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domingo, 29 de abril de 2018

A HISTÓRIA BRUTAL E QUASE ESQUECIDA DA ERA DE LINCHAMENTOS DE NEGROS NOS EUA

Em 2005, o Senado dos Estados Unidos pediu desculpas por não ter aprovado uma legislação proibindo linchamentos GETTY IMAGE

* ATENÇÃO: ESTA REPORTAGEM CONTÉM CONTEÚDOS PERTURBADORES.

Em 1904, o afro-americano Luther Holbert foi amarrado a uma árvore em Doddsville, no Estado americano do Mississippi, por uma multidão que o acusava de matar um fazendeiro branco. Naquela época, os Estados Unidos viviam um período de violência e segregação raciais.

Junto de Holbert, também presa a uma árvore, estava uma mulher - acredita-se que era sua esposa. Ambos foram obrigados a erguerem as mãos. Em seguida, seus dedos foram cortados um a um, e depois jogados para a multidão, como uma espécie de souvenir macabro. Suas orelhas também foram cortadas.

Além disso, os dois foram espancados. Uma espécie de saca-rolhas foi usada para fazer buracos em seus corpos e retirar pedaços de suas carnes. Finalmente, Holbert e a mulher foram jogados em uma fogueira e morreram queimados.
A tortura e o assassinato de Holbert e da mulher desconhecida foram assistidos por uma multidão de homens, mulheres e até crianças, todos brancos. Enquanto presenciava o linchamento, o público comia ovos recheados e bebia limonada ou uísque, com a mesma atitude tranquila de quem está fazendo um piquenique.

Este episódio de linchamento brutal está longe de ter sido o único nos Estados Unidos. Entre 1877 e 1950, 4,4 mil pessoas foram linchadas no país, segundo registros da Iniciativa por uma Justiça Igualitária (EJI, na sigla em inglês), uma organização não governamental. A grande maioria delas eram pessoas negras.

É o que os historiadores chamam de "era dos linchamentos". Não era uma forma de fazer justiça pelas próprias mãos. Tratava-se, na verdade, de crimes raciais.
Mais de 4,4 mil afro-americanos morreram durante a 'era dos linchamentos' GETTY IMAGES

Linchamentos foram anunciados nos jornais da época

A "era dos linchamentos" se estendeu até meados do século 20. Seu ápice foi entre 1890 e 1930, explica Stewart Tolnay, professor de Sociologia da Universidade de Washington.

Em alguns casos, inclusive, eram publicados anúncios nos jornais, convocando as massas para participarem. "Três mil pessoas vão queimar um negro", dizia uma notícia do New Orleans State, de 1919. "John Hartfield será linchado por uma multidão de Ellisville às 5 da tarde de hoje", falava o Daily News de Jackson, Mississipi, do mesmo período.

"Os casos em que os linchamentos foram anunciados nos jornais são poucos, ainda que tenham resultado em algumas das maiores multidões. Mais frequentes foram os casos em que massas pequenas detinham e linchavam alguém, a quem acusavam de ter cometido um tipo de crime. Eram eventos rotineiros e silenciosos", indica Tolnay, que publicou dois livros e diversos artigos sobre o tema.

O fato de estas mortes poderem ser anunciadas na imprensa, com antecedência, demonstra que não se tratava de ações impulsivas executadas por uma turba exaltada. Havia um planejamento. Some-se a isso que era muito raro que os linchadores fossem julgados.

A EJI destaca que as mortes não eram resultado da ação de uns poucos extremistas, mas sim atos públicos violentos que contavam com a participação de toda uma comunidade. Além disso, eram toleradas pelas autoridades e os responsáveis não enfrentavam nenhum tipo de consequência legal.

"Os linchamentos eram atos de violência racial que estavam no centro de uma campanha sistemática de terror que perpetuava e respaldava uma ordem social injusta. Estes linchamentos eram terrorismo", aponta a organização em seu informe.
Público de um linchamento de afro-americanos em Indiana, em 1930 GETTY IMAGES

De supostos crimes ao simples fato de esbarrar em brancos

A maior parte de vítimas de linchamentos era negra. Entre 1882 e 1889, a proporção era de 4 negros para cada branco. Posteriormente, entre 1890 e 1900, aumentou para 6 negros para cada branco. Depois disso, chegou a 17 para 1.

Segundo o estudo da EJI, cerca de 30% dos afro-americanos linchados foram acusados de homicídio. Outros 25% foram acusados de agressão sexual. "A definição de violação sexual de um negro a uma branca no Sul dos Estados Unidos era incrivelmente ampla. Não era necessário o uso da força, porque a maior parte dos brancos rechaçava a ideia de que uma mulher branca poderia consentir uma relação sexual com um negro", considera a organização.

Outras centenas de negros perderam a vida acusados de provocar incêndio, praticar roubo ou simplesmente por "vadiagem".

Havia acusações mais banais. Segundo o estudo da EIJ, o afro-americano Jesse Thornton foi linchado em Luverne, Alabama, em 1940 por ter se referido a um policial pelo nome, e não por "senhor". Já em 1916, Jeff Brown foi linchado em Cedarbluff, Mississipi, por tropeçar acidentalmente em uma jovem branca enquanto corria para pegar o trem. O soldado Charles Lewis foi linchado em 1918, em Hickman, Kentucky, por se negar a esvaziar os bolsos enquanto estava vestindo seu uniforme militar.

O professor Stewart Tolnay aponta que os linchamentos não eram uma forma de justiça popular frente a um sistema de justiça oficial que não funcionava.

"Havia um sistema penal perfeitamente adequado que podia lidar com os delinquentes, fossem eles brancos ou negros. O linchamento dos negros tinha um objetivo diferente: deixar uma mensagem muito clara para a comunidade negra de que havia limites para sua ascensão social", afirma Tolnay.

Já os brancos que eram linchados costumavam fazer parte de uma camada marginalizada da sociedade, explica Tolnay. Eles "nunca eram linchados pelos motivos banais pelos quais os negros eram mortos. Além disso, não costumavam sofrer torturas", afirma Tolnay.
Depois da Primeira Guerra Mundial, os linchamentos recomeçaram pela ação de grupos supremacistas, como a Ku Klux Klan GETTY IMAGES

Negros foram privados de direitos

A "era dos linchamentos" teve seu epicentro no Sul dos Estados Unidos. Se iniciou depois do fim da Guerra Civil americana e da declaração formal de fim da escravidão, em 1863. Para os pesquisadores, não se trata de coincidência.

"Depois da Guerra Civil, cerca de 4 milhões de escravos negros se tornaram livres e passaram a competir com os brancos (por empregos) nas economias dos estados do Sul", explica Tolnay.

"Os negros foram ameaçados até que ficaram completamente privados de direitos de participação política, por volta do ano 1900, e o Sul ficou governado pelo sistema de castas raciais, no qual havia uma clara linha de separação entre a 'raça branca superior' e a 'raça negra subordinada'".

"Os brancos ricos eram a elite e os brancos pobres usavam o linchamento para reforçar esse sistema de castas raciais e reduzir as probabilidades de ascenção social dos negros do Sul", acrescenta.
Afro-americanos fugiram do Sul para o Norte

Os linchamentos foram uma das causas da migração massiva de cerca de 6 milhões de afro-americanos do Sul para o Norte dos Estados Unidos, entre 1915 e 1970. No Norte, se estabeleceram em guetos.

Essa redistribuição da população reduziu a disponibilidade de mão-de-obra barata no Sul, algo que segundo Tolnay pode ter convencido as elites do Sul sobre a necessidade de mudanças.

"Os linchamentos se converteram em algo vergonhoso para o Sul, à medida que a economia se desenvolvia. A elite branca tentava atrair capitais externos, então precisava mudar a imagem do Sul. Essa era uma prática brutal, espantosa e desumana, que não ajudava", assinala o professor.

Deste modo, o fenômeno foi se reduzindo até acabar. Mas sem que, segundo a ONG EJI, houvesse um processo de reconhecimento da brutalidade do passado e de reconciliação, como ocorreu na Alemanha com relação ao Holocausto ou na África do Sul sobre o apartheid.
Depois da abolição da escravidão, em 1865, aumentaram os ataques racistas contra os afro-americanos GETTY IMAGES

Monumento para lembrar as vítimas

Apesar de ser uma parte importante da história dos Estados Unidos, a "era dos linchamentos" é pouco conhecida. Para mudar isso, em 26 de abril, foi inaugurado o Monumento Nacional pela Paz e Justiça em Montgomery, no Estado americano do Alabama.

"Diga o nome de um afro-americano linchado entre 1877 e 1950? A maior parte das pessoas não conhece nenhum. Milhares de pessoas morreram, mas não se pode nomear uma sequer? Por quê? Porque não temos falado sobre isso", comentou Bryan Stevenson, fundador da EJI, sobre o motivo por trás da criação do Monumento.

O Monumento espera apresentar para o público o contexto da história do terror racial nos Estados Unidos, com o uso de recursos artísticos. Além disso, foram criados mais de 800 memoriais de aço de cerca de 2 metros de altura, um para cada condado dos Estados Unidos onde afro-americanos foram linchados. Neles, estará grafado o nome das vítimas.

Cada um desses monumentos tem uma réplica, que a EJI espera entregar para as regiões correspondentes. A ideia é que as esculturas sejam expostas nos próprios locais, recordando as histórias de linchamento.

Para os responsáveis da EJI, o número de regiões que solicitarem o envio dessas réplicas será um indicador de quanto se avançou no caminho da verdade e da reconciliação.

AUTOR: BBC

sexta-feira, 27 de abril de 2018

SAIBA QUEM ERAM OS 3 AMIGOS DISSOLVIDOS EM ÁCIDO, EM CRIME QUE CHOCOU O MÉXICO

Salomón Aceves, Marco García e Daniel Díaz foram assassinados por bandidos de um cartel de drogas de Jalisco ao serem confundidos com membros de facção rival quando voltavam de uma filmagem para a universidade

A divulgação de detalhes sobre o assassinato de três estudantes de cinema no Estado de Jalisco, no oeste do México, chocou novamente o país, que já tem mais de 200 mil homicídios registrados na última década.

Javier Salomón Aceves, Marco García e Daniel Díaz foram sequestrados (em 19 de março), mortos e tiveram seus corpos dissolvidos em ácido por membros de um cartel de drogas, o Jalisco Nova Geração (CJNG).

Os três estudantes voltavam para casa depois de concluir um projeto da faculdade nos arredores de Guadalajara, a segunda maior cidade do México, quando foram interceptados pelos criminosos.

Eles teriam sido confundidos com membros de um grupo rival da CJNG, de acordo com a investigação da Promotoria de Jalisco.

A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, conta o que se sabe sobre esses três estudantes assassinados e o que esse crime diz sobre a situação da violência no país.
O desaparecimento dos três estudantes de cinema, que após um mês revelou-se foram assassinados cruelmente, gerou manifestações em cidades do México Javier Salomón Aceves Gastélum/AFP

Javier Salomón Aceves Gastélum
Javier Salomón Aceves Gastélum, conhecido como "Salo", tinha 25 anos e era da cidade de Mexicali. Ele estudava cinema na Universidade de Meios Audiovisuais de Guadalajara.

Sua irmã Michelle escreveu uma mensagem na página que ele tinha no Facebook. Ela o descreveu como uma pessoa muito dedicada, apaixonada pela cinematografia.

"Me deixa triste que tenham interrompido assim seus sonhos. Eu sei que você tinha um futuro, dava para ver como você segurava sua câmera, como dirigia", escreveu ela.

"Havia cores em você, uma luz que brilhava em seus olhos com tantas ideias e imaginação que você tinha, você nunca estava em branco."

Outra de suas paixões era tocar bateria.

Ele tocava com uma banda chamda Betray Me, que também publicou uma mensagem de despedida: "Até sempre, irmão. Você sempre viverá em nossos corações, você foi e será parte essencial deste projeto".

Marco Francisco García Ávalos
Marco Francisco García Ávalos era de Tepic, a capital do estado de Nayarit, e tinha 20 anos.

Ele estava terminando o segundo semestre da faculdade de cinema. Segundo colegas ouvidos por jornais de Jalisco, sua especialidade até então era a edição de vídeo e o gerenciamento de programas de pós-produção.

"Seu sonho era ser o melhor diretor e ninguém duvidava disso, porque todos sabíamos o quão talentoso ele era e o dom que tinha para se comunicar com as pessoas", disse a amiga Aylin Michelle ao jornal El País.

Ela também o descreveu como o garoto que "dava diversão" aos encontros dos amigos.

Jesús Daniel Díaz García
Daniel Díaz gostava de futebol e compartilhava no YouTube vários dos vídeos que fazia DANIEL DÍAZ/CAAV

Jesús Daniel Díaz García, também de 20 anos, era originalmente da cidade de Los Cabos, no Estado de Baixa Califórnia do Sul.

Ele frequentemente compartilhava seus trabalhos audiovisuais em uma plataforma da universidade.

Díaz García também gostava de jogar futebol. Quando foi sequestrado, usava muletas por conta de uma lesão que sofreu jogando futebol.

Seus colegas se lembram dele por sua alegria e por ser uma pessoa muito calma.

"Fazíamos os trabalhos da faculdade juntos, nos encontrávamos em minha casa para fazer vídeos, para escrever roteiros", disse uma colega ao jornal Mural.

Vários dos vídeos que os três estudantes fizeram juntos foram compartilhados pelo YouTube.

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O que esse crime diz sobre a situação no país?

O governo de Enrique Peña Nieto começou com índices de criminalidade em queda, em contraste com as altas taxas de homicídios durante a gestão de Felipe Calderón.

Segundo analistas consultados pela BBC Mundo, essa queda gerou a percepção errônea de que a segurança no país estava melhorando.

No entanto, Pienã Neto, que termina o seu mandato de seis anos agora em 2018, terá a mais alta taxa de homicídios durante uma gestão presidencial desde que os registros oficiais começaram, em 1997.

Para o acadêmico e especialista em segurança nacional Javier Oliva, da Universidade Nacional Autônoma do México, o caso dos três estudantes mortos em Jalisco é "um sintoma de como a violência no México está longe, muito longe de ser controlada".

O tipo de violência usada contra Salomón, Ávalos e Díaz reflete os níveis de crueldade que organizações criminosas atingiram, diz o acadêmico.

"Isso nos lembra de como a crueldade extrema e desumana tem aumentado, se é que a crueldade pode ser categorizada de qualquer outra forma", diz ele.
Especialistas alertam para o aumento da crueldade nos crimes no México e para a vulnerabilidade dos jovens AFP

Por sua vez, Francisco Rivas, diretor do Observatório Nacional do Cidadão, uma ONG que monitora os índices de insegurança no país, aponta que esse tipo de crime expõe a falta de controle que o governo tem sobre o território mexicano.

Neste caso, os estudantes universitários realizavam um projeto da universidade e foram sequestrados em Tonalá, um município de Guadalajara, a segunda maior cidade do México.

"Se há algo que expõe a fraqueza do Estado são os desaparecimentos, porque onde há desaparecimentos o Estado não controla o território", diz Rivas à BBC.
A Procuradoria de Jalisco informou nesta semana detalhes sobre o assassinato dos três alunos GETTY IMAGES

O governador de Jalisco, Aristóteles Sandoval, havia solicitado um prazo de 15 dias para se resolver o desaparecimento dos jovens, mas a investigação levou 34 dias para ter seus resultados apresentados.

Para Rivas, "o Estado é incapaz de ter uma resposta rápida e pronta, há debilidade para se investigar crimes, há uma violação dos direitos dos cidadãos e falta de acesso à verdade e à justiça para as pessoas".

Por que os jovens?

Como indicam dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México, entre as cerca de 210 mil vítimas de homicídios ocorridos de 2007 a 2016, mais de 107 mil eram pessoas de 15 a 34 anos.

E, em média, para cada mulher que foi morta, oito vítimas eram homens.

Embora parte desses números se explique pelo fato de a maior parte da população mexicana ser jovem, o diretor da ONG também aponta para condições sociais e econômicas.
Um dos acusados de matar os três estudantes é um jovem de 20 anos, identificado pelas autoridades como Omar N.

"Os jovens estão mais expostos ( à violência) em seu cotidiano", diz Rivas, porque além de sofrerem com a falta de respeito a seus direitos humanos, também carecem de espaços para estudo e trabalho.

"Eles podem entrar no tráfico de drogas ou no crime organizado porque é o mercado que mais facilmente os recebe, onde há potencialmente mais renda do que em um mercado de trabalho legal. Mas também há aqueles que entram porque são forçados a isso", diz ele.

Além dos homicídios, registros oficiais indicam que das 34 mil pessoas desaparecidas no México, 35% têm menos de 29 anos de idade.

Em uma declaração incomum e feita conjuntamente na quarta-feira, 25, a Universidade Autônoma do México e a Universidade de Guadalajara, disseram que "não é possível continuar assim". No texto, dizem que cada assassinato de um jovem representa uma investigação fracassada, uma família quebrada e uma esperança perdida.

"A escalada da violência e a impunidade desenfreada estão presentes em todos os cantos da nossa nação", diz o comunicado. "Exigimos ações imediatas para parar e erradicar essa violência a qual todos nos ressentimos e a qual não merecemos."
Manifestante segura cartaz dizendo 'Estão desaparecendo com a gente' em protesto contra o desaparecimento dos universitários EPA

AUTOR: BBC

domingo, 22 de abril de 2018

A LEGIÃO FANTASMA

"Poderiam soldados mortos de uma forma misteriosa em um passado distante, voltar com um objetivo obscuro?".

O relato a seguir descreve esse macabro acontecimento!

Em uma noite no mês de setembro de 1974, o escritor A. C. McKerracher decidiu fazer um intervalo em seu trabalho e saiu de casa para respirar um pouco de ar fresco.

McKerracher e a família acabavam de mudar-se para uma casa nova, no alto de um morro, na pequena cidade de Dumblane in Perthshire, Escócia [Coordenadas GPS: Latitude / Lontigude = 56°11'18.71"N, 3°57'41.10"W].

A noite estava clara e úmida, e a cidade, a seus pés, coberta pela neblina.

De repente, o silêncio foi quebrado pelo que lhe pareceu o ruído do movimento de um grande grupo de pessoas atravessando os campos.

Imaginando que devia estar tendo alucinações pelo excesso de trabalho, McKerracher decidiu entrar.

Mas, vinte minutos depois, intrigado pelo que poderia estar acontecendo, saiu outra vez e descobriu que os ruídos estavam mais altos e mais próximos do que antes.

Dessa vez parecia que poderosa legião marchava do outro lado das casas daquela rua.

- Fiquei pregado no chão, enquanto pessoas que eu não podia ver passavam por mim - recordou ele.

- Os caminhantes deviam ser milhares de pessoas, pois o ruído dos passos prosseguia sem parar.

Nessa altura, já temendo pela sanidade mental, McKerracher resolveu voltar para dentro de casa e foi diretamente para a cama.

Uma semana depois, quando visitava um casal idoso que morava perto, ele ouviu uma estranha história.

- Tarde da noite, na semana passada, nosso gato e nosso cachorro acordaram abruptamente e passaram a agir de maneira esquisita, os pêlos eriçados - narrou o velho.

- Parecia que eles estavam vendo alguma coisa que atravessava os campos, durante uns vinte minutos.

Os animais aparentavam estar com muito medo.

McKerracher não lhes contou nada sobre a própria experiência.

Contudo, o curioso comportamento dos animais ocorreu exatamente no mesmo horário em que ouvira a legião invisível, uma semana antes.

Em busca de explicação, ele logo descobriu que uma antiga estrada romana tomava o rumo norte passando bem por trás das casas do outro lado da rua.

Além disso, no ano 117, uma legião de elite havia sido despachada para aquela área, para reprimir uma revolta tribal na Escócia.

A legião, conhecida como IX Hispania Legion, era formada de 4 mil homens.

A legião era chamada também de "Unlucky Ninth", pois, no ano 60, homens da IX Hispania açoitaram a rainha Boadicea, da tribo Iceni da Inglaterra, e abusaram sexualmente de suas filhas.

Boadicea jurou maldição eterna contra eles e, posteriormente, liderou uma revolta que causou muitas baixas na legião.

A IX Hispania Legion reagrupou-se, porém nunca mais voltou a ser a mesma.

Sua marcha para o interior da Escócia terminou misteriosamente.

Ela desapareceu sem deixar vestígios, logo depois de passar por uma região que, alguns séculos mais tarde, viria a chamar-se Dunbíane.

Em outubro de 1984, McKerracher, que não voltou a ouvir aquele estranho ruído e mudou-se para a parte mais antiga de Dunbíane, fez palestra sobre a história local em um clube de senhoras.

Após a palestra, Cecília Moore, membro do clube, procurou-o para dizer que talvez também já tivesse ouvido o fantasma do exército romano.

Acontece que ela morava do outro lado da rua, perto da antiga casa do escritor.

- Uma noite, quando eu estava colocando o gato para fora, ouvi o que me pareceu um exército marchando exatamente sobre meu jardim - informou ela.

McKerracher então concluiu que o incidente ocorrera naquela mesma noite, e no mesmo momento em que ele ouvira os estranhos passos de soldados.

"Estou convencido", escreveu ele, "de que o que ela e eu ouvimos - e o que os animais de meus vizinhos viram - foi a condenada IX Hispania Legion marchando para seu terrível e desconhecido destino, quase 2 mil anos antes."

AUTOR: ALÉM DA IMAGINAÇÃO

sábado, 14 de abril de 2018

SAIBA DOS RISCOS DE PARTICIPAR DE GRUPOS PÚBLICOS NO WHATSAPP

Em seis meses, pesquisadores conseguiram informações sem dificuldade de 45.794 pessoas GETTY IMAGES

Nas últimas semanas, o escândalo da Cambridge Analytica colocou o Facebook na mira de seus usuários mais críticos.

Um deles é Brian Acton, um dos fundadores do WhatsApp, que se juntou a uma campanha para incentivar as pessoas a deixar a plataforma de Mark Zuckerberg: "Chegou a hora. #deleteFacebook", disse ele em sua conta no Twitter.

No entanto, agora é o serviço que ele fundou - e que foi comprado pelo Facebook em 2014 - que tem chamado a atenção sobre quebra de privacidade e exposição de dados.

Um estudo feito pelos pesquisadores Kiran Garimella, da Escola Politécnica Federal de Lausanne (Suíça), e Gareth Tyson, da Universidade de Queen Mary de Londres (Reino Unido), mostrou como é fácil adquirir dados sobre usuários do app que usam os chamados grupos públicos.

Em seis meses, os especialistas conseguiram informações sem dificuldade de 45.794 pessoas. Para fazer isso, eles leram cerca de meio milhão de mensagens enviadas a 178 grupos públicos.
Administradores de grupos do WhatsApp podem torná-los públicos por meio de uma opção chamada "Convidar para o grupo via link" GETTY IMAGES

Por definição, qualquer grupo criado no WhatsApp é privado. Mas seu administrador ou administradores podem torná-lo público por meio de uma opção chamada "Convidar para o grupo via link". Nesse momento, os membros do grupo recebem uma notificação automática.

Em seu site, o WhatsApp recomenda o seguinte sobre o uso desta opção:

Importante: Utilize esta função com pessoas de confiança. É possível que alguém reenvie este link para outra pessoa. Se isso acontecer, essa pessoa também poderá se juntar ao grupo. Nesse caso, o administrador do grupo não precisará aprová-lo.


O que são e como funcionam os grupos públicos de WhatsApp?

- São grupos de conversação que podem ser acessados ​​livremente através de um link.

- Muitos desses links estão disponíveis em vários sites e páginas do Facebook.

- Eles também podem ser fornecidos por um dos administradores do grupo.

- Nestes grupos, são fornecidos todos os tipos de assuntos, desde esportes à política, trabalho, pornografia ou assuntos pessoais.

- Permitem conversar com até 256 pessoas ao mesmo tempo.
Pesquisadores tiveram acesso a números de telefone, fotos de perfil, vídeos, documentos, links para sites e comentários, além da localização dos usuários GETTY IMAGES

Usando a busca do Google, os pesquisadors compilaram uma lista de grupos públicos no WhatsApp. Eles escolheram 200 grupos aleatoriamente e se juntaram a eles.

Os pesquisadores tiveram acesso a números de telefone, fotos de perfil, vídeos, documentos, links para sites e comentários, além da localização dos usuários. E em nenhum momento violaram normas da plataforma.

O popular aplicativo - que tem mais de um bilhão de usuários ativos por dia - armazena todas as informações fornecidas por seus usuários no banco de dados local do dispositivo que eles usam. O problema é que ele armazena a chave para descriptografar os dados no mesmo lugar - a memória RAM.

Os pesquisadores entraram nestes grupos usaram um telefone "velho" da Samsung e executaram uma série códigos aparentemente fáceis de implementar, aproveitando-se de uma "falha no projeto".

O processo, asseguram, requer "pouca intervenção humana".

O WhatsApp tem defendido, desde a sua criação, a criptografia de ponta a ponta, uma criptografia única, que não precisa de códigos secretos ou especiais para proteger a privacidade e evitar que terceiros acessem dados privados.
#deleteWhatsApp

Este não é o único problema de segurança que a plataforma enfrentou em seus nove anos de existência.

No final de 2017, veio à tona uma falha que permitia espionar os usuários. Tratava-se de uma vulnerabilidade que foi revelada por um engenheiro de computação que estava relacionada com o "tempo de conexão" no status de contatos.

De acordo com os desenvolvedores do WhatsApp, essa falha já foi resolvida. Mas as dúvidas sobre a segurança em torno do uso da plataforma continuam.
No final de 2017, veio à tona uma falha que permitia espionar os usuários do aplicativo GETTY IMAGES

No fim das contas, o aplicativo de mensagens pertence ao Facebook. E, desde o ano passado, é de conhecimento público que ele compartilha com a rede social os números de telefone de seus usuários - entre outras informações, como o tempo de conexão.

E, enquanto Acton nos pede para deixarmos o Facebook, muitos estão agora se perguntando se é chegada a hora de também apagar o WhatsApp.

Um deles é o pesquisador de origem indiana Vivek Wadhwa, da Escola de Direito da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

"O WhatsApp precisa olhar no espelho", escreveu ele na semana passada em seu blog, no qual fala sobre o trabalho de pesquisadores europeus sobre os grupos públicos.

"Facebook e sua 'família de empresas' estão sendo um tanto informais sobre a privacidade. [...] É hora de pedir-lhes explicações sobre as falhas nos seus produtos e como deixam exposta a nossa privacidade."

AUTOR: BBC

quinta-feira, 12 de abril de 2018

POR QUE A FALTA DE FÓSFORO NO UNIVERSO REDUZ A CHANCE DE SE ENCONTRAR VIDA EXTRATERRESTRE

Pesquisadores da Universidade de Cardiff estudaram a nebulosa de Caranguejo em busca de rastros de fósforo NASA/ESA/J. HESTER/A. LOLL (ASU)

Muito além dos palitos que usamos para acender fogo, o fósforo tem um grande papel na origem da vida. E uma astrônoma britânica que comandou um estudo sobre a presença de fósforo em supernovas disse acreditar que as chances de vida extraterrestre são menores do que se pensa justamente pela falta do elemento no universo.

"Sob condições químicas pobres em fósforo, pode ser que seja realmente difícil que a vida se origine em um mundo similar ao nosso", disse a astrônoma da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, à agência Press Association.

Utilizando o telescópio britânico William Herschel, localizado nas Ilhas Canárias (Espanha), Greaves e sua equipe buscaram rastros de fósforo e ferro na nebulosa de Caranguejo, localizada a 6,5 mil anos-luz de distância, na constelação de Touro.

Para sua surpresa, Greaves não encontrou ali suficiente quantidade de fósforo para permitir que surgisse vida em novos planetas tal como a conhecemos na Terra.

Ainda que os cientistas pretendam prosseguir com esses estudos em outros resquícios de supernovas, "a rota para levar fósforo a planetas recém-nascidos parece bastante precária", agregou Greaves.

Em entrevista à BBC, Greaves, que recentemente apresentou os resultados preliminares de suas pesquisas sobre esse elemento na Semana Europeia de Astronomia e Ciência Espacial, em Liverpool, explicou que "o fósforo é um entre apenas seis elementos químicos realmente importantes" para o surgimento de vida.

A seleta lista, prossegue, é formada por carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e, por fim, o fósforo, essencial para o armazenamento e a transferência de energia entre as células. O fósforo, segundo a astrônoma, é crucial ao componente Adenosina trifosfato (ATP), que as células dos organismos vivos usam para armazenar e transportar a energia usada na atividade celular.

"Como astrônoma, me dei conta de que não havia estudos sobre o fósforo cósmico, então pensei: devemos rastreá-lo desde seus primórdios, em termos astronômicos", destaca.

O fósforo é um dos elementos químicos criados nas supernovas - as maciças explosões de estrelas - e por elas lançados ao espaço.

"Esses elementos viajam e terminam em grandes nuvens de gases na nossa galáxia. Em algumas dessas nebulosas se formarão futuras gerações de estrelas e planetas", explica a pesquisadora.
Vida na Terra depende de seis elementos químicos básicos: oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, enxofre e fósforo GETTY IMAGES

AUTOR: BBC

domingo, 8 de abril de 2018

O DIA EM QUE A CIA SEQUESTROU UMA NAVE DA UNIÃO SOVIÉTICA

Durante giro internacional em que a União Soviética exibiu seus feitos espaciais, agentes americanos sequestraram uma nave do programa Luna CIA

Pouco mais de 8 horas: esse foi o tempo que quatro agentes da CIA (agência de inteligência americana) tiveram para desarmar, fotografar e remontar uma famosa nave espacial soviética. Sem deixar rastros.

Isso aconteceu há cerca de 60 anos - em algum momento entre 1959 e 1960, mas documentos secretos da agência não deixam claro uma data mais exata. O período era de tensão entre os Estados Unidos e a então União Soviética, envolvidos em uma Guerra Fria que, entre outros desdobramentos, levou a uma verdadeira corrida espacial.

Etapa 1: Espionagem

Depois de colocar em órbita o Sputnik, o primeiro satélite artificial da história, e enviar a cadela Laika para o espaço, os soviéticos deram início a outro ambicioso programa espacial chamado Luna, apelidado Lunik no Ocidente.

Em setembro de 1959, a espaçonave Luna 2 se tornou a primeira sonda a tocar a Lua. Um mês depois, a Luna 3 fez história ao fotografar o lado oculto da Lua.
Lado oculto da Lua foi fotografado pela primeira vez em 1959 por uma sonda soviética NSSDC

Diante do sucesso, os soviéticos decidiram embarcar, entre 1959 e 1960, em um giro internacional para exibir seus feitos industriais e econômicos.

E incluíram, na caravana, um veículo espacial do programa Luna. Mas havia dúvidas de se se tratava de uma réplica ou do modelo verdadeiro.

"Uma quantidade de analistas da comunidade americana suspeitava que poderia ser (o modelo verdadeiro), e foi montada uma operação para averiguar isso", dizem os documentos sobre o caso revelados ao público pela CIA em 1995, sob o título O sequestro de Lunik.

Em um dia não identificado, em um país não especificado, agentes americanos visitaram a exibição dos soviéticos e conseguiram chegar à nave para constatar que se tratava, de fato, de uma sonda real - porém, sem o motor e outras peças mecânicas.
Modelo da Luna segundo um documento da CIA - CIA

No entanto, para fazer uma análise aprofundada, era preciso ter acesso à nave para além do contato em uma exposição - onde a máquina era fortemente vigiada por guardas.

Foi então que elaborou-se um roteiro digno de cinema.

Etapa 2: Sequestro

Os agentes passaram a monitorar a passagem da nave em turnê por diferentes cidades, buscando uma oportunidade para interceptar a carga e sequestrar a sonda.

A CIA partiu do pressuposto de que a Luna estava no último caminhão da frota.

Assim, em um dado momento, os agentes americanos, disfarçados, conseguiram parar o automóvel.

"O condutor original foi escoltado a um quarto de hotel, onde passou a noite", dizem os documentos oficiais. "O caminhão foi rapidamente conduzido (com um novo motorista) a um depósito que havia sido alugado para a ocasião".

Por 30 minutos, os agentes esperaram em silêncio e conseguiram constatar que "não havia nenhum indício de que os soviéticos suspeitavam de que havia algo errado".

Foi então que, por volta de 19h30, quatro especialistas chegaram para coletar informações científicas.
Etapa 3: Desmonte e pesquisa

Os envolvidos na missão sabiam que a Luna tinha suas paredes aparafusadas, fazendo do teto a única alternativa para que pudessem entrar sem deixar rastros.

O que eles não esperavam é que, na parte interna da sonda, teriam pouco espaço para se locomover. Eles precisaram então se dividir para estudar a nave em segmentos.
KEYSTONE/GETTY IMAGESNesta semana, completaram-se 50 anos desde a morte do astronauta soviético Yuri Gagarin, o primeiro a ir para o espaço

Iluminando o maquinário com lanternas de mão, os agentes desmontaram peças-chave da Luna, tiraram fotos e fizeram anotações. Depois, colocaram tudo de volta ao seu lugar.

"Juntamos os nossos equipamentos e fomos buscados por alguns carros às 4h da manhã", detalha um dos documentos revelados.

O motorista inicial do caminhão voltou, pegou o automóvel e levou ao próximo ponto como previsto pelos soviéticos - que aparentemente nunca desconfiaram de nada.

Segundo a CIA, "até o dia de hoje não há indício algum de que os soviéticos tenham ficado cientes de que a Lunik foi tomada emprestada por uma noite".

Etapa 4: Aprendizados

As informações obtidas naquela noite se mostraram muito valiosas.

Segundo um documento da CIA tornado público em 1994, foi possível, na missão, identificar o peso e o tamanho de várias peças da sonda, como o motor.
A primeira grande vitória dos americanos sobre os soviéticos na corrida espacial foi a chegada do primeiro homem à Lua AFP / NASA

Isto permitiu se repensar a tecnologia espacial que vinha sendo desenvolvida pelos Estados Unidos, até então sem tanto êxito quanto os soviéticos.

Ainda assim, seria preciso ainda uma década para que os Estados Unidos conquistassem uma vitória na corrida espacial.

Nos anos seguintes, foi a União Soviética que levou o primeiro homem ao espaço (Yuri Gagarin) e a primeira mulher (Valentina Tereschkova), que conquistou o voo orbital mais longo (5 dias) e que possibilitou que um humano, Alexei Leonov, realizasse pela primeira vez uma caminhada espacial.

A grande conquista americana aconteceria em 20 de julho de 1969, quando a Apollo 11 chegou à Lua, levando Neil Armstrong a dar o primeiro passo ali.

"A União Soviética perdeu sim a corrida com a chegada (americana) à Lua, mas a contínua presença do ser humano na órbita se deve muito à determinação soviética e russa de conquistar o espaço", disse à BBC Gerard de Groot, professor de história moderna da Universidade St Andrews, no Reino Unido.

AUTOR: BBC

quinta-feira, 5 de abril de 2018

CONHEÇA A SEITA QUE ACREDITA QUE O MUNDO FOI COLONIZADO POR ALIENS E PREOCUPA GOVERNO HOLANDÊS

A doutrina avatar foi criada por Harry Palmer, um ex-líder da cientologia

Relatos da infiltração de membros de uma seita em escolas na Holanda têm preocupado as autoridades do país. Uma reportagem de uma rede de televisão local encontrou ao menos seis escolas particulares que são guiadas pelos princípios da "ideologia do avatar".

Mas o que seria essa ideologia, cujo nome é o mesmo de um filme que se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema? Qual a sua real influência?

Os membros da seita, que exploram práticas controversas como o exorcismo, dizem que seu objetivo principal é criar "uma sociedade planetária iluminada". Alguns acreditam que o planeta Terra tenha sido colonizado por alienígenas.

A avatar foi criada em 1986 por Harry Palmer, ex-membro da cientologia - também bastante polêmica, a doutrina foi fundada por L. Ron Hubbard e tem entre os adeptos astros do cinema como Tom Cruise, John Travolta e Elisabeth Moss.

Ambas acreditam que em algum momento a terra foi colonizada por seres de outros planetas.

Em e-mail enviado à BBC a partir de Orlando, nos Estados Unidos, Palmer disse que sua comunidade tem quase um milhão de seguidores em todo o mundo.

"A doutrina básica de avatar é a seguinte: o que você acredita tem consequência em sua vida", diz ele.

"Nosso curso não promove uma filosofia além disso. Temos pessoas de todas as religiões. O que avatar ensina são ferramentas, técnicas e processos para você assumir o controle de sua própria mente, conectando crenças e ações às consequências", escreveu.

No e-mail, ele enviou sugestões de três minicursos para explorar a doutrina avatar.

Normalmente, os seguidores pagam por esses cursos, o que acaba gerando dinheiro para a empresa de Palmer, a Star Edge. Os preços variam entre US$ 350 (R$ 1.650) por cinco dias de aulas a U$ 7.500 (ou R$ 24.700) por treze dias.

Pessoas qualificadas como "mestres" ou "magos" podem oferecer suas próprias aulas. Porém, uma parte dos lucros deve ser revertida ao Avatar HQ.

Palmer acredita que existam dezenas de milhares de discípulos da avatar vivendo na Holanda.

A Sektesignaal, ou "alerta de seita", - uma organização holandesa criada para monitorar esses movimentos - pediu à Inspetoria de Educação do país para investigar relatos de que a avatar representa uma ameaça, pois teria infiltrado membros secretamente em instituições públicas.
A escola holandesa Guus Kieft foi apontada como uma das que tem membros da seita avatar

"Não estamos dizendo que isso (a doutrina) é certo ou errado", disse Karin Krijnen, gerente da organização. "Apenas estamos preocupados se houve abusos ou má conduta. É por isso que pedimos uma investigação".

Recentemente, três conselheiros educacionais holandeses atingiram altos status dentro da seita e usaram dinheiro público para enviar outras pessoas para participarem de cursos sobre a avatar.

Han Bekkers, 69 anos, secretário municipal da província de Limburg, no sudeste da Holanda, foi um dos mencionados nos relatórios. Seu porta-voz, Roek Lips, disse à BBC que os relatos eram "quase sem sentido".

"Han Bekkers fez o curso, mas não há dinheiro público envolvido", diz Lips. "E nada do que ele arrecada com suas oficinas é enviado para a Star's Edge, ele é totalmente independente."
Quais as semelhanças entre avatar e cientologia?

Os cursos e a doutrina avatar compartilham muitas concepções e terminologias da cientologia. A igreja oficial da cientologia até já processou Palmer por usar um seus logotipos sem autorização. Palmer deixou de usar a marca e logo depois lançou sua própria filosofia.

Ele também usou termos cientólogos típicos, como "resumo", "integridade" e "profissional"

Os cientologistas negam que sejam parte de um culto e rejeitam acusações de abuso e fraude - a igreja já foi acusada de sonegar impostos e até de torturar alguns de seus membros. Os seguidores descrevem a religião como apoio espiritual.

Os programas avatar de autodesenvolvimento também emprestam elementos do xamanismo, do hinduísmo e da filosofia nova era.

A palavra avatar vem da mitologia hindu e se refere à "manifestação da alma liberada na forma corporal da Terra".

Avatar está na escola?
Samuel Dirkse é professor na escola Guus Kieft, que teriam membros da seita avatar

A BBC decidiu procurar provas da presença de avatar em uma das escolas mencionadas nos relatórios holandeses. Uma das escola que consta no relatório como uma instituição com membros avatar, conhecida como Life!, afirmou que um de seus professores realmente fez um curso da doutrina, mas que ele nunca ensinou nada da "filosofia" a seus alunos.

Ao sul de Amsterdã, desviando de poças lamacentas ao longo de uma trilha de terra, e com o barulho dos aviões do aeroporto de Schiphol, entramos na escola Guus Kieft, na cidade de Amstelveen.

Na entrada, conhecemos o professor de sociologia Samuel Dirkse, que estava segurando uma xícara de chá e usava um gorro.

"Nunca ouvi falar de avatar", diz ele. "Conheço o filme, claro, mas nada sobre cientologia. É a primeira vez que ouço falar sobre isso".

Uma de suas colegas já fez o curso avatar, segundo o relatório da organização que procura seitas. "Ela nunca mencionou nada sobre isso antes. Era só um desenvolvimento pessoal", diz o professor.

"Os pais dos alunos estão com medo, porque eles leram o relatório e pensaram que existe uma seita. Os jornalistas não vieram aqui, eles apenas fizeram acusações. Alguns estudantes estão muito nervosos. Agora as pessoas olham para eles como se eles fossem parte de um culto".

As escolas democráticas ou livres costumam atrair pais holandeses que acreditam que seus filhos vão se destacar em ambientes menos controlados.

Um número razoável de escolas primárias e secundárias oferece aulas de desenvolvimento pessoal cujo objetivo é "identificar e remover crenças limitadoras".

A Guus Kieft, por exemplo, parece uma escola de teatro: quando a visitamos, um garoto dedilhava violão sentado em uma mesa e uma adolescente olhava seu celular enquanto ouvia música em seus fones.

Zeno, um menino de 14 anos, pareceu confuso com a sugestão de que sua escola era dirigida por magos. "É um absurdo. Eu nunca soube o que era avatar", disse ele.

Sua mãe, Christel van Zweden, explica que escolheu uma escola alternativa para livrar seu filho da pressão por notas e desempenho.

"As escolas precisam ser livres de ocultismos e extremismo. Elas precisam ser neutras. Sou contra a cientologia, sou contra a avatar, sou contra qualquer tipo de doutrinação", diz ela.

"Agora, com esse relatório, virou uma espécie de caça às bruxas. Todo mundo está apontando o dedo porque conseguimos fazer uma escola diferente aqui. Tenho certeza que não há nenhuma lavagem cerebral aqui", afirma.

Do outro lado da rua da escola Guus Kieft, um vizinho, Jurgen Seunke, andava com seus labradores na chuva. Questionado se estava preocupado com os relatos de uma seita logo ao lado, ele respondeu que não.

"Há quem leia a Bíblia e diga que as crianças não devem tomar vacina contra a poliomielite ou que não devem aceitar homossexuais porque Deus não gosta deles", ele diz. "Então, mesmo que a cientologia exista na escola, todos devem ter a liberdade de escolher. E, de qualquer forma, são apenas alguns garotos, certo? Não é como se eles tivessem um exército ou algo assim."

AUTOR: BBC

domingo, 25 de março de 2018

COMO DESCOBRIR O QUE O 'FACEBOOK' SABE SOBRE VOCÊ

Facebook armazena informações surpreendentes sobre sua atividade online GETTY IMAGES

Já parou para pensar sobre tudo o que o Facebook sabe sobre você? E mais do que isso, sobre que conexões ele faz para obter informações a seu respeito?

O gigante da tecnologia está no centro de um escândalo após a revelação de que as informações de mais de 50 milhões de pessoas foram utilizadas sem o consentimento delas pela empresa americana Cambridge Analytica para fazer propaganda política nas eleições de 2016 nos Estados Unidos.

Se você é um dos mais de 2 bilhões de usuários ativos da rede – cerca de 200 milhões no Brasil –, ela provavelmente sabe sua data de nascimento, seu número de telefone, sua profissão, as músicas que você ouve, os lugares onde vai e como você passa seu tempo livre.

Com esses dados, a empresa consegue vender anúncios segmentados para outras empresas - um restaurante que quer atingir mulheres de 25 a 40 anos em determinada cidade e que gostem de culinária asiática, por exemplo.

A companhia diz que coleta essa informação para deixar os anúncios mais interessantes e relevantes para você. Para isso, usa não só as informações sobre tudo o que você faz na rede – o que curte, o que decide que não quer ver, de onde você se conecta, onde faz check-in (marcar onde está) etc. – como também tudo o que você faz em outros sites e aplicativos nos quais optou por se cadastrar via seu perfil de Facebook.

Testes, jogos e outros aplicativos que você usa dentro da rede social costumam ter acesso a alguns desses dados – foi assim que a Cambridge Analytica conseguiu informações sobre milhões de usuários. Um teste de personalidade, que dizia usar os dados para fins acadêmicos, coletou-os e seu criador, o pesquisador Alexandr Kogan, os teria fornecido para que a empresa fizessem anúncios políticos nas eleições americanas.
Como proteger seus dados no Facebook?

"Quando você cria uma conta no Facebook, automaticamente concorda que ele usará seus dados para ganhar dinheiro. É o preço que você paga", disse à BBC Brasil o especialista em direito digital Thiago Tavares, da ONG Safernet.

Ao longo dos anos, a empresa vem respondendo a críticas sobre sua política de uso de dados pessoais e tornando mais fácil descobrir o que ela sabe sobre a sua vida. Mesmo assim, segundo Tavares, é importante gastar algum tempo lendo os termos de uso do site e explorando os dados que estão armazenados no seu perfil.

"Revisar as suas configurações de privacidade deve ser como fazer um check-up periódico de saúde. E isso deve ser feito em todas redes sociais. E sobretudo nos aplicativos que você acessa fora do site com o seu login do Facebook, por exemplo. É preciso reservar um tempo para isso, assim como reservamos tempo para fazer um backup dos arquivos que queremos guardar no computador", afirma.

Motivada pela pergunta, decidi fazer o download dos dados que o site tem sobre mim – opção disponibilizada no fim da seção "Geral", das configurações do Facebook – e investigar outros dados que ficam armazenados no meu perfil.
Confira algumas das informações surpreendentes que o Facebook armazena sobre você:
Dados pessoais podem ser baixados clicando na seta no canto superior direito da página, indo em 'Configurações' e escolhendo 'Geral' no menu à esquerda | Foto: Reprodução/Facebook

1. As coordenadas do seu rosto

Ao baixar uma cópia dos principais dados sobre mim no Facebook, obtive um pacote com pastas para fotos e vídeos e um arquivo chamado "index.htm", que deve ser aberto em um navegador. Esse arquivo permite visualizar essas informações de maneira organizada.

Logo na primeira página do arquivo, onde estão as informações pessoais, é possível ver três linhas de números que equivalem a uma espécie de impressão digital do seu rosto, segundo Thiago Tavares.

"Existem 34 pontos na face que são fixos e mapeáveis. A distância entre esses pontos pode ser calculada e esse cálculo permite que um algoritmo consiga identificar automaticamente uma face."

É por isso que, quando um amigo coloca uma foto com você, o Facebook consegue saber que você está lá e sugerir que ele te marque nela.

"Esse é um tipo de dado que as pessoas compartilham sobre você, mesmo que você não queira", explica Tavares.

No entanto, você pode impedir que a empresa guarde esse mapa da sua face e reconheça você nas fotos. Basta ir em "Configurações da linha do tempo e marcações" e escolher a opção "Ninguém" na pergunta "Quem vê as sugestões de marcações quando fotos parecidas com você são carregadas?".
2. Por onde você anda – dentro e fora da internet

Para muitos, uma das seções mais surpreendentes do arquivo do Facebook é a de "Segurança". Ali estão, por exemplo, informações sobre os computadores, celulares e tablets que você usou para entrar no site.

No meu caso, a lista cobria os três últimos anos. Ali estão os IPs – espécies de endereços numéricos usados pelos dispositivos para se comunicarem entre si na internet – e também as datas e horários em que acessei o Facebook, os navegadores que eu utilizei e até a operadora do celular com o qual eu me conectei.

Esses são tipos de "logs de acesso", que, de acordo com o Marco Civil da Internet no Brasil, devem ser armazenados por pelo menos seis meses para permitir que a polícia investigue qualquer crime que possa ter sido cometido na rede social com sua participação.

Além disso, o arquivo também lista cookies que o Facebook armazenou no seu navegador – são arquivos que registram rastros de navegação sobre o tempo que você permaneceu em cada página, a sequência de cliques que deu, os dados que você colocou em um formulário online, o site através do qual você chegou naquela página etc.

"Se eu desabilitar no meu navegador o armazenamento de cookies, não consigo usar o Facebook e muitos sites ou serviços. É por isso que esses produtos não são de graça como a maioria acha que são. Você paga com seus dados pessoais e com sua privacidade, fornecendo esse rastro de tudo o que faz", diz Tavares.
'Mapa' da sua face permite que Facebook marque você em fotos de amigos; é possível desabilitar esta opção nas configurações | Foto: Reprodução/Facebook

Até mesmo as fotos que você compartilha no seu perfil podem trazer dados detalhados sobre onde você estava quando as tirou – e não é preciso ser um grande detetive para descobri-los.

O EXIF, uma espécie de "etiqueta" que arquivos digitais de imagem possuem, contém mais dados do que se imagina.

Ao chegar na sessão "Fotos" do arquivo, percebi que as imagens feitas com câmeras analógicas que postei no site traziam informações como o modelo e o fabricante da câmera e, no caso das digitais, também as configurações usadas na foto (abertura do diafragma e foco, por exemplo), além de data e hora em que a imagem foi feita.

Já algumas fotos compartilhadas do Instagram traziam coordenadas de latitude e longitude de onde foram postadas.

Se você é do tipo que faz "check-in" nos lugares onde vai, não deve ser surpresa encontrar alguns deles, aqueles que você criou ("casa da minha avó", por exemplo), no arquivo que baixou.
3. Fotos que você 'esqueceu' no celular

A seção de "fotos sincronizadas" dos dados baixados do Facebook também é intrigante. Como eu não tinha nenhuma, não sabia exatamente o que aquela "gaveta" deveria armazenar.

O app do Facebook para smartphones traz, atualmente, uma opção de sincronizar automaticamente o seu celular com o seu perfil na rede.

Habilitando a opção, o site se comunica com seu celular e transfere as últimas fotos que você tirou, sem que você precise fazê-lo manualmente, para um álbum privado. Caso você queira, pode tornar o álbum público ou compartilhar fotos individuais com amigos.

De acordo com a empresa, "o recurso tem o objetivo de facilitar o compartilhamento com aqueles que importam para você. Nenhuma foto é postada no Facebook, a menos que o usuário decida compartilhá-las e confirme a ação".

Mas Thiago Tavares alerta também para os perigos da ferramenta. Afinal, fotos indesejadas também podem acabar indo parar no site, mesmo que não estejam públicas. E se alguém conseguir a senha da sua conta, terá acesso a elas.

"Muitos vazamentos não intencionais de fotos íntimas acabam acontecendo assim, com a ativação da sincronização de fotos automática do celular com o Facebook. A pessoa nem sabe que vazou", afirma.

4. O que você 'gostaria' de comprar

Nos últimos anos, respondendo a críticas sobre a maneira como cria anúncios específicos para seus usuários, o Facebook passou a disponibilizar essa informação de forma mais clara. Basta acessar esta página:
Clique aqui para visitar sua página de preferências de anúncios no Facebook (é preciso estar logado no site para ver a informação)

Na seção "Seus interesses", o Facebook lista o que ele considera que são seus assuntos preferidos com base nas suas curtidas e interações no site e em aplicativos que você instalou. Clicando em cada um dos assuntos, você pode ver alguns dos anúncios específicos que a plataforma escolhe para aparecer na sua linha do tempo.

Nesse caso, é possível até tirar e adicionar coisas à lista. No entanto, vale lembrar que isso não significa que você deixará de ver anúncios. Eles simplesmente serão aleatórios, em vez de específicos para seus gostos.
Clicando em cada um dos 'seus interesses', é possível ver os tipos de anúncios que a plataforma mostra a você | Foto: Reprodução/Facebook

Na seção "Anunciantes com os quais você interagiu", o site mostra quais foram as marcas cujos anúncios você clicou, cujos aplicativos você instalou e cujas páginas você visitou. E o mais importante: quais deles você permitiu, mesmo sem saber, que tivessem seus contatos.
É possível ver as marcas com as quais você interagiu dentro e até fora do Facebook, mas em conexão com o site | Foto: Reprodução/Facebook

Na seção "Suas informações" estão os dados que você forneceu voluntariamente ao Facebook ao preencher seu perfil: status de relacionamento, empresa onde trabalha, universidade ou colégio onde estudou etc.

Mas na aba "suas categorias" fica o verdadeiro tesouro: o Facebook mostra em que grupos de anúncios você foi colocado, ou seja, a quais "públicos" você pertence. Ao criar esses grupos, a empresa consegue oferecer a seus anunciantes a oportunidade de fazer propagandas de seus produtos e serviços a pessoas com mais chances de consumi-los.
Facebook coloca cada usuário em 'categorias' que podem ser usadas para criar anúncios específicos com eles | Foto: Reprodução/Facebook

Essas categorias também mostram a verdadeira extensão do que o site sabe sobre você: o sistema operacional do seu computador, o modelo do telefone que usa e se você é amigo de pessoas que se mudaram do país recentemente, por exemplo.

Em "Configurações de anúncios", você pode escolher se quer que o Facebook lhe mostre anúncios baseados em seus interesses - não só dentro da rede social, mas também em outros aplicativos e páginas que não pertencem à empresa de Mark Zuckerberg.

Mesmo informando tudo isso, o Facebook ainda não revela o verdadeiro "pulo do gato", segundo Tavares - o algoritmo que "combina" essas informações para criar perfis e até prever preferências pessoais. Um algoritmo como esse foi criado pela Cambridge Analytica para as propagandas políticas.

"O mundo inteiro está debatendo esse assunto, mas isso envolve o segredo do negócio do Facebook e a propriedade intelectual. Ainda é uma discussão que está no início", diz o especialista.

Dentro do meu arquivo de dados pessoais, a seção "Anúncios" do meu arquivo de dados, encontrei uma lista mais específica empresas e tópicos que o Facebook acha que eu gostaria de ver na minha linha do tempo. Mais abaixo, há ainda uma lista dos anúncios em que eu cliquei no site.

De acordo com Tavares, o Facebook decide quais anúncios mostrar a você a partir do seu comportamento na rede social. Mas o site não informa exatamente quais ações executadas por você levam a essa seleção.

Qual curtida fez com que aparecesse para mim algo sobre o time de futebol de Dallas, no Estado americano do Texas, pelo qual nunca me interessei? Nem consigo imaginar.
Site permite que você escolha se quer ver anúncios baseados em suas interações; mas mesmo que marque 'não', você continuará vendo anúncios aleatórios | Foto: Reprodução/Facebook

Se você usa bastante a opção "conectar com o Facebook" em outros sites e serviços, para evitar ter diversos cadastros, saiba que o que você faz nesses sites também poderá ser usado na rede de Mark Zuckerberg.

Nas suas configurações, você pode impedir que o Facebook use dados sobre sua atividade nesses outros sites e aplicativos para refinar os anúncios que mostra a você. Mesmo assim, a empresa continua coletando essas informações – e elas não estão disponíveis para download.

Mas e se eu não quiser mais ver nenhuma propaganda no Facebook? Impossível, diz Tavares.

"É impossível não ver anúncios no Facebook, da mesma forma que é impossível ter 100% de privacidade usando redes sociais. Uma coisa se tornou incompatível com a outra. É vendendo anúncios que a plataforma ganha dinheiro", afirma.

Mas isso significa que o Facebook está enviando essas informações sobre você diretamente para outras empresas? A empresa diz que não e, de fato, segundo Tavares, não é possível afirmar que esteja.

"Os anunciantes customizam campanhas e as segmentam (escolhem o público que querem atingir com cada campanha). Como o Facebook sabe quem exatamente preenche aquele perfil, ele direciona esse anúncio para esse usuário", explica.
5. Todas as suas buscas

Nem todos os dados que o Facebook armazena sobre você estão no arquivo disponível para download. Todas as suas interações, comentários, curtidas, marcações e buscas na rede social – desde o momento em que você entrou lá – estão armazenados no "Registro de Atividades".

Para chegar lá, vá até a página do seu perfil. Clique em "Registro de Atividades", opção que fica na parte inferior direita da sua foto de capa, ou seja, aquela imagem horizontal que você escolhe para abrir o seu perfil. Em seguida, talvez seja necessário clicar em "Mais" no menu "Filtros", à esquerda, para que ele se expanda.

Um dos detalhes surpreendentes que encontrei nessa sessão são todos os vídeos a que assisti dentro do Facebook, mesmo que não tenha curtido as postagens em que eles estavam, nem deixado comentários. Basta apertar o play e o site registra que eu os assisti.

Da mesma forma, estão registradas absolutamente todas as coisas que eu digitei na seção de busca desde que criei minha conta, em 2007 – nomes de pessoas, eventos e outras palavras-chave.

O registro de atividades, aliás, é a melhor maneira e saber, em tempo real, o que você está informando ao site. Se compartilha músicas que está ouvindo, livros que está lendo, se decide não ver postagens de um amigo na sua linha do tempo ou confirma presença em eventos, tudo estará ali.
Interação com amigos, como mensagens trocadas, permanece na rede mesmo depois que você sai dela THINKSTOCK

6. O que seus amigos quiserem que ele saiba

Por ser uma rede social, o Facebook reúne informações principalmente por meio das interações que seus usuários têm entre si. Então, cada vez que você manda uma mensagem para alguém ou aparece em uma foto de amigos, essa interação passa a pertencer a vocês dois. E ela não desaparece quando você sai da plataforma.

Atualmente, o Facebook possui duas opções de saída. Desativar sua conta é como "dar um tempo" no relacionamento. Todas as suas informações permanecem lá, segundo a empresa, até que você decida voltar. Já a opção de excluir a conta significa um ponto final.

O Facebook diz que pode levar até 90 dias para deletar todas as suas publicações, mas mensagens privadas trocadas com amigos, por exemplo, continuam nas caixas de mensagens deles.

"A sua privacidade hoje não depende só do que você publica sobre si mesmo, mas também do que o outro compartilha ou publica sobre você", diz Thiago Tavares.

"Enquanto seus amigos estiverem no Facebook, você nunca vai sair completamente dele, porque suas interações permanecem lá."

AUTOR: BBC

quinta-feira, 15 de março de 2018

SAIBA COMO UMA MUTAÇÃO GENÉTICA EM UMA ÚNICA CRIANÇA DEU ORIGEM A DOENÇA QUE AFETA MILHÕES DE PESSOAS

Anemia falciforme ganhou esse nome por causa da deformação que causa nos glóbulos vermelhos, dando-lhes formato de foice SCIENCE PHOTO LIBRARY

A anemia falciforme pode não ser tão conhecida quanto doenças como a Aids, a turberculose e a febre amarela, mas afeta milhões no mundo todo.

Segundo a Fundação Sickle Cell Disease, da Califórnia, nos EUA, cerca 250 milhões de pessoas carregam o gene, que, se herdado do pai e da mãe, gera a enfermidade. Cerca de 300 mil crianças nascem todo ano com anemia falciforme.

Uma das doenças genéticas mais comuns do mundo, ela é caracterizada por uma alteração nos glóbulos vermelhos, que perdem a forma arredondada e adquirem o aspecto de uma foice. Essa deformidade faz com que eles endureçam, dificultando a passagem do sangue pelos vasos e a oxigenação dos tecidos. Pode causar dor forte, anemia crônica e prejudicar órgãos vitais.

Um estudo recente conduzido por pesquisadores do americano Center for Research on Genomics and Global Health (CRGGH), feito com base na análise do genoma de 3 mil pessoas, liga a anemia falciforme a uma mutação genética que teria se manifestado em apenas uma criança há pouco mais de 7 mil anos.

Efeito colateral

A história da doença é um exemplo de como uma coisa boa acabou tendo péssimas consequências.

Há milhares de anos, quando o deserto do Sahara era uma área úmida e chuvosa, coberta com uma floresta, uma criança nasceu com uma mutação genética que lhe deu imunidade à malária.

A doença era tão mortal há milhares de anos quanto é hoje – nos dias atuais a malária mata uma criança a cada dois minutos.

Em um ambiente que era habitat dos pernilongos que carregam a doença, essa mutação deu grande vantagem a essa criança, que viveu, cresceu e teve filhos.

Seus filhos herdaram a mutação e, graças à imunidade, se espalharam e se reproduziram. Até hoje, as pessoas que têm o gene são mais resistentes à malária.

Mas é aí que entram as más consequências: se uma pessoa herda o gene com aquela mutação de ambos os pais, ela pode acabar desenvolvendo anemia falciforme, moléstia que resulta em fortes dores e diversas complicações de saúde. Entre eles problemas pulmonares e cardiovasculares, dores nas articulações e fadiga intensa.

E, para piorar, quem herda os genes dos dois pais perde a proteção que eles têm contra a malária.

Em um estudo publicado na semana passada na revista científica American Journal of Human Genetics, os cientistas Daniel Shriner and Charles Rotimi apresentaram a descoberta sobre a origem da doença feita após uma análise do genoma de cerca de 3 mil pessoas, das quais 156 tinham anemia falciforme.

Ambos são pesquisadores do Center for Research on Genomics and Global Health, entidade ligada ao National Institutes of Health (NIH) - uma reunião de centros de pesquisa que formam a agência governamental de pesquisa biomédica do departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

Os pesquisadores dizem que rastrearam a mutação 7,3 mil anos atrás e descobriram que ela começou em apenas uma criança.

Por que isso importa?

Segundo Rotimi, a descoberta ajuda na classificação da doença. "Possibilita aos médicos um entendimento melhor sobre como classificar pacientes doentes de acordo com a severidade da enfermidade", diz ele à BBC.

Isso pode ajudar a melhorar o tratamento clínico oferecido às pessoas, segundo ele. Não há cura para a anemia falciforme. Os portadores da doença precisam de acompanhamento médico constante para garantir a oxigenação adequada nos tecidos, prevenir infecções e para controlar as crises de dor.

No entanto, um dos médicos mais proeminentes no estudo da doença - Frederick B. Piel, do Imperial College, em Londres - afirmou ao jornal americano The New York Times que gostaria de ver estudos mais abrangentes para checar se eles chegam à mesma conclusão.

Células falciformes foram descobertas pela primeira vez nos Estados Unidos, em pessoas com ascendência africana, mas também são comuns em povos do Mediterrâneo, do Oriente Médio e de partes da Ásia.

Até agora os cientistas identificavam os diversos tipos da doença usando grupos separados de acordo com etnia e língua, o que, na verdade, segundo Rotimi, não ajuda a entender a doença do ponto de vista clínico.
Glóbulos vermelhos mal formados causam diversos problemas de saúde | Foto: Science Photo Library

Por décadas os cientistas se perguntam se a mutação aconteceu apenas uma vez e se espalhou ou se diversas crianças não relacionadas desenvolveram a mutação separadamente.

Mas Shriner e Rotimi descobriram que as pessoas que eles analisaram tinham mutações genéticas muito parecidas. Pessoas do Quênia, de Uganda, da África do Sul e da República Centro Africana tinham genes tão similares que se encaixariam em um padrão compatível com a distribuição da mutação através da migração do povo bantu.

Os bantu se espalharam do oeste da África para o leste e para o sul há cerca de 2,5 mil anos.

Rotimi dá risada ao ser questionado pela BBC se está 100% seguro sobre os resultados de sua pesquisa.

"Como cientista é sempre uma péssima ideia dizer que uma conclusão é definitiva. Eu nunca assumo a posição de que existe uma resposta definitiva", diz ele.

"Mas as informações que temos hoje deixam bem claro que não é possível sustentar, no momento, a teoria de uma origem múltipla para a mutação."

Estudos maiores podem ou não trazer o mesmo resultado. Por enquanto, no entanto, a imagem que fica é de uma criança que nasceu com sorte e espalhou seus genes para descendentes no mundo todo – que podem não ter a mesma sorte que ela.

AUTOR: BBC

domingo, 4 de março de 2018

A DESCOBERTA DE DUAS MÚMIAS DE 5 MIL ANOS QUE REVOLUCIONA O QUE SABEMOS SOBRE O EGITO ANTIGO

A múmia do homem, que tinha entre 18 e 21 anos quando morreu, tem no braço dois desenhos sobrepostos de animais | Foto: Museu Britânico

Duas múmias egípcias de 5 mil anos, descobertas há 100 anos, surpreenderam os arqueólogos com uma novidade descoberta apenas agora.

Os pesquisadores chegaram à conclusão que as manchas que elas tinham nos braços eram, na verdade, tatuagens.

Com ajuda de raios infravermelhos, os arqueólogos encontraram ilustrações figurativas feitas nos corpos das duas múmias. Os detalhes dessa pesquisa foram publicados na revista de arqueologia Journal of Archaeological Science.

Daniel Antoine, curador de Antropologia Física do Museu Britânico e um dos autores do trabalho, ressalta que a descoberta "transformou" a ideia que os cientistas tinham de como as pessoas daquela época viviam.

"Apenas agora estamos tendo maior clareza sobre como era a vida desses indivíduos notavelmente preservados. Com mais de 5 mil anos de existência, eles mostram que as tatuagens na África apareceram mil anos antes do que as evidências mais recentes sugeriam", disse ele à BBC.
A primeira tatuagem tem dois animais sobrepostos: acima, um carneiro com chifres, abaixo, um búfalo selvagem | Foto: Museu Britânico

Homem também podia

As imagens obtidas por scanner de uma das múmias, a do homem, revelaram que as tatuagens representam dois animais sobrepostos. Uma delas parece ser a de um touro selvagem com um rabo grande, e a outra, a de um carneiro com chifres.

Até então os arqueólogos acreditavam que apenas as mulheres tinham tatuagens naquela época.

A múmia feminina tem quatro pequenos motivos em formato de "S" no seu ombro direito.

Ela também tem um outro desenho que parece representar um bastão usado em um ritual de dança. O pigmento usado é provavelmente fuligem.
A múmia feminina tem tatuagens em formato de 'S'; os desenhos na pele, dizem os pesquisadores, indicariam status de coragem e de conhecimento mágico | Foto: Museu Britânico
Simbolismo

Os arqueólogos acreditam que as tatuagens indicariam um determinado status dentro da comunidade, ou de coragem ou de um certo conhecimento mágico.

As múmias foram encontradas em Gebelein, a 40 km do território onde hoje fica Luxor.

As covas em que elas estavam não eram profundas, mas graças ao calor, à salinidade e à aridez do deserto, elas se mantiveram bem conservadas.

A análise de carbono 14 indica que o homem e a mulher viveram entre 3351 a.C. e 3017 a.C.. Outro exame indica que o homem foi esfaqueado quando tinha entre 18 e 21 anos.

O exemplo mais antigo de tatuagem está em uma múmia conhecida como Ötzi, descoberta em 1991 nos Alpes, na fronteira entre Áustria e Itália, que viveu entre 3370 a.C. e 3100 a.C.. 

Mas os desenhos em sua pele não traziam figuras, mas apenas traços verticais e horizontais.
Detalhe das tatuagens em formato de 'S' no ombro da múmia de mulher | Foto: Museu Britânico

AUTOR: BBC

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