têm tantas relíquias de sua história, nós não temos nada."

Ele pensou nisso durante sua estadia em Londres, onde encontrou muitos objetos originários de Mianmar. E me conta que as pessoas em seu país ficariam muito felizes de ter ao menos réplicas desses objetos.

Para ele, o principal valor do Nga Mauk é educacional, motivacional: o considera um talismã que poderia ajudar a unir e reconstruir seu país.

"O Nga Mauk nos lembra do que tivemos e do que pudemos fazer, nos recorda que já fomos uma nação orgulhosa e independente, com uma rica história. Hoje, não temos nada desse passado para ensiná-lo às próximas gerações."

AUTOR: BBC

domingo, 7 de janeiro de 2018

11 MORTES OCASIONADAS POR AÇÕES ESTÚPIDAS

Nunca sabemos o que pode acontecer no nosso dia a dia, por isso, alguns de nós tentam ser muito cuidadosos, valorizando a vida. 

No entanto, há quem diga que todo mundo tem a sua hora e quando tiver que acontecer, isso acontecerá. 

Isso pode explicar as mortes que aconteceram a seguir, que para muitos, foram ocasionadas por ações que não deveriam nem ter passado pela cabeça das pessoas. 

Mesmo parecendo mentira, esses momentos realmente aconteceram.

1) O sinal do Wi-Fi

A internet realmente é um problema para muita gente. Na Espanha, um equatoriano não conseguia conexão para o seu celular. Irritado, decidiu subir na sacada do seu apartamento para ver se algo mudava. O homem acabou caindo do prédio alto e falecendo.

2) Jogar demais

Um sul-coreano decidiu que ia fazer uma maratona do jogo Star Craft. A jogatina acabou durando 50 horas e só terminou com a morte do jovem, que conforme o laudo médico, teve desidratação e insuficiência cardíaca.

3) Culpa da enfermeira

O Rei Carlos Navarro III teve uma morte que não foi digna da monarquia. Quando ficou doente, o médico ordenou que o homem ficasse embrulhado em linho e coberto de conhaque. A instrução era para que a enfermeira cortasse o último fio de linho. Porém, a mulher decidiu colocar fogo, sem perceber que queimaria o rei até a morte (ou será que sabia?).

4) Fone de ouvido muito alto

Um homem já faleceu ao ser esmagado por um helicóptero na Alemanha. O falecido não ouviu a chegada do transporte porque estava com os fones no volume máximo.

5) Fique no carro de segurança

Dois turistas alemães foram mortos em um parque selvagem ao saírem do carro de segurança, quando a instrução era de que não saíssem de jeito algum. No fim, foram atacados por três tigres.

6) Surfando no temporal

Um surfista quis arriscar ao surfar em um forte temporal. Resultado: foi jogado pelas ondas contra a parede de um hotel e acabou falecendo.

7) A cerveja

Um homem morreu em uma competição de quem bebia mais cerveja. Após seis litros, o falecido teve um ataque cardíaco.

8) Não ria muito depois do almoço

O Rei Argon começou um ganso inteiro na sua última refeição. O que o fez morrer foi a indigestão, por ter rido demais da piada do seu bobo da corte.

9) Cama de hotel

Duas irmãs idosas faleceram em um cama dobrável de hotel. Como o móvel não estava bem fixado, as irmãs foram sufocadas por ele.

10) Viagra

O viagra, quando usado incorretamente, mata mais do que parece. No entanto, um russo decidiu tomar uma quantidade enorme para ter relações durante a noite inteira com duas garotas de programa. O seu coração explodiu.

11) Balões

O padre Adelir Antônio de Carli, de 41 anos, quis fazer um experimento com balões. A ideia era voar do sul do Paraná até Ponta Grossa. No entanto, o vento forte desviou o caminho e ele acabou morto. Parte do corpo do homem foi encontrado em uma embarcação da Petrobas no litoral do Paraná.

Abaixo você confere o vídeo que conta um pouco mais dessas histórias:

AUTOR: News 24hrs

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

SAIBA PORQUE O MUNDO LEVOU 2 MIL ANOS PARA DESCOBRIR AVANÇO DE ARQUIMEDES NO ESTUDO DA MATEMÁTICA

Conhecimentos foram resgatados com tecnologia moderna, mas o que aconteceu durante os séculos em que o texto estava perdido?

Um livro perdido poderia ter mudado a história mundial. Desaparecido há mais de mil anos, o exemplar contém um registro único das ideias de um dos maiores estudiosos de todos os tempos.

Tudo começou em Siracusa, na região da Sicília, na Magna Grécia (sul da península Itálica colonizada pelos gregos), no ano de 287 a.C.. Foi quando Arquimedes, um gênio que estava séculos à frente do seu tempo, nasceu.

"Não há outro matemático na Antiguidade, nem na história, que chegue perto de Arquimedes", disse à BBC Chris Rorres, professor emérito de Matemática da Universidade Drexel da Pensilvânia, nos Estados Unidos, quando o manuscrito foi recuperado.

Arquimedes é popularmente conhecido como o homem que gritou "Eureka!" na banheira.
Poucos lugares são melhores para pensar do que a banheira | Foto: Science Photo Library

Ele estava tentando resolver um mistério sobre a coroa de ouro do rei.

O monarca suspeitava que o ourives que fabricou a coroa tinha misturado prata, metal mais barato, ao ouro que ele tinha fornecido para confecção do objeto.

A coroa tinha o peso certo (equivalente à quantidade de ouro fornecida pelo rei), mas como a prata é mais leve do que o ouro, a questão era: será que a coroa tinha um volume maior do que se tivesse sido fabricada em ouro maciço?

Certa vez, ao entrar na banheira para tomar banho, Arquimedes percebeu que quanto mais seu corpo ficava submerso, mais água transbordava. A partir desta observação, ele concluiu que poderia estabelecer quão grande era a coroa do rei ao imergi-la em um recipiente com água e medir a quantidade de líquido que seria deslocado.

Dizem que ele ficou tão entusiasmado com a descoberta que saiu imediatamente do banho e correu nu pelas ruas de Siracusa gritando "Eureka", que em grego significa "descobri".
GETTY IMAGES

Inventor famoso

Não sabemos se os cidadãos da Sicília realmente viram Arquimedes nu, mas a verdade sobre a coroa do rei foi revelada: o ourives tinha sido desonesto e o matemático havia se mostrado um excelente detetive.

Durante sua vida, Arquimedes tornou-se famoso por suas invenções e temido por suas armas de guerra.

Foi também nomeado conselheiro militar pelo rei de Siracusa, que o confiou a defesa da cidade.
A garra de Arquimedes teria sido uma arma projetada por ele para defender a cidade de Siracusa | Foto: Getty Images

Mas é por meio da matemática que sua verdadeira genialidade aparece. Foi ele que considerou estimar um valor para π (Pi), vital para calcular a área de um círculo, um dos componentes básicos da ciência.

Ele fez isso colocando um círculo entre polígonos, já que seu perímetro pode ser calculado, pois seus lados são retos.

Ele começou inserindo um hexágono dentro do círculo e outro fora. Em seguida, foi adicionando mais e mais lados até chegar a 96.

A ideia era fazer com que os polígonos se aproximassem o máximo possível do perímetro do círculo, o que lhe daria os limites cada vez mais próximos entre os quais deveria estar π.
Arquimedes usou polígonos de 96 lados para encontrar um valor aproximado para o número Pi

Ele calculou assim que o valor de π estava entre 310/71 (aproximadamente 3.1408) e 31/7 (cerca de 3.1429), uma estimativa que ainda é usada pelos engenheiros hoje - e é mais do que suficiente para todos os propósitos práticos.

Obcecado por matemática, o estudioso não enxergava nenhum problema como difícil demais.

Ele chegou a tentar, inclusive, calcular a quantidade de grãos de areia necessários para preencher todo o Universo.

A resposta: 10, seguido de 62 zeros.

Os historiadores da época contam que Arquimedes ficava eufórico quando descobria formas matemáticas cada vez mais complexas.

4 triângulos e 4 hexágonos formam um tetraedro truncado ...

12 quadrados, 8 hexágonos, 6 octágonos - octaedro truncado ...

12 pentágonos, 30 quadrados e 20 triângulos, 60 vértices, 120 arestas, 62 faces: um rombicuboctaedro.

Basta!
Rombicuboctaedro, um dos sólidos descobertos por Arquimedes | Foto: Cortesia Cyp que POV-Ray

Tragicamente, Arquimedes ficou tão conhecido que até os romanos sabiam da sua existência e desejavam capturá-lo.

Quando finalmente conseguiram invadir a cidade de Siracusa, deram ordem para prendê-lo. Mas o soldado que o encontrou se distraiu e, sem notar a confusão ao seu redor, não recebeu as instruções corretas. Por isso, matou-o com a espada.
Ilustração mostra o trágico fim de Arquimedes | Foto: Science Photo Library

Uma reciclagem devastadora

A morte de Arquimedes, em 212 a.C., marcou o fim de uma era de ouro na matemática grega, que foi declinando gradualmente.

No entanto, seus manuscritos sobreviveram, sendo reproduzidos por escribas que transmitiram seus conhecimentos de geração para geração. No século 10, foi produzida uma cópia final de suas obras mais importantes.

Mas o interesse pela matemática havia se perdido, e o nome de Arquimedes foi esquecido.
Conhecimento de Arquimedes estava prestes a ter um destino pior que o esquecimento | Foto: Science Photo Library

Certo dia, no século 12, um monge ficou sem pergaminhos. A consequência disso foi desastrosa.

As páginas da cópia final da obra mais importante de Arquimedes foram reutilizadas para fazer um livro de orações.

Cada uma das folhas que formavam uma página dupla do manuscrito foram cortadas e dobradas para dar origem a novas páginas, que, após serem lavadas e raspadas, ficaram suficientemente claras para se escrever novamente sobre elas.

O manuscrito foi reciclado e transformado em um palimpsesto - um papiro ou pergaminho que "mais uma vez" (palin, em grego) foi "raspado" (em grego, psao) para apagar o que estava escrito e ser reutilizado.

Tornou-se, assim, um livro de orações do mosteiro de Mar Saba, no deserto da Judeia, no Oriente Médio.

O renascimento matemático

No século 15, o Renascimento chegou à Europa. A ciência avançou o suficiente para que os estudiosos compreendessem os argumentos matemáticos de Arquimedes.

No entanto, ninguém tinha noção que algumas de suas maiores ideias haviam se perdido.
Arquimedes voltou a povoar o imaginário coletivo no Renascimento, como mostra essa pintura de Domenico Fetti (1589 - 1623), mas ninguém suspeitava que, sob textos religiosos, havia um tesouro escondido

Os matemáticos renascentistas tiveram que lidar com conceitos e problemas que Arquimedes havia resolvido 1,5 mil anos antes.

Mas centenas de anos se passaram até que o manuscrito do grego viesse à tona novamente. Ninguém sabe como, mas ele apareceu em uma biblioteca de Constantinopla, atual cidade turca de Istambul.

Em 1906, ao revisar o catálogo da biblioteca, Johan Ludvig Heiberg, especialista dinamarquês em cultura grega, se deparou com algo no documento que despertou sua curiosidade.
Johan Ludvig Heiberg foi a Constantinopla porque suspeitava que tinha algo de Arquimedes no manuscrito

"Ele deve ter ficado atordoado ao ver o manuscrito. Ele sabia muito bem o quão valioso era o que ele estava lendo", afirmou à BBC William Noel, ex-curador do Museu de Arte Walters, nos EUA. Atualmente, ele é diretor do Instituto Schoenberg para Estudos de Manuscritos da Penn Libraries, na Filadélfia.

Como não podia retirar o manuscrito da biblioteca, Heiberg tirou fotos das páginas e, com base nelas, tentou reconstruir o trabalho de Arquimedes, uma tarefa incrivelmente árdua quando sua única aliada era uma lupa.

De qualquer forma, a descoberta de Heiberg revelou ideias que até então não eram conhecidas.

No livro, Arquimedes não só dava as respostas para seus cálculos, como tinha escrito seus pensamentos mais íntimos, revelando como tinha feito seu trabalho.

'O Método'

"Foi uma descoberta espetacular para a história da matemática. Se você é pintor, provavelmente tem interesse nas obras finalizadas dos grandes mestres da pintura. Mas, além disso, você quer saber as técnicas, os métodos, as tintas que eles usaram. Os matemáticos querem saber não apenas quais são seus teoremas, mas como se chegou até eles ", compara Rorres.

O Método, título dado à obra, mostrou que Arquimedes criou uma abordagem radical que nenhum matemático havia chegado perto de inventar.
Até então, era possível encontrar vestígios de Arquimedes, entre as orações

Em sua mente, ele havia construído um conjunto de escalas completamente imaginárias para comparar os volumes de formas curvas - o que ele usou para tentar calcular o volume de uma esfera.

Como já se conhecia o volume de um cone e de um cilindro, ele tentava equilibrar a esfera e o cone de um lado com o cilindro no outro. Tudo isso mentalmente.

Arquimedes imaginou um número infinito de cortes e, usando uma matemática muito complexa, encontrou uma maneira de equilibrar os objetos nas escalas.

O resultado final: o volume de uma esfera é precisamente dois terços do volume do cilindro que encerra essa esfera.

O matemático considerava a descoberta tão importante que pediu que fosse inscrita em sua lápide.

Ao arquitetar volumes usando cortes infinitos, Arquimedes dava o primeiro passo em direção a um ramo vital da matemática, conhecido como cálculo, 1,8 mil anos antes de ser inventado.
O conceito do infinito segue sendo um dos mais complicados da matemática | Foto: Getty Images

O mundo moderno não poderia existir sem o cálculo - é essencial para cientistas e engenheiros, e a tecnologia do século 21 depende disso.
Outro desaparecimento

Em 1914, quando estava prestes a descobrir a verdadeira genialidade de Arquimedes, o plano de Heiberg de estudar o manuscrito em Constantinopla foi bruscamente interrompido.

Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Europa e o Oriente Médio foram tomados pelo caos, e o palimpsesto onde estavam os escritos do matemático se perdeu novamente.

Os acadêmicos tinham poucas esperanças de reaver o documento, mas, em 1971, Nigel Wilson, um especialista em Grécia antiga, ouviu falar de uma página de um manuscrito em uma biblioteca da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e foi investigar.

"Transcrevi algumas frases. Havia termos técnicos muito específicos. Pelo vocabulário, descobri rapidamente que se tratava de um ensaio de Arquimedes, e me dei conta que deveria ser uma folha do famoso palimpsesto", disse à BBC Wilson, professor de Estudos Clássicos da Universidade de Oxford.

Mas por que apenas uma página do palimpsesto de Arquimedes foi parar em Cambridge?
Como uma página do manuscrito chegou à biblioteca da Universidade de Cambridge? | Foto: Getty Images

Uma pista era sua procedência: uma coleção de documentos que pertencia a um erudito chamado Constantine Tischendorf, um homem de poucos escrúpulos.

"Tischendorf viajou muito pelo Oriente Médio. Em Constantinopla, visitou a biblioteca e disse que havia apenas um manuscrito de seu interesse: um palimpsesto com um texto matemático. Não disse mais nada", contou Wilson.

"Não podemos deixar de supor que essa página foi roubada", acrescenta.

No início do século 20, Heiberg contava só com uma lupa para ler o manuscrito. Nos anos 1970, Nigel Wilson tinha a seu favor a tecnologia moderna.

"A maior parte da página era legível e, com a lâmpada ultravioleta, os cantos, que não podiam ser lidos, ficaram nítidos."
A tecnologia dos anos 1970 revelou ainda mais detalhes da escrita

Após a 1ª Guerra Mundial, Paris e outras cidades europeias foram inundadas de obras de arte do Oriente Médio, mas ninguém tinha visto o documento de Arquimedes.

Em 1991, Felix de Marez Oyens começou a trabalhar para a casa de leilões Christie's e, em seu novo escritório, encontrou a carta de uma família francesa que dizia ter um palimpsesto.

Intrigado, De Marez Oyens foi examinar o livro. "De cara eu soube que deveria ser o manuscrito que Heiberg estudou pela primeira vez em 1906", disse à BBC De Marez Oyens.

Os proprietários contaram que, na década de 1920, um parente que era colecionador amador havia adquirido o manuscrito em Constantinopla. Agora eles queriam vendê-lo.
Mas qual é o preço de algo inestimável?

"Qualquer avaliação de algo assim é simplesmente uma suposição. Acho que eu disse a eles que valia entre US$ 550 mil e US$ 800 mil", afirmou De Marez Oyens.

O manuscrito foi vendido por muito mais. Um bilionário anônimo pagou US$ 2 milhões.

Em 1998, era chegada finalmente a hora de recuperar o conhecimento perdido por mais de dois milênios. Alguns meses após comprar o manuscrito, o novo dono entregou o documento ao Museu de Arte Walters, em Baltimore, no estado de Maryland, nos EUA.

Cientistas, restauradores e historiadores começaram a se debruçar sobre a obra.
Página do manuscrito com textos religiosos (acima); tecnologia revela (abaixo) o que não era possível visualizar antes

Usando tecnologia de imagem multiespectral e uma técnica de raio-X que faz brilhar o ferro da tinta que foi raspada, eles descobriram que o documento continha não só sete tratados de Arquimedes, como também discursos de Hipérides, político e orador ateniense, e comentários sobre as categorias de Aristóteles do século 2 ou 3.

Entre os tratados do matemático grego, estava a única cópia sobrevivente do Stomachion de Arquimedes, no qual ele tenta descobrir de quantas maneiras é possível combinar 14 peças fixas para formar um quadrado perfeito.
Esta é uma das combinações possíveis, mas quantas mais existem? | Foto: Science Photo Library

A resposta é 17.152 combinações.

Stomachion significa dor de estômago, que é como se referiam aos enigmas na antiguidade.

Trata-se do primeiro trabalho a desenvolver a matemática das combinações, que é a base da probabilidade, algo que se acreditava ter surgido nos séculos 17 ou 18.
Até o infinito

Sem dúvida, a leitura de O Método deixou claro que Arquimedes deu um grande passo para a compreensão do infinito; mais que isso, usou o conceito como parte do argumento de um de seus teoremas.

Arquimedes estava mais próximo da ciência moderna do que se imaginava. Embora se soubesse que ele tinha dado alguns passos na direção do cálculo moderno, o palimpsesto mostrou que, de certa forma, o grego já havia chegado lá.
Nesta imagem, vemos os escritos religiosos em uma direção e a narrativa de Arquimedes na outra

O que teria acontecido, então, se esse documento não tivesse sido perdido? Se os matemáticos do Renascimento tivessem tido acesso a ele?

"Isso teria mudado a matemática, é claro, mas devemos ter em mente que influenciaria todas as ciências. Então, basicamente, teria sido se a maré do conhecimento tivesse subido centenas de anos atrás", responde Rorres.

AUTOR: BBC

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

SAIBA QUAL A ORIGEM DOS RITUAIS DE ANO NOVO DO BRASIL

Há mais de 4 mil anos, já se comemorava o início de um novo ciclo no calendário. Mas naquela época, em vez de um "ano" novo, a passagem do tempo era contada pelas estações do ano.

O primeiro povo a celebrar a festa de passagem teria sido o da Mesopotâmia, área que corresponde hoje aos territórios de Iraque, Kuwait, Síria e Turquia. Por dependerem da agricultura para sobreviver, eles celebravam o fim do inverno e início da primavera, época em que se iniciava uma nova safra de plantação.

Com isso, a festa de passagem dos mesopotâmicos não se dava na noite do dia 31 de dezembro para 1º de janeiro, mas sim do dia 22 para o 23 de março, data do início da primavera no Hemisfério Norte.

Foi somente com a introdução de um novo calendário no Ocidente, em 1582 - o calendário gregoriano, adotado pelo papa Gregório 13 no lugar do calendário juliano - que o primeiro dia do novo ano passou a ser 1º de janeiro.

Assim como acontece nas comemorações de Ano Novo atualmente, as celebrações de passagem também representavam esperança. Se hoje alguns rituais têm por objetivo atrair prosperidade e dinheiro - como usar a cor amarela na festa de Réveillon ou comer lentilhas - os cultos de 4 mil anos atrás pediam alimento e fartura.

Já o termo Réveillon, usado em várias partes do mundo para descrever a festa de véspera de Ano Novo, é mais recente: surgiu no século 17, na França, e representava festas da nobreza que duravam a noite toda.

O Réveillon não tinha data para acontecer, mas com o declínio da nobreza francesa a palavra foi sendo adaptada para a festa de véspera de Ano Novo - a palavra Réveillon deriva do verbo "acordar" em francês.

No século 19, essas festas foram adotadas pela nobreza de outros lugares do mundo que eram influenciados pela cultura francesa.

A nobreza do Brasil foi uma das que adotou o Réveillon, mas o sincretismo religioso característico do passado histórico do país fez com que as comemorações aqui adicionassem novos personagens, costumes e comidas às festas de Ano Novo.

Nas festas de Iemanjá, os devotos vestem branco e levam flores como oferenda | Foto: Tomaz Silva/Ag. Brasil

À moda brasileira

Em Salvador, a Igreja do Senhor do Bonfim é o principal ponto da cidade na última sexta-feira do ano, chamada de "Sexta-feira da Gratidão". Fiéis de todo o país vão até o templo para pedir proteção para o próximo ano e levar objetos para benzer, como colares, as famosas fitinhas do bonfim, chaves de casa, fotos e até o carro.

Em todas as praias do Brasil, seguidores de Iemanjá costumam passar o Réveillon no litoral para fazer oferendas ou pular as sete ondas.

Iemanjá, a Rainha do Mar, é uma divindade africana originalmente vinda da Nigéria, da tradição chamada de iorubá, e incorporada pelo candomblé e pela umbanda no Brasil.

"Na Nigéria, o ritual a Iemanjá é feito no dia 2 de fevereiro (assim como na Bahia), mas ele também ocorre no Brasil durante os últimos dias do ano e na véspera de Ano Novo", explica o professor da Unirio Zeca Ligiéro, autor de livros sobre tradição e performance afro-brasileira.

"Iemanjá se popularizou nas religiões afro-brasileiras, como a Umbanda, o Tambor de Mina e o Candomblé pela força deste arquétipo feminino que ela representa: mãe, vaidosa que gosta de perfumes, flores e agrados e protetora das gestantes", completa o professor.

Ligiéro conta que a Umbanda nasceu no Brasil depois que os rituais africanos foram duramente perseguidos no país, tendo sido diretamente influenciada pela cultura nacional.

"Essa nova religião de matriz africana, a Umbanda, mesclou várias tradições ameríndias, espirita e católica, criando uma nova imagem para Iemanjá, uma espécie de vênus cabocla, cujos quadris são mais fartos que os seios", explica o professor.

"A imagem de Iemanjá, por causa dessa mescla, parece sair do mar como uma virgem de Botticelli, mas distribui graças com suas palmas abertas como algumas imagens de Virgem Maria. Aliás, ela tem semblante de Maria, mas traz uma estrela na testa (símbolo da alta espiritualidade africana) e tem longos cabelos negros, mais indígenas que afro."

"Todas as religiões fazem empréstimos umas das outras para construir suas ritualidades específicas", explica o professor de História Moderna da Unicamp, Rui Luis Rodrigues, ao falar sobre a origem histórica das festas de final de ano.

"Pesquisas históricas, antropológicas e teológicas têm indicado os variados empréstimos que os grupos religiosos contraem entre si em seus rituais."

O umbandista Marcelo Rodrigues, do Rio de Janeiro, faz, todos os finais de ano, oferendas a Iemanjá. "Procuro fazer a virada de ano na praia, mas, quando não é possível, costumo ir um ou dois dias antes ao mar."

Sete ondas

A relação do brasileiro com as praias nacionais durante o Réveillon, no entanto, não é exclusiva de devotos de Iemanjá.
Fitinhas do Senhor de Bonfim são presença garantida no Réveillon de Salvador GETTY IMAGES

Apesar de morar longe do litoral, no interior de São Paulo, a família costuma do paulista Rodrigo da Gama passar o Réveillon nas praias de Santa Catarina, Estado onde têm familiares.

"Quando estamos em Santa Catarina, sempre vamos até a praia, usamos roupas brancas e pulamos as sete ondas na virada", conta Gama.

De uma família de "católicos não praticantes", ele explica que o ritual de usar branco e pular as ondas, diferente de como é para os umbandistas, não tem significado religioso, somente espiritual.

A tradição da família dele demonstra como a figura de Iemanjá se popularizou no Brasil, principalmente nos anos 1950 e 1960, quando seu ritual passou a ser praticado nas praias da famosa Zona Sul do Rio de Janeiro, ganhando visibilidade nacional.

"Mas a partir da organização de shows pirotécnicos e de patrocínios milionários para as festas nas praias cariocas, os rituais a Iemanjá têm sido banidos para praias cada vez mais distantes", afirma Ligiéro.

"Percebemos que os rituais de oferendas a Iemanjá correm cada dia mais risco, mesmo com Iemanjá congregando milhões de pessoas de outras religiões, que se vestem de branco e vão para a praia. Assistimos a volta da perseguição às religiões afro-brasileiras com a hostilização desses rituais."

Usar roupas brancas na festa de Ano Novo se tornou comum no Brasil na década de 1970, quando membros do Candomblé passaram a fazer suas oferendas na praia de Copacabana. Pessoas que passavam pela praia e viam o ritual, acharam bonito o branco - e adotaram a vestimenta.

A tradição de pular as sete ondas na virada do ano, fazendo sete pedidos diferentes, também está ligada à Umbanda e ao culto a Iemanjá.

O sete é um número cabalístico, que na Umbanda representa Exu, filho de Iemanjá. Também tem relação com as Sete Linhas de Umbanda, conceito de organização dos espíritos sob o comando de um orixás. Cada pulo, nesse caso, seria o pedido a um orixá diferente.
As oferendas a Iemanjá são um ritual de Ano-novo tipicamente brasileiro GETTY IMAGES

Os dias de Ano Novo

As comemorações de Ano Novo não acontecem necessariamente no dia 1º de janeiro. Isso porque existem vários calendários que organizam o ciclo anual de maneira diferente do gregoriano.

Para os muçulmanos, o Ano Novo corresponde ao mês de maio do calendário gregoriano; para os judeus, corresponde ao período de final de setembro e início de outubro; já os chineses celebram a passagem entre final de janeiro e início de fevereiro.

A advogada Anna Beatriz Dodeles é de família judia e não comemora o Ano Novo do calendário gregoriano.

"O 'Ano Novo' Judaico se chama Rosh Hashana, conhecido como Dia do Julgamento e a Cabeça do Ano. Ele acontece em um dos meses mais importantes do Judaísmo, o mês de Elul", conta ela.

"Essa festividade ocorre no sétimo mês do calendário Judaico - Lunar - e marca para os judeus o nascimento do mundo, o início da criação humana."

Para celebrar o Rosh Hashana, cujas comemorações duram dois dias, a família Dodeles faz orações e come determinadas comidas típicas para a comunidade judia, como o vinho e a chalá redonda (pão fermentado arredondado) umedecido no mel.

"Nessa época, devemos pedir perdão às pessoas que magoamos, não de forma genérica, mas de maneira pensada. Caso aquela pessoa não aceite as desculpas, o pedido deve ser feito no mínimo três vezes, e o mais importante é mudar o nosso comportamento para que aquilo não se repita naquele novo ano", explica a advogada.
Na casa de Anna Beatriz Dodeles, a celebração do hanukah, no final do ano, ganhou um toque brasileiro com a troca de presentes | Foto: Arquivo pessoal

Já a família da jornalista Flávia Sato, que é budista, também segue tradições da cultura japonesa. Por isso, sua família se despede do ano velho no dia 31 de dezembro, mas faxinando a casa.

"No dia 31, na casa dos meus pais, praticamos um ritual chamado Oosouji, que é uma limpeza minuciosa da casa para renovar as energias do ambiente e começar o Ano Novo do zero, com tudo limpo e organizado", conta a jornalista.

A comida também é importante neste ritual de passagem. "Não pode faltar ozoni, um caldo que leva um bolinho de arroz; o moti, que, segundo a tradição, traz boa sorte para o ano que se inicia. Depois da queima de fogos e de comer moti, nossa festa costuma acabar cedo, porque no dia seguinte, logo pela manhã, todos nos reunimos novamente para iniciar o ano em oração", descreve ela, explicando que o Ano Novo é o principal feriado em família dos budistas.

Além da faxina, do jantar em família e da queima de fogos, também há rituais individuais na casa dela.

"Meus pais sempre me incentivaram a aproveitar essa época para escrever todos os meus objetivos do ano, para que eu pudesse ter foco e realizar minhas metas pessoais."

AUTOR: SUPERINTERESSANTE

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

CONHEÇA O ESTRANHO ASTEROIDE EM FORMA DE CAVEIRA QUE VAI VOLTAR A PASSAR PERTO DA TERRA EM 2018

Por ter sido observado na época do Dia das Bruxas e ter semelhança com caveira, o corpo celeste foi chamado de Asteroide do Halloween (Foto: Ilustração: J.A.Peñas/Sinc)

Depois do asteroide Oumuamua, que tem um formato parecido com um charuto e que foi descoberto por cientistas em outubro, os astrônomos terão a oportunidade de estudar mais um corpo celeste enigmático que passará perto da Terra. 

Um pequeno asteroide que, ao girar em torno de seu eixo, mostra semelhança impressionante com uma caveira deve passar perto do nosso planeta novamente em 2018.

A última vez que o asteroide 2015 TB145 passou perto da Terra foi no fim de outubro de 2015, época em que muitos países comemoram o Dia das Bruxas. Por isso, os cientistas o apelidaram de "Asteroide do Halloween".

Na época, ele estava a uma distância de aproximadamente 486 mil km - apenas 1,3 vezes a distância da Lua à Terra. A proximidade significava que o objeto estava mais iluminado. Por isso, cientistas europeus, americanos e latino-americanos apontaram seus instrumentos para o 2015 TB145.

Em algumas das imagens, o asteroide se assemelhava, em alguns ângulos, a um crânio humano por causa do seu relevo e das condições de iluminação.

O pesquisador Pablo Santos-Sanz, dos Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), também organizou campanhas de observação do asteroide para descobrir suas características.

Em novembro de 2018, o Asteroide do Halloween poderá ser observado mais uma vez. No entanto, ele passará a uma distância 105 vezes maior que a da Terra à Lua - o que ainda é próximo o suficiente para que seja possível estudá-lo.

Um encontro mais emocionante, segundo os pesquisadores, voltará a acontecer em 2088, quando o 2015 TB145 passará pela Terra a uma distância equivalente a 20 vezes a distância entre nosso planeta e o satélite.
Em 2015, asteroide passou a uma distância equivalente a apenas 1,3 vezes a distância da Terra à Lua (Foto: Nasa)

Novas descobertas

O Asteroide do Halloween tem entre 625 a 700 metros de diâmetro, segundo o estudo publicado por Pablo Santos-Sanz e sua equipe no periódico Astronomy and Astrophysics.

Eles também descobriram o período de rotação do corpo celeste, o que seria a duração do seu "dia" - entre 2,94 horas e 4,78 horas, de acordo com a observação e os cálculos deles. E determinaram seu formato, uma elipse achatada, que reflete apenas entre 5% e 6% da luz do sol que a atinge.

"Isso significa que é um asteróide muito escuro, só um pouco mais reflexivo que o carvão", disse Santos-Sanz em nota.

Atualmente, acredita-se que o Asteroide do Halloween pode ser um cometa extinto, que perdeu bastante água e outros componentes voláteis durante as voltas que deu ao redor do Sol.

Isso é semelhante ao que se considera a respeito do objeto interestelar Oumuamua, que causou surpresa por seu formato de "charuto" e também parece ser um tipo de cometa "disfarçado" de asteroide.

Em geral, asteroides e cometas são diferenciados por sua composição (os primeiros são mais rochosos e metálicos, e os últimos têm uma proporção maior de gelo e rochas) e pelo tipo de órbita ao redor do Sol. Mas nem sempre é fácil diferenciá-los com as observações que a distância permite fazer.

Agora, os pesquisadores aguardam que novembro de 2018 traga mais novidades sobre a natureza destes objetos.

"Apesar de essa passagem próxima não ser tão favorável, conseguiremos como obter novos dados que podem aumentar nosso conhecimento sobre a massa dele e outras que passam pelo planeta", disse Pablo Santos-Cruz.

AUTOR: G1

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

CONHEÇA A VERDADEIRA HISTÓRIA DO NATAL

(andresr/iStock)

Roma, século 2, dia 25 de dezembro. A população está em festa, em homenagem ao nascimento daquele que veio para trazer benevolência, sabedoria e solidariedade aos homens. Cultos religiosos celebram o ícone, nessa que é a data mais sagrada do ano. Enquanto isso, as famílias apreciam os presentes trocados dias antes e se recuperam de uma longa comilança.

Mas não. Essa comemoração não é o Natal. Trata-se de uma homenagem à data de “nascimento” do deus persa Mitra, que representa a luz e, ao longo do século 2, tornou-se uma das divindades mais respeitadas entre os romanos. Qualquer semelhança com o feriado cristão, no entanto, não é mera coincidência.

A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o “renascimento” do Sol. Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte. E então era só festa. Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: o forrobodó era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.

A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno – pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, o culto a Mitra chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.

Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. “O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus. Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes”, dizem os historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome (“Religiões de Roma”, sem tradução para o português). Os mais animados se entregavam a orgias – mas isso os romanos faziam o tempo todo. Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo.

Solstício cristão

As datas religiosas mais importantes para os primeiros seguidores de Jesus só tinham a ver com o martírio dele: a Sexta-Feira Santa (crucificação) e a Páscoa (ressurreição). O costume, afinal, era lembrar apenas a morte de personagens importantes. Líderes da Igreja achavam que não fazia sentido comemorar o nascimento de um santo ou de um mártir – já que ele só se torna uma coisa ou outra depois de morrer. Sem falar que ninguém fazia idéia da data em que Cristo veio ao mundo – o Novo Testamento não diz nada a respeito. Só que tinha uma coisa: os fiéis de Roma queriam arranjar algo para fazer frente às comemorações pelo solstício. E colocar uma celebração cristã bem nessa época viria a calhar – principalmente para os chefes da Igreja, que teriam mais facilidade em amealhar novos fiéis. Aí, em 221 d.C., o historiador cristão Sextus Julius Africanus teve a sacada: cravou o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro, nascimento de Mitra. A Igreja aceitou a proposta e, a partir do século 4, quando o cristianismo virou a religião oficial do Império, o Festival do Sol Invicto começou a mudar de homenageado. “Associado ao deus-sol, Jesus assumiu a forma da luz que traria a salvação para a humanidade”, diz o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp. Assim, a invenção católica herdava tradições anteriores. “Ao contrário do que se pensa, os cristãos nem sempre destruíam as outras percepções de mundo como rolos compressores. Nesse caso, o que ocorreu foi uma troca cultural”, afirma outro historiador especialista em Antiguidade, André Chevitarese, da UFRJ.

Não dá para dizer ao certo como eram os primeiros Natais cristãos, mas é fato que hábitos como a troca de presentes e as refeições suntuosas permaneceram. E a coisa não parou por aí. Ao longo da Idade Média, enquanto missionários espalhavam o cristianismo pela Europa, costumes de outros povos foram entrando para a tradição natalina. A que deixou um legado mais forte foi o Yule, a festa que os nórdicos faziam em homenagem ao solstício. O presunto da ceia, a decoração toda colorida das casas e a árvore de Natal vêm de lá. Só isso.

Outra contribuição do norte foi a idéia de um ser sobrenatural que dá presentes para as criancinhas durante o Yule. Em algumas tradições escandinavas, era (e ainda é) um gnomo quem cumpre esse papel. Mas essa figura logo ganharia traços mais humanos.

Nasce o Papai Noel

Ásia Menor, século 4. Três moças da cidade de Myra (onde hoje fica a Turquia) estavam na pior. O pai delas não tinha um gato para puxar pelo rabo, e as garotas só viam um jeito de sair da miséria: entrar para o ramo da prostituição. Foi então que, numa noite de inverno, um homem misterioso jogou um saquinho cheio de ouro pela janela (alguns dizem que foi pela chaminé) e sumiu. Na noite seguinte, atirou outro; depois, mais outro. Um para cada moça. Aí as meninas usaram o ouro como dotes de casamento – não dava para arranjar um bom marido na época sem pagar por isso. E viveram felizes para sempre, sem o fantasma de entrar para a vida, digamos, “profissional”. Tudo graças ao sujeito dos saquinhos. O nome dele? Papai Noel.

Bom, mais ou menos. O tal benfeitor era um homem de carne e osso conhecido como Nicolau de Myra, o bispo da cidade. Não existem registros históricos sobre a vida dele, mas lenda é o que não falta. Nicolau seria um ricaço que passou a vida dando presentes para os pobres. Histórias sobre a generosidade do bispo, como essa das moças que escaparam do bordel, ganharam status de mito. Logo atribuíram toda sorte de milagres a ele. E um século após sua morte, o bispo foi canonizado pela Igreja Católica. Virou são Nicolau.

Um santo multiuso: padroeiro das crianças, dos mercadores e dos marinheiros, que levaram sua fama de bonzinho para todos os cantos do Velho Continente. Na Rússia e na Grécia Nicolau virou o santo nº1, a Nossa Senhora Aparecida deles. No resto da Europa, a imagem benevolente do bispo de Myra se fundiu com as tradições do Natal. E ele virou o presenteador oficial da data. Na Grã-Bretanha, passaram a chamá-lo de Father Christmas (Papai Natal). Os franceses cunharam Pére Nöel, que quer dizer a mesma coisa e deu origem ao nome que usamos aqui. Na Holanda, o santo Nicolau teve o nome encurtado para Sinterklaas. E o povo dos Países Baixos levou essa versão para a colônia holandesa de Nova Amsterdã (atual Nova York) no século 17 – daí o Santa Claus que os ianques adotariam depois. Assim o Natal que a gente conhece ia ganhando o mundo, mas nem todos gostaram da idéia.

Natal fora-da-lei

Inglaterra, década de 1640. Em meio a uma sangrenta guerra civil, o rei Charles 1º digladiava com os cristãos puritanos – os filhotes mais radicais da Reforma Protestante, que dividiu o cristianismo em várias facções no século 16.

Os puritanos queriam quebrar todos os laços que outras igrejas protestantes, como a anglicana, dos nobres ingleses, ainda mantinham com o catolicismo. A idéia de comemorar o Natal, veja só, era um desses laços. Então precisava ser extirpada.

Primeiro, eles tentaram mudar o nome da data de “Christmas” (Christ’s mass, ou Missa de Cristo) para Christide (Tempo de Cristo) – já que “missa” é um termo católico. Não satisfeitos, decidiram extinguir o Natal numa canetada: em 1645, o Parlamento, de maioria puritana, proibiu as comemorações pelo nascimento de Cristo. As justificativas eram que, além de não estar mencionada na Bíblia, a festa ainda dava início a 12 dias de gula, preguiça e mais um punhado de outros pecados.

A população não quis nem saber e continuou a cair na gandaia às escondidas. Em 1649, Charles 1º foi executado e o líder do exército puritano Oliver Cromwell assumiu o poder. As intrigas sobre a comemoração se acirraram, e chegaram a pancadaria e repressões violentas. A situação, no entanto, durou pouco. Em 1658 Cromwell morreu e a restauração da monarquia trouxe a festa de volta. Mas o Natal não estava completamente a salvo. Alguns puritanos do outro lado do oceano logo proibiriam a comemoração em suas bandas. Foi na então colônia inglesa de Boston, onde festejar o 25 de dezembro virou uma prática ilegal entre 1659 e 1681. O lugar que se tornaria os EUA, afinal, tinha sido colonizado por puritanos ainda mais linha-dura que os seguidores de Cromwell. Tanto que o Natal só virou feriado nacional por lá em 1870, quando uma nova realidade já falava mais alto que cismas religiosas.

Tio Patinhas

Londres, 1846, auge da Revolução Industrial. O rico Ebenezer Scrooge passa seus Natais sozinho e quer que os pobres se explodam “para acabar com o crescimento da população”, dizia. Mas aí ele recebe a visita de 3 espíritos que representam o Natal. Eles lhe ensinam que essa é a data para esquecer diferenças sociais, abrir o coração, compartilhar riquezas. E o pão-duro se transforma num homem generoso.

Eis o enredo de Um Conto de Natal, do britânico Charles Dickens. O escritor vivia em uma Londres caótica, suja e superpopulada – o número de habitantes tinha saltado de 1 milhão para 2,3 milhões na 1a metade do século 19. Dickens, então, carregou nas tintas para evocar o Natal como um momento de redenção contra esse estresse todo, um intervalo de fraternidade em meio à competição do capitalismo industrial. Depois, inúmeros escritores seguiram a mesma linha – o nome original do Tio Patinhas, por exemplo, é Uncle Scrooge, e a primeira história do pato avarento, feita em 1947, faz paródia a Um Conto de Natal. Tudo isso, no fim das contas, consolidou a imagem do “espírito natalino” que hoje retumba na mídia. Quer dizer: quando começar o próximo especial de Natal na televisão, pode ter certeza de que o fantasma de Dickens vai estar ali.

Outra contribuição da Revolução Industrial, bem mais óbvia, foi a produção em massa. Ela turbinou a indústria dos presentes, fez nascer a publicidade natalina e acabou transformando o bispo Nicolau no garoto-propaganda mais requisitado do planeta. Até meados do século 19, a imagem mais comum dele era a de um bispo mesmo, com manto vermelho e mitra – aquele chapéu comprido que as autoridades católicas usam. Para se enquadrar nos novos tempos, então, o homem passou por uma plástica. O cirurgião foi o desenhista americano Thomas Nast, que em 1862, tirou as referências religiosas, adicionou uns quilinhos a mais, remodelou o figurino vermelho e estabeleceu a residência dele no Pólo Norte – para que o velhinho não pertencesse a país nenhum. Nascia o Papai Noel de hoje. Mas a figura do bom velhinho só bombaria mesmo no mundo todo depois de 1931, quando ele virou estrela de uma série de anúncios da Coca-Cola. A campanha foi sucesso imediato. Tão grande que, nas décadas seguintes, o gorducho se tornou a coisa mais associada ao Natal. Mais até que o verdadeiro homenageado da comemoração. Ele mesmo: o Sol.

AUTOR: SUPERINTERESSANTE

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

DEIXAR A TERRA??? ESPECIALISTAS ACREDITAM QUE É HORA DE SAIR DO PLANETA

A ideia de levar a raça humana para outro planeta pode soar como enredo de ficção científica. Porém, é exatamente isso que os especialistas espaciais do Pentágono acreditam que irá acontecer no futuro.

Segundo Winston Beauchamp, da Força Aérea, os países deveriam trabalhar juntos para que a raça humana saísse da Terra e fosse para outro planeta. 

De acordo com Beauchamp, apesar de existir tensão política em todo o mundo, as nações devem trabalhar juntas. “Isso é parte da razão pela qual queremos codificar nossas normas e comportamento no espaço, porque é um domínio importante, não apenas para nós, mas para a humanidade“.

Ele ainda advertiu que colisões ou detritos em órbita podem ser catastróficos. “Temos de ser capazes de operar no espaço tanto para avançar o nosso estado de tecnologia quanto para, eventualmente, mover a raça humana deste planeta para outro”, completou.

O contra-almirante Brian Brown, do Navy Space Cadre, disse que os EUA são o líder em desenvolvimento de novas normas. “Muito parecidas com as leis marítimas que temos, são estabelecidas ao longo do tempo por comportamentos e padrões de vida segura e responsável”.

Beauchamp advertiu que pode haver o ataque a outra nação a um satélite norte-americano. Em resposta, os especialistas do Pentágono disseram: “É importante notar que, se algo vier a acontecer no espaço, a nossa resposta não seria necessariamente no espaço. 

Se alguém fosse fazer algo, nós iriamos responder em um tempo e lugar da nossa escolha, principalmente porque não seria de esperar que algo aconteça no espaço de forma isolada. 

Seria uma extensão de algum conflito terrestre que seria ocorrendo”.Os especialistas do Pentágono não são os únicos a acreditar que os seres humanos precisarão se mover do planeta um dia.

“Eu não acho que vamos sobreviver mais de 1.000 anos sem sair de nosso planeta frágil“, disse o professor Stephen Hawking. Ele acredita que a vida na Terra corre um risco cada vez maior de ser varrida por um desastre, como uma súbita guerra nuclear, um vírus geneticamente modificado ou a ameaça crescente da inteligência artificial. Hawking ainda pediu para que as pessoas se interessem mais por viagens espaciais.

AUTOR: Jornal Ciência

domingo, 17 de dezembro de 2017

A INTERNET LEVOU UM TIRO NO PEITO, ELA VAI SOBREVIVER; MAS NÃO SERÁ A MESMA

(monsitj/iStock)

Como você talvez saiba, a Federal Communications Commission, a Anatel dos EUA, decidiu acabar com a chamada “neutralidade da rede”: Princípio que obrigava os provedores de internet a tratarem igualmente todos os dados, sem poder discriminar ou privilegiar nada do que passa por suas redes. 

Os deputados e senadores americanos, que trabalharam a favor da medida, receberam mais de US$ 100 milhões em doações das empresas de telecomunicações, as grandes beneficiadas dessa história (não é só no Brasil, veja você, que corporações compram as graças dos políticos). 

O fim da neutralidade é a maior mudança da história da internet – que, ao longo dos próximos anos, poderá se transformar em algo radicalmente diferente. E não para melhor.

Porque, a partir de agora, as telecoms passam a ser donas da internet. Elas decidem o que cada pessoa poderá acessar, como e quantas vezes fará isso. E, ao exercer esse poder, controlam o destino da rede. Suponha, por exemplo, que você tenha uma cota de dados para usar durante o mês – como já acontece nos planos de celular, e as telecoms desejam fazer com a banda larga fixa. 

Só que determinados sites e apps não contam, ou seja, você pode usá-los à vontade sem descontar da sua franquia de dados. De quebra, eles abrem muito mais rápido. É lógico que você irá acessar esses sites e apps, e não outros. E isso tem uma consequência econômica óbvia. As empresas de internet que fizerem acordos com as telecoms, pagando o que elas pedirem (e obedecendo às condições que elas impuserem), irão prosperar; as outras, definhar e sumir.

Mas que mal tem isso?, você pode perguntar. Afinal, vivemos no capitalismo, e as telecoms têm direito de cobrar pelo uso das suas redes, nas quais investiram dezenas de bilhões de dólares. Gigantes como Google, Facebook, Amazon e Netflix têm dinheiro de sobra para pagar. Do outro lado, os usuários que quiserem adquirir novos tipos de acesso à internet (como uma conexão que priorize a velocidade dos vídeos, por exemplo) terão acesso a eles. E assim, pela magia da liberdade econômica, a inovação florescerá e todos sairão ganhando.

Na prática, não será bem assim. Por um motivo simples: o setor de telecomunicações é naturalmente concentrado. Quantas empresas oferecem banda larga na sua rua? Uma, duas, provavelmente no máximo três. Com o celular acontece a mesma coisa, não? É assim porque os investimentos necessários para construir as redes são muito altos, e porque a própria infraestrutura limita o número de players (o espectro eletromagnético só comporta um determinado número de operadoras; os postes das ruas, certa quantidade de cabos). 

Com poucas empresas competindo, cada uma se torna desproporcionalmente poderosa. Foi por isso que, no começo de 2015, os EUA criaram regras para garantir a neutralidade da rede – um ano depois do Brasil, que em 2014 fizera o mesmo ao aprovar o Marco Civil da Internet. A legislação americana acaba de cair; a do Brasil, bem como a de outros países, deve seguir o mesmo caminho.

E a tendência, como em todos os setores econômicos, é que a concentração aumente. Sabe quando você vê, no noticiário, que duas grandes empresas se fundiram ou uma comprou a outra? Só no ano passado, foram mais de 7.000 fusões e aquisições entre grandes empresas, com valor combinado de US$ 2,4 trilhões. É provável que, daqui a alguns anos, existam ainda menos empresas de telecomunicações do que hoje – e as que sobrarem sejam ainda maiores.

Google, Facebook, Amazon e Netflix vão fazer acordos com as novas donas da internet. Uns se conformarão em ter menos lucro, outros repassarão o gasto aos usuários (nós). Mas continuarão funcionando, talvez até melhor. O problema é que, daí para a frente, qualquer aplicativo, site ou serviço que for inventado estará imediatamente em desvantagem – porque seus criadores não conseguirão dar tanto dinheiro às telecoms quanto os quatro gigantes. E as pessoas não conseguirão acessar, e usar, aquele app ou site da mesma forma.

Para as startups, a única maneira de sobreviver e ter sucesso será se aliar a um dos quatro. O tráfego (e o faturamento) da rede, que nos últimos anos já foi ficando altamente concentrado, será mais concentrado ainda. Num segundo momento, as telecoms começarão a absorver os próprios produtores de conteúdo, como sites e empresas jornalísticas, num processo de hiperconsolidação (que já está começando nos EUA). Medidas que hoje soam absurdas, como vetar acesso a certas coisas ou restringir a navegação a pacotes de conteúdo, como numa assinatura de tv a cabo, se tornarão plausíveis. Algum tempo depois, serão a norma.

E a internet, que foi projetada para ser imune a qualquer tentativa de controle, terminará nas mãos de meia dúzia de empresas. A rede global descentralizada e indestrutível, criada para resistir até a uma guerra nuclear, terá sucumbido a algo mais prosaico: o desarranjo nas relações entre a política, o dinheiro e o poder.

AUTOR: SUPERINTERESSANTE

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

CHUVA DE METEOROS DA CONSTELAÇÃO DE GÊMEOS OCORRE NESTA QUARTA E QUINTA-FEIRA

Gemínidas no Hemisfério Norte em 2016; chuva deve ser a mais brilhante do ano (Foto: Jeff Dai/ Arizona State University)

A chuva de meteoros da constelação de Gêmeos (Gemínidas) deve iluminar o céu a partir das 21h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (13), com melhor visibilidade a partir da meia-noite. A agência espacial americana Nasa afirma que será a melhor chuva do ano.

O fenômeno poderá ser visualizado a olho nu no mundo inteiro, inclusive no Brasil. O céu mais limpo facilita a visualização.

"É a melhor chuva de meteoros do ano para os habitantes do hemisfério sul", diz Gustavo Rojas, astrofísico da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e membro da comissão de imprensa da Sociedade Astronômica Brasileira.

A lua não estragará o show, garante a Nasa, que transmitirá a chuva de meteoros ao vivo. Segundo Bill Cooke, do escritório de meteoros da agência americana, como a chuva Perseidas foi obscurecida pela lua em agosto, Gemínidas deve se destacar em 2017 e ser a melhor chuva de meteoros do ano.

A previsão é de cerca de um meteoro por minuto (ou seja, 60 por hora), diz a Nasa.

"Isso é um número médio, que depende de condições ideais, mas podemos chegar a 100 meteoros por hora", diz Rojas. Segundo ele, nas grande cidades, deve ser possível ver apenas cerca de dez por hora ou menos, já que nesses centros há muita iluminação artificial.

A dica do astrônomo é ter paciência e olhar ao menos durante uma hora para o céu. "Tem hora que vem um monte e depois há uma calmaria. É bom também chamar mais gente, porque os meteoros podem ser mais visíveis em diferentes partes do céu", diz.

Asteroide que dá origem à chuva ficará mais próximo da Terra

Meteoros ocorrem quando a Terra se aproxima de um asteroide. Fragmentos desse asteroide, ao adentrarem na atmosfera terrestre, 'queimam' -- o que deixa um risco luminoso.

No caso de Geminidas, a chuva ocorre quando a Terra se aproxima do asteroide Phaeton 3200. Segundo a Nasa, será o mais perto que o nosso planeta estará do Phaeton desde sua descoberta em 1983.

A proximidade do asteroide com a Terra possibilitará que os astrônomos o estudem mais detalhadamente. "Com a menor distância, será possível gerar imagens de radar", explica Rojas.

As chuvas de meteoros não representam riscos para a Terra e acontecem praticamente todos os meses, mas algumas não têm ampla visibilidade, explica o Observatório Nacional.

AUTOR: G1
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