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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

CONHEÇA A HISTÓRIA DO "AÇOUGUEIRO" SANGUINÁRIO QUE VENDIA A CARNE DE SUAS VÍTIMAS

Após permanecer 89 anos conservada em um jarro com formaldeído, a cabeça do Açougueiro de Hannover ou, melhor, do Vampiro de Hannover, foi cremada pelo departamento médico da Universidade de Goetting, na Alemanha, em 24 de janeiro de 2015. O Açougueiro de Hannover foi decapitado em 1925.

O açougueiro perdeu a vida em uma guilhotina, após ter sido considerado responsável pelo assassinato de 24 pessoas, entre os anos de 1918 e 1924. As autoridade, na época, acharam interessante conservar a cabeça, em um jarro, para que futuramente pesquisas relacionadas a assassinos em série pudessem ser feitas.

Fritz Haarmann, o Açougueiro de Hannover

Haarmann cresceu em meio a uma família desestruturada. A mãe do açougueiro, além de alcoólatra, tinha problemas psicológicos. Por não ter uma mente saudável, muitas vezes, vestia Haarmann como se fosse uma menina. 

O pai, quando chegava em casa, e encontrava o próprio filho trajando roupas de mulher, o agredia.

Haarmann tinha cinco irmãs, era o único homem. A rotina que a família desestruturada levava fez com que suas cinco irmãs se tornassem prostitutas. Até completar 16 anos, Haarmann ficou com os pais. Quando completou 17 anos, ele foi enviado pela família a um colégio militar.

Ali, depois de três anos, começou a sofrer crises de epilepsia. Por motivo de doença, acabou sendo dispensado. Em 1898, Haarmann retorna à Hannover. Instalado, começa, então, a trabalhar em uma fábrica de charutos. No mesmo ano, Haarmann comete seu primeiro crime. Molesta uma criança.

Após julgamento, é enviado a um hospital psiquiátrico. Com exatos seis meses de internação, consegue fugir da instituição. Livre, Haarmann se muda para Suíça e só retorna à Alemanha, dois anos depois.

Com um nome falso, tenta ingressar no exército e, anos depois, pelos mesmos motivos, é dispensado novamente, mas, dessa vez, recebendo uma pensão militar integral. Nesse ínterim, começa a trabalhar no açougue da família.

Com pouco tempo de empresa, Haarmann se envolve em uma briga com o pai. Acusado de tentativa de homicídio, é enviado novamente a uma clínica psiquiátrica.
Vampiro de Hannover
Dez anos depois, o açougueiro é declarado mentalmente estável e, novamente, ganha a liberdade. É quando volta às ruas que o açougueiro se torna um criminoso. Passa a ser constantemente preso e a cumprir pequenas penas. Algumas, por assalto, outras por estelionato.

Em 1918, com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha começa a passar por dificuldades e a viver um período de escassez. Haarmann, nesse mesmo momento, está, mais uma vez, em liberdade e, claro, desempregado. Mesmo assim, toma sob sua tutela o jovem Hans Grans, de 17 anos, que viria a se tornar seu amante e cúmplice.

Foi com ajuda de Grans, que ele passou a matar. Além de matar, também roubava as vítimas. Nesse momento, o açougueiro já havia tomado gosto pelo assassinato. Tendo seu amante como braço direito, o açougueiro prometia comida e abrigo a jovens, com tendências homossexuais.

Haarmann os atraía até sua casa, que era localizada à margem do rio Leine. No sótão, violava os garotos e, ao final, os matava com mordidas na carótida e na traqueia. Com a ajuda de Grans, o açougueiro desmembrava as vítimas. O motivo? Ele queria vender a carne. Haarmann vendia as peças por altos preços, sob o disfarce de serem finas costeletas de porco.

Em 1924, enquanto brincavam nas margens do rio Leine, jovens encontraram um crânio. Após investigações, as autoridades encontraram no local incontáveis restos humanos. O cerco, obviamente, se estreitou. Haarmann, devido a seu histórico criminal, tornou-se o principal suspeito.

As autoridades, para se certificar, armaram uma emboscada. O açougueiro foi flagrado em pleno ato sexual com uma vítima. Sem outra alternativa, confessou seus crimes. Haarmann vendeu a carne de cerca de 40 meninos. Em contrapartida, estima-se que o número seja entre 50 e 70, sendo todos de jovens.

AUTOR: IG/FATOS DESCONHECIDOS

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

SAIBA DE 5 CRIMES DA VIDA REAL QUE FORAM ADAPTADOS PARA A FICÇÃO

Norman Bates é o personagem fictício criado pelo escritor Robert Bloch, protagonista de seu romance 'Psicose' UNIVERSAL PICTURES

Quando o escritor chinês Liu Yongbiao foi condenado no ano passado por espancar quatro pessoas até a morte em uma pousada, talvez não tenha sido uma surpresa tão grande para seus leitores.

No prefácio de seu romance de 2010, intitulado The Guilty Secret ("O Segredo Culpado", em tradução livre), Liu dizia que já estava trabalhando em sua próxima obra literária - sobre uma autora que comete uma série de assassinatos terríveis e consegue escapar.

No fim ele acabou não levando o projeto adiante, embora já tivesse um título em mente: The Beautiful Writer Who Killed ("A Bela Escritora que Matava", em tradução livre).

Após ser preso, ele teria dito à emissora de TV chinesa CCTV que algumas de suas obras foram de fato inspiradas nos assassinatos que cometeu em 1995 - entre as vítimas, estava o neto de 13 anos dos donos da pousada.

Liu não é o primeiro autor a cometer um crime e usá-lo em sua obra de ficção. Em 1991, o escritor holandês Richard Klinkhamer matou a esposa e entregou um manuscrito macabro a seu agente, cujo título traduzido, Quarta-feira, dia de carne moída, poderia ter como subtítulo Sete maneiras de matar sua esposa.
Muitos crimes da vida real também encontraram outros caminhos para chegar à ficção, por meio de escritores cuja imaginação é capaz de reviver histórias que não testemunharam.

Do pioneiro romance de não-ficção A Sangue Frio, de Truman Capote, a sucessos mundiais como O Quarto de Jack, de Emma Donoghue, e As Garotas, de Emma Cline, os crimes se tornam ainda mais assustadores quando transformados em ficção, se infiltrando nos recantos mais sombrios da nossa mente.

Os cinco crimes abaixo inspiraram obras literárias recomendadas apenas para quem tem estômago forte.

Dália Negra

Seu nome verdadeiro era Elizabeth Short. Ela tinha apenas 22 anos quando seu corpo foi encontrado mutilado em um terreno baldio de Los Angeles, nos Estados Unidos, em janeiro de 1947.
No caso da Dália Negra, houve diversas teorias da conspiração, incluindo uma sobre o suposto envolvimento de Orson Welles GETTY IMAGES

Ela estava nua, com o tronco cortado na altura da cintura e totalmente sem sangue, o que levou a mulher que encontrou o corpo a pensar inicialmente que se tratava de um manequim de loja. Um jornal sensacionalista logo apelidou a vítima de Dália Negra.

A investigação policial chegou a 150 suspeitos, mas nenhuma prisão foi efetuada e nenhuma das mais de 500 confissões feitas desde então convenceu as autoridades.

O caso, até hoje não resolvido, inspirou inúmeros livros e filmes, incluindo o romance de 1977 de John Gregory Dunne, Confissões Verdadeiras, que parte de um crime semelhante para fazer um retrato da relação de dois irmãos na década de 1940 em Los Angeles.

O mais conhecido, no entanto, é o thriller de 1987 de James Ellroy, Dália Negra. Mas o romance se distancia dos fatos em um aspecto fundamental: o caso é solucionado. E embora a narrativa comece um ano antes de Ellroy nascer, tem uma conotação pessoal para ele. O livro é dedicado a sua mãe, assassinada em Los Angeles em 1958.
'Arthur e George'

Arthur Conan Doyle recebia muitas correspondências de fãs, incluindo cartas de pessoas que o confundiam com o detetive Sherlock Holmes, personagem fictício criado por ele, e pediam sua ajuda para solucionar crimes.
Conan Doyle se empenhou para inocentar George Edalji por acreditar que ele era vítima de uma armação racista GETTY IMAGES

Na primeira década do século 20, um procurador chamado George Edalji foi libertado da prisão após cumprir três anos de uma sentença de sete anos de trabalhos forçados. Ele foi condenado pela mutilação de animais - como cavalos e gados - e pelo envio de cartas anônimas maldosas a seus próprios pais.

Endalji, que negava as acusações, pediu a ajuda a Doyle para provar sua inocência. O escritor se convenceu de que a cor da pele do procurador - o pai dele era indiano - estava relacionada à condenação, e se empenhou em combater o que hoje seria chamado de racismo institucionalizado na polícia de Staffordshire, condado da Inglaterra.

O caso ganhou as manchetes do noticiário na época e, em 2005, Julian Barnes escreveu o livro Arthur e George, inspirado na história. O romance policial ganhou o Man Booker Prize, prêmio literário britânico, e foi adaptado tanto para o teatro quanto para a TV.
O desaparecimento de Paula Jean Welden

Em primeiro de dezembro de 1946, uma estudante de 18 anos desapareceu enquanto caminhava pela Long Trail em Vermont, nos EUA. Paula Jean Welden era a filha mais velha de um designer conhecido por suas coqueteleiras art déco e cursava o segundo ano no Bennington College.
Foram realizadas buscas exaustivas por Paula Jean Welden, incluindo sobrevoos de helicóptero na floresta em que ela desapareceu GETTY IMAGES

Era uma tarde fria de domingo quando ela decidiu explorar a trilha, que ficava nas redondezas. Como não conseguiu convencer os amigos a acompanhá-la, foi sozinha - não levou mala tampouco dinheiro extra. Mas nunca voltou para o campus. O xerife do condado foi chamado para investigar o caso, e acabou duramente criticado pela forma como conduziu a investigação.

Diversas teorias vieram à tona - queda seguida por amnésia, suicídio e assassinato - mas nenhum corpo foi encontrado. Entre 1945 e 1950, houve pelo menos quatro outros desaparecimentos inexplicáveis na região. O mistério chamou a atenção da escritora local Shirley Jackson, cujo marido era professor em Bennington.

Seu romance de 1951 Hangsman é inspirado no desaparecimento de Welden, assim como seu conto The Missing Girl ("A Garota Desaparecida", em tradução livre).

Em 2014, a autora Susan Scarf Merrell publica Shirley oferecendo aos leitores uma reviravolta surpreendente - ela revisita o caso e evoca um novo suspeito: a própria escritora Shirley Jackson.
O Açougueiro de Plainfield

Ele era um assassino, mas também um ladrão de corpos: Edward Theodore Gein, natural de Plainfield, em Wisconsin, nos EUA, foi preso em 1957. Ele morreu encarcerado em uma clínica psiquiátrica em 1984, mas a natureza grotesca de seus crimes foi parar na literatura. Ele confessou ter matado duas mulheres, além de exumar corpos recém-enterrados em cemitérios locais.

Seu plano era criar uma "roupa de mulher" que ele pudesse vestir e "se tornar" assim sua falecida mãe, mas os investigadores encontraram em sua casa uma série de itens de causar náusea - de móveis a roupas feitos de restos humanos.

Apenas dois anos após a prisão de Gein, o escritor Robert Bloch publicou o romance de terror Psicose - que em 1960 se tornou um dos filmes mais aclamados de Alfred Hitchcock. Embora Bloch não tivesse conhecimento dos crimes de Gein quando começou o livro, ele leu a respeito antes de terminar.

Mais recentemente, os crimes de Gein inspiraram o personagem de Buffalo Bill em O Silêncio dos Inocentes, de Thomas Harris.
Harry Powers, serial killer de mulheres

O serial killer Harry Powers vasculhava os anúncios de corações solitários no jornal à procura de vítimas. A intenção dele era atrair mulheres em busca de amor para depois matá-las e ficar com seu dinheiro.
Harry Powers seduzia mulheres em busca de amor para depois matá-las e ficar com seu dinheiro ALAMY

Entre suas vítimas, estavam a viúva Asta Eicher e seus três filhos, de Park Ridge, em Illinois. Após uma troca de correspondências fervorosa, Powers levou Eicher para viajar por alguns dias no fim de junho de 1931. Ele voltou sozinho, dizendo às crianças que as levaria ao encontro da mãe.

Uma segunda mulher também tinha desaparecido quando a polícia começou a investigar o caso em agosto. Na casa de Eicher, cartas de amor levaram os investigadores à comunidade de Quiet Dell, em West Virginia, e a uma trágica cena de crime que incluía pegadas de sangue de uma criança. Eles também encontraram um lote de novas correspondências indicando que Powers estava se preparando para atacar novamente.

Ele foi enforcado em 1932, mas não antes de se tornar um dos primeiros assassinos a causar furor na imprensa. Relíquias mórbidas da cabana onde Power cometeu os assassinatos chegaram a ser vendidas nas ruas. Em 2013, a escritora Jayne Anne Phillips publicou Quiet Dell, sua recriação meticulosamente pesquisada do caso e da cobertura.

Um dos poucos personagens inventados do romance é uma jovem repórter chamada Emily Thornhill, cuja presença sugere, de maneira otimista, o empoderamento feminino. Em um trecho do livro, Thornhill entende por que o serial killer "teve sucesso com essas mulheres na meia-idade, mulheres provavelmente já devastadas por homens ou pelo destino; elas queriam cuidado e proteção".

AUTOR: BBC

quinta-feira, 19 de julho de 2018

SERÁ QUE É POSSÍVEL MUDAR A MENTE DE UM PSICOPATA???

Psicopatas parecem processar informações sobre castigo e recompensa de uma maneira diferente do resto das pessoas ALAMY

Para melhor entender este artigo, vamos imaginar um cenário. É uma noite de sábado em um bar agitado no centro da cidade. Entediado, Antônio pega a garrafa de cerveja vazia que está na mesa em sua frente e começa a jogá-la de uma mão para a outra.

De repente, a garrafa cai e quebra na mesa, ele se levanta da cadeira e vai até o desconhecido que havia esbarrado nele mais cedo, ferindo-o no rosto com a garrafa quebrada. Um amigo do homem ferido chamado Pedro reage, empurra Antônio e continua o ataque enquanto outros tentam segurá-lo, atraindo mais pessoas para a briga.

Quando a polícia chega, Antônio domina a situação e aparenta tentar acalmar os ânimos, culpando Pedro pela confusão. Quando a polícia tenta prender Pedro, ele explode pela segunda vez e dá um soco no rosto de um policial.

É uma história fictícia, mas serve para ilustrar a diferença entre dois tipos de criminosos na prisão. As características de Antônio são as de um psicopata: frio, calculista, superficialmente charmoso e sem remorsos. "A violência é planejada com antecedência e a pessoa pode ficar empolgada e muito satisfeita ao cometê-la", diz Stephen Blumenthal, uma psicóloga que trabalha com infratores violentos na Portman, uma clínica de psicoterapia em Londres.

Pedro, por sua vez, exibe sintomas de personalidade antissocial: uma condição caracterizada por impulsividade e agressão. "A típica violência do indivíduo antissocial e não psicopata é causada por emoções fortes e é impulsiva ou reativa", diz Blumenthal.
Pessoas com transtorno de personalidade antissocial são movidas por emoções fortes e podem agir de maneira violenta ou impulsiva ALAMY

Há chance de reabilitação?

Dois homens violentos, duas motivações bem diferentes - mas o sistema criminal de justiça muitas vezes os trata da mesma maneira. Apesar de ambos serem violentos e, portanto, apresentarem um risco à sociedade, com taxas altas de reincidência, isso pode ser um erro. Cada vez mais pesquisas sugerem que seus cérebros funcionam de maneiras bastante distintas. Isso pode significar que eles precisam de tipos diferentes de reabilitação se algum dia forem voltar às ruas.

Com isso em mente, especialistas estão tentando criar novos tratamentos para infratores violentos reincidentes.

O psiquiatra americano Hervey M. Cleckley formalizou o conceito de psicopata em 1941 com seu livro The Mask of Sanity ("A Máscara da Sanidade", em tradução literal), que tinha como base entrevistas com presos em prisões de alta segurança. "Ele identificou um grupo de pessoas que pareciam muito perturbadas, mas que desafiavam a categoria padrão de desordem mental", diz Blumenthal.

A psicopatia é diagnosticada usando uma ferramenta de avaliação que classifica pessoas de acordo com uma série de critérios. Os que estão acima de certo limite são oficialmente classificadas de psicopatas - apesar de a psicopatia ser um espectro e de que a maioria dos psicopatas não são criminosos violentos (aliás, muitos são extremamente bem-sucedidos no mundo dos negócios). No entanto, aqueles que são tendem a ser criminalmente versáteis. "Eles geralmente são infratores em várias categorias diferentes", diz Blumenthal.

Entre os infratores violentos na prisão, apenas uma minoria pode ser classificada como psicopata. Um estudo britânico recente estima que exista uma prevalência de cerca de 8% dos presos e 2% das presas, outro estima que sejam 31% dos infratores homens violentos e 11% das presas.
Entre os infratores violentos presos, apenas uma minoria pode ser classificada como psicopata GETTY IMAGES

Claramente, portanto, a psicopatia não explica todos os crimes violentos. Mas, uma vez que um psicopata esteja na prisão, é importante descobrir como melhor reabilitá-lo: eles têm até quatro vezes mais chances de reincidência do que os não psicopatas.

O transtorno de personalidade antissocial (TPA) é muito mais comum que a psicopatia - afeta entre 50 e 80% da população encarcerada em geral. "Dizem que buscar esse transtorno nas prisões é como buscar 'palha em um palheiro'", diz Blumenthal.

Apesar de pessoas com TPA parecerem despreocupadas e agradáveis, diante do conflito elas podem facilmente surtar e se tornar assustadoras. "Elas são o grupo esquentadinho", diz Nigel Blackwood, um professor da universidade Kings College, em Londres. "Elas ficam frustradas e irritadas, veem ameaças onde não existem e surtam ou se tornam agressivas para resolver seus problemas."

Em uma minoria de casos, infratores violentos são diagnosticados com TPA e psicopatia. Blackwood e seus colegas identificaram diferenças nos cérebros dessas pessoas que os separam de infratores apenas com TPA e dos sem qualquer distúrbio. "As diferenças estão em áreas-chave do cérebro que estão envolvidas com o pensamento sobre nossas reputações sociais e com o uso do medo para determinar nossos comportamentos", diz Blackwood.
Muitos criminosos violentos podem ter TPA e psicopatia GETTY IMAGES

Psicopatas parecem processar informações sobre castigo e recompensa de uma maneira diferente do restante das pessoas. A maioria das crianças passa por uma fase de bater ou morder outras crianças, mas em algum momento aprendem que é um comportamento inapropriado que será punido.

Os psicopatas, porém, parecem relativamente inabaláveis com a punição, o que os torna muito difíceis de administrar. "Nossos experimentos indicam que a questão que caracteriza os psicopatas não é não ser capaz de usar a informação do castigo para definir seu comportamento", diz Blackwood. "Nosso estudo sugere que os psicopatas processam a punição de uma maneira bem diferente". Ele acredita que isso pode ter implicações importantes para reabilitação e que seja possível fazer programas para esses "grupos separáveis".

Considerando seu sistema incomum de recompensa no cérebro, uma estratégia pode ser encorajar outras atividades para prevenir a reincidência, diz Blackwood, como um emprego ou um hobby. Mas ele adverte que "ainda é muito, muito cedo" para saber se isso pode funcionar.
Terapia em grupo pode ajudar pessoas a entender melhor por que elas se comportam de certa maneira ALAMY

Reconstituição das atividades violentas

Outras pesquisas mais avançadas sugerem intervenções com foco nos infratores com TPA. Estudos sugerem que essas pessoas têm dificuldades de ler expressões faciais e apresentam outras limitações na 'mentalização': sua capacidade de entender tanto as suas quanto as ações dos outros em termos de seus pensamentos, sentimentos, desejos, crenças e desejos. Isso não apenas pode fazer com que eles interpretem ações como mais ameaçadoras do que elas realmente sejam, mas também fazer com que seja mais difícil regular essas emoções porque elas têm dificuldade de entender seus próprios sentimentos.

Peter Fonagy, um psicólogo clínico e psicanalista da University College London coordena um teste de terapia grupal com base na mentalização com infratores violentos que foram postos em liberdade condicional - a maioria tem TPA. Toda semana, eles se encontram e discutem assuntos que são importantes para eles, com o objetivo de introduzir um entendimento com mais nuances de sua posição e daqueles ao seu redor.

"Nós estamos tentando apertar um tipo de botão de pausa de mentalização: dizer 'ok, espera um pouco, o que realmente aconteceu aqui?'", explica Fonagy. Reconstruir o acontecido mentalmente muitas vezes faz com que o calor do momento dissipe, reduzindo a vontade de fazer algo no impulso.

Fonagy e seus colegas já conseguiram usar a mentalização para ajudar pessoas com outra desordem, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), que é caracterizado por instabilidade emocional e automutilação frequente. Um estudo diz ter encontrado melhoras no humor e funcionalidade interpessoal até oito anos depois do tratamento com mentalização.
Cientistas estão buscando novos tratamentos para infratores reincidentes ALAMY

Pesquisadores na Espanha estão dando um passo à frente e encorajando infratores violentos a experimentar as reações emocionais de suas vítimas na própria pele. Na Universidade de Barcelona, Mel Slater e Mavi Sánchez-Vives têm trabalhado com homens que cometeram violência doméstica e aceitaram participar de um programa de reabilitação comunitária em vez de ir para a prisão - a oferta foi feita apenas aos réus primários.

Como parte desse programa, os homens passam por uma sessão de realidade virtual na qual eles são um avatar feminino e encontram um avatar masculino agressivo. O homem critica sua aparência, joga um telefone contra a parede e invade seu espaço pessoal. "É comum assistir a vídeos ou fazer teatro durante programas de tratamento, mas essa é uma experiência mais intensa", diz Sánchez-Vives.

Antes e depois da sessão, é feito um teste para avaliar se os agressores conseguem reconhecer emoções como medo no rosto das mulheres. A habilidade de reconhecer medo melhorou com a intervenção. "Acreditamos que experimentar essa emoção neles mesmos os ajuda a entender - de uma maneira implícita - o que realmente estava acontecendo durante esse tipo de confronto", diz Slater.

Apesar de eles não terem comprovado se essas mudanças são duradouras, outros estudos de realidade virtual sugerem que elas podem ser. Por exemplo, Slater mediu o efeito de uma pessoa branca "ser personificada" no corpo de uma negra e descobriu que isso reduz o viés de raça, uma forma inconsciente e muitas vezes não intencional de racismo. Essa redução se manteve quando os participantes foram testados uma semana depois. "Isso não comprova que o efeito se manteria para violência de gênero, mas ao menos aponta nessa direção", diz Slater.

Não se sabe, porém, se estratégias de cultivo de empatia funcionariam com psicopatas. Tratamentos que envolvem conversas demandam motivação, colaboração e participação emocional, mas os psicopatas não dispõem de um leque normal de emoções. Eles podem se ver como superiores aos seus colegas de prisão e terapeutas, e debocham ou os comprometem de outras maneiras. "Se você colocá-los em uma situação de tratamento de grupo, há um risco de que irão corrompê-la", diz Blumenthal. "Eles são muito difíceis de lidar."
Os psicopatas muitas vezes são charmosos, manipuladores e podem ter dificuldade de sentir empatia ALAMY

Em seu livro Assessing Risk ("Calulando Riscos", em tradução livre), Bluementhal descreve um psicopata, Sid, com um histórico de atacar mulheres jovens vulneráveis e de abusar de suas crianças. Ele foi transferido ao albergue de liberdade condicional onde Blumenthal trabalhou. "Ele é uma das pessoas mais charmosas e manipuladoras que eu já conheci", diz Blumenthal. Um mês mais tarde, Sid desapareceu com a faxineira do local, "uma mulher aparentemente estável e confiável". Ela havia sido avisada sobre ele.

"Eu não quero comprometer o tratamento totalmente porque a maioria dos programas são muito básicos e é preciso muito trabalho nessa área. Mas essas pessoas precisam de um bom tempo para ficarem melhor e elas precisam escolher o tratamento elas mesmas", diz Blumenthal. "Eu acho que também precisamos aceitar que há pessoas resistentes ao tratamento que são muito difíceis de serem atingidas."

Talvez exista mais esperança em reconhecer pessoas jovens com traços psicopatas para mudar a trajetória de seu desenvolvimento. Estudos indicam que a psicopatia tem um efeito herdado e que crianças com níveis altos dos chamados "traços insensíveis" têm um risco maior de se tornarem adultos psicopatas.

A ideia de que a psicopatia possa ser identificada na infância continua controversa, mas evidências apontam que há fatores de risco claros. Tanto psicopatia como TPA também estão associados a um histórico de negligência e abuso na infância. E, enquanto crianças emocionalmente reativas tendem a responder bem a limites firmes, crianças não emocionais são menos responsivas.

É por isso que intervenções podem funcionar: pesquisas recentes sugerem que eles podem ser mais suscetíveis a intervenções que focam em comportamento positivo do que sendo punidas por comportamentos ruins. O que parece estar de acordo com os resultados de Blackstock sobre adultos psicopatas.
A maior parte das crianças passa por uma parte de bater ou morder outras crianças, mas uma hora ou outra aprendem que isso não é apropriado GETTY IMAGES

"Se você pode construir aquela parte do cérebro que quer os mesmos tipos de recompensa que você tem ao agradar o outro em vez de simplesmente conseguir o que você quer, então você provavelmente tem uma chance melhor de sucesso", diz Graham Music, um psicoterapeuta de crianças e adultos que trabalha com Blumenthal na Clínica Portman.

Essas crianças também demonstram déficits na habilidade de ler os estados emocionais alheios, mas pesquisas sugerem que essa habilidade possa ser melhorada ao ensiná-los a olhar nos olhos dos outros, o que pode aumentar os níveis de empatia e laços emocionais.

É por isso que intervenções antecipadas são chave: o cérebro é mais maleável durante a infância. Isso traz seus próprios desafios, considerando que essas crianças não necessariamente passaram pelo consultório de um psicólogo.

"As crianças que geralmente chegam a nós são as que estão reagindo, jogando coisas, chutando as pessoas, gritando, entrando em brigas", diz Music. Crianças insensíveis, por outro lado, são vistas como "agressivas felizes" porque elas parecem inabaláveis pela violência.

A evidência crescente de que infratores violentos não são um "monolito" exige uma estratégia com mais nuances. Parte do desafio é identificar as pessoas que parecem que vão se beneficiar mais do tratamento e apoiar sua tentativa de mudar. Pode ser que algumas pessoas não possam ser salvas, mas muitas outras podem estar ao alcance. "Eu realmente acredito que a biologia é maleável e eu prefiro não desistir das pessoas", diz Fonagy.

AUTOR: BBC

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