VISITAS!

839350
SEJAM TODOS MUITO BEM VINDOS, E TENHAM UMA ÓTIMA LEITURA, CONHECENDO OS MISTÉRIOS DO MUNDO!.

SAIBA DE TODOS OS MISTÉRIOS E NOTÍCIAS AQUI!

SAIBA DE TODOS OS MISTÉRIOS E NOTÍCIAS AQUI!
É SÓ ACESSAR MEU CANAL!

CURTA O MUNDO REAL 21 NO FACEBOOK

MUNDO REAL 21 - ÚLTIMAS NOTÍCIAS

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

CONHEÇA O BRUTAL CASO LORDE LUCAN: UM DOS MAIORES MISTÉRIOS DO REINO UNIDO

Crédito: Reprodução

Revoltado com uma decisão judicial que concedeu a guarda de seus três filhos à sua ex-esposa, um homem vai a casa de sua antiga companheira e com uma barra de chumbo desfere diversos golpes em sua cabeça.

O relato pode parecer mais um dos diversos casos de violência doméstica que presenciamos com certa frequência na sociedade atual. Entretanto, o desfecho desse crime brutal se tornou um dos maiores mistérios do Reino Unido. Afinal, o que aconteceu com Lorde Lucan?

Para entendermos melhor essa história, precisamos conhecer primeiro alguns pontos importantes.
Foto de Lorde Lucan / Crédito: Reprodução

O título de Lorde de Lucan é uma condecoração pariata – sistema de denominações da aristocracia usado em muitos sistemas de governo – que até hoje foi possuído por duas famílias irlandesas. O sétimo Lorde de Lucan foi Richard John Bingham, nascido em dezembro de 1934, que se tornou o mais famoso entre eles devido ao crime cometido.

Lorde Lucan foi casado com Verônica Duncan. Eles se conheceram em um evento de golfe, no início de 1963. A relação dos dois foi meteórica, poucos meses depois eles noivaram e o casamento ocorreu em novembro do mesmo ano.

O casamento se mostrava ser como o de qualquer outro casal. Tiveram três filhos, o garoto George e as meninas Frances e Camila. Tudo parecia estar em perfeita harmonia, até que os planos foram interrompidos. 
Foto de casamento de Lord Lucan e Verônica Duncan / Crédito: Reprodução

O crime

Depois de algum tempo, o relacionamento começou a ter suas oscilações, até que um dia chegou ao fim. Com o término da união, se iniciaram as brigas judiciais. Em 1974, o Lorde havia perdido a guarda dos filhos para a esposa. E a decisão não foi bem aceita por ele.

Na noite de 7 de novembro de 1974, Lucan foi para a casa de sua antiga companheira com a intenção de colocar um ponto final na disputa. A mulher se encontrava no porão da casa, local pouco iluminado, mas que se tornaria a cena perfeita para o grande ato final. Com uma barra de chumbo em suas mãos, aplicou diversos golpes na cabeça dela, que pega desprevenida, não conseguiu se defender.

Ali o corpo caia sem vida no chão, ali Lorde Lucan entendia o tamanho de seu erro. O cadáver estendido ao solo não era de sua esposa, mas sim da babá de seus filhos, Sandra Rivett. O sangue já escorria em suas mãos, mas o desejo de vingança permanecia em suas veias. Ele foi à procura de Verônica, que mesmo sendo atacada, conseguiu fugir para um pub próximo.

O assassino desapareceu. 

Seu destino permanece um mistério até hoje.
Sandra Rivett, babá dos filhos do Lorde / Crédito: Reprodução

Lorde Lucan fugiu do local do crime. A polícia local não foi capaz de achá-lo depois disso, somente alguns vestígios foram encontrados. As primeiras pistas só foram descobertas dias depois, quando seu carro foi avistado no acostamento de uma rodovia. O veículo estava ensanguentado.

Os rastros de seu sapato foram encontrados até determinado ponto, a partir dali, nenhuma outra marca foi achada. Para onde ele foi?

O que se sabe daí para frente permanece um mistério. Mas teorias tentam desvendar o real paradeiro do assassino.

Viajando pelo mundo?

Naquela época, foram relatados diversos supostos avistamentos do Lorde nos locais mais diferentes do globo. Um primeiro relato surgiu em janeiro de 1975, quando ele teria sido visto em Melbourne, na Austrália. Meses depois foram às vezes do franceses o avistarem em Cherbourg e Saint Malo.

Até mesmo na África do Sul surgiram relatos de uma possível estadia. A polícia local chegou a examinar impressões digitais de um copo de cerveja deixados por um suspeito na Cidade do Cabo.

Possível afogamento

James Wilson, um amigo próximo, relatou que ele havia enchido o bolso com pedras e pulou de um barco para o fundo do mar de Newhaven Harbor. Segundo Wilson, o remorso, a culpa e o pânico o levaram a cometer suicídio.

Ele atirou em si mesmo e seu corpo foi usado para alimentar um tigre em um zoológico

Esta teoria é de Philippe Marcq, um dos diversos amigos ricos do Lorde. A história diz que ele foi levado a um zoológico particular pertencente a John Aspinall – dono de um clube no qual era frequentador. Lá diversos amigos o julgaram e tentaram achar uma solução.

Descartada a opção de fugir para um país distante, ele pegou um revólver que estava em cima de uma mesa e se matou num quarto ao lado. O seu corpo teria sido jogado para um tigre do zoológico.

O Lorde foi vítima de uma armação e seus amigos o ajudaram a escapar?

O irmão de Lucan, Hugh Bingham, defendeu sua inocência e afirmou que ao invés de ter cometido suicídio, ele teria fugido para se proteger do verdadeiro assassino. Essa linha de raciocínio não levou a polícia a nenhuma prova plausível, e foi descartada da investigação.

Seus amigos sabiam do crime e o ajudaram a fugir

Essa teoria diz que alguns de seus companheiros, mesmo sabendo que Lorde Lucan era culpado, o ajudaram a fugir do país. Para isso, cada um inventaria uma história bizarra, o que despistaria a polícia tempo suficiente para que ele pudesse escapar sem maiores dificuldade. 
Foto de Lady Lucan / Crédito: Reprodução

O destino dos personagens

O destino de Lorde Lucan permanece um mistério até hoje. Sem evidências concretas de sua morte, não é descartada a possibilidade que ele ainda esteja vivo e vivendo em qualquer lugar do mundo, afinal, ele ainda teria 85 anos.

Já sua ex-esposa não saberá jamais caso ele ainda apareça. Lady Lucan faleceu em sua residência em setembro de 2017. Os policiais encontraram o corpo da mulher depois de forçarem a entrada em seu apartamento. Mas acredita-se que a morte dela não seja suspeita.

AUTOR: UOL/AH

terça-feira, 8 de outubro de 2019

DESCOBERTA: SATURNO SUPERA JÚPITER COMO PLANETA COM MAIS LUAS NO SISTEMA SOLAR

Luas foram descobertas com o telescópio Subaru, que fica em Maunakea, no Havaí Foto: Carnegie Institution for Science

Saturno ultrapassou Júpiter como o planeta com mais luas no Sistema Solar, de acordo com pesquisadores dos EUA.

Uma equipe de cientistas descobriu 20 novas luas que orbitam o planeta dos anéis, chegando a 82 no total. Júpiter, por outro lado, tem 79 satélites naturais.

As luas foram descobertas com o telescópio Subaru, que fica em Maunakea, no Havaí.

Cada nova lua descoberta tem cerca de 5 km de diâmetro, e 17 delas orbitam o planeta em sentido contrário à rotação do planeta, movimento conhecido como "direção retrógrada".

As três outras luas dão voltas na mesma direção que Saturno.

Duas delas levam cerca de dois anos para viajar em torno do planeta.

A lua mais distante a girar em direção retrógrada fica ainda mais distante, levando mais de três anos para completar a órbita.

"O estudo das órbitas dessas luas pode revelar suas origens, assim como informações das condições nos arredores de Saturno no momento de sua formação", diz Scott Sheppard, do Carnegie Institution for Science em Washington (EUA), que liderou a equipe.

Concurso para os nomes
Imagem de Saturno captada pela Nasa em 2018 mostra tempestade atmosférica no pólo norte Foto: NASA/ESA/Amy Simon e time OPAL/J. DePasquale (STScI)

As luas mais distantes parecem estar agrupadas em três conjuntos distintos com base nas inclinações dos ângulos em que orbitam o planeta.

"Esse tipo de agrupamento das luas externas também é visto em Júpiter, o que indica a ocorrência de violentas colisões entre as luas no sistema saturniano ou colisões com objetos passantes como asteroides e cometas", diz Sheppard.

As luas podem já ter sido parte de ao menos três astros maiores que foram divididos por essas colisões num passado remoto.

Uma das luas retrógradas recém-descobertas é a que fica mais longe de Saturno.

"Usando alguns dos maiores telescópios do mundo, agora estamos completando o inventário de pequenas luas em torno de planetas gigantes", diz Sheppard. "Elas têm um papel crucial em nos ajudar a determinar como os planetas do Sistema Solar se formaram e evoluíram."

Sheppard disse à BBC que Júpiter era o planeta com mais luas conhecidas desde o fim dos anos 1990.

A equipe de pesquisadores que descobriu as novas luas inclui, além de Sheppard, David Jewitt, da Universidade da Califórnia (EUA), e Jan Kleyna, da Universidade do Havaí.

Eles deram início a um concurso para batizar as luas. Elas devem ser nomeadas com base nas mitologias dos povos viking, celta e inuit.

AUTOR: BBC

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

OS PORTAIS DO INFERNO: VEJA 4 LUGARES CONSIDERADOS PASSAGENS PARA AS TREVAS

Para muitas crenças, o inferno é um lugar que não existe fisicamente, sendo algo etéreo para onde as almas atormentadas vão depois da morte, cumprindo uma pena de grande sofrimento para depois conseguirem alcançar a paz eterna.

Porém, para muita gente, o inferno é algo mais concreto e fácil de ser encontrado, bem logo abaixo de nós, nas profundezas da crosta terrestre. 


Logo abaixo você vai conhecer alguns lugares do mundo que algumas pessoas acreditavam que fossem os verdadeiros portais para o inferno, de acordo com as informações do Atlas Obscura e do iO9:

1 – Portão de Plutão, na Turquia

O local, uma caverna, fica na cidade antiga de Hierápolis — próximo à moderna Pamukkale, na Turquia —, sendo que era considerado como uma passagem para o inferno pelos antigos greco-romanos.

Tudo porque essa caverna emanava gases letais, que foram responsáveis pela morte de muitos animais desavisados que tentavam entrar e por causar outras condições às pessoas que se aproximavam, como alucinações e visões. A região é conhecida por suas famosas águas termais, que são aquecidas por esses mesmos gases tóxicos.

E o povo antigo acreditava que esses vapores da morte haviam sido enviados por Plutão, o deus dos mortos na mitologia, e o local passou a ser tratado como uma entrada para o submundo ou a casa do capeta, como preferir.

2 – Cavernas do Cabo Matapan, na Grécia

As cavernas do Cabo de Matapan estão localizadas ao sul do continente grego, na extremidade da península conhecida como Mani. Essas cavernas são abertas ao nível do mar em um penhasco, o ponto exato das ruínas de um templo espartano acima.

Este local era uma das várias entradas que os gregos antigos atribuíam a Hades, o Reino das Sombras. Diziam que outros desses portais teriam sido encontrados no Necromanteion de Ephyra, no rio Acheron, bem como em Alepotrypa, que também é formada por um conjunto de cavernas em Mani.

Segundo conta a lenda, quando Orfeu viajou até Hades para resgatar Eurídice, teria sido através da caverna de Cabo Matapan. Da mesma forma, Hércules teria utilizado essas cavernas quando ele fez sua própria descida ao submundo. O geógrafo Pausânias identificou Cabo Matapan como o ponto em que, supostamente, "Cerberus foi criado a partir de Hades por Herakles".

3 – Fengdu, China

Localizado na Montanha Ming, na margem norte do rio Yangtze, Fengdu é conhecida como a "Cidade Fantasma". Com uma história de quase dois mil anos, a Cidade Fantasma combina as culturas do confucionismo, o taoísmo e o budismo com as lendas de fantasmas.

Fengdu ganhou esse título durante a Dinastia Han Oriental, quando dois funcionários da corte imperial, Yin Changsheng e Wang Fangping, decidiram ir a montanha para praticar os ensinamentos taoístas e a lenda conta que eles se tornaram imortais. Combinando seus sobrenomes, resulta o termo "Yinwang", que significa o "rei do inferno”.

Mais tarde, durante a Dinastia Tang, um templo foi erguido na mesma montanha e descreve a vida no inferno. O local exibe imagens demoníacas e instrumentos de tortura, refletindo a noção de que as pessoas boas vão ser bem tratadas em vida após a morte e que os maus serão punidos, indo para o território do capiroto.

4 – Purgatório de São Patrício, Irlanda

Fundado no século 15, o Purgatório de São Patrício (ou St. Patrick) é um pequeno mosteiro localizado em Lough Derg, na Irlanda. De acordo com a história, o próprio São Patrício visitou a ilha e teve visões sobre os tormentos do inferno.

A caverna onde o santo teve essas alucinações foi mais tarde tratada como uma entrada para poço de Satanás e um mosteiro foi devidamente construído para tapar o buraco do inferno. A caverna então foi tampada e selada desde 25 de outubro de 1632.

Especialistas sugerem que, mesmo antes da chegada de São Patrício, a caverna pode ter sido usada como um local de oração e cura espiritual.



Portais do inferno: veja 4 lugares considerados passagens para as trevas

* * *

Existem ainda muitos outros “portais do inferno” pelo mundo! Fique ligado aqui no MUNDO REAL 21 que, em breve, mostraremos mais alguns para você.

AUTOR: MEGA CURIOSO

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

ESPAÇO: CIENTISTAS DESCOBREM PLANETA GIGANTE 'QUE NÃO DEVERIA EXISTIR'

Os astrônomos descobriram um planeta gigante que, segundo eles, não deveria existir, de acordo com as teorias atuais. Foto: University of Bern

Os astrônomos descobriram um planeta gigante que, segundo eles, não deveria existir, de acordo com as teorias atuais.

O planeta, semelhante a Júpiter, é extraordinariamente grande em comparação com sua estrela-mãe, contradizendo um conceito amplamente aceito sobre a forma como os planetas se formam.

A estrela, que fica a 284 trilhões de quilômetros de distância, é uma anã vermelha do tipo M – o mais comum em nossa galáxia.

Uma equipe internacional de astrônomos relatou suas descobertas na revista Science.

"É emocionante, porque há muito tempo nos perguntamos se planetas gigantes como Júpiter e Saturno podem se formar em torno de estrelas tão pequenas", diz Peter Wheatley, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, que não participou do estudo mais recente.

"Acho que a impressão geral foi de que esses planetas simplesmente não existiam, mas não podíamos ter certeza porque as estrelas pequenas são muito fracas, o que as torna difíceis de estudar, mesmo sendo muito mais comuns que estrelas como o Sol", disse Wheatley à BBC News.

Pesquisadores usaram telescópios na Espanha e nos Estados Unidos para rastrear as acelerações gravitacionais da estrela que podem ser estimuladas por planetas em órbita.

A anã vermelha tem uma massa maior que seu planeta em órbita – chamado GJ 3512b. Mas a diferença entre seus tamanhos é muito menor do que entre o Sol e Júpiter.

A estrela distante tem uma massa que é, no máximo, 270 vezes maior que o planeta. Para comparação, o Sol é cerca de 1.050 vezes mais massivo que Júpiter.
A estrela foi descoberta usando o observatório Calar Alto, na Espanha Foto: Calar Alto Observatory

Os astrônomos usam simulações de computador para testar suas teorias de como os planetas se formam a partir das nuvens, ou "discos", de gás e poeira orbitando estrelas jovens. Essas simulações preveem que muitos planetas pequenos devem se reunir em torno de pequenas estrelas-anãs do tipo M.
"Em torno dessas estrelas só deve haver planetas do tamanho da Terra ou super-Terras um pouco mais massivas", disse um dos coautores do estudo, Christoph Mordasini, professor da Universidade de Berna, na Suíça.

Um exemplo da vida real de um sistema planetário que está de acordo com a teoria é o de uma estrela conhecida como Trappist-1.

Esta estrela, situada a 369 trilhões de quilômetros (39 anos-luz) do Sol, abriga um sistema de sete planetas, todos com massas aproximadamente iguais à da Terra, ou ligeiramente menores.

"A GJ 3512b, no entanto, é um planeta gigante com uma massa cerca da metade do tamanho de Júpiter e, portanto, pelo menos uma ordem de magnitude mais massiva que os planetas previstos pelos modelos teóricos para essa estrela tão pequena", disse o professor Mordasini.

A descoberta desafia a ideia amplamente difundida de formação de planetas, conhecida como acreção.

Geralmente pensamos em planetas gigantes que começam a vida como um núcleo de gelo, orbitando um disco de gás ao redor da estrela jovem e depois crescendo rapidamente, atraindo gás para si", disse Wheatley.

"Mas os autores argumentam que os discos ao redor de pequenas estrelas não fornecem material suficiente para que isso aconteça. Em vez disso, consideram mais provável que o planeta tenha se formado repentinamente quando parte do disco entrou em colapso devido a sua própria gravidade".

Os autores do artigo da Science propõem que esse colapso pode ocorrer quando o disco de gás e poeira tem mais de um décimo da massa da estrela-mãe. Sob essas condições, o efeito gravitacional da estrela se torna insuficiente para manter o disco estável.

A matéria do disco é puxada para dentro para formar um aglomerado gravitacional, que se desenvolve ao longo do tempo em um planeta. A ideia prevê que esse colapso ocorra mais longe da estrela, enquanto os planetas podem se formar por acúmulo de núcleo muito mais próximo.

Wheatley foi coautor de um estudo em 2017 que descreveu um gigante de gás chamado NGTS-1b, encontrado em telescópios liderados pelo Reino Unido no Chile. O NGTS-1b também é muito grande comparado ao tamanho de sua estrela-mãe - outra anã vermelha do tipo M, que fica a 600 anos-luz (cinco quatrilhões de quilômetros) de distância da Terra.

"A estrela-mãe é pequena, mas não tão pequena quanto este novo exemplo (GJ 3512). Pode ser que a NGTS-1 represente a menor estrela que pode formar planetas próximos por meio de acreção por núcleo, e que estrelas menores apenas formam planetas gigantes mais distantes pelo modelo de colapso gravitacional", disse Wheatley.

"Esses tipos de previsões são inestimáveis ​​para direcionar futuras pesquisas, permitindo testar esses modelos".

De fato, os autores do estudo na Science sugerem que o GJ 3512b deve ter migrado por uma longa distância para sua posição atual abaixo de 1 unidade astronômica (150 milhões de quilômetros).

Com sua órbita oval de 204 dias em torno da estrela, a GJ 3512b passa a maior parte do tempo mais perto da anã vermelha do que a distância de Mercúrio ao Sol. A órbita excêntrica do gigante gasoso aponta para a presença de outros planetas gigantes que orbitam mais longe, o que poderia ter distorcido sua órbita.

Um dos coautores do estudo, Hubert Klahr, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, afirmou: "Até agora, os únicos planetas cuja formação era compatível com as instabilidades do disco eram um punhado de planetas jovens, quentes e muito massivos, longe de suas estrelas-mães.

"Com o GJ 3512b, agora temos um candidato extraordinário para um planeta que poderia ter surgido da instabilidade de um disco em torno de uma estrela com muito pouca massa. Essa descoberta nos leva a revisar nossos modelos", diz Klahr.

AUTOR: BBC

domingo, 29 de setembro de 2019

CONHEÇA 4 ARTEFATOS ANTIGOS QUE NOS DEIXAM INTRIGADOS ATÉ HOJE

O disco de Festos e o dodecaedro romano GETTY IMAGES

A ciência, a engenharia e os avanços da tecnologia são sempre capazes de nos surpreender com engenhocas que facilitam nossa vida ou acabam mudando a forma como nos relacionamos.

Mas há artefatos criados há milhares de anos que podem ter tido grande impacto sobre a vida das pessoas em sua época - sem que saibamos exatamente como.

São objetos desenhados e construídos por nossos antepassados, que permanecem bem conservados, mas cujo uso ou função se perdeu ao longo da História. Ninguém sabe dizer exatamente como foram feitos - e sua real utilidade permanece um mistério.

1. A pilastra de ferro que não corrói

A Índia abriga muitos mistérios e obras impressionantes. Uma delas é o Pilar de Ferro de Déli, uma coluna de ferro de sete metros de altura e que, segundo avaliações de especialistas, foi construída há 1,6 mil anos. Apesar do tempo, ela não oxidou.

O pilar pesa cerca de seis toneladas e é uma das curiosidades históricas que mais chamam atenção no campo da metalurgia. Ele faz parte de um templo hindu erguido durante a dinastia Máuria, o primeiro grande império que unificou a Índia. E é a única parte do templo que ainda permanece de pé.
Pilar de Ferro de Déli não oxida, apesar de ter sido construído há cerca de 1,6 mil anos GETTY IMAGES

Anos depois, no século 13, o ex-escravo Qutb-ud-din Aibak transformou-se no primeiro sultão de Déli. Aibak é fundador da dinastia dos mamelucos e primeiro governante muçulmano do sul da Ásia.

Nos quatro anos em que ficou no poder, mandou construir o Complexo de Qutb, um conjunto de edifícios que inclui a famosa torre Qutab Minar e a mesquita Quwwat-ul-Islam. No centro está a torre de ferro.

Acredita-se que, contudo, esta não é sua localização original e que seu propósito inicial era servir como um tributo ao deus Vishnu.

O pilar é feito de ferro forjado de alto grau de pureza e de composição baixa em enxofre e alta em fósforo. É considerado uma amostra do nível avançado da metalurgia da Índia daquela época.

2. O disco de Festos

Ao sul da ilha de Creta, estão as ruínas do palácio minoico de Festos. Em 1908, o arqueólogo italiano Luigi Pernier encontrou ali um disco de argila que até hoje intriga especialistas e gera polêmica.

O disco tem as duas faces com inscrições hieroglíficas dispostas em uma espiral e cujo significado não é totalmente conhecido.

Acredita-se que tenha sido fabricado no final da Idade do Bronze grega, entre os séculos 30 e 15 a.C. Mas há arqueólogos como Jerome M. Eisenberg que asseguram que se trata de uma fraude criada por Pernier.
O disco de Festos teria sido feito há pelo menos mais de 3,5 mil anos GETTY IMAGES

Outros especialistas, como Gareth Owens e John Coleman, afirmam que o disco pertence a cultural minoica e asseguram ter decifrado a inscrição, ao menos parcialmente.

A cultura minoica data dos anos 2.200 e 1.450 a.C e é considerada a primeira civilização avançada da Europa durante a Idade do Bronze. Festos era uma das cidades mais importantes daquela época.

O disco, contudo, permanece sendo um enigma porque contém 61 hieróglifos que não foram identificados e não constam em nenhuma outra amostra de escritura minoica. Owens, que diz ter decodificado pelo menos 50% da mensagem, afirma que o disco fala sobre uma deusa grávida.

3. O dodecaedro romano

Em vários pontos do continente europeu foram encontrados exemplares desse objeto, formado por 12 faces pentagonais planas com cavidades circular no centro e pequenos botões nos ângulos. A versão mais comum é feita de bronze, embora também existam algumas feitas de pedra.

Foram encontrados em países como Espanha, Itália, Hungria, França e Alemanha. Acredita-se que tenham sido fabricados entre os séculos 2 e 3 d.C, durante o Império Romano. Nenhum desses objetos encontrados tinha mais de 11 centímetros de diâmetro.
Dodecaedro romano: não se sabe para que sevia, apesar de ter sido encontrado em diferentes países GETTY IMAGES

Apesar de terem sido encontrados em diferentes lugares, a função desse objeto segue desconhecida. Há uma ampla variedade de hipóteses para o uso do artefato, entre elas, a de que pode ter sido uma arma, um brinquedo de criança, um molde ou até um calendário agrícola.

A única coisa que se sabe com certeza é o nome do artefato: dodecaedro romano.

4. Esferas de pedra da Costa Rica

Em 1939, trabalhadores da empresa americana Standard Fruit Company estavam limpando uma floresta ao sul da Costa Rica para plantar bananas quando descobriram algumas esferas de pedras.

Desde então, foram encontradas outras esferas desse tipo no país. Mas, até hoje, arqueólogos questionam a utilidade de tais objetos e como foram feitos.

Acredita-se que tenham sido feitas por volta do ano 600, pelo povo diquí, que desapareceu após a Conquista espanhola.

As esferas têm tamanhos distintos. Algumas apresentam diâmetros de sete centímetros e outras, de mais de dois metros. Podem pesar até 16 toneladas.
Há quem acredite que essas esferas podiam simbolizar prestígio, a depender do tamanho GETTY IMAGES

Em entrevista concedida no ano passado ao jornal colombiano El Tiempo, o arqueólogo Francisco Corrales, do Museu Nacional de Costa Rica, disse que a equipe dele acredita serem um símbolo de "hierarquia, cargo e distinção".

O especialista explicou que as esferas eram feitas com grandes blocos de pedras e esculpidas usando ferramentas também feitas de pedra, como martelos, e depois passavam por um processo de polimento.

AUTOR: BBC

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

VÍDEO: SATÉLITE DA NASA REGISTRA PELA PRIMEIRA VEZ O MOMENTO QUE ESTRELA É 'DEVORADA' POR BURACO NEGRO SUPERMASSIVO

Ilustração mostra o momento em que o buraco negro "captura" a estrela, modelo é feito a partir de dados captados por satélites e são transformados em desenho Ilustração: Robin Dienel/Carnegie Institution for Science

A agência espacial norte-americana (Nasa) observou pela primeira vez o momento em que uma estrela é "engolida" por um buraco negro supermassivo. No estudo publicado nesta quinta-feira (25) pela revista "The Astrophysical Journal", cientistas defendem que descoberta é um marco para entender mais sobre este fenômeno.

Segundo os astrônomos, o que o satélite capturou foi a destruição de uma estrela por meio de efeitos gravitacionais – as chamadas "perturbações de maré", ou da sigla em inglês TDE. O fenômeno ocorre quando as forças do buraco negro supermassivo dominam a gravidade do corpo celeste o despedaçam.

De acordo com a pesquisa, a interação que recebeu o nome de ASASSN-19bt, emitiu uma luz que pôde ser identificada pelo TESS. Os cientistas explicam que em uma destruição como esta, parte do material da estrela que é "engolido" pelo buraco negro emite um disco de gás quente e brilhante.

Fenômeno é paradigma

“Apenas alguns TDE foram descobertos antes de atingirem o pico de brilho, e este foi encontrado apenas alguns dias depois que começou a clarear", celebrou em nota o astrônomo Thomas Holoien, um dos autores do estudo.


Este pesquisador destacou que, por estar dentro da zona de visualização contínua do satélite TESS, o fenômeno pôde ser acompanhado com atualizações quase em tempo real, a cada 30 minutos.

Além disso, explicou que há dados dos últimos meses que podem identificar toda a trajetória do fenômeno e não só o momento de luz, algo que nunca foi feito antes e o que torna a perturbação ASASSN-19bt um paradigma nas pesquisas sobre TDE.

Composição da estrela

O cientista norte-americano comentou que observava o céu da Califórnia, na noite da descoberta, com um equipamento de espectrometria. Com os resultados captados pelo dispositivo, ele conseguirá identificar quais são os materiais que formavam a estrela destroçada.


Equipamentos utilizados pelo astrônomo separam os espectros da luz de um objeto ou evento celeste, com isso, há o registro dos comprimentos de onda emitidos pela estrela.

Parecido com um código de barras, o desenho da radiação eletromagnética traz informações sobre o material e a velocidade em que a estrela se deslocavam. Ele é formado assim como um arco-iris, que decompõe a luz do sol por meio de um prisma.

O que é um buraco negro?

Os buracos negros são uma enorme quantidade de massa concentrada em um espaço muito reduzido. Seu campo gravitacional é tão forte que ele atrai para si tudo o que se aproxima dele, inclusive a luz.

Astrônomos apresentam a primeira imagem de um buraco negro já registrada

Como surgem os buracos negros?

Além da colisão entre dois buracos pré-existentes, outra forma de produzir um buraco negro é quando uma estrela muito massiva (tem grande massa) deixa de emitir luz no final da sua vida. O centro dessa estrela entra em colapso e ocorre a chamada explosão supernova. Isso pode produzir um buraco negro "estelar".


De acordo com a Nasa, a maioria dos buracos negros é desse tipo, ou seja, uma espécie de “objeto em colapso congelado”. Os detalhes de por que isso acontece ainda são um mistério para os cientistas.

Qual é o tamanho de um buraco negro?

Ainda há muito o que se descobrir sobre os buracos negros, mas sabemos que eles podem ter tamanhos diversos. Os buracos negros estelares, que podem ter tamanho dezenas de vezes maiores do que o nosso Sol, costumam ser menores que os supermassivos.

Um buraco negro supermassivo, por exemplo, pode ser milhões de vezes maior que o Sol. Ao mesmo tempo, essa massa gigantesca é muito compacta, e pode ocupar, por exemplo, um espaço consideravelmente menor do que o de um planeta pequeno do Sistema Solar.

AUTOR: G1

domingo, 22 de setembro de 2019

NOVAS DESCOBERTAS REACENDEM DEBATE SOBRE COMO MORREU LAMPIÃO, 8 DÉCADAS DEPOIS

Perícia pedida por historiador deu mais detalhes sobre morte de Lampião (terceiro da esq. para a dir.)  Foto: Divulgação/ GESP/BBC
Mais de oito décadas se passaram, e a história ainda não chegou à conclusão de como Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi morto. O debate ainda rende entre pesquisadores do cangaço e segue longe de um consenso sobre como se deram os últimos suspiros de Lampião. Há até mesmo quem duvide de sua morte.

Uma novidade trouxe mais elementos a um debate que parece não ter fim. Trata-se de uma perícia feita nas roupas e objetos que estavam com Lampião no dia da emboscada policial na grota do Angico, sertão de Sergipe, em 27 de julho de 1938. Após as mortes, as cabeças de Lampião, sua esposa Maria Bonita e outros cangaceiros foram cortadas e expostas ao público como troféu no Recife.

As peças estavam guardadas intocáveis até então no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas – como a operação que caçou o cangaceiro na caatinga foi feita pela Polícia Militar do Estado, Alagoas herdou o material e o guarda como relíquia até hoje.


A análise foi feita pelo perito Victor Portela, do Instituto de Criminalística de Alagoas. A BBC News Brasil teve acesso ao documento inédito, datado de 19 de julho de 2019, que atesta que Lampião teria recebido três tiros.

Mas a morte do rei do cangaço apresenta teses e mais teses. Uma delas é que Lampião e o bando foram envenenados antes do tiroteio, e que a polícia disparou contra o grupo já morto. Há quem defenda que o rei do cangaço não morreu em Angico, mas, sim, um sósia – o verdadeiro cangaceiro teria morrido com 100 anos em Minas Gerais.

"Se quiser, conto as duas mil teses que existem sobre a morte", brinca o historiador e jornalista João Marcos Carvalho, autor do documentário ainda inédito Os Últimos Dias do Rei do Cangaço. Foi ele quem pediu ao perito alagoano uma análise das peças, que deve reabrir um debate que parecia ter encontrado seu fim no ano passado, quando o escritor Frederico Pernambucano de Mello publicou livro Apagando Lampião.
Segundo perícia, tiro acertou o punhal usado por Lampião e foi desviado para a região umbilical  Foto: Ingryd Alves/BBC

Na publicação, o pesquisador do cangaço afirma que Lampião morreu com um único tiro disparado a oito metros de distância pelo cabo Sebastião Vieira Sandes. A versão ainda diz que o tiro certeiro foi dado de fuzil, conforme relatado pelo próprio policial alagoano autor do disparo – que o procurou quando estava com doença terminal em 2003 para revelar o que seria o maior segredo.

Debate

Para Carvalho, a tese de Frederico está errada. Ele diz que Lampião foi morto pela polícia em uma emboscada e estava com outros integrantes do grupo quando foi surpreendido.

Em busca de mais detalhes sobre o enigma da morte do cangaceiro, Carvalho pediu um laudo ao perito alagoano. "Procurei o perito Victor Portela e solicitei a análise daqueles objetos que estavam guardados e nunca tinham sido mexidos", explicou.

À BBC News Brasil, o perito disse que de imediato aceitou a missão. Ainda em 2018, ele iniciou a análise no punhal, nas cartucheiras e nos bornais (tipo de bolsas usadas pelo cangaço) de Lampião. Segundo ele, foram percebidos pontos de impacto e perfurações nos materiais utilizados.

O laudo de Portela diz que foram três tiros. O primeiro deles acertou o punhal, e a bala acabou desviada para a região umbilical; outro atravessou a cartucheira – que era utilizada no ombro – e atingiu o coração; e o terceiro atingiu cabeça.
Perito Victor Portela, que fez análise das roupas e objetos que lampião estava usando na hora de sua morte Foto: Ingryd Alves/BBC

Para o perito, é impossível saber qual dos tiros – ou se a combinação deles – matou Lampião. Mas ele destaca que sua experiência como perito aponta um dado controverso das teorias até então: os disparos no peito e na barriga não matariam o cangaceiro instantaneamente.

"Ele poderia morrer alguns minutos depois pelo sangramento. Só o tiro na cabeça o mataria rápido, mas não temos como dizer a cronologia dos disparos", explicou.

Um dos pontos novos apresentados no laudo veio da análise dos bornais feitos por Dadá (famosa cangaceira do grupo), que tinham duas marcas de tiros. João Marcos crê que Lampião não teve tempo de vesti-los no momento do tiroteio. "Quando o bando chegou à grota, o local não estava em um silêncio de catedral. Lampião estava vestindo a cartucheira, o punhal e tomou os tiros ali. Não deu tempo de ele vestir os bornais", explicou.

Portela concorda com o jornalista e historiador, revelando que a perícia mostrou que os tiros foram dados de cima pra baixo, e que os bornais não tinham marca de sangue. "Ficou uma incógnita com relação aos bornais, mas quando fiz a sobreposição das cartucheiras com os bornais, vi que não há compatibilidade com nenhum dos disparos", afirmou.
Historiador revela a identidade do assassino de Lampião

Neta rechaça ideia de um tiro

Vera Ferreira, neta de Lampião, disse à BBC News Brasil acreditar que a perícia recente sustenta a teoria mais correta a respeito da morte do avô.

Ferreira não acredita na versão de tiro único, nem de envenenamento, muito menos de que seu avô sobreviveu e morreu em Minas Gerais. "Quando o corpo do meu avô foi periciado, apontou-se três tiros", disse.

Questionada sobre a versão de que o cabo Sandes ter matado o avô, Vera afirmou que não é possível saber quem matou Lampião. "Quem deu o tiro de misericórdia? Imagine várias pessoas atirando ao mesmo tempo, o mesmo alvo, ninguém sabe", completou.

O 'julgamento' de Lampião

Além da polêmica da forma da morte, a história de Lampião também levanta o questionamento: herói ou bandido? Matar Lampião era um desejo das autoridades brasileiras desde a segunda metade da década de 1930. A ordem foi dada pelo então presidente Getúlio Vargas. Atendendo a pedidos de políticos nordestinos, ele impôs uma longa caçada ao bando.
Perícia também analisou bornais (bolsas usadas pelo cangaço) de Lampião Foto: Ingryd Alves/BBC

Um seminário marcado para 2020, em Piranhas, sertão de Alagoas, vai levar as teses da morte e "julgar" se Lampião era herói ou bandido. "Existem aqueles que defendem que Lampião era bandido, mas alguns dizem que o cangaceiro era uma vítima da sociedade. Vamos analisar isso".

O júri será composto por promotores, juízes, advogados e os historiadores, aos quais serão apresentadas as versões, casos e opiniões.

O perito Victor Portela também contou que na ocasião será apresentado o laudo. "Vamos utilizar a perícia para excluir teorias que não são compatíveis com os fatos que foram levantados. Vamos filtrar e excluir teorias que realmente não batem", disse. "Além do julgamento queremos posteriormente fazer uma análise no local com reprodução simulada para ver os pontos de impacto no local", disse.
Os 80 anos da morte de Lampião

AUTOR: BBC

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

CONHEÇA 5 CASOS DE CRIMES BIZARROS QUE AINDA NÃO FORAM SOLUCIONADOS

Casos de investigação criminal são altamente explorados pelo entretenimento e dão origem a livros, filmes, séries de TV e podcasts. 

Em alguns deles, os acontecimentos são acompanhados em todas as etapas, desde simulações dos momentos que precederam o crime até a prisão dos responsáveis; em outros, porém, os culpados nunca foram encontrados e o mistério permanece. 

Inspirados pelo terrível caso de triplo homicídio não resolvido nas montanhas do livro A essência do mal, montei uma lista com cinco crimes reais que permanecem um mistério até hoje.

Confira:

O remédio envenenado

Em 1982, na cidade de Chicago, sete pessoas morreram após ingerirem pílulas envenenadas. 

Entre as vítimas, três eram da mesma família. 

Durante a investigação, os detetives perceberam que as embalagens dos remédios de todas as vítimas eram do mesmo lote e cheiravam a amêndoas (um possível sinal de cianeto), embora tenham sido compradas em lojas diferentes. 

O resultado da autópsia comprovou a presença de altas doses de cianeto, e as autoridades chegaram à conclusão de que as mortes foram provocadas por envenenamento intencional.
Uma onda de pânico varreu os Estados Unidos e muitas pessoas lotaram os hospitais, preocupadas e com medo. Surgiram muitos casos de criminosos tentando imitar o envenenamento original, usando veneno de rato e até ácido clorídrico.

Apesar de terem surgido três suspeitos ao longo da investigação, a polícia não conseguiu comprovar ou descobrir quem realmente foi o responsável pelos crimes.

Uma curiosidade: o lacre de alumínio presente em todos os medicamentos que encontramos à venda hoje em dia foi criado por causa desse crime.


Michelle Von Emster

Michelle Von Emster foi encontrada morta por dois surfistas na praia de Sunset Cliff, em San Diego, nos Estados Unidos, em 1994. A princípio, acreditou-se que a causa da morte fosse ataque de tubarão. 

Após uma segunda análise, contudo, um especialista em tubarões-brancos contestou o resultado, alegando que a fratura na perna de Michelle não lembrava em nada o resultado da mordida de um desses animais.
Com isso, começaram a surgir diversas teorias sobre o que realmente teria acontecido com a vítima. Uma delas seria a de que ela foi nadar e se afogou sozinha, enquanto outra diz que ela pode ter caído de um pequeno precipício que existe na beira da praia. 

Existe ainda uma terceira teoria que fala sobre um possível assassinato. No fim, nunca se descobriu o que de fato aconteceu com ela.

O assassinato nas montanhas

Em 1959, nove esquiadores foram encontrados mortos em um acampamento perto da montanha Otorten, na Rússia. Primeiro, encontraram cinco corpos. Apesar do frio, dois deles estavam vestindo somente roupas de baixo. 

Segundo a autópsia, as mortes foram causadas por hipotermia, embora umas das vítimas apresentasse uma fratura no crânio.
Dois meses depois, outros quatro corpos foram achados: crânios fraturados, costelas quebradas e até uma língua decepada! E o mais estranho de tudo: eles estavam vestindo as roupas das primeiras vítimas. 

Para deixar a situação ainda mais esquisita, foram encontrados sinais de radiação nas roupas e no acampamento. Além disso, não havia indícios de que a barraca tinha sido invadida, mas de que tinha sido rasgada de dentro para fora.

Surgiram algumas teorias: uma possível avalanche, um teste de míssil soviético, um ataque do Yeti e até aliens! Por fim, o caso nunca teve solução…

A Dália Negra

Um dos casos de assassinato mais conhecidos da história dos Estados Unidos, Dália Negra foi a forma como passaram a chamar a jovem de 23 anos Elizabeth Short, encontrada morta em um terreno baldio em Los Angeles em 1947. Seu corpo estava repartido em dois – na altura da cintura –, possuía diversas escoriações, fraturas no crânio, um corte à lâmina na altura dos lábios e o sangue fora totalmente drenado. 

As únicas pistas eram marcas de pneu saindo do local, pegadas de botas e um saco de cimento com sangue dentro.
Apesar dos esforços da polícia, a limitada tecnologia forense da época dificultou a identificação do assassino. Cerca de 60 pessoas confessaram o crime em busca de atenção da mídia, mas apenas 25 foram interrogadas e ninguém foi condenado. A história deu origem a filmes, livros e apareceu em diversos programas de TV, porém, mais de setenta anos depois, permanece sem solução.

O mistério Paulette Gebara

Paulette Gebara era uma menina de quatro anos que sofria com limitações físicas e de fala. Ela desapareceu em 2010 em Huixquilucan, no México, e toda a família e o departamento de polícia se mobilizaram nas buscas pelo apartamento e nos arredores. Não havia vestígio de entrada forçada ou roubo e não havia testemunhas. 

Os pais da menina utilizaram os meios de comunicação para fazer apelos aos supostos sequestradores para que a devolvessem.
O caso começou a ficar estranho quando a polícia fez uma segunda busca na casa. Após uma queda de luz que durou alguns minutos, o corpo da menina foi finalmente encontrado enrolado em um lençol no vão entre a cama e o colchão. 

A causa da morte foi definida como acidental, em decorrência de uma asfixia mecânica, porém algumas controvérsias fizeram com que a hipótese não fosse amplamente aceita: 

As babás da menina afirmaram que o corpo não estava no local no momento da primeira busca; em uma gravação, a mãe de Paulette pedia à filha mais velha que não comentasse o caso do desaparecimento para evitar que elas fossem consideradas culpadas; e o pijama que a menina usava no momento em que o corpo foi encontrado era o mesmo que apareceu na cama da mãe em uma entrevista que ela deu para a TV falando sobre o desaparecimento.

Diante desses fatos, a opinião pública se voltou contra a mãe, Lizette; todos estavam certos do envolvimento da família na morte da criança. Contudo, o caso permaneceu encerrado como acidente.

No thriller A essência do mal, um crime terrível acontece na região dos Alpes italianos e o caso é encerrado sem que o responsável seja encontrado.

Anos depois, um documentarista americano se muda para o local e fica obcecado pela história, determinado a descobrir o que aconteceu nas montanhas naquele fatídico 28 de abril de 1985.

AUTOR: intriNseca.com

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

SAIBA COMO OS BRITÂNICOS USARAM O HUMOR PARA DESAFIAR HITLER NA ALEMANHA

Adolf Hitler Foto: Getty Images via BBC

Era tarde da noite em Londres, em 1940, e o exilado austríaco Robert Lucas estava escrevendo em sua mesa. Bombas caíam na cidade todas as noites, o Exército liderado por Hitler avançava pela Europa e a invasão da Inglaterra tinha se tornado uma possibilidade factível.

Apesar de as sirenes de ataques aéreos e, como ele disse, "o barulho do inferno das máquinas de guerra" disparando ao seu redor, Lucas estava focado no trabalho: "lutar pelas almas dos alemães". Ele estava compondo uma mensagem de rádio destinada aos cidadãos do Terceiro Reich. Mas ela não era um apelo apaixonado para que eles desistissem do Führer: era uma tentativa de fazê-los rir.

Lucas trabalhava para o Serviço Alemão da BBC desde setembro de 1938. No início, o objetivo do Serviço Alemão era quebrar o monopólio nazista na transmissão de notícias do Terceiro Reich.

Os nazistas não conseguiram impedir que ondas de rádio estrangeiras cruzassem a Alemanha, mas podiam criminalizar quem ouvisse "emissoras inimigas". Eles fizeram isso assim que a guerra eclodiu. Muitas pessoas foram presas e sentenciadas à morte. Os alemães corajosos o suficiente para desrespeitar a lei tinham que tomar cuidado com os delatores, que podiam ser simples bisbilhoteiros ou até vizinhos mal intencionados. Assim, muitos ouviam a BBC embaixo de cobertores.
Mas por que você escolheria transmitir mensagens engraçadas nas terríveis circunstâncias de uma guerra? Fazer piadas para manter o moral em alta dos soldados e da população da Grã-Bretanha era uma estratégia bem-sucedida e foi implementada particularmente bem na BBC em tempos de guerra. Mas fazer isso para os inimigos? E, de qualquer forma, quem arriscaria a vida ouvindo esse tipo de coisa?

De fato, quando Lucas começou a escrever o programa de piadas e sátiras, chamado de Die Briefe des Gefreiten Adolf Hirnschal, "não fazia ideia se haveria pelo menos 50 pessoas na Alemanha ouvindo". Ele falou "no escuro sem eco", como mais tarde descreveu. O fato de seu programa - juntamente com outras duas séries de sátiras, chamadas Frau Wernicke e Kurt und Willi - terem sido encomendados em 1940, revela a ousada abordagem experimental adotada pelo Serviço Alemão da BBC em seu início.

Faltava ao serviço a equipe, o equipamento e a organização necessários para abordar adequadamente a tarefa diária de contra-propaganda. Além disso, este era um território desconhecido. O rádio ainda era relativamente novo e transmitir ao inimigo era uma completa novidade. Isso trouxe um espírito de criatividade e aventura às realizadores. Também era verdade que, em 1940, havia um sentimento de desespero generalizado. "Tudo bem, é melhor tentarmos", disse Lucas à BBC, na época.

Os programas satíricos contavam com uma coalizão improvável entre a BBC, oficiais de propaganda britânicos e exilados alemães - ou falantes da língua. Por um lado, as autoridades britânicas insistiram que a mensagem do Serviço Alemão deveria soar "tão inglesa quanto o pudim de Yorkshire (condado no norte da Inglaterra)". Mas também precisava demonstrar um conhecimento íntimo da psique alemã - por isso, a contribuição dos exilados. Porém, o relacionamento nem sempre foi fácil: como um "estrangeiro inimigo", Lucas e seus companheiros exilados eram frequentemente vistos com suspeita.

Perdido na tradução

O conteúdo peculiar dos programas deve ser entendido no contexto dessa curiosa aliança. Adolf Hirnschal é uma série de cartas fictícias escritas por um cabo alemão a sua esposa enquanto está na linha de frente na guerra. O protagonista lê as cartas ao seu companheiro de luta antes de serem postadas.

Na superfície, Adolf Hirnschal é dedicado ao seu "amado Führer". No entanto, são tão exageradas suas exclamações de lealdade que a intenção é clara: expor a superficialidade e a mentira do discurso nazista. Em sua primeira carta após a guerra ser declarada na Rússia, em 1941, ele conta à esposa como recebeu as notícias de seu tenente de que eles estão sendo transferidas para a fronteira russa:

"Eu pulo de alegria e digo: 'Senhor tenente, solicitando permissão para expressar que estou tremendamente satisfeito por estarmos agora confraternizando com os russos. Nosso amado Führer já não disse em 1939 que nossa amizade com os russos é irrevogável e irreversível? '

Assim, Hirnschal expõe a hipocrisia da política de Hitler em relação à Rússia, tudo coberto pela "lealdade absoluta". Esse foi um método que Bruno Adler - um historiador e escritor alemão que havia fugido para a Inglaterra em 1936 - usou para compor outra personagem, a Frau Wernicke.

A protagonista é uma dona-de-casa de Berlim, uma mulher de bom coração e tagarelada, que, por meio de loucos monólogos, reclama de injustiças, racionamentos e contradições da vida cotidiana durante a guerra, o tempo todo exibindo um forte senso comum.

Ao justapor seu apoio pseudo-ingênuo ao nazismo e as duras realidades da vida em guerra que ela descreve, as intenções subversivas de Adler são claras. Em um caso, Frau Wernicke pergunta à amiga por que ela está tão chateada, mas logo responde à própria pergunta:

"Só porque seu marido teve que fechar seus negócios e porque seu filho agora está na Wehrmacht (forças armadas alemãs). E porque sua filha, Elsbeth, tem que fazer um segundo ano obrigatório de trabalho estatal. E porque você não tem mais uma vida familiar? Por isso você não está feliz".
Comediante Tommy Handley, que estrelou It’s That Man Again Foto: BBC

Kurt und Willi também foi roteirizado por Bruno Adler. O programa é uma série de diálogos entre dois amigos: o antigo professor e o segundo oficial do Ministério da Propaganda alemão. Enquanto discutem os eventos da guerra bebendo cerveja em um bar de Berlim, Kurt assume o papel do ingênuo alemão médio. Willi é um oportunista cínico e imoral, vazando para o amigo os mais recentes subterfúgios, truques e tolices inventados pelo Ministério da Propaganda.

Esses programas tinham um senso de humor que provavelmente não façam tanto sentido quando traduzidos do alemão - e também quando transpostos do rádio para a escrita comum. E, é claro, há a influência do tempo. Mas eles levantam questões que, já naquela época, eram objeto de intenso debate.

As atrações poderiam realmente ter algum efeito? A sátira poderia ser usada como uma arma que converteria os alemães para o lado britânico da guerra? Teriam o poder de fazer alguém desejar o fim da guerra? Eles foram mesmo apropriados para o momento? O diretor de transmissões europeias da BBC, Noel Newsome, tinha suas dúvidas. Referindo-se a uma transmissão de Kurt und Willi em 1944, ele escreveu:

"Se isso fosse engraçado e divertido, só poderia ter servido ao propósito lamentável de aliviar a tensão na Alemanha... Se Kurt und Willi não era realmente engraçado, o recurso era uma perda de tempo precioso em qualquer caso. No rádio local, os alemães [...] não devem fazer piadas quando sintonizam Londres."

Havia dúvidas sobre as virtudes da propaganda satírica desde o início. O primeiro experimento com humor no Serviço Alemão foi transmitido no dia da mentira em 1940. Os produtores tiveram que tranquilizar os oficiais de propaganda da Electra House, onde funcionava um dos comandos de guerra, de que a transmissão de Der Führer Spricht, uma paródia de Hitler escrita e executada pelo exilado austríaco Martin Miller, permaneceria uma exceção. O que, como sabemos, não aconteceu.

Outros programas de humor se seguiram, e logo os russos entraram em cena. A Rádio Moskau experimentou formatos semelhantes, um dos quais - Frau Künnecke Will Jarnischt Gesagt Haben - era uma quase uma cópia de Frau Wernicke. Mas nenhum desses programas foi transmitido com tanta regularidade como Hirnschal, Frau Wernicke e Kurt und Willi. Eles foram transmitidos - semanalmente ou quinzenalmente - durante a maior parte da guerra, do verão de 1940 até 1945.

Mas quem estava ouvindo o Serviço Alemão e o que eles acharam dele? Segundo Robert Lucas, uma "enxurrada de cartas de agradecimento" chegou dos ouvintes do Serviço Alemão assim que a guerra terminou. "As transmissões de Londres me salvaram do suicídio durante os dias mais negros da guerra de Hitler", afirma uma carta dos arquivos da BBC. Outra pessoa diz: "É graças à BBC e somente à BBC que eu tive força moral para não ser cúmplice".

Muitas das cartas destacavam os programas de sátiras: "Vocês também nos trouxeram um humor que tornou o insuportável suportável para nós", escreveu um ouvinte, enquanto outro expressou admiração por "quão bem vocês entendem a alma do povo".

Talvez essas cartas forneçam uma justificativa suficientemente boa caso você se questione se Charlie Chaplin agiu certo ao produzir o filme O Grande Ditador depois que soube das atrocidades empreendidas pelos nazistas. Há diversas obras do tipo. Neste domingo (15/9), uma sátira sobre o período nazista, Jojo Rabbit, venceu o Festival de Toronto, considerado uma prévia do Oscar.

O filósofo alemão Theodor Adorno insistia que a sátira antifascista falhava em compreender ou descrever a realidade e, pior ainda, ignorava ou banalizava a gravidade do nacional-socialismo. Porém, há quem diga que o riso nos lembra do que significa ser humano. A mera existência dos programas satíricos não mostrava fé no intelecto e, acima de tudo, na humanidade da platéia?

"Como qualquer outra tirania, o nazismo não tinha humor", escreve Robert Lucas. Olhando para trás agora, talvez esse tenha sido o principal sucesso dos programas pioneiros de sátira do Serviço Alemão. Pois essa era uma área em que os nazistas não tinham nada a oferecer e não podiam competir.

E mesmo que os monólogos absurdos de Frau Wernicke ou Adolf Hirnschal fossem ouvidos por um número relativamente pequeno de alemães, mesmo que nem sempre fossem tremendamente engraçados, que eles proporcionavam conforto e talvez iluminação a alguém era a prova de que a missão de Lucas de "lutar por as almas dos alemães" não foi completamente em vão.

AUTOR: BBC

domingo, 15 de setembro de 2019

NO YOUTUBE, PROMESSAS FALSAS DE CURA DO CÂNCER GERAM MILHÕES DE VISUALIZAÇÕES E LUCRO

BBC encontrou mais de 80 vídeos com desinformação relacionada a saúde em 10 línguas diferentes no YouTube CECILIA TOMBESI/BBC

"Oi, estou com um parente com metástase óssea, você pode me receitar esse remédio?", pede Reginaldo, comentando em um vídeo no YouTube.

Sua irmã, de 44 anos, foi diagnosticada com câncer de mama há três e está em seu terceiro tratamento de quimioterapia depois que o câncer se espalhou. Reginaldo dos Santos, um vendedor de Vitória da Conquista, na Bahia, procura a solução em um vídeo intitulado "Remédio Caseiro Contra o câncer, tumores e outros". E o remédio receitado é o melão-de-são-caetano, planta de origem asiática.

O autor do vídeo, um homem do interior do Estado do Espírito Santo, é dono do canal "Elizeu Artes e Criação". Em um vídeo, publicado em 2016, ele olha para câmera e diz que a planta "combate tumores e câncer". "De 80% a 90% das células de câncer são desfeitas com melão-de-são-caetano", afirma.

O vídeo, que contém anúncios, tem 142 mil visualizações e se mistura a outros de seu canal: "Sal e vinagre tira ou não queimados de panela?", "Como fazer letras 3D", "Como tirar manchas do rosto e limpar a pele com menos de R$ 5". A promessa de curar câncer com melão-de-são-caetano, uma afirmação sem comprovação científica, está entre vídeos de "receitas, artes, experimentos e dicas domésticas".

O vídeo é apenas um entre vários em português carregados de desinformação sobre saúde disponíveis na plataforma.

Uma investigação exclusiva da BBC Brasil e do BBC Monitoring, braço da BBC que noticia e analisa informações do mundo todo, encontrou vídeos monetizados com desinformação e curas falsas para o câncer em 10 idiomas, incluindo português. Um vídeo "monetizado" significa que é acompanhado por anúncios que podem gerar dinheiro, tanto para os criadores quanto para o YouTube.

Em nota, o YouTube disse que "a desinformação é um desafio difícil" e que a empresa toma "diversas medidas para endereçar isso" (leia a resposta completa do YouTube no fim desta reportagem).
YouTuber brasileiro diz que melão-de-são-caetano cura câncer, mas não há comprovação científica disso; procurado pela BBC, ele colocou o vídeo em modo privado YOUTUBE

Procurando no YouTube por "tratamento para o câncer" e "cura para o câncer" em português, inglês, russo, ucraniano, árabe, persa, hindi, alemão, francês e italiano, a BBC encontrou mais de 80 vídeos com desinformação sobre saúde. Dez dos vídeos encontrados tinham mais de um milhão de visualizações. Um vídeo brasileiro cujo título diz que aranto, uma planta de origem africana, cura câncer, tem mais de 3 milhões de visualizações. Não é uma afirmação verdadeira — não há estudos científicos que a comprovem.

Mas milhares de brasileiros procuram por respostas no YouTube. "É muito assustador quando você ou alguém que você ama recebe um diagnóstico de câncer", diz o cardiologista Haider Warraich. "Isso nos faz tomar decisões mais com a emoção do que com a razão."

Isso pode ser perigoso porque, como Warraich escreveu no jornal americano New York Times, a "desinformação médica pode provocar um número de corpos ainda maior" que outros tipos de desinformação. Uma pesquisa da Universidade Yale de 2017 concluiu que pacientes que optam por tratamentos alternativos para cânceres curáveis no lugar dos tratamentos convencionais têm maior risco de morte.

A ciência, diz Warraich, "é incerta por natureza", enquanto alguns vídeos no YouTube oferecem respostas absolutas, algo que é muito mais atrativo para quem está fazendo justamente isso — procurando soluções.

'Acredito em parte'

Para Reginaldo, o YouTube oferece outras soluções que ele não vê na medicina. "Remédio caseiro é sempre melhor que remédio de farmácia." Ele diz que tentou ajudar preparando garrafas de babosa e mel para a irmã consumir paralelamente ao tratamento convencional. "Se os médicos falarem que funciona, eles param de ganhar dinheiro. Eu acredito neles em parte. É que, quando a pessoa está boa, a quimioterapia parece matar mais que a própria doença", lamenta.

Outras "curas" sem respaldo científico encontradas pela BBC envolvem o consumo de substâncias específicas, como cúrcuma ou bicabornato de sódio. Ou então: dietas de sucos, jejum, leite de burra ou apenas água fervente.

No Brasil, a maior parte das "curas" envolve frutas e plantas exóticas. Alguns dos vídeos incluem ressalvas como "procure o seu médico antes de adotar essa prática", embora divulguem no título e outras partes do vídeo que a receita divulgada de fato oferece uma cura.

Para Yasodara Córdova, pesquisadora-sênior sobre desinformação e dados na Digital Harvard Kennedy School, em Cambridge, EUA, o Brasil tem uma cultura de "sabedoria secular e confiança nos recursos naturais", em outras palavras, um potencial científico que "não foi aproveitado de maneira estruturada". "O que não está sendo devidamente transformado em ciência, muitas vezes por falta de recursos, está sendo colocado no YouTube como fake news."

Algumas das plantas ou frutas divulgadas nos vídeos como soluções milagrosas de fato são objetos de pesquisas para investigar se podem contribuir para o tratamento de diferentes doenças. Mas são estudos preliminares, que requerem mais pesquisas. Outras, pelo contrário, são objetos de pesquisas que apontam contraindicações, algo ignorado nos vídeos.
É preciso 'triagens clínicas por muitos anos antes de um produto ser considerado efetivo e seguro para dar a pacientes', diz Justin Stebbing, professor da medicina do câncer e oncologia da Imperial College of London; é o caso do melão-de-são-caetano GETTY IMAGES

No caso do melão-de-são-caetano, há pesquisas que apontam que a fruta tem potencial para fornecer compostos anticancerígenos, mas, apesar de diversos links e vídeos apresentando a fruta com a segurança de que se trata de um remédio absoluto contra o câncer, os próprios estudos dizem que mais pesquisas e testes são necessários para concluir algo nessa direção.

Justin Stebbing, professor da medicina do câncer e oncologia da Imperial College of London, explica que algumas plantas são de fato usadas para o desenvolvimento de remédios e contêm químicos anticancerígenos, mas muitas vezes "não estão nas concentrações ou quantidades corretas e não estão purificadas para ter efeitos anticancerígenos".

Um suco ou chá de uma planta, por exemplo, não tem a concentração dos extratos feitos em laboratório. "O processo de extrair esses químicos e purificá-los levam anos", assim como a escolha das "concentrações precisas", que passam por "triagens clínicas por muitos anos antes de um produto ser considerado efetivo e seguro para dar a pacientes".

As plantas, em geral, "são seguras para tomar com tratamentos convencionais, mas sozinhas não vão ter um efeito significativo contra o câncer ou prolongar a qualidade ou quantidade de vida, que é o que oncologistas estão tentando fazer".

"Não estou dizendo que a medicina tem todas as respostas, porque não tem. Mas é preciso tomar cuidado com remédios alternativos na internet sem filtro que são objetos de afirmações como de que curam o câncer, baseado em sentimentos ou porque alguém ouviu dizer, porque precisamos de muito mais hoje em dia para fazer uma afirmação como essa."

Pesquisador de câncer na Universidade Oxford, no Reino Unido, o médico David Robert Grimes explica que, diferentemente das curas falsas divulgadas no YouTube, "a medicina é cuidadosamente regulada, rigorosa e objetiva". "Fazemos pesquisas científicas para verificar se algo funciona. Se funciona, pode virar um remédio, e isso é testado de novo e de novo e de novo", afirma. "Sua eficácia pode ser medida. A ciência é um processo aberto e todo mundo pode testar a ideia de todo mundo."

"Isso não acontece no campo da chamada medicina alternativa. Você tem que simplesmente acreditar no que alguém está dizendo", observa. "Quem oferece uma 'cura mágica' para o câncer está mentindo. Quando as pessoas oferecem soluções fáceis para questões complicadas, devemos desconfiar."
Questionado em comentários no vídeo, YouTuber recomenda 'remédio natural' YOUTUBE

A BBC News Brasil entrou em contato com Elizeu Correia, o criador do vídeo que diz que melão-de-são-caetano cura câncer. Por email, ele afirmou que o vídeo não fala sobre "um chazinho perigoso ou venenoso" e que não estaria mais aberto a visualizações — de fato, depois de ser abordado, ele mudou o vídeo para modo privado.
Desinformação 'contagiosa'

Por que a desinformação dá certo no YouTube? Para a professora de Ciência de Antropologia, Risco e Decisão da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Heidi Larson, os vídeos "mexem" com as pessoas. "Evocam diferentes tipos de emoção e isso pode ser muito contagioso", afirma ela, que também dirige um projeto de confiança na vacinação.

Além disso, o sistema de recomendação do YouTube já foi acusado de levar usuários a buracos negros de teorias da conspiração e radicalização, já que, para manter o usuário no site, reproduz vídeos automaticamente depois que o primeiro vídeo acaba.

E, muitas vezes, o algoritmo escolhe vídeos com temas semelhantes — e isso também vale para a desinformação. Na prática, significa que se um usuário cai em um vídeo que desinforma, pode acabar assistindo a vários outros vídeos que também desinformam.

A BBC pediu uma entrevista com algum representante do YouTube. Em vez disso, a empresa divulgou uma nota: "A desinformação é um desafio difícil, e nós tomamos diversas medidas para endereçar isso, incluindo mostrar mais conteúdo confiável sobre questões médicas, exibindo painéis de informação com fontes confiáveis e removendo anúncios de vídeos que promovam afirmações danosas. Nossos sistemas não são perfeitos, mas estamos constantemente fazendo melhorias e permanecemos comprometidos para progredir nesse espaço".

A empresa anunciou em janeiro que iria "reduzir recomendações de conteúdo borderline (no limite do aceitável) e conteúdo que poderia desinformar usuários de forma danosa — como vídeos promovendo uma falsa cura milagrosa para uma doença séria". Mas isso, até agora, apenas em inglês.

Mudanças em outras línguas ainda não foram anunciadas.

Além disso, a empresa já afirmou que, nos esforços para combater a desinformação, esse sistema de recomendação vai mudar, com recomendação de vídeos que são confiáveis a pessoas que estão assistindo a vídeos que talvez não sejam.
O YouTube planeja mudar seu sistema de recomendação REUTERS

Lucrando com desinformação

Os vídeos encontrados pela BBC tinham uma série de anúncios no começo ou no meio. Havia anúncios de universidades respeitadas, empresas de turismo e filmes. Isso significa que tanto o YouTube quanto os criadores dos vídeos podem lucrar com o conteúdo.

Mas as "diretrizes para conteúdo adequado para publicidade" do YouTube estabelecem que vídeos que promovam ou defendam "declarações ou práticas médicas ou de saúde prejudiciais", como "tratamentos não médicos que prometam curar doenças incuráveis" não podem ter publicidade. A plataforma tem o poder de desmonetizar certos tipos de conteúdo e remover as receitas para os criadores dos vídeos. E essa política é global.

Os vídeos monetizados encontrados pela BBC News Brasil, porém, estavam no ar desde 2016. A política da plataforma em relação a desinformação sobre saúde, portanto, não é clara ou não é aplicada corretamente.

A BBC enviou as informações sobre os vídeos com curas falsas encontradas no YouTube nas dez línguas pesquisadas. Depois da publicação da reportagem, a empresa informou ter desmonetizado mais de 70 dos vídeos por violarem suas políticas de monetização.
Vídeos prometendo curas - com tratamentos à base de leite de burra e bicarbonato de sódio, por exemplo - encontrados pela BBC eram apresentados em árabe, russo, hindi e português  REPRODUÇÃO YOUTUBE

Erin McAweeney, uma pesquisadora do instituto Data & Society que trabalhou com saúde e dados, levanta um problema: mesmo que o YouTube desmonetize esses vídeos, "não há evidências que mostrem que desmonetizar resolve o problema do tamanho da audiência e de seu alcance".

"Há muitas motivações por trás do compartilhamento de desinformação. Dinheiro é só uma delas. Não temos evidências que confirmam que desmonetização leva a 'despriorização'. E, em muitos casos, receber atenção e visualização em um vídeo é algo mais valioso para seus criadores do que o dinheiro que gera", afirma.

E há uma questão final: quem, afinal, determina o que é desinformação? "Estamos pedindo que corporações com pessoas que não são especialistas em saúde pública façam esse julgamento por nós, todos os cidadãos. Há linhas tênues, gradientes da verdade. O desafio é como estabeleceremos essa linha e quem será a pessoa ou as pessoas que a estabelecerão", diz Isaac Chun-Hai Fung, um professor de epidemiologia da Georgia Southern University, nos Estados Unidos.
Escutar os pacientes

Mas os especialistas apontam para outro impasse, menos relacionado à plataforma. Profissionais de saúde, eles dizem, também tem um pouco de responsabilidade.

Com uma equipe de alunos, Fung e pesquisadores da William Paterson University analisaram informações sobre saúde em inglês no YouTube. Descobriram que, não importasse qual fosse o tópico de saúde, a maioria dos 100 vídeos mais populares no YouTube era criada por amadores, pessoas que não são profissionais de saúde ou ciência.

"A comunidade de saúde pública e de ciência tem hesitado em se engajar nas redes sociais. Precisamos nos engajar", diz Larson, da Escola de Higiene & Medicina Tropical.
Especialistas defendem que médicos devam se engajar nas redes sociais GETTY IMAGES

Fung defende que a solução para a desinformação relacionada a saúde também deve considerar a produção de vídeos sobre ciência e medicina moderna. "Deve haver vídeos de alta qualidade que eduquem sobre o tema em várias línguas e com linguagem acessível. Profissionais de saúde devem trabalhar com profissionais de mídia para fazer isso. Não acho que haja investimento."

Outra conclusão de seu estudo é que vídeos que atraem visualizações normalmente são aqueles que contam experiências pessoais. "Para comunicar os benefícios da medicina moderna, temos que adotar estratégias similares aos vídeos com maior quantidade de visualizações no YouTube. Será que alguém que se beneficiou da medicina moderna pode contar sua história, por exemplo?", pergunta.

McAweeney declara que, se conteúdo com conspirações e desinformação sobre câncer está mais disponível que conteúdo científico, então "as instituições confiáveis são as responsáveis por produzir conteúdo para preencher os vazios de dados".

Warraich, o cardiologista, diz achar que médicos devem criar "maneiras pelas quais pacientes podem entrar em contato com eles". "Se os pacientes pudessem acessar seus médicos, adivinhem quem seria sua fonte?"

A comunicação é chave, de acordo com Larson. Mas especialmente a parte de "escutar", que, trabalhando com pessoas que hesitam em serem vacinadas, ela aprendeu a defender. A comunidade científica "não tem sido boa o suficiente em escutar" pessoas que têm dúvidas, ela diz. "Não é um ambiente de informações fácil de navegar. Temos que ter empatia."

*Colaboraram Flora Carmichael, do Beyond Fake News, e BBC Monitoring

AUTOR: BBC

ME SIGA NO TWITTER!