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domingo, 25 de março de 2018

COMO DESCOBRIR O QUE O 'FACEBOOK' SABE SOBRE VOCÊ

Facebook armazena informações surpreendentes sobre sua atividade online GETTY IMAGES

Já parou para pensar sobre tudo o que o Facebook sabe sobre você? E mais do que isso, sobre que conexões ele faz para obter informações a seu respeito?

O gigante da tecnologia está no centro de um escândalo após a revelação de que as informações de mais de 50 milhões de pessoas foram utilizadas sem o consentimento delas pela empresa americana Cambridge Analytica para fazer propaganda política nas eleições de 2016 nos Estados Unidos.

Se você é um dos mais de 2 bilhões de usuários ativos da rede – cerca de 200 milhões no Brasil –, ela provavelmente sabe sua data de nascimento, seu número de telefone, sua profissão, as músicas que você ouve, os lugares onde vai e como você passa seu tempo livre.

Com esses dados, a empresa consegue vender anúncios segmentados para outras empresas - um restaurante que quer atingir mulheres de 25 a 40 anos em determinada cidade e que gostem de culinária asiática, por exemplo.

A companhia diz que coleta essa informação para deixar os anúncios mais interessantes e relevantes para você. Para isso, usa não só as informações sobre tudo o que você faz na rede – o que curte, o que decide que não quer ver, de onde você se conecta, onde faz check-in (marcar onde está) etc. – como também tudo o que você faz em outros sites e aplicativos nos quais optou por se cadastrar via seu perfil de Facebook.

Testes, jogos e outros aplicativos que você usa dentro da rede social costumam ter acesso a alguns desses dados – foi assim que a Cambridge Analytica conseguiu informações sobre milhões de usuários. Um teste de personalidade, que dizia usar os dados para fins acadêmicos, coletou-os e seu criador, o pesquisador Alexandr Kogan, os teria fornecido para que a empresa fizessem anúncios políticos nas eleições americanas.
Como proteger seus dados no Facebook?

"Quando você cria uma conta no Facebook, automaticamente concorda que ele usará seus dados para ganhar dinheiro. É o preço que você paga", disse à BBC Brasil o especialista em direito digital Thiago Tavares, da ONG Safernet.

Ao longo dos anos, a empresa vem respondendo a críticas sobre sua política de uso de dados pessoais e tornando mais fácil descobrir o que ela sabe sobre a sua vida. Mesmo assim, segundo Tavares, é importante gastar algum tempo lendo os termos de uso do site e explorando os dados que estão armazenados no seu perfil.

"Revisar as suas configurações de privacidade deve ser como fazer um check-up periódico de saúde. E isso deve ser feito em todas redes sociais. E sobretudo nos aplicativos que você acessa fora do site com o seu login do Facebook, por exemplo. É preciso reservar um tempo para isso, assim como reservamos tempo para fazer um backup dos arquivos que queremos guardar no computador", afirma.

Motivada pela pergunta, decidi fazer o download dos dados que o site tem sobre mim – opção disponibilizada no fim da seção "Geral", das configurações do Facebook – e investigar outros dados que ficam armazenados no meu perfil.
Confira algumas das informações surpreendentes que o Facebook armazena sobre você:
Dados pessoais podem ser baixados clicando na seta no canto superior direito da página, indo em 'Configurações' e escolhendo 'Geral' no menu à esquerda | Foto: Reprodução/Facebook

1. As coordenadas do seu rosto

Ao baixar uma cópia dos principais dados sobre mim no Facebook, obtive um pacote com pastas para fotos e vídeos e um arquivo chamado "index.htm", que deve ser aberto em um navegador. Esse arquivo permite visualizar essas informações de maneira organizada.

Logo na primeira página do arquivo, onde estão as informações pessoais, é possível ver três linhas de números que equivalem a uma espécie de impressão digital do seu rosto, segundo Thiago Tavares.

"Existem 34 pontos na face que são fixos e mapeáveis. A distância entre esses pontos pode ser calculada e esse cálculo permite que um algoritmo consiga identificar automaticamente uma face."

É por isso que, quando um amigo coloca uma foto com você, o Facebook consegue saber que você está lá e sugerir que ele te marque nela.

"Esse é um tipo de dado que as pessoas compartilham sobre você, mesmo que você não queira", explica Tavares.

No entanto, você pode impedir que a empresa guarde esse mapa da sua face e reconheça você nas fotos. Basta ir em "Configurações da linha do tempo e marcações" e escolher a opção "Ninguém" na pergunta "Quem vê as sugestões de marcações quando fotos parecidas com você são carregadas?".
2. Por onde você anda – dentro e fora da internet

Para muitos, uma das seções mais surpreendentes do arquivo do Facebook é a de "Segurança". Ali estão, por exemplo, informações sobre os computadores, celulares e tablets que você usou para entrar no site.

No meu caso, a lista cobria os três últimos anos. Ali estão os IPs – espécies de endereços numéricos usados pelos dispositivos para se comunicarem entre si na internet – e também as datas e horários em que acessei o Facebook, os navegadores que eu utilizei e até a operadora do celular com o qual eu me conectei.

Esses são tipos de "logs de acesso", que, de acordo com o Marco Civil da Internet no Brasil, devem ser armazenados por pelo menos seis meses para permitir que a polícia investigue qualquer crime que possa ter sido cometido na rede social com sua participação.

Além disso, o arquivo também lista cookies que o Facebook armazenou no seu navegador – são arquivos que registram rastros de navegação sobre o tempo que você permaneceu em cada página, a sequência de cliques que deu, os dados que você colocou em um formulário online, o site através do qual você chegou naquela página etc.

"Se eu desabilitar no meu navegador o armazenamento de cookies, não consigo usar o Facebook e muitos sites ou serviços. É por isso que esses produtos não são de graça como a maioria acha que são. Você paga com seus dados pessoais e com sua privacidade, fornecendo esse rastro de tudo o que faz", diz Tavares.
'Mapa' da sua face permite que Facebook marque você em fotos de amigos; é possível desabilitar esta opção nas configurações | Foto: Reprodução/Facebook

Até mesmo as fotos que você compartilha no seu perfil podem trazer dados detalhados sobre onde você estava quando as tirou – e não é preciso ser um grande detetive para descobri-los.

O EXIF, uma espécie de "etiqueta" que arquivos digitais de imagem possuem, contém mais dados do que se imagina.

Ao chegar na sessão "Fotos" do arquivo, percebi que as imagens feitas com câmeras analógicas que postei no site traziam informações como o modelo e o fabricante da câmera e, no caso das digitais, também as configurações usadas na foto (abertura do diafragma e foco, por exemplo), além de data e hora em que a imagem foi feita.

Já algumas fotos compartilhadas do Instagram traziam coordenadas de latitude e longitude de onde foram postadas.

Se você é do tipo que faz "check-in" nos lugares onde vai, não deve ser surpresa encontrar alguns deles, aqueles que você criou ("casa da minha avó", por exemplo), no arquivo que baixou.
3. Fotos que você 'esqueceu' no celular

A seção de "fotos sincronizadas" dos dados baixados do Facebook também é intrigante. Como eu não tinha nenhuma, não sabia exatamente o que aquela "gaveta" deveria armazenar.

O app do Facebook para smartphones traz, atualmente, uma opção de sincronizar automaticamente o seu celular com o seu perfil na rede.

Habilitando a opção, o site se comunica com seu celular e transfere as últimas fotos que você tirou, sem que você precise fazê-lo manualmente, para um álbum privado. Caso você queira, pode tornar o álbum público ou compartilhar fotos individuais com amigos.

De acordo com a empresa, "o recurso tem o objetivo de facilitar o compartilhamento com aqueles que importam para você. Nenhuma foto é postada no Facebook, a menos que o usuário decida compartilhá-las e confirme a ação".

Mas Thiago Tavares alerta também para os perigos da ferramenta. Afinal, fotos indesejadas também podem acabar indo parar no site, mesmo que não estejam públicas. E se alguém conseguir a senha da sua conta, terá acesso a elas.

"Muitos vazamentos não intencionais de fotos íntimas acabam acontecendo assim, com a ativação da sincronização de fotos automática do celular com o Facebook. A pessoa nem sabe que vazou", afirma.

4. O que você 'gostaria' de comprar

Nos últimos anos, respondendo a críticas sobre a maneira como cria anúncios específicos para seus usuários, o Facebook passou a disponibilizar essa informação de forma mais clara. Basta acessar esta página:
Clique aqui para visitar sua página de preferências de anúncios no Facebook (é preciso estar logado no site para ver a informação)

Na seção "Seus interesses", o Facebook lista o que ele considera que são seus assuntos preferidos com base nas suas curtidas e interações no site e em aplicativos que você instalou. Clicando em cada um dos assuntos, você pode ver alguns dos anúncios específicos que a plataforma escolhe para aparecer na sua linha do tempo.

Nesse caso, é possível até tirar e adicionar coisas à lista. No entanto, vale lembrar que isso não significa que você deixará de ver anúncios. Eles simplesmente serão aleatórios, em vez de específicos para seus gostos.
Clicando em cada um dos 'seus interesses', é possível ver os tipos de anúncios que a plataforma mostra a você | Foto: Reprodução/Facebook

Na seção "Anunciantes com os quais você interagiu", o site mostra quais foram as marcas cujos anúncios você clicou, cujos aplicativos você instalou e cujas páginas você visitou. E o mais importante: quais deles você permitiu, mesmo sem saber, que tivessem seus contatos.
É possível ver as marcas com as quais você interagiu dentro e até fora do Facebook, mas em conexão com o site | Foto: Reprodução/Facebook

Na seção "Suas informações" estão os dados que você forneceu voluntariamente ao Facebook ao preencher seu perfil: status de relacionamento, empresa onde trabalha, universidade ou colégio onde estudou etc.

Mas na aba "suas categorias" fica o verdadeiro tesouro: o Facebook mostra em que grupos de anúncios você foi colocado, ou seja, a quais "públicos" você pertence. Ao criar esses grupos, a empresa consegue oferecer a seus anunciantes a oportunidade de fazer propagandas de seus produtos e serviços a pessoas com mais chances de consumi-los.
Facebook coloca cada usuário em 'categorias' que podem ser usadas para criar anúncios específicos com eles | Foto: Reprodução/Facebook

Essas categorias também mostram a verdadeira extensão do que o site sabe sobre você: o sistema operacional do seu computador, o modelo do telefone que usa e se você é amigo de pessoas que se mudaram do país recentemente, por exemplo.

Em "Configurações de anúncios", você pode escolher se quer que o Facebook lhe mostre anúncios baseados em seus interesses - não só dentro da rede social, mas também em outros aplicativos e páginas que não pertencem à empresa de Mark Zuckerberg.

Mesmo informando tudo isso, o Facebook ainda não revela o verdadeiro "pulo do gato", segundo Tavares - o algoritmo que "combina" essas informações para criar perfis e até prever preferências pessoais. Um algoritmo como esse foi criado pela Cambridge Analytica para as propagandas políticas.

"O mundo inteiro está debatendo esse assunto, mas isso envolve o segredo do negócio do Facebook e a propriedade intelectual. Ainda é uma discussão que está no início", diz o especialista.

Dentro do meu arquivo de dados pessoais, a seção "Anúncios" do meu arquivo de dados, encontrei uma lista mais específica empresas e tópicos que o Facebook acha que eu gostaria de ver na minha linha do tempo. Mais abaixo, há ainda uma lista dos anúncios em que eu cliquei no site.

De acordo com Tavares, o Facebook decide quais anúncios mostrar a você a partir do seu comportamento na rede social. Mas o site não informa exatamente quais ações executadas por você levam a essa seleção.

Qual curtida fez com que aparecesse para mim algo sobre o time de futebol de Dallas, no Estado americano do Texas, pelo qual nunca me interessei? Nem consigo imaginar.
Site permite que você escolha se quer ver anúncios baseados em suas interações; mas mesmo que marque 'não', você continuará vendo anúncios aleatórios | Foto: Reprodução/Facebook

Se você usa bastante a opção "conectar com o Facebook" em outros sites e serviços, para evitar ter diversos cadastros, saiba que o que você faz nesses sites também poderá ser usado na rede de Mark Zuckerberg.

Nas suas configurações, você pode impedir que o Facebook use dados sobre sua atividade nesses outros sites e aplicativos para refinar os anúncios que mostra a você. Mesmo assim, a empresa continua coletando essas informações – e elas não estão disponíveis para download.

Mas e se eu não quiser mais ver nenhuma propaganda no Facebook? Impossível, diz Tavares.

"É impossível não ver anúncios no Facebook, da mesma forma que é impossível ter 100% de privacidade usando redes sociais. Uma coisa se tornou incompatível com a outra. É vendendo anúncios que a plataforma ganha dinheiro", afirma.

Mas isso significa que o Facebook está enviando essas informações sobre você diretamente para outras empresas? A empresa diz que não e, de fato, segundo Tavares, não é possível afirmar que esteja.

"Os anunciantes customizam campanhas e as segmentam (escolhem o público que querem atingir com cada campanha). Como o Facebook sabe quem exatamente preenche aquele perfil, ele direciona esse anúncio para esse usuário", explica.
5. Todas as suas buscas

Nem todos os dados que o Facebook armazena sobre você estão no arquivo disponível para download. Todas as suas interações, comentários, curtidas, marcações e buscas na rede social – desde o momento em que você entrou lá – estão armazenados no "Registro de Atividades".

Para chegar lá, vá até a página do seu perfil. Clique em "Registro de Atividades", opção que fica na parte inferior direita da sua foto de capa, ou seja, aquela imagem horizontal que você escolhe para abrir o seu perfil. Em seguida, talvez seja necessário clicar em "Mais" no menu "Filtros", à esquerda, para que ele se expanda.

Um dos detalhes surpreendentes que encontrei nessa sessão são todos os vídeos a que assisti dentro do Facebook, mesmo que não tenha curtido as postagens em que eles estavam, nem deixado comentários. Basta apertar o play e o site registra que eu os assisti.

Da mesma forma, estão registradas absolutamente todas as coisas que eu digitei na seção de busca desde que criei minha conta, em 2007 – nomes de pessoas, eventos e outras palavras-chave.

O registro de atividades, aliás, é a melhor maneira e saber, em tempo real, o que você está informando ao site. Se compartilha músicas que está ouvindo, livros que está lendo, se decide não ver postagens de um amigo na sua linha do tempo ou confirma presença em eventos, tudo estará ali.
Interação com amigos, como mensagens trocadas, permanece na rede mesmo depois que você sai dela THINKSTOCK

6. O que seus amigos quiserem que ele saiba

Por ser uma rede social, o Facebook reúne informações principalmente por meio das interações que seus usuários têm entre si. Então, cada vez que você manda uma mensagem para alguém ou aparece em uma foto de amigos, essa interação passa a pertencer a vocês dois. E ela não desaparece quando você sai da plataforma.

Atualmente, o Facebook possui duas opções de saída. Desativar sua conta é como "dar um tempo" no relacionamento. Todas as suas informações permanecem lá, segundo a empresa, até que você decida voltar. Já a opção de excluir a conta significa um ponto final.

O Facebook diz que pode levar até 90 dias para deletar todas as suas publicações, mas mensagens privadas trocadas com amigos, por exemplo, continuam nas caixas de mensagens deles.

"A sua privacidade hoje não depende só do que você publica sobre si mesmo, mas também do que o outro compartilha ou publica sobre você", diz Thiago Tavares.

"Enquanto seus amigos estiverem no Facebook, você nunca vai sair completamente dele, porque suas interações permanecem lá."

AUTOR: BBC

quinta-feira, 15 de março de 2018

SAIBA COMO UMA MUTAÇÃO GENÉTICA EM UMA ÚNICA CRIANÇA DEU ORIGEM A DOENÇA QUE AFETA MILHÕES DE PESSOAS

Anemia falciforme ganhou esse nome por causa da deformação que causa nos glóbulos vermelhos, dando-lhes formato de foice SCIENCE PHOTO LIBRARY

A anemia falciforme pode não ser tão conhecida quanto doenças como a Aids, a turberculose e a febre amarela, mas afeta milhões no mundo todo.

Segundo a Fundação Sickle Cell Disease, da Califórnia, nos EUA, cerca 250 milhões de pessoas carregam o gene, que, se herdado do pai e da mãe, gera a enfermidade. Cerca de 300 mil crianças nascem todo ano com anemia falciforme.

Uma das doenças genéticas mais comuns do mundo, ela é caracterizada por uma alteração nos glóbulos vermelhos, que perdem a forma arredondada e adquirem o aspecto de uma foice. Essa deformidade faz com que eles endureçam, dificultando a passagem do sangue pelos vasos e a oxigenação dos tecidos. Pode causar dor forte, anemia crônica e prejudicar órgãos vitais.

Um estudo recente conduzido por pesquisadores do americano Center for Research on Genomics and Global Health (CRGGH), feito com base na análise do genoma de 3 mil pessoas, liga a anemia falciforme a uma mutação genética que teria se manifestado em apenas uma criança há pouco mais de 7 mil anos.

Efeito colateral

A história da doença é um exemplo de como uma coisa boa acabou tendo péssimas consequências.

Há milhares de anos, quando o deserto do Sahara era uma área úmida e chuvosa, coberta com uma floresta, uma criança nasceu com uma mutação genética que lhe deu imunidade à malária.

A doença era tão mortal há milhares de anos quanto é hoje – nos dias atuais a malária mata uma criança a cada dois minutos.

Em um ambiente que era habitat dos pernilongos que carregam a doença, essa mutação deu grande vantagem a essa criança, que viveu, cresceu e teve filhos.

Seus filhos herdaram a mutação e, graças à imunidade, se espalharam e se reproduziram. Até hoje, as pessoas que têm o gene são mais resistentes à malária.

Mas é aí que entram as más consequências: se uma pessoa herda o gene com aquela mutação de ambos os pais, ela pode acabar desenvolvendo anemia falciforme, moléstia que resulta em fortes dores e diversas complicações de saúde. Entre eles problemas pulmonares e cardiovasculares, dores nas articulações e fadiga intensa.

E, para piorar, quem herda os genes dos dois pais perde a proteção que eles têm contra a malária.

Em um estudo publicado na semana passada na revista científica American Journal of Human Genetics, os cientistas Daniel Shriner and Charles Rotimi apresentaram a descoberta sobre a origem da doença feita após uma análise do genoma de cerca de 3 mil pessoas, das quais 156 tinham anemia falciforme.

Ambos são pesquisadores do Center for Research on Genomics and Global Health, entidade ligada ao National Institutes of Health (NIH) - uma reunião de centros de pesquisa que formam a agência governamental de pesquisa biomédica do departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

Os pesquisadores dizem que rastrearam a mutação 7,3 mil anos atrás e descobriram que ela começou em apenas uma criança.

Por que isso importa?

Segundo Rotimi, a descoberta ajuda na classificação da doença. "Possibilita aos médicos um entendimento melhor sobre como classificar pacientes doentes de acordo com a severidade da enfermidade", diz ele à BBC.

Isso pode ajudar a melhorar o tratamento clínico oferecido às pessoas, segundo ele. Não há cura para a anemia falciforme. Os portadores da doença precisam de acompanhamento médico constante para garantir a oxigenação adequada nos tecidos, prevenir infecções e para controlar as crises de dor.

No entanto, um dos médicos mais proeminentes no estudo da doença - Frederick B. Piel, do Imperial College, em Londres - afirmou ao jornal americano The New York Times que gostaria de ver estudos mais abrangentes para checar se eles chegam à mesma conclusão.

Células falciformes foram descobertas pela primeira vez nos Estados Unidos, em pessoas com ascendência africana, mas também são comuns em povos do Mediterrâneo, do Oriente Médio e de partes da Ásia.

Até agora os cientistas identificavam os diversos tipos da doença usando grupos separados de acordo com etnia e língua, o que, na verdade, segundo Rotimi, não ajuda a entender a doença do ponto de vista clínico.
Glóbulos vermelhos mal formados causam diversos problemas de saúde | Foto: Science Photo Library

Por décadas os cientistas se perguntam se a mutação aconteceu apenas uma vez e se espalhou ou se diversas crianças não relacionadas desenvolveram a mutação separadamente.

Mas Shriner e Rotimi descobriram que as pessoas que eles analisaram tinham mutações genéticas muito parecidas. Pessoas do Quênia, de Uganda, da África do Sul e da República Centro Africana tinham genes tão similares que se encaixariam em um padrão compatível com a distribuição da mutação através da migração do povo bantu.

Os bantu se espalharam do oeste da África para o leste e para o sul há cerca de 2,5 mil anos.

Rotimi dá risada ao ser questionado pela BBC se está 100% seguro sobre os resultados de sua pesquisa.

"Como cientista é sempre uma péssima ideia dizer que uma conclusão é definitiva. Eu nunca assumo a posição de que existe uma resposta definitiva", diz ele.

"Mas as informações que temos hoje deixam bem claro que não é possível sustentar, no momento, a teoria de uma origem múltipla para a mutação."

Estudos maiores podem ou não trazer o mesmo resultado. Por enquanto, no entanto, a imagem que fica é de uma criança que nasceu com sorte e espalhou seus genes para descendentes no mundo todo – que podem não ter a mesma sorte que ela.

AUTOR: BBC

domingo, 4 de março de 2018

A DESCOBERTA DE DUAS MÚMIAS DE 5 MIL ANOS QUE REVOLUCIONA O QUE SABEMOS SOBRE O EGITO ANTIGO

A múmia do homem, que tinha entre 18 e 21 anos quando morreu, tem no braço dois desenhos sobrepostos de animais | Foto: Museu Britânico

Duas múmias egípcias de 5 mil anos, descobertas há 100 anos, surpreenderam os arqueólogos com uma novidade descoberta apenas agora.

Os pesquisadores chegaram à conclusão que as manchas que elas tinham nos braços eram, na verdade, tatuagens.

Com ajuda de raios infravermelhos, os arqueólogos encontraram ilustrações figurativas feitas nos corpos das duas múmias. Os detalhes dessa pesquisa foram publicados na revista de arqueologia Journal of Archaeological Science.

Daniel Antoine, curador de Antropologia Física do Museu Britânico e um dos autores do trabalho, ressalta que a descoberta "transformou" a ideia que os cientistas tinham de como as pessoas daquela época viviam.

"Apenas agora estamos tendo maior clareza sobre como era a vida desses indivíduos notavelmente preservados. Com mais de 5 mil anos de existência, eles mostram que as tatuagens na África apareceram mil anos antes do que as evidências mais recentes sugeriam", disse ele à BBC.
A primeira tatuagem tem dois animais sobrepostos: acima, um carneiro com chifres, abaixo, um búfalo selvagem | Foto: Museu Britânico

Homem também podia

As imagens obtidas por scanner de uma das múmias, a do homem, revelaram que as tatuagens representam dois animais sobrepostos. Uma delas parece ser a de um touro selvagem com um rabo grande, e a outra, a de um carneiro com chifres.

Até então os arqueólogos acreditavam que apenas as mulheres tinham tatuagens naquela época.

A múmia feminina tem quatro pequenos motivos em formato de "S" no seu ombro direito.

Ela também tem um outro desenho que parece representar um bastão usado em um ritual de dança. O pigmento usado é provavelmente fuligem.
A múmia feminina tem tatuagens em formato de 'S'; os desenhos na pele, dizem os pesquisadores, indicariam status de coragem e de conhecimento mágico | Foto: Museu Britânico
Simbolismo

Os arqueólogos acreditam que as tatuagens indicariam um determinado status dentro da comunidade, ou de coragem ou de um certo conhecimento mágico.

As múmias foram encontradas em Gebelein, a 40 km do território onde hoje fica Luxor.

As covas em que elas estavam não eram profundas, mas graças ao calor, à salinidade e à aridez do deserto, elas se mantiveram bem conservadas.

A análise de carbono 14 indica que o homem e a mulher viveram entre 3351 a.C. e 3017 a.C.. Outro exame indica que o homem foi esfaqueado quando tinha entre 18 e 21 anos.

O exemplo mais antigo de tatuagem está em uma múmia conhecida como Ötzi, descoberta em 1991 nos Alpes, na fronteira entre Áustria e Itália, que viveu entre 3370 a.C. e 3100 a.C.. 

Mas os desenhos em sua pele não traziam figuras, mas apenas traços verticais e horizontais.
Detalhe das tatuagens em formato de 'S' no ombro da múmia de mulher | Foto: Museu Britânico

AUTOR: BBC

sábado, 24 de fevereiro de 2018

ALERTA! LEVANTAMENTO REVELA CAOS NO CONTROLE DE DENÚNCIAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS

Denúncias podem chegar por diversos canais – mas raramente são as próprias crianças que denunciam GETTY IMAGES

Umas das ligações que mais marcaram a atendente Camilla*, que trabalha desde 2016 no Disque-Denúncia (100), foi um caso de abuso sexual de um bebê de um ano de idade.

Ela recebeu a ligação de uma pessoa - que não pode ser identificada para preservar o anonimato garantido pelo serviço - dizendo que, ao trocar a fralda da criança, encontrou seu órgão genital machucado e com pus.

Segundo o relato, a menina estava sendo abusada pelo padrasto, e a mãe não fazia nada porque não queria que o marido fosse preso.

Camilla anotou todos os detalhes sobre a vítima - nome, onde morava, informações sobre a família - e o caso foi encaminhado à polícia do Estado para ser apurado.
Mas é impossível descobrir, de forma organizada e sistemática, o destino de denúncias graves como a relatada pela atendente.

A BBC Brasil buscou dados para uma reportagem sobre o percentual de denúncias de violência sexual contra crianças que resultavam em abertura de inquérito e possível punição de culpados. Procurou também informações centrais sobre crianças reportadas como vítimas em denúncias, como saber se estão em segurança. Encontrou não dados, mas um verdadeiro buraco negro de informações e descontrole estatístico por parte das autoridades.

A reportagem, que envolveu dezenas de telefonemas e envios de emails para autoridades federais e também em todos os 26 Estados e no Distrito Federal, revela que nenhum órgão mapeia denúncias e monitora o que acontece com elas.

Não há controle consistente e padronizado em nível federal, estadual ou municipal que acompanhe quantas eram procedentes, quantas se tornaram inquéritos policiais, quantas chegaram à Justiça ou o que aconteceu com as crianças.
Nenhuma entidade governamental brasileira reúne números do combate ao abuso sexual de crianças de todos os Estados GETTY IMAGES

A importância dos números

A falta de dados centralizados prejudica o combate - já que o primeiro passo para criação de políticas públicas contra o crime é saber o tamanho do problema, como ele costuma acontecer, se há maior ocorrência em determinados Estados e que questões, em alguns casos culturais, precisam ser combatidas em busca de uma solução.

"É muito difícil pensar políticas públicas sem ter dados e estatísticas", afirma o pesquisador Herbert Rodrigues, que foi associado ao Núcleo de Violência da USP e é autor do livro Pedofilia e suas Narrativas.

"Os dados sobre o assunto são um caos. Os órgãos não estão preparados para lidar com o problema", afirma ele, que fez uma extensa pesquisa em diversos bancos de dados para sua tese de doutorado.

Ele defende que o poder público tenha um sistema exclusivo para monitoramento de abuso sexual infantil a exemplo do que ocorre em países como os Estados Unidos e o Reino Unido.

Em terreno britânico, os números divulgados por diversas entidades governamentais são reunidos pela NSPCC (sigla em inglês para Sociedade Nacional para a Prevenção de Crueldade contra Crianças).

Nos EUA, diversas entidades reúnem esse tipo de informação. O Departamento de Saúde federal tem um escritório específico de cuidado às crianças que publica relatórios periódicos. O Crimes Against Children Research Center (Centro de pesquisa sobre crimes contra crianças) também reúne dados nacionais - e o acompanhamento das denúncias é feito pelo FBI, a polícia federal americana.
Várias fontes, nenhum controle

No Brasil, a primeira pergunta sem resposta diz respeito ao total de denúncias de violência sexual contra crianças que chegam a diferentes autoridades.

Elas podem chegar a delegacias de polícia (especializadas ou não), ir direto ao Ministério Público, a conselhos tutelares ou a Varas de Infância e da Juventude. Casos envolvendo crimes virtuais são investigados pela Polícia Federal. Não há números consolidados de número de denúncias feitas no país todo por nenhum desses caminhos.

As suspeitas também podem chegar pelo Disque-Denúncia e serem encaminhadas a algum desses outros canais. Só por este caminho chegaram cerca de 9 mil denúncias no primeiro semestre de 2017. Em 2016, foram 15.707. Os dados são do Ministério dos Direitos Humanos, que mantém o serviço do Disque 100.

A segunda lacuna é com os dados sobre o que aconteceu com as denúncias que chegaram por esse caminho.

As suspeitas são passadas individualmente para serem investigadas pelas polícias estaduais ou por outras autoridades. Todos os casos são repassados e, em tese, investigados. Mas como não há uma regra que obrigue quem recebeu as denúncias a dar retorno, os feedbacks que chegam são poucos.

O serviço só recebe retorno sobre o andamento da apuração em 16% dos encaminhamentos na média, segundo o Ministério dos Direitos Humanos.
Crimes contra crianças cometidos na internet são investigados pela Polícia Federal
Lacunas GETTY IMAGES

Em busca dessas informações sobre o destino das denúncias que chegam por outros caminhos, a BBC Brasil procurou as polícias estaduais e também o Ministério Público de todos os 26 Estados brasileiros e do Distrito Federal.

Na maioria dos Estados, nem a própria polícia ou secretaria de segurança agrupa essas informações. A ausência de dados centralizados gera a impossibilidade de cobrança e acompanhamento de uma esfera superior.

A BBC Brasil recebeu informações apenas da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais e dos Ministérios Públicos de Santa Catarina, Distrito Federal, Acre, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

As Secretarias de Segurança Pública de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e os Ministérios Públicos de Minas Gerais, Goiás e Ceará admitiram não ter os dados.

Os outros órgãos não responderam ou não deram explicações para não terem enviado as informações.
Retrato brutal

Os únicos dados centrais que a BBC Brasil conseguiu identificar revelam a brutalidade deste tipo crime, ou seja, quando vítimas vão parar em um hospital com machucados, doenças ou outros problemas decorrentes do abuso.

Em 2016, o sistema de saúde registrou 22,9 mil atendimentos a vítimas de estupro no Brasil. Em mais de 13 mil deles - 57% dos casos - as vítimas tinham entre 0 e 14 anos. Dessas, cerca de 6 mil vítimas tinham menos de 9 anos.

As estatísticas são do Sinan, o sistema de informações do Ministério da Saúde, que registra casos de atendimento de diferentes ocorrências médicas desde 2011. É uma espécie de ponta do iceberg do problema.

O sistema consolida dados tanto dos serviços de saúde pública quanto da rede privada.

"Crianças e adolescentes de até 14 anos são mais vulneráveis à ocorrência de estupro principalmente na esfera doméstica. Os autores da violência, na maioria das vezes, são familiares e pessoas conhecidas", afirma a médica Fátima Marinho, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Os números mais consistentes são os do Ministério da Saúde - que mostram as vítimas que chegaram ao sistema de saúde GETTY IMAGES

Mas mesmo os números do Sinam, que oferecem um visão central do problema, não retratam todos os casos de abuso sexual de crianças que acabaram no sistema de saúde. Isso porque nem todos os municípios do país reportam os casos, embora o procedimento seja obrigatório.

A definição de estupro utilizada pelo Ministério da Saúde é a mesma adotada no âmbito penal. São notificados como estupro, por exemplo, conjunção carnal, masturbação, toques íntimos, a introdução de dedos ou objetos na vagina, sexo oral e sexo anal.

Nos casos de estupros de menores, os profissionais de saúde responsáveis pelo atendimento em hospitais devem comunicar as ocorrências aos conselhos tutelares locais.

A partir deste ponto, o sistema de saúde não faz mais o acompanhamento - portanto mesmo pelos números da área de saúde não há como saber quais desses casos chegaram à polícia ou à Justiça.

Para a delegada Kelly Cristina Saccheto, de São Paulo, "estatísticas são importantes, mas, para as investigações individuais, o que mais importa é ter dados suficientes no registro da ocorrência para que polícia abra o inquérito."

Segundo ela, muitas das denúncias chegam sem informações suficientes - como nome completo do acusado ou endereço - para que a polícia identifique os suspeitos.
Vulnerabilidade

Se muitas vítimas adultas já não denunciam seus casos à polícia por medo de represálias ou de serem desacreditadas, as crianças estão ainda mais vulneráveis - e a chance de o problema nunca chegar às autoridades é maior, segundo especialistas.

"Nos casos que chegam à Justiça é possível ver, em muitos processos, tentativas de desqualificar e deslegitimar as crianças para inocentar o agressor. É reflexo de uma sociedade que tem baixa confiança nas crianças, onde elas são desconsideradas, como se não tivessem agência no mundo", afirma Herbert Rodrigues, pesquisador do Núcleo de Violência da USP.

O desembargador Eduardo Freitas Gouvea, da Coordenação de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, acredita que legislação existente é bem extensa e adequada para proteger as crianças - o que falta é sua aplicação.

"É necessário um trabalho de prevenção" afirma. "Hoje em dia o Judiciário é visto como caminho de resolução de tudo, mas é preciso que o Executivo aplique a lei e haja uma rede de proteção às crianças para evitar que os crimes aconteçam."

O fato da maior parte dos abusos - físicos e sexuais - virem das próprias famílias torna o problema mais complexo e difícil de ser resolvido, já que a criança fica completamente desamparada e sem o apoio justamente de quem deveria protegê-la.

"E é um tabu, ninguém quer falar sobre isso ou lidar com o problema real", diz Rodrigues.

Camilla, a atendente do Disque-Denúncia, diz que evita pensar no que aconteceu com as vítimas.

"Tento pensar que o importante é que a denúncia tenha sido feita. Já é o primeiro passo para resolver (o caso)."

*O nome foi trocado para proteger a identidade da entrevistada.

AUTOR: BBC

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

ALERTA!!! DESAFIO DO DESODORANTE, DA CAMISINHA, DA COLA: AS ONDAS ONLINE QUE PÕE VIDAS DE CRIANÇAS EM RISCO

'Desafios' com graves riscos à saúde se proliferam online GETTY IMAGES

A morte de uma menina de sete anos por ingestão de aerossol volta a lançar luz sobre "desafios" que circulam em vídeos pela internet e têm nas crianças suas principais vítimas.

Adrielly Gonçalves, de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento no último sábado com parada cardiorrespiratória, em estado grave. As tentativas de reanimá-la não tiveram sucesso, segundo nota da Secretaria de Saúde da cidade. Um laudo do Instituto Médico Legal vai detalhar as causas da morte.

"Ela, criança inocente, colocou o desodorante direto na boca e desmaiou, tendo uma parada cardíaca na sequência. (Foi) por um motivo que jamais imaginamos, um vídeo sobre desafio de inalar desodorante aerossol", disse uma familiar em postagem no Facebook, fazendo "um alerta aos pais, (para) que fiquem de olho nos conteúdos que os filhos pesquisam na internet".

Youtubers fazem diferentes desafios que consistem em inalar a substância em vídeos que circulam pelas redes sociais e acumulam milhares de visualizações no site.

Há ainda o "jogo da asfixia" ou "do desmaio", em que compete-se para ver quem prende a respiração por mais tempo, além de desafios de inserir camisinhas nas narinas para tirar pela boca, de comer canela em pó em grandes quantidades e pura, de passar cola nas narinas e na boca. Fora as competições que induzem jovens e crianças a tomar grandes quantidades de bebidas alcóolicas.

Todas as práticas trazem gravíssimos riscos à saúde. E estão proliferando na internet.

A ONG cearense DimiCuida, voltada à conscientização sobre o perigo de jogos de asfixia, contabilizou na semana passada 24 mil vídeos em português de "desafios de desmaio" apenas no YouTube. Há outros 800 mil em inglês.
Galera que me acompanham aqui pelo face,certamente viram a minha postagem referindo sobre luto .
Gostaria de alertar ,aos pais que fiquem de olho nos conteúdos que os filhos,pesquisam na Internet.
Adrielly uma menina de 07 anos , linda e muita amada ,infelizmente veio a falecer no dia 03 de Fevereiro morava em São Bernardo do Campo ,por um motivo que nós pais jamais imaginamos, galera o vídeo era sobre um desafio de inalar desodorante aerosol, o objetivo era inalar e ver a quantidade de tempo que você aguenta, ela criança inocente colocou o desodorante direto na boca e desmaiou tendo parada cardíaca em sequência 😢.
Peço que rezem, orem pela mãezinha dela Marcia Gonçalves,pois ela está desolada uma tristeza que espero que nem uma mãe pai familiar venha passar .
Então fica aí o alerta !

"E o número de vídeos fica extraordinariamente maior se contarmos outros vídeos de jogos semelhantes que também causam asfixia, como os da camisinha ou da canela", diz Fabiana Vasconcelos, psicóloga da ONG, à BBC Brasil.

Além disso, há relatos de convites a jogos do tipo em postagens no Instagram, no Snapchat e em fóruns de games online, ainda que o YouTube seja a maior fonte de acesso.

Há cerca de um ano e meio, um jovem de 14 anos de São Vicente (litoral de São Paulo) foi encontrado morto com um lençol no pescoço. Investiga-se se ele foi induzido a isso pelo chamado "jogo do desmaio".

Desafios perigosos que viralizam online:
Ingerir álcool ao máximo que conseguir
Asfixiar a si mesmo ou a um colega para causar desmaio
Inalar aerossol de desodorantes
Ingerir canela em pó
Colocar camisinha no nariz para sair pela boca

"Muitos acidentes acontecem por causa (de brincadeiras assim), em que as crianças participam de desafios porque o amigo pediu, por exemplo", diz à BBC Brasil o capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

"Geralmente o resultado é muito ruim, com lesões que duram o resto da vida ou causam a morte."

Até jogos aparentemente inocentes, como o que estimula a ingerir canela, podem ter consequências graves: "a canela em pó bloqueia e queima as vias respiratórias e pode causar asfixia. O jogo da camisinha também pode asfixiar", explica Vasconcelos, da DimiCuida.

E o desafio do desodorante, que aparentemente causou a morte de Adrielly Gonçalves, é perigoso por causa do alto teor de etanol (álcool) presente em qualquer tipo de desodorante, explica Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP.

"Esse teor é de 70% a 90%, muito maior do que o do uísque ou o absinto, por exemplo. E, ao inalar, o volume (de álcool) absorvido é extremamente alto, provocando uma inflamação da laringe e uma parada cardíaca", diz à BBC Brasil.
Vídeo de desafio do desodorante: inalação do aerossol é arriscada sobretudo pelo alto teor alcoólico da substância | Foto: Reprodução/YouTube

Como agir no caso emergências

Em situações como essas, é preciso correr para o pronto-socorro, porque a criança precisará de inalação ou entubação urgente, explica Wong.

E, tendo havido a ingestão de produtos tóxicos ou alcoólicos, a orientação dos especialistas é nunca provocar o vômito (que pode piorar a obstrução das vias aéreas) nem oferecer nada às crianças sem antes buscar ajuda especializada.

Essa ajuda pode ser dada pelos bombeiros (telefone 193) ou por centros de assistência toxicológica, como o Ceatox da Faculdade de Medicina da USP (0800-148110), que atende ligações do Brasil inteiro nas 24 horas do dia.

"As substâncias podem causar reações diferentes entre si, e cada uma vai exigir um tipo de tratamento, então é primordial pedir auxílio especializado", diz Palumbo, do Corpo de Bombeiros.

No caso de asfixia ou parada respiratória, Palumbo orienta a colocar a criança deitada de costas no chão (por ser uma superfície rígida) com o corpo alinhado ao pescoço, para ajudar a liberar as vias aéreas.

Isso não dispensa, porém, que se chamem os bombeiros imediatamente, para obter orientações específicas para as circunstâncias de cada caso.
Jovens fazendo desafio da canela em pó, que pode obstruir vias aéreas | Foto: Reprodução/YouTube

Veja, pelo movimento do tórax, se há sinais de respiração e batimentos cardíacos. Se não houver, é possível que o atendente emergencial oriente a fazer uma massagem cardíaca (um vídeo dos bombeiros no Facebook ensina a fazer as manobras)

No caso de queimaduras, os bombeiros ensinam a lavar a área do corpo com água corrente, cobrir com gazes úmidas e com um pano, para proteger o local. Jamais passe qualquer produto (veja vídeo tutorial dos bombeiros com mais detalhes).

Como prevenir

"Como nativas do mundo digital, as crianças têm acesso muito mais rápido a esses vídeos, enquanto os pais ainda não sabem como administrar (a navegação infantil)", diz Vasconcelos, da DimiCuida.

A prevenção, diz ela, começa com respeitar a idade mínima de acesso às plataformas sociais (16 anos para WhatsApp e 13 anos para Facebook, por exemplo). E Vasconcelos sugere a pais e responsáveis acompanhar a vida online das crianças assim como ocorre com a vida offline.

"Assim como perguntamos 'com qual amigo você vai sair hoje?', devemos perguntar 'quem são seus amigos online?', 'a qual vídeo você assistiu hoje?', e assistir junto", explica.

Vasconcelos opina que não adianta proibir a visualização de vídeos perigosos.
Para especialista, adultos precisam ajudar as crianças e adolescentes a fazerem uma reflexão crítica do conteúdo que veem online GETTY IMAGES

"É preciso criar um ambiente (para discutir os vídeos) sem julgamento, mas sim com uma reflexão crítica, que ainda não está maturada nas crianças e adolescentes. 'Esse rapaz do vídeo tem quantos anos? Ele não parece ser uma criança como você. Por que ele está fazendo isso? E vale a pena correr esse tipo de risco? Vale a pena compartilhar esse conteúdo?'", diz.

Como, para crianças e adolescentes, a morte é algo muito abstrato, Vasconcelos sugere deixar claro o risco desses vídeos de forma mais concreta - dizendo, por exemplo, que a criança pode perder seus movimentos e ser impedida de jogar futebol.

Além disso, é importante denunciar vídeos com conteúdo perigoso.

A BBC Brasil questionou o YouTube sobre seus procedimentos de segurança para evitar esses conteúdos.

Em nota, o site disse que "as políticas (da plataforma) restringem conteúdos que têm a intenção de incitar violência ou encorajar atividades ilegais ou perigosas, que apresentem um risco inerente de danos físicos graves ou de morte. Qualquer usuário pode denunciar esse tipo de conteúdo e nossa equipe analisa essas denúncias 24 horas por dia, sete dias por semana".

A reportagem também questionou o Youtube sobre o número de vídeo similares já removidos, mas não obteve resposta.

AUTOR: BBC

domingo, 4 de fevereiro de 2018

'MEGALÓPOLE' MAIA É DESCOBERTA EM PLENA SELVA COM NOVA TECNOLOGIA A LASER

A cidade maia de Tikal estava rodeada de uma complexa rede de vias até então invisíveis| Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Em um marco na pesquisa arqueológica, estudiosos encontraram mais de 60 mil ruínas da população maia na Guatemala, graças a uma nova tecnologia de raio laser.

A tecnologia Lidar - abreviação, em inglês, de "detecção e alcance da luz" (Laser Imaging Detection and Ranging) - foi usada para mapear digitalmente sob a cobertura florestal, revelando uma "megalópole" de casas, palácios, vias elevadas e fortalezas.

As pesquisas cobriram até agora mais de 2,1 mil quilômetros quadrados na cidade de Petén, no norte guatemalteco. A área, identificada perto de cidades maias já conhecidas, provavelmente abrigou milhões de pessoas a mais do que pesquisas prévias sugeriam.

Arqueólogos acreditam que a tecnologia de ponta vai mudar a forma como o mundo enxerga a antiga civilização centro-americana.

"Acho que será um dos grandes avanços em mais de 150 anos de (pesquisa) arqueológica maia", diz à BBC Stephen Houston, professor de Arqueologia e Antropologia da Universidade Brown, no EUA.
Tecnologia Lidar revelou 60 mil ruínas, como esta pirâmide maia, que levarão anos para serem plenamente entendidas pelos cientistas | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Com décadas de experiência nesse ramo, ele achou as descobertas "de tirar o fôlego".

"Quando vi as imagens, fiquei com lágrimas nos olhos."

A emoção se deve aos indicativos de que os maias faziam parte de uma civilização de avanços equivalentes, à época, aos vistos em culturas tidas como sofisticadas, como a da Grécia Antiga e da China.

"Tudo virou de cabeça para baixo", diz o arqueólogo Thomas Garrison, do Ithaca College (EUA) e parte do consórcio de pesquisadores envolvidos no estudo.

Ele acredita que a escala e a densidade da população maia vinham sendo "bastante subestimadas e podem ser, na verdade, três ou quatro vezes maior do que se pensava anteriormente".
Pesquisadores se surpreenderam com a sofisticação e a densidade da civilização maia reveladas pelas imagens | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Tecnologia

Os pesquisadores usaram a tecnologia Lidar para remover digitalmente a densa cobertura florestal guatemalteca - em uma região atualmente desabitada - e criar um mapa do que esteve sob a superfície na época maia.

A Lidar é descrita como "mágica" por alguns arqueólogos por revelar coisas praticamente invisíveis ao olho nu e jamais observadas até então.

Usa-se o laser para mapear a superfície da Terra, com milhões de disparos de laser no solo, feitos a partir de um avião ou helicóptero.

Os comprimentos de onda são medidos ao baterem no solo e voltarem - método semelhante ao usado por morcegos para caçar suas presas à noite.
Estruturas estavam cobertas pela densa vegetação | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

As medições, de alta precisão, são então usadas para produzir uma detalhada imagem tridimensional da topografia. A mesma técnica já fora usada para revelar cidades até então ocultas sob o antigo templo de Angkor Wat, no Camboja.

"Essa tecnologia está revolucionando a arqueologia da mesma forma que o telescópio espacial Hubble revolucionou a astronomia", afirma Francisco Estrada-Belli, arqueólogo da Universidade Tulane à revista National Geographic. "Precisaremos de cem anos para esmiuçar os dados e realmente entender o que estamos vendo."

"A questão espinhosa é que a Lidar nos dá imagens comprimidas de 3 mil anos de civilização maia na área", explica Garrison. "É um ótimo problema, porque nos traz mais desafios à medida que aprendemos mais."
Área hoje inabitada por ter abrigado muitos milhões de maias a mais do que se pensava | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Descobertas

A civilização maia, que teve seu auge há 1,5 mil anos, ocupava uma área estimada em duas vezes maior do que a Inglaterra medieval e abrigava uma população que, até agora, os cientistas calculavam em 5 milhões.

"Com os novos dados, já não é insensato pensar que havia ali de 10 a 15 milhões de pessoas, incluindo moradores de áreas baixas e pantanosas que muitos de nós considerávamos inabitáveis", argumenta Estrada-Belli.

Os arqueólogos também se surpreenderam com as "incríveis estruturas defensivas" da megalópole recém-descoberta, como muralhas e fortalezas, que mostram que os maias investiam mais recursos em defesa do que se imaginava.
Tecnologia mapeia sob a vegetação com laser e cria imagens tridimensionais | Foto: Wild Blue Media/Channel 4/National Geographic

Outra descoberta é uma pirâmide de sete níveis, que estava tão coberta pela vegetação que praticamente desaparecia na selva.

Havia ainda uma complexa rede de vias elevadas interligando as cidades maias, permitindo o deslocamento até mesmo durante as temporadas de chuvas. A largura das estradas sugere que elas eram amplas o bastante para comportar grande movimento de pessoas e bens de comércio.

A pesquisa é a primeira parte de um projeto de três anos que visa promover a preservação histórica da Guatemala. O objetivo é mapear 14 mil quilômetros quadrados de território.

AUTOR: BBC

domingo, 28 de janeiro de 2018

PUNIR POLÍTICOS, SEM MUDAR CULTURA, NÃO TRANSFORMA, DIZ CZAR ANTICORRUPÇÃO DA ITÁLIA

Raffaele Cantone atuou na investigação da violenta máfia de Gomorra que resultou na prisão perpétua dos maiores líderes desse clã: Francesco Schiavone e Francesco Bidognetti

Conhecido na Itália como uma espécie de czar anticorrupção, o ex-procurador Raffaele Cantone diz que a punição a políticos envolvidos em corrupção não reduz a ocorrência do crime se não vier acompanhada de uma mudança na "mentalidade" da população.

Cantone atuou na investigação da violenta máfia Camorra que resultou na prisão perpétua dos maiores líderes desse clã: Francesco Schiavone e Francesco Bidognetti. O caso foi contado no famoso best-seller Gomorra, de Robero Saviano, que também virou filme.

Em entrevista à BBC Brasil, o ex-procurador afirmou que, enquanto eleitores considerarem que corrupção "não é problema deles", investigações não terão efeito transformador na sociedade.

"Cito uma piada de Piercamillo Davigo (juiz italiano que atuou na Operação Mãos Limpas): 'as investigações sobre a corrupção na Itália eliminaram os corruptos e os corruptores de menor alcance e deixaram em campo aqueles que eram realmente relevantes'", explicou.

"Se o (ambiente) cultural é o mesmo de antes, não é suficiente. É necessário alterar as regras do jogo."

Desde abril de 2014, Cantone é presidente da Autoridade Nacional Anticorrupção da Itália, órgão administrativo que supervisiona as medidas de prevenção à corrupção. Forçado a viver sob proteção policial desde 2003 por causa das ameaças de morte dos mafiosos, ele mora entre Roma e Nápoles.

Cantone defende que medidas efetivas de repressão e instrumentos "invasivos" de investigação sejam acompanhados de políticas educacionais voltadas a demonstrar para a população os efeitos nocivos da corrupção.

"O cidadão comum não está tão interessado na corrupção porque, no final das contas, não a considera um problema seu. (…) Se o cidadão não percebe o efeito negativo da corrupção, ele quase nunca considera a corrupção como uma real emergência", avalia.
Na Itália, 'as investigações sobre a corrupção na Itália eliminaram os corruptos e os corruptores de menor alcance e deixaram em campo aqueles que eram realmente relevantes' GETTY IMAGES

BBC Brasil - Qual é a sua leitura da politica brasileira e do Brasil, um país sujeito a frequentes casos de corrupção? Existe um sentimento comum de que os países latino-americanos sejam mais facilmente levados à corrupção?

Raffaele Cantone - A América Latina tem uma grande riqueza ainda para desenvolver, mas com uma significativa falta de know-how para desenvolvê-la, provocando, assim, um enorme apetite para quem quer obter essas riquezas sem respeitar as regras. (...) Na América Latina, vejo jovens democracias, grandes recursos e um forte desenvolvimento econômico que, juntos, criaram uma mistura explosiva.

Os países latinos da Europa, apesar de ter níveis mais elevados de corrupção do que a América do Norte, têm democracias mais maduras que permitem gerenciar um pouco melhor o problema.

BBC Brasil - O que funciona melhor nos países com baixos índices de corrupção?

Cantone - A sociedade civil. O único sistema que funciona realmente é aquele (que envolve) a sociedade civil. Por isso, reforço muito a ideia da transparência. Não se pode afirmar que as receitas utilizadas nos países do norte da Europa e América do Norte valem para todos os países. No entanto, são os exemplos de receitas que funcionaram.
Integrantes da máfia de Gomorra, em foto divulgada pela polícia italiana GETTY IMAGES

BBC Brasil - Você identifica três níveis de ação contra a corrupção: repressão, prevenção e educação. Poderia explicá-los brevemente?

Cantone - A repressão deve ser capaz de funcionar com a trâmitação rápida dos processos até a sentença. A legislação deve estabelecer atenuantes a favor de colaboradores ou ferramentas de investigação invasivas, como o uso de escutas.

O condenado deve ser excluído do setor público e, acima de tudo, não poderá mais ser empresário. Isso já teria um efeito de prevenção. A condenação de uma corrupção que não elimina o condenado do meio em que estava inserido é inútil.

A prevenção, por outro lado, é exercida por mecanismos que dificultam a corrupção. Não há sistemas que impeçam a corrupção, mas sim que a tornam mais complicada. O terceiro ponto é o cultural. O cidadão não percebe o efeito negativo da corrupção. Ele quase nunca considera a corrupção como uma emergência real, porque a considera distante de seus interesses. A educação tem como função fazer emergir (essa preocupação) com a corrupção.

BBC Brasil - Para muitos analistas, o Brasil, com a Lava Jato, vive uma situação semelhante à da época da Operação Mãos Limpas, na Itália. Supondo que a eliminação da classe dominante política aconteça no Brasil, seria uma solução para o fenômeno da corrupção?

Cantone - Não, a experiência italiana nos diz o contrário. Cito uma piada de Piercamillo Davigo (juiz italiano que atuou na Operação Mãos Limpas): "As investigações sobre a corrupção na Itália tiveram um efeito darwiniano - simplesmente eliminaram os corruptos e os corruptores de menor alcance e deixaram em campo aqueles que eram realmente relevantes".

As investigações a respeito de casos de corrupção podem facilitar a substituição de uma classe dirigente dominante, mas não mudam a mentalidade. Se o (ambiente) cultural é o mesmo de antes, não é suficiente. É necessário alterar as regras do jogo. 

A experiência italiana, nesse sentido, mostrou que, embora a Mãos Limpas tenha sido uma das maiores operações do mundo contra a corrupção, depois de um tempo as pessoas perceberam que nada tinha mudado.
Rafaelle Cantone argumenta que o crime de corrupção, muitas vezes, só é descoberto com mecanismos de colaboração- delação premiada- já que é difícil encontrar provas

BBC Brasil - A Lava Jato aproveitou-se de muitas delações premiadas, com descontos substanciais de penas. Quais são os limites das colaborações com a Justiça?

Cantone - Acredito que este seja um resultado inevitável. A redução do tempo de cadeia é o mal menor. A descoberta da corrupção só surge por meio desses mecanismos (de colaboração), porque, por sua natureza, não há conflito de interesses que possa tornar esse crime público. Isso não deve ser visto com um escândalo, e acho que é uma coisa boa. A atenuação da condenação não diminui todos os seus efeitos. O condenado pode ter uma redução e não ir para a prisão, mas certamente não permanecerá na administração pública.

A corrupção é baseada na omertà (o silencio cúmplice típico da máfia). Se não criarmos uma vantagem para quem optar por colaborar, enviamos a mensagem ao corrupto de que vale a pena tentar. Como ganhamos da máfia na Italia? Pelo sistema de colaborações, porque, na máfia, também havia um importante efeito psicológico. Os criminosos passaram a não se sentir mais invencíveis. É uma escolha utilitária, mas fundamental.

BBC Brasil - Um dos grandes escândalos no Brasil começou com a estatal Petrobras. Como lidar com as interferências dos partidos nas empresas estatais?

Cantone - Em primeiro lugar, reduzindo as empresas estatais. Não deram certo em nenhum aspecto e têm sido fonte de problemas em todos os lugares. A única alternativa é trabalhar com transparência orçamentária. O dinheiro sempre deixa vestígios. Faz sentido que o sistema de petróleo seja gerenciado pelo público? Eu penso que não. O Estado deve manter o monopólio da extração, mas a comercialização do petróleo tem o que de público? É uma atividade privada por excelência.

BBC Brasil - Como o senhor vê o fato de Lula, investigado e condenado em uma das ações, estar à frente nas pesquisas para as próximas eleições presidenciais?

Cantone - Externamente, a impressão que tenho é de que Lula se tornou um mito em todos os lugares. Lula também é um mito para a esquerda italiana. Certamente, ele conseguiu criar algumas novidades na sociedade brasileira. Ele deu a impressão de que o Brasil poderia sentar-se à mesa com as maiores potências do mundo e lançou mecanismos de justiça social em um país onde a justiça social não era muito presente.

E tudo isso, no entanto, depende do que eu disse antes: o cidadão comum não está tão interessado na corrupção porque, no final das contas, não a considera um problema seu. Quanto a Lula, se interessam mais pelos dados relativos a sua política e menos por aqueles relativos a sua ética. Não sei se a explicação pode ser o fato de que os políticos, uma vez que atingem o topo, perdem a noção do que pode ser feito e do que não pode ser feito.
Raffaele Cantone comentou sobre popularidade de Lula e o fato de o ex-presidente ter sido condenado em uma das ações contra ele LEONARDO BENASSATTO/REUTERS

BBC Brasil - O poder corrompe?

Cantone - Tenho receio de que um poder com regras não muito claras seja um poder que corre o risco de ser corrompido, mas não quero dar a impressão de que as regras tenham efeitos taumatúrgicos (de cura). Mas insisto no fato de que são elas, as regras, que determinam os mecanismos.

Na parábola de Lula, quando sua história for escrita, haverá o paradigma do poder que consegue corromper a pessoa que parecia menos corrompível. Isso, é claro, é um fato que nos faz refletir sociologicamente: quando você está em contato com negócios incomensuráveis, em que as suas escolhas são capazes de enriquecer alguém com somas estratosféricas, talvez você pense que reformar a casa seja uma coisa irrelevante, ou a compra de um imóvel seja algo pequeno. O risco é perder contato com a realidade.

BBC Brasil - O que mais favorece a corrupção: a continuidade de um governo ou a instabilidade política?

Cantone - O excesso de continuidade no poder tende a favorecer a corrupção. Na Suécia, porém, os social-democratas estão no poder há muitos anos, mas não há corrupção. Então, eu diria que essas regras não são válidas em todos os lugares. O verdadeiro ponto da questão é o controle dos cidadãos, que devem ser exigentes quanto a isso.

AUTOR: BBC

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

SAIBA QUEM SÃO AS 5 ESTRELAS DO YOUTUBE COM MAIS SEGUIDORES NO MUNDO

Sueco PewDiePie foi criticado devido a insultos e referências antissemitas em alguns de seus vídeos GETTY IMAGES

A recente polêmica protagonizada pelo americano Logan Paul, que publicou um vídeo no YouTube mostrando uma pessoa que teria acabado de se suicidar, evidenciou o alcance que um youtuber pode ter - e como um passo em falso pode afetar suas carreiras na internet.

Na quarta-feira, o YouTube decidiu cortar relações comerciais com Paul e removeu seus canais do Google Preferred - plataforma que reúne os conteúdos mais populares para atrair publicidade.

Paul pediu desculpas pelo vídeo, mas ainda assim a polêmica deve custar a ele milhões de dólares em anúncios publicitários perdidos. E vale lembrar que seu canal sequer figura entre os mais seguidos no YouTube.

Quem são, então, os donos dos canais com maior número de seguidores (excluído os canais empresariais e de artistas famosos)? A seguir, a BBC lista os cinco primeiros:

1 - PewDiePie (Suécia): 59,5 milhões de seguidores

Como tantos outros, o youtuber da atualidade com mais seguidores no mundo começou seu canal publicando vídeos com opiniões sobre situações cotidianas e com comentários em inglês sobre jogos de videogame.

Os vídeos de Felix Kjellberg (o verdadeiro nome de PewDiePie) já foram reproduzidos quase 17 bilhões de vezes.

Mas o jovem de 28 anos já foi duramente criticado por fazer piadas antissemitas e incluir insultos racistas em alguns de seus comentários. Tanto que a Disney decidiu cancelar um contrato que tinha com ele no ano passado.

PewDiePie negou ser racista e pediu desculpas pelas ofensas causadas.
Germán Garmendia é o youtuber mais bem-sucedido do mundo no idioma espanhol GETTY IMAGES

2 - HolaSoyGerman (Chile): 33 milhões de seguidores

O comediante chileno Germán Garmendia é o segundo youtuber mais seguido do mundo - e o primeiro considerando o idioma espanhol. Seu canal tem número de seguidores semelhante ao do cantor Justin Bieber.

HolaSoyGerman, que apresenta monólogos de humor com temas cotidianos, expandiu seu sucesso para canais secundários, como JuegaGerman, com 24 milhões de assinantes.

Garmendia diz que foi vítima de bullying na adolescência e que ser diferente ajudou a ele se tornar bem-sucedido na vida adulta. Seu canal é visto, inclusive, por não hispânicos, que assistem aos vídeos para aprender espanhol.
'El Rubius' chegou a admitir dificuldades em lidar com a fama online GETTY IMAGES

3 - elrubiusOMG (Espanha): 27 milhões de seguidores

Espanhol de mãe norueguesa, Rubén Doblas Gundersen começou no YouTube quando tinha 16 anos, com vídeos gravados em casa, mesclando jogos de videogame, humor e improvisação com amigos.

Cinco anos depois, fez do hobby sua profissão. E mudou de patamar ao alcançar fama também na América Latina - em 2015, teve recepção semelhante a de uma estrela do rock quando visitou a Argentina.

Chamado pela revista americana Time de "uma das pessoas mais famosas de quem você nunca ouviu falar", Gundersen chegou a se emocionar, em entrevista na televisão, ao contar que não sabe lidar bem com a fama, e que o sucesso repentino lhe proporcionou alguns dos piores momentos de sua vida.
Whindersson Nunes faz humor sem polêmicas, com referências à infância e ao cotidiano

4 - Whindersson Nunes (Brasil): 26,2 milhões de seguidores

O maior youtuber brasileiro faz um humor inocente e sem polarização, repleto de referências a sua infância e a hábitos mais humildes no Nordeste. O sucesso da fórmula levou o piauiense a fazer turnê pelos EUA e pela Europa.

"Sou um cara tranquilo, as minhas piadas são sobre a minha vida, nada que saia do meu universo. As vezes que saí do meu universo e falei coisas com religião, com política, a galera não aceitou muito", disse em entrevista à BBC Brasil em Londres, em novembro.

Nunes já foi ajudante de garçom e começou a fazer vídeos para a internet há sete anos. Pesquisa de setembro do Google mostrou que ele é o maior influenciador brasileiro da atualidade.
Fernanfloo tem número de seguidores maior que a população de seu país | Foto: Fernanfloo / YouTube

5 - Fernanfloo (El Salvador): 25,8 milhões de seguidores

O salvadorenho Luis Fernando Flores Alvarado conseguiu um feito: seu número de seguidores no YouTube é quatro vezes maior que a população total de seu país.

Ferfanfloo também começou a carreira ainda adolescente, com vídeos sobre games. Acabou abandonando os estudos para se dedicar integralmente a seu canal online.

Ele classifica seu estilo como "humor absurdo" e diz que sua popularidade se deve ao contraste de seus vídeos com a vida regrada da maioria das pessoas.

AUTOR: BBC

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

COMO SELFIE DE AMIGAS POSTADA NO FACEBOOK AJUDOU A POLÍCIA A DESVENDAR ASSASSINATO, NO CANADÁ

Cheyenne Antoine (à esq.) posa para selfie com cinto usado para matar Brittney Gargol (à dir.) | Reprodução/Facebook

Uma foto publicada no Facebook foi a chave para solucionar um crime no Canadá.

Cheyenne Rose Antoine, de 21 anos, foi condenada na segunda-feira a sete anos de prisão por homicídio culposo (sem intenção de matar) pelo assassinato da amiga Brittney Gargol, de 18 anos, ocorrido em março de 2015.

Ela foi identificada como suspeita após publicar, horas antes do crime, uma selfie com Gargol no Facebook. Na imagem, ela usava o cinto que foi encontrado ao lado do corpo da vítima na cena do crime.

Estrangulada até a morte, a jovem foi achada perto de um aterro em Saskatoon, na província de Saskatchewan, com o cinto de Antoine ao lado.

Segundo a polícia, a versão que a amiga da vítima deu inicialmente - de que as duas tinham ido a vários bares antes de Gargol sair com um homem não identificado, e ela ir ver o tio - não batia.

Os policiais usaram então as postagens do Facebook para ajudar a reconstituir a movimentação das amigas na noite do crime.

E perceberam que a publicação de Antoine na linha do tempo de Gargol na manhã seguinte - "Cadê você? Não deu mais notícias. Espero que tenha chegado bem em casa" - era uma tentativa de despistá-los.
Policiais foram ao Facebook procurar pistas 'Nunca me perdoarei' AFP

Antoine, inicialmente acusada de assassinato em segundo grau, que equivale no Brasil a homicídio doloso (com intenção de matar), se declarou culpada do crime, mas disse que não se lembrava de matar a amiga.

Ela disse que as duas estavam bêbadas e tinham fumado maconha quando começaram uma discussão acalorada.
Em um comunicado, ela se disse arrependida:

"Eu nunca me perdoarei. Nada que eu diga ou faça trará ela de volta. Eu lamento muito, muito... Isso não deveria ter acontecido", afirmou Antoine em nota emitida por meio de seu advogado.

O advogado de Antoine disse sua cliente foi à polícia um mês antes do assassinato para denunciar maus-tratos cometidos pelos pais adotivos, e que ela teria sofrido abusos similares no abrigo para crianças no qual viveu em Saskatchewan.

A família de Gargol se manifestou no julgamento.

"Não conseguimos deixar de pensar em Brittney, no que aconteceu naquela noite, no que ela deve ter sentido lutando por sua vida", disse Jennifer Gargol, tia dela, no tribunal.

AUTOR: BBC

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

CONHEÇA A SAGA EM BUSCA DE UM TESOURO REAL ROUBADO EM 1885, E CUJO PARADEIRO AINDA É MISTERIOSO

História da dominação britânica em Mianmar é cheia de mistérios GETTY IMAGES

Se a história tivesse tomado outro rumo, o homem simples de 70 anos ao meu lado, tremendo com o frio de outono de Londres, poderia ter sido o rei de Mianmar, líder de uma nação mais de 50 milhões de pessoas.

U Soe Win passou a vida mantendo um estilo discreto. Os generais que governaram Mianmar após sua conquista pelo Reino Unido, em 1885, não queriam a concorrência de pessoas com linhagem real. Assim, ele trabalhou por décadas de forma silenciosa no serviço diplomático do país.

Enquanto esperamos na rua por John Clarke, curador de arte sudeste-asiática do museu londrino Victoria & Albert, Soe Win tenta manter suas sandálias fora das poças geladas na calçada. "Agora sei por que vocês britânicos foram para Mianmar", ele brinca. Concordamos que é uma boa ideia ele usar sapatos no restante de sua estadia na capital britânica.

O objetivo de nossa visita ao museu é ver valiosos objetos que já pertenceram à sua família - e alguns que ainda pertencem. Mas também estamos à caça de um tesouro: um enorme rubi.

Quando Clarke chega, ele nos leva pelos corredores do museu e conta que, por muitos anos, o V&A, como a instituição é conhecida localmente, teve a maior coleção de arte de Mianmar do mundo: a Mandalay Regalia.

São 167 objetos de ouro com pedras preciosas que vão de armas de fogo a louças e sapatos. Os britânicos os tomaram do último rei do país, o bisavô de Soe Win, quando ele foi deposto e mandado ao exílio.

No entanto, foram devolvidos ao governante de fato de Mianmar em 1964, o general Ne Win, como um gesto de boa vontade. Tudo, menos uma peça que o general mandou de volta para o museu como um presente: um ganso de ouro. Talvez uma mensagem com a típica ironia de Mianmar para seu antigo conquistador?
Peça foi a única que permaneceu no Reino Unido após objetos preciosos saqueados serem devolvidos

Finalmente, Soe Win pergunta: o que aconteceu com o rubi de seu bisavô, o Nga Mauk, que tinha o tamanho de um ovo de pata, sobre o qual diziam "valer um reino" e que trazia sorte ao seu dono?
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"Não está nem jamais esteve aqui", responde Clarke. "O mais provável é que esteja em um lugar como a Coleção Real, porque me lembro de ter lido que ele foi dado de presente à rainha (britânica) Vitória (1837-1901)."

O principal suspeito

Quando conheci Soe Win, em 2014, ele me garantiu que jamais iria a Londres. Estava aposentado havia muito tempo e vivia em uma pequena casa próxima a uma ferrovia. Havia passado sua carreira preocupado, vivendo em meio àqueles que haviam exilado seu bisavô, arruinado sua família e ocupado seu país.

Em novembro de 1885, 10 mil soldados do Reino Unido haviam sido enviados para tirar o rei da então Birmânia do poder. A invasão deu fim a seis décadas de tensão e conflitos esporádicos entre britânicos e cidadãos de Mianmar, causados entre outras coisas pela recusa de autoridades britânicas em tirar os sapatos na presença do rei. Mas o conflito principal era comercial.

O governo britânico considerava o rei Thibaw um obstáculo para o comércio com a China. Também havia o medo de que ele favorecesse a França, que expandia seus territórios imperiais a oeste da Indochina, muito próximo da Índia, a joia da Coroa britânica.
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Os britânicos levaram apenas duas semanas para derrotá-lo. Com o palácio cercado, o rei se rendeu em 29 de novembro. Foi levado com sua mulher, que estava grávida, e suas duas filhas até um barco que os levaria a Ratnagiri, uma ilha de pescadores a milhares de quilômetros dali, na costa ocidental da Índia.

Por isso, Soe Win temia que o enviassem a Londres como parte do corpo diplomático. Mas, agora, havia aceito vir voluntariamente para buscar pelo rubi de seu bisavô.

Após nossa visita ao V&A, fomos à Biblioteca Britânica, onde são conservados muitos registros da anexação da antiga Birmânia. Ali, encontramos um desenho feito por um artista do país sobre a queda de Thibaw.

Soe Win observa a pintura, e seus olhos se concentram na figura de um homem vestido com um uniforme branco que fala com o rei. "O coronel Sladen", ele sussurra, para logo me contar a história de Edward Sladen, um condecorado veterano que chefiou a força de invasão britânica.
'Desaparecimento do rubi'

Sladen era conhecido pelo rei, falava birmanês e ficou encarregado da tarefa de fazer Thibaw se render sem gerar agitações. Foi ele quem supervisionou enquanto o rei empacotava apressadamente suas posses mais valiosas, entre elas o Nga Mauk, para ir para o exílio. O que aconteceu depois é parte de uma famosa lenda.

A filha mais jovem do rei escreveria anos depois que "Sladen pediu ao seus pais para ver o rubi, e eles o deram" ao general. "Segundo meus pais, depois de observá-lo por um tempo, ele o colocou no bolso, fingindo estar distraído, e nunca o devolveu."
Image captionNo círculo iluminado, é possível ver o coronel Sladen falando com o rei | Foto: The British Library

Esse é o relato mais famoso do que aconteceu, e muitos acreditam que o título de cavaleiro que foi dado a Sladen meses depois por seu "serviço especial na Birmânia" é a prova de que ele levou o rubi, o deu à rainha Vitória e, em troca, recebeu essa recompensa.

O próprio Thibaw dizia que havia dado a pedra preciosa ao coronel britânico para que o protegesse junto com outros objetos de valor. Do exílio, ele escreveu para autoridades britânicas na Índia em junho de 1886 para que devolvessem seu rubi.

"Os pertences na lista que envio", escreveu seu secretário, "foram entregues (por Thibaw) ao coronel Sladen porque temia que se perdessem durante a viagem. O coronel Sladen prometeu que seriam entregues quando ele quisesse. Ele espera que sua excelência o governador-geral (vice-rei da Índia) ordene que os objetos sejam devolvidos".

A lista inclui "um anel de rubi conhecido pelo nome de Nagamauk (outra possível grafia de Nga Mauk)".

Thibaw nunca deixou de reivindicar a devolução dos seus pertences. Ao fim de 1911, escreveu diretamente ao rei George 5º, sucessor de Vitória, mas as autoridades britânicas se faziam de surdas: o homem acusado havia morrido 21 anos antes. O rei Thibaw viria a falecer cinco anos depois, em 1916.

Os herdeiros

Após sua morte, sua filha mais jovem, a avó de Soe Win, manteve o pedido, inclusive escrevendo à Liga das Nações, organização internacional que precedeu a ONU.

Quando ela morreu, seu filho Taw Phaya Galae, tio de Soe Win, seguiu com a busca - e foi graças à sua investigação que ele e eu estamos em Londres.
O rei Thibaw faleceu no exílio na Índia, em 1916, aos 58 anos

Phaya Galae escreveu um livro com teorias do paradeiro do rubi. Ali, garantiu que, "por maior que seja o empenho dos imperialistas britânicos de apagar os rastros do rubi Nga Mauk, há fortes evidências de sua existência". Sua hipótese era de que a pedra podia estar escondida bem à vista, incrustada em joias reais britânicas.

Ele não era o único que pensava assim: ao fazer uma busca na internet por "rubi Nga Mauk", aparecem muitas imagens da rainha Elizabeth 2ª e suas joias, como a coroa real, mas o rubi usado nela é outro, chamado "Príncipe Negro".

Phaya Galae acreditava que o Nga Mauk poderia ter sido usado para decorar a coroa imperial da Índia, uma joia especial feita em 1911, quando George 5º viajou ao país para ser coroado imperador. Mas há um problema com essa hipótese: essa coroa não tem o tamanho do Nga Mauk. Ainda assim, quem acredita na teoria diz que a pedra pode ter sido partida em quatro e usada em diferentes partes da coroa.

Sabemos que os rubis da coroa são de "origem birmanesa", como destaca um documento oficial de 1998. Mas a realidade é que a maioria dos rubis do mundo vêm dali. O Royal Colletion Trust, a organização que cuida da Coleção Real, disse que não há informação sobre sua origem e se recusou a conceder uma entrevista.

Soe Win e eu fomos à Torre de Londres visitar a Coleção Real e ver se há algo oculto. Entusiasmados como dois estudantes, chegamos à coroa imperial da Índia e a observamos. Depois de algum tempo, me dei conta de que Soe Win não estava ao meu lado. Encontrei ele do lado de fora, no pátio, com uma cara de preocupação.

Estava convencido de que nenhuma das peças que acabara de ver era o Nga Mauk. Garantiu que, se fosse, teria sentido.

"Quero ver o que não estão me mostrando. Eu vim para isso", me disse, sorrindo.

A carta

Decidimos voltar à Biblioteca Britânica para continuar nossa busca. Encontramos ali uma carta enviada em dezembro de 1886 pelo vice-rei da Índia em resposta ao pedido de Thibaw, em que ele ordenava uma investigação.

Todas as pessoas que haviam estado presentes no Palácio Mandalay quando o rei foi deposto foram contactadas, incluindo Sladen, então um cavaleiro da Coroa que havia regressado a Londres e que se preparava para se aposentar.

Entre seus documentos pessoais ainda conservados pela Biblioteca Britânica, há três rascunhos da carta que escreveu em resposta ao vice-rei. Acredita-se que Sladen tenha tido dificuldades para achar as palavras certas.
Edward Sladen, o principal suspeito de ter levado o precioso rubi | Foto: WikiCommons

O que finalmente disse foi que não havia visto os pertences da lista de Thibaw, que o rei não havia feito "nenhuma tentativa de entregar objetos particulares" em meio ao caos e que havia entregue tudo que havia estado em seu poder. Também indicou um grande número de pessoas que poderiam ter levado um objeto tão pequeno e valioso como um anel de rubi.

Outra coisa nos chamou atenção: o diário pessoal de Sladen. Buscando em suas memórias sobre o dia 29 de novembro de 1885, achamos algo curioso: na terceira folha, 12 linhas foram rasuradas. As primeiras três foram tapadas com tinta e o restante, com lápis. É a única folha do diário que foi editada, algo muito suspeito.

Um funcionário da biblioteca se ofereceu para usar uma técnica para descobrir o texto rasurado. A parte coberta com lápis é ilegível, mas, onde foi usado tinta, é possível ler algumas palavras: "Rei me pede que receba... Regalia - eu concordo - me pede pessoalmente para levar K...".

O que vem a seguir poderia ser qualquer coisa, mas Soe Win está certo de que se refere ao Nga Mauk. "Por isso o apagou, é muito simples", ele me diz.
O diário de Sladen tem, no dia 29 de novembro de 1885, um trecho que foi rasurado | Foto: The British Library

Mas, se Sladen levou o rubi, o que fez com ele? Pergunto isso a seu bisneto, o conde de Portsmouth, quando o visito em sua mansão em Hampshire. Ali, há uma caixa com três das medalhas dadas a Sladen pela rainha Vitória.

O conde me conta que corria em sua família um vago rumor de que o coronel havia "roubado a coroa de Thibaw", mas que nunca ouviu nada sobre um rubi.

"Se roubou e ficou com ele, onde está o dinheiro?", pergunta ele, explicando que a Sladen, a família de sua mãe, não era rica. "O filho de Edward, meu avô, teve de se dedicar à caça de elefantes no Quênia para sobreviver."
Busca real

Isso cria outra possibilidade: talvez Sladen o tenha levado, mas entregado à rainha Vitória, como acreditava Clarke, do V&A.

Ele me envia uma carta que o Royal Collection Trust escreveu em resposta ao professor universitário Michael Nash, que, em 2003, fez uma consulta sobre o Nga Mauk.

Uma funcionária da instituição disse que, em um inventário das joias da rainha Vitória feito em 1896, havia menção a um "rubi cabochão (75)". O termo faz referência a uma pedra preciosa polida, mas não lapidada. O número poderia ser dos quilates: o Nga Mauk tinha mais de 80, mas talvez possa ter sido cortado.
Rubi poderia ter sido herdado pela princesa Louise? GETTY IMAGES

"O inventário destaca que a pedra veio do rei da Birmânia, foi entregue à rainha por embaixadores e restaurado em estilo clássico", escreveu a funcionária.

Onde está hoje essa pedra? "Um bracelete foi herdado pela princesa Louise, duquesa de Argyll", diz, em referência à quarta filha da rainha Vitória. "Portanto, não faz mais parte da Coleção Real."

Nash escreveu à atual duquesa de Argyll, que lhe disse que a joia já não está mais entre os bens de sua família. Aparentemente, a princesa o deixou para alguém ao morrer, mas não é possível ter acesso à sua lista de herdeiros.

Quando pergunto a Soe Win por que é tão importante encontrar o rubi de seu bisavô, sua resposta me surpreende. "Vocês têm tantas relíquias de sua história, nós não temos nada."

Ele pensou nisso durante sua estadia em Londres, onde encontrou muitos objetos originários de Mianmar. E me conta que as pessoas em seu país ficariam muito felizes de ter ao menos réplicas desses objetos.

Para ele, o principal valor do Nga Mauk é educacional, motivacional: o considera um talismã que poderia ajudar a unir e reconstruir seu país.

"O Nga Mauk nos lembra do que tivemos e do que pudemos fazer, nos recorda que já fomos uma nação orgulhosa e independente, com uma rica história. Hoje, não temos nada desse passado para ensiná-lo às próximas gerações."

AUTOR: BBC

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