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domingo, 16 de fevereiro de 2020

CONHEÇA OS GRUPOS MARGINALIZADOS QUE DIFUNDIRAM A TATUAGEM NO BRASIL

Nesta foto de 1939, os dois temas mais recorrentes da tatuagem brasileira: religiosidade e afeto DIVULGAÇÃO – EDITORA VENETA

Corria o ano de 1976. Em plena madrugada, dois jovens cariocas perambulavam pela zona portuária de Santos, no litoral paulista. Ainda sob efeito dos drinques consumidos nos bares da região, decidiram atravessar a porta da loja de tatuagens. O dono, sujeito forte e calvo, de cabelos louros e pele bem clara, puxou conversa.

Chamava-se Knud Gregersen e era dinamarquês. Na pele de um daqueles rapazes, traçou um sol estilizado. Diversas solicitações interromperam o serviço: uma prostituta erguia a saia, exigindo que lhe fizesse um coração no traseiro; próximos à entrada, marujos filipinos iam se aglomerando em filas.

Gregersen se exasperou. Temia passar o resto da noite desenhando baleias. O mamífero aquático, afinal de contas, era mascote do Santos Futebol Clube, time que revelou Pelé. 

De tempos em tempos, marinheiros das mais variadas nacionalidades davam as caras no estabelecimento, decididos a homenagear o jogador. Daquela vez, resmungou Gregersen, não seria diferente. Ele contava quase cinco décadas de vida e sabia do que estava falando.

Com o pai, aprendera o básico do ofício. Terminada a Segunda Guerra, mudou-se para Hamburgo e teve aulas com Christian Warlich, um dos mais importantes tatuadores da Alemanha. Depois, na companhia de um cachorro, deu a volta ao mundo. 

Tatuou na Austrália e boa parte da Europa Ocidental. Atendeu marujos nas Ilhas Canárias e trabalhou em feiras do continente africano. Contornou a Argentina, o Uruguai, e acabou se apaixonando pelo Brasil.

Em 1959, desembarcou no porto de Santos e logo abriu um ateliê. Trazia consigo um artefato até então desconhecido por aqui — uma máquina elétrica, própria para tatuagens.

Tornava-se assim o primeiro (e, por muito tempo, o único) tatuador a possuir um estabelecimento do gênero no país. Sob o pseudônimo de Lucky Tattoo, angariou fama nacional nos anos 1960. 

Quando morreu, vitimado por um ataque cardíaco em 1983, já havia se convertido em figura de culto entre adeptos das artes corporais. Hoje, seu nome desponta como elo fundamental entre o passado e o presente da tatuagem brasileira.
O dinamarquês Knud Gregersen, conhecido como Lucky Tattoo, chegou ao Brasil em 1959 DIVULGAÇÃO – EDITORA VENETA

"A tatuagem se desenvolvia em lugares de confinamento, como navios, quartéis e prisões", explica Silvana Jeha, doutora em História Social pela PUC-Rio. "Por outro lado, ela também aparecia na praça pública, na rua, no bar. Não existiam estúdios de tatuagem. Até então, o tatuador era um cara qualquer, que desenhava ali na esquina."

O repertório iconográfico pouco diferia do atual. Há cem anos, a pele dos tatuados já ostentava âncoras, animais, mulheres nuas, símbolos políticos ou religiosos, personagens de histórias em quadrinhos, nomes e iniciais de pessoas queridas. Os traços, porém, evidenciavam certo amadorismo, ligado a uma prática quase ritualística, infinitamente mais bruta e perigosa que os procedimentos de hoje em dia.

Agulhas, espinhos e cacos de vidro eram alguns dos apetrechos utilizados na feitura dos desenhos. Cinzas de cigarro, graxa de sapato, carvão vegetal, fuligem e nanquim compunham fórmulas de pigmentos improvisados. Aos arrependidos, sobravam métodos de remoção igualmente dolorosos, baseados em queimaduras de ácido ou de castanha de caju.

"A tatuagem era uma prática horizontalizada e sofreu enorme discriminação. Perdemos o fio dessa meada e só retomamos muito tempo depois, via cultura pop", afirma Jeha, que pesquisou o tema por mais de cinco anos.

No livro Uma História da Tatuagem no Brasil, publicado no final de 2019 pela editora Veneta, a historiadora compartilha suas descobertas e analisa as transformações sofridas por essa arte entre a primeira metade do século 19, período em que se firma como cultura popular urbana, e meados da década de 1970, quando cai no gosto da classe média.

Imaginário

"O livro é filho do meu doutorado", diz. A tese que defendeu em 2011 versa sobre a Marinha Imperial brasileira e as contribuições de seus recrutas para o desenvolvimento de uma cultura cosmopolita no país. "Eu entrei nessa onda do marinheiro ser um tipo meio extraordinário e mítico", afirma.

Um livro de registros da fragata de guerra Imperatriz, contendo informações sobre 900 marujos, ganhou espaço na tese. Trata-se do documento mais antigo que a autora já encontrou acerca da presença de tatuados no Brasil.

Os tripulantes que embarcaram no navio entre 1833 e 1835 foram catalogados em função de seus atributos físicos — altura, cor dos olhos e da pele, cicatrizes, formato da cabeça e, vez ou outra, desenhos descritos como "marcas" ou "sinais". A palavra "tatuagem" surgiria apenas algumas décadas depois.
Mickey Mouse, icônico personagem de Walt Disney, tatuado nos braços de um marinheiro paulista na década de 1930 DIVULGAÇÃO – EDITORA VENETA

Intrigada, a historiadora decidiu iniciar uma pesquisa sobre o tema. "Eu não sabia muito bem como isso funcionava socialmente. Aliás, acho que quase ninguém sabia", diz. "Há um imaginário de que tatuagem era apenas coisa de marinheiros, bandidos e putas. Mas não foi bem assim."

A pesquisa, financiada pela Biblioteca Nacional, se apoiou em duas fontes principais: a coleção de jornais da instituição e o acervo do Museu Penitenciário Paulista, que abriga 2.600 fotografias de detentos do Carandiru, tiradas entre as décadas de 1920 e 1940.

Muitos desses indivíduos, ressalta Jeha, já chegaram tatuados ao complexo penitenciário. "É preciso entender que essas pessoas tiveram uma existência anterior à cadeia", diz. "Elas trabalharam, andaram pelo mundo, e, depois de presas, reafirmaram seu domínio sobre a única coisa que ainda tinham — o corpo."

Cruzando informações de seus prontuários com textos encontrados nas páginas dos jornais, a autora pôde mapear os principais grupos envolvidos na difusão da tatuagem no Brasil e entender como foram vistos pela sociedade da época.

Os marinheiros, como esperado, marcavam forte presença. "Os marujos não são necessariamente os pioneiros da tatuagem dita ocidental", esclarece a historiadora. "Mas foram eles que espalharam essa cultura pelo mundo."

Eram sujeitos como Joaquim, que, tentando driblar uma rotina de castigos físicos, tatuou um crucifixo nas costas e a imagem de Cristo no peito. Segundo relatos de 1904, os capatazes do navio temiam agredi-lo — acreditavam que os golpes feriam Jesus.

Ou como o idoso que, à beira da morte num leito de hospital, narrou a Jeha a origem da frase "Amor à Cuba", que trazia inscrita na mão. Por dois meses, seu navio permanecera atracado na ilha. Enquanto a embarcação sofria reparos, o tripulante saiu, dançou salsa e conheceu Fidel Castro. 

A tatuagem, garantiu o marinheiro à pesquisadora, seria uma "lembrança daqueles dias maravilhosos".
Ariosto, detento do Carandiru, tinha na coxa o desenho de uma mulher nua. Ele fez a tatuagem em casa, no ano de 1934 DIVULGAÇÃO – EDITORA VENETA

Já nas páginas dos tabloides, manchetes sanguinolentas davam testemunho dos supostos vínculos entre a tatuagem e a criminalidade: "Tatuado no assalto ao armazém"; "Dois tatuados e um bicheiro assassinados a bala e faca"; "Massacre do homem tatuado só poupou um bebê"; "Jovem tatuado agonizava na rua com três rombos de bala na cabeça".

Tangenciando ambos os universos, reportagens sobre prostituição documentavam as trajetórias erráticas de mulheres que transgrediam as normas de seu tempo.

A alagoana Beatriz Barbosa, por exemplo, pautou dezenas de textos jornalísticos entre 1919 e 1948. Suas andanças pelo Rio de Janeiro, então capital federal, costumavam terminar em delegacias e faziam as delícias do noticiário sensacionalista. Foi presa mais de vinte vezes, sempre por delitos menores: furtos, brigas, bebedeiras, vadiagem, meretrício. Viciada em cocaína, chegou a ser descrita como "recordista de entradas na detenção e campeã de tatuagens".

Fervor e pertencimento

Nem só de mar, crime e sexo pago viviam os tatuados nos grandes centros urbanos. Militares de baixa patente, trabalhadores braçais, artistas circenses, imigrantes e degredados também ostentavam desenhos no corpo.

Muitos soldados se tatuavam com bandeiras nacionais, siglas de batalhões, slogans ufanistas e emblemas patrióticos em geral. Outros, porém, escolhiam símbolos e imagens não vinculadas às questões bélicas.

O praça Marcelino Bispo de Mello era um deles: possuía estrelas de cinco pontas tatuadas no peito, cotovelo e braço. Em novembro de 1897, ele assassinou o marechal Carlos Machado de Bittencourt, ministro da Guerra, num atentado contra Prudente de Morais, presidente da República. 

Os desenhos foram constatados no exame de corpo de delito e citados pela imprensa em janeiro do ano seguinte, após Marcelino cometer suicídio na cadeia, enforcando-se com um lençol.
José, um estivador português, tatuou no braço a frase 'Tudo por São Paulo', lema da Revolução Constitucionalista de 1932, mas errou a data do levante, que teve início no dia 9 de julho daquele ano DIVULGAÇÃO – EDITORA VENETA

Não foi o único momento de turbulência a contar com a participação de tatuados: os levantes tenentistas da década de 1920, bem como as revoluções de 1930 e 1932, estimularam diversos trabalhadores a expressarem na pele suas convicções políticas. Outros perderam a vida, tendo seus corpos reconhecidos a partir das tatuagens que carregavam.

O marceneiro Manoel Moreira da Costa, vulgo Costeleta, foi preso, torturado e morto em outubro de 1931, ao se manifestar contra o governo que Getúlio Vargas instituira no ano anterior. Seu cadáver degolado, disposto numa linha de trem em Recife, foi identificado pela mãe e pela namorada graças a uma inscrição contendo o nome de uma terceira mulher — Adélia. Também movido pelo repúdio ao getulismo, o estivador José tatuaria no braço a frase "Tudo por São Paulo", lema do movimento constitucionalista de 1932.

Na outra ponta, alheios ao caos social e imersos em exotismo escapista, profissionais de freak shows empreendiam turnês internacionais que incluíam os circos, cinemas e teatros das cidades brasileiras. Em 1890, o greco-albanês George Costentenus, um dos mais célebres artistas itinerantes do século 19, chegou a participar de espetáculos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Às plateias, exibia seu corpo inteiramente tatuado e narrava as aventuras mirabolantes que teria vivido ao redor do globo.

Trajetórias tão diversas, relata Jeha, transformaram radicalmente o seu olhar sobre o tema, culminando num processo de autoconhecimento. "Eu fiquei muito fascinada. Enquanto historiadora, sempre estive acostumada a estudar o outro", diz. 

"E, de repente, descobri que meus antepassados se tatuavam."
Retrato do greco-albanês George Costentenus, artista circense que rodou o mundo exibindo seu corpo tatuado DIVULGAÇÃO – EDITORA VENETA

A pesquisadora, descendente de libaneses, soube que o avô de um primo possuía uma cruz tatuada na mão. O desenho cumpria um objetivo específico, confirmado por fotografias e depoimentos de patrícios: impossibilitar a negação da fé cristã em eventuais embates contra muçulmanos.

"Há algo de emotivo, um sentimento incrível de saber que essa cultura também pertence a mim", diz. "Depois, fui percebendo que ela pertence a todo mundo que vive aqui. Portugueses, italianos, japoneses, alemães, indígenas, africanos."

Se existe algum vínculo a unir todas essas pessoas, afirma Jeha, trata-se do terreno por onde elas se movem — uma tênue e ambígua fronteira entre as dimensões do erótico e do sagrado.

"Embora se mostre tão escancarada atualmente, a tatuagem sempre foi algo muito íntimo. As mulheres tatuavam muito os seios, alguns homens chegavam ao extremo de tatuar o pênis", explica. "É uma prática relacionada ao fervor e às paixões. 

O nome da pessoa que você ama, os símbolos da sua religião, o time para o qual você torce."

Um sinal de suspeição

Para além dos registros policiais e jornalísticos, o universo literário forneceu pistas igualmente valiosas à historiadora. 

Nos escritos de Jorge Amado, Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Plínio Marcos e João do Rio, ou até mesmo do americano Herman Melville, Silvana Jeha encontrou dezenas de referências aos tatuados brasileiros.
Adib, imigrante sírio-libanês, teve a mão tatuada com uma pequena cruz quando criança. Imigrantes de diversas nacionalidades contribuíram para o desenvolvimento da tatuagem brasileira DIVULGAÇÃO – EDITORA VENETA

"A literatura é o retrato de uma época", diz. "Acredito que os escritores possuem uma sensibilidade maior. Boa parte deles via a tatuagem com muita curiosidade, como uma cultura dotada de beleza própria. Eram muito mais atentos às nuances, se comparados aos demais narradores."

Machado de Assis, o mais antigo escritor brasileiro a ser analisado pela pesquisadora, já descrevia tatuagens na novela O Alienista, de 1882. Em certo trecho da obra, protagonizada por um médico que inaugura um manicômio e se afunda na própria insanidade, o romancista carioca menciona brevemente uma estrela de cinco pontas "impressa no braço" de um personagem secundário.

Treze anos depois, Manuel de Souza, imigrante português preso sob acusação de homicídio, seria retirado da delegacia onde cumpria pena e utilizado como modelo vivo numa aula da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Na ocasião, o professor Souza Lima, precursor da medicina legal no Brasil, expôs aos alunos as tatuagens do acusado. 

Baseando-se nelas, emitiu seu veredicto: ainda que não tivesse cometido crime algum, Manuel deveria ser tratado como um suspeito em potencial.
Lauro, detento do Carandiru, tatuou no peito um coração trespassado por um punhal e o nome de sua amada DIVULGAÇÃO – EDITORA VENETA

Machado de Assis, então, retornou ao tema. Em crônica publicada pela Gazeta de Notícias no dia 23 de julho de 1895, disse: "Foram as tatuagens do corpo do homem que me deslumbraram. 

As tatuagens são todas ou quase todas amorosas. Braços e peitos estão marcados de nomes de mulheres e de símbolos de amor".

Por fim, o escritor lançava um questionamento: como poderia "um homem tão dado a amores, que os escrevia em si mesmo", ser também um assassino?

Jeha explica: "Nosso país sempre esbarrou em questões de classe e raça. Os cidadãos são discriminados pela cor, pela aparência, pela posição social. E a tatuagem, no contexto daquela época, se destacava como um sinal de suspeição. Era algo literalmente marcado na pele."

A sorte que o Brasil do século 20 reservou aos seus tatuados não foi muito melhor.

Na década de 1930, um trabalhador rural baiano, identificado apenas pelas iniciais J.R.B., tentaria a todo custo remover os desenhos que carregava na pele. Alegava que teriam lhe trazido "pinta de malandro".

O sambista carioca Guilherme de Brito, parceiro de Nélson Cavaquinho, também se arrependeria de uma tatuagem feita na juventude — um índio, traçado no braço por um morador da favela do Tuiuti.

Pelo resto da vida, o músico esconderia o membro tatuado — temendo represálias, nunca mais vestiu uma camisa de manga curta.

Feminicídios e execuções policiais foram o destino final de alguns tatuados, mas o livro nem sempre expõe as circunstâncias de suas mortes.

"Tentei descriminalizar a tatuagem", explica a autora.

"Se o cara pertencia a uma escola de samba e torcia para um time de futebol, por que me referir a ele como o sujeito assassinado pelo Esquadrão da Morte? Os jornais costumam criar admiração e fascínio mórbido por notícias de crime, quando isso não passa de uma doença social."

AUTOR: BBC

quinta-feira, 9 de maio de 2019

SAIBA DE 10 TIPOS DE PRECONCEITO QUE O MUNDO PRECISA PARAR DE PRATICAR

O preconceito é um juízo de valor que se faz de alguém a partir de fatores superficiais, comumente acompanhado de discriminação e intolerância. É o julgamento associado a crenças, sentimentos e tendências de terceiros. O que muita gente não sabe é que preconceito é considerado crime, com pena de um a três anos de reclusão e multa.

Tipos de preconceito e caminhos para findá-los

1. Preconceito com as mulheres (machismo, misoginia ou sexismo)

O machismo é a crença de que o homem é superior à mulher, viril, provedor, conquistador, enquanto a mulher deve ser pacata, submissa e servil a ele.

Já o sexismo é uma atitude de discriminação fundamentada apenas no sexo da pessoa, seja masculino ou feminino. Mas, claro, ele atinge muito mais às pessoas do sexo feminino.

Por fim, a misoginia é o ódio pelas mulheres, que fica evidente em casos de crimes bárbaros que são cometidos diariamente conta elas.

Para combater essas atitudes, nasceu o feminismo que se fortalece com os movimentos atuais de empoderamento das mulheres. Ao contrário do que muita gente pensa, feminismo não é o oposto de machismo. Se trata de um movimento social, filosófico e político que luta por direitos iguais para mulheres e homens.

2. Preconceito com os negros (racismo)

A crença de que existem raças superiores e inferiores deu origem ao racismo, que é correntemente praticado contra negros e pardos. O racismo aberto criou a escravidão, foi responsável pelo Apartheid - um regime de segregação racial da África do Sul - e pela criação de grupos de supremacia branca, como a Klu Klux Klan, nos Estados Unidos.

Hoje, o racismo ainda existe, mas é praticado de forma velada na maioria dos lugares. O combate a ele vem através da criminalização de atitudes de discriminação, das cotas raciais em universidades públicas para dar mais oportunidades a jovens negros e do empoderamento dos negros na mídia e nos mais diversos setores da sociedade.
Na década de 50, os negros tinham bebedouros separados dos brancos nos Estados Unidos

3. Preconceito com pobres

Sentimento de superioridade que, geralmente, os ricos nutrem em relação aos pobres por terem mais possibilidades financeiras. Atitudes como não querer usar o mesmo elevador ou talheres, exigir espaços diferentes para trabalho e refeições, não querer que os filhos convivam entre si, são apenas alguns exemplos.

O preconceito também existe no sentido inverso, quando os mais pobres tacham os mais ricos de esnobes e aproveitadores.

Para exterminá-lo é necessário diminuir o abismo entre as classes. A disparidade social afasta ainda mais as pessoas de ambas as camadas da sociedade, reforçando e tornando corriqueiros os comportamentos discriminatórios.

4. Preconceito com estrangeiros (xenofobia e etnocentrismo)

A xenofobia é o ódio ou aversão ao diferente. Descrimina pessoas de outras culturas e origens, principalmente pela ignorância em relação às identidades sociais, históricas e culturais destoantes. O conceito de etnocentrismo é bem parecido. Se aplica quando o indivíduo valoriza tudo que está relacionada à sua cultura e menospreza qualquer outra.

O preconceito com estrangeiros foi a origem do antissemitismo, perseguição aos judeus, durante o nazismo. Hoje, ele vem crescendo em grande escala na Europa, principalmente por causa da imensa quantidade de imigrantes e refugiados que buscam o continente.

Políticas progressistas, que valorizem o multiculturalismo e incentivem a igualdade dos cidadãos de diferentes origens são um bom caminho para se combater esse tipo de preconceito.
Mulheres seguidoras do Islã protestam contra a xenofobia nos Estados Unidos

5. Preconceito com adeptos de certas religiões

Ataques, insultos e perseguição direcionados a pessoas que pregam e seguem uma certa fé atravessam a história da humanidade. As cruzadas cristãs, a caça às bruxas na Idade Média, a inquisição e, hoje, os conflitos religiosos no Oriente Médio são causas de verdadeiras guerras e extermínios no mundo inteiro. Atualmente, as células religiosas africanas, indígenas e o islã são muito afetadas por esse preconceito em países tradicionalmente católicos ou protestantes.

O preconceito religioso se mistura ao preconceito cultural, já que as crenças delineiam fortemente os hábitos de um povo. Por exemplo: a fé hinduísta de considerar a vaca um animal sagrado afeta a toda a população da Índia, onde praticamente não se consome carne vermelha.

Um estado laico, que valorize e dê suporte igualitário a pessoas de todas as religiões, e o ensino escolar dos princípios de diferentes religiões são medidas fundamentais para combater o preconceito religioso no mundo.

6. Preconceito com os deficientes

Seja deficiência física ou mental, a discriminação afeta a auto-estima e o desenvolvimento social das pessoas portadoras de necessidades especiais. Estima-se que cerca de 10% da população brasileira seja portadora de algum tipo de deficiência, ou seja, cerca de 20 milhões de pessoas.

Ela se reflete, não só na atitude pessoal de discriminação, mas na dificuldade de um cadeirante ter acesso a ambientes sociais, na falta de preparo de escolas para acolherem alunos autistas, na falta de emprego para portadores de Síndrome de Down...

A inclusão talvez seja a principal chave para diminuir a discriminação. É assegurado por lei que os deficientes possam estudar na instituição de ensino que escolherem, além de haver uma porcentagem de empregos em setores públicos e privados destinados a eles. Porém, a falta de preparo e de pressão da sociedade faz com que isso não vire realidade na prática.
A acessibilidade é uma das principais bandeiras da causa dos deficientes físicos

7. Preconceito com a aparência (gordofobia)

Ele não só existe, mas sobretudo está presente no mercado de trabalho, onde a aparência não deveria pesar mais que a competência profissional. Pessoas gordas são hoje os alvos mais visíveis, mas ele também atinge a pessoas muito magras, baixinhas, com tatuagens ou qualquer outra característica física marcante e destoante do que se considera comum.

Por muitos anos o preconceito com a aparência foi implacável na indústria da moda, que manipulava completamente o peso, os traços e o visual de suas modelos nas capas de revistas e editoriais. Hoje, esse conceito está sendo fortemente combatido e a pluralidade de biotipos é estimulada e aplaudida cada vez mais.

8. Preconceito com os LGBTs (homofobia, lesbofobia, bifobia, transfobia)

Muitos crimes de ódio contra cidadãos LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) são registrados diariamente no mundo inteiro. A agressão destinada aos homossexuais e companhia pode ser física ou psicológica, culminando, muitas vezes, na morte através de violência ou mesmo do suicídio. Em muitos casos o preconceito é institucionalizado. Para se ter uma ideia, ainda é crime ser LGBT em cerca de 70 países ao redor do planeta.

O debate e a repressão a este tipo de crime vem sendo cobrado com veemência pela comunidade LGBT. Porém, o caminho ainda é longo já que as discordâncias sobre o tema andam mais inflamadas com a discussão sobre a ideologia de gênero que prega que o gênero é uma construção social e que pode ser mutável e não limitado.
Passeatas e manifestações levam as cores do arco-íris pela causa LGBT ao redor do mundo

9. Preconceito linguístico

É motivado por diferenças de linguagem dentro de um mesmo idioma. É muito presente no Brasil, devido a sua enorme extensão territorial e a presença de diferentes sotaques em cada região, estados e até cidades. Obviamente, ele atinge com mais força os grupos que têm menor prestígio social, como os nordestinos e interioranos, que são taxados de caipiras.

Mas o preconceito linguístico acontece também em relação às pessoas que tem baixo nível de escolaridade e falam errado gramaticalmente.

A imensa variedade de dialetos, regionalismos, gírias e sotaques só enriquece a sociedade já que o código linguístico de uma sociedade é uma coisa mutável que se adapta ao longo do tempo. Inclusive com a incorporação de estrangeirismo. Apoio à multiculturalidade e respeito às diferenças são peças chaves para o fim do preconceito linguístico.

10. Bullying e cyberbullying

É a intimidação, perseguição e agressão física ou psicológica contra alguém. Ele pode existir em todas as camadas da sociedade e em todas as idades, mas se manifesta de maneira constante e devastadora entre crianças e adolescentes. Já o cyberbullying é aquele que acontece na internet, com a difamação da vítima, principalmente, nas redes sociais e aplicativos de celular.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), metade dos jovens e crianças do mundo sofre bullying. Atualmente, há diversos projetos educacionais, palestras, livros e oficinas voltadas aos jovens para identificar e combater o bullying. Mas a atenção e ação dos pais ainda é um fator essencial, tanto para perceber se o seu filho está sendo vítima de bullying quanto para notar se ele tem comportamentos de agressor.
O cyberbullying causa danos psicológicos e emocionais em adolescentes que são expostos na web

Classificações de preconceito

Geralmente, o preconceito está ligado aos fatores listados abaixo:

Racial

Quando se acredita que um indivíduo é inferior devido às suas características físicas hereditárias, ou sua matriz racial. Seu principal exemplo é o racismo, com destaque para o preconceito contra negros.

Cultural

Relaciona-se à aversão que se demonstra a pessoas de outras culturas, hábitos e condutas. Podemos citar como exemplo a xenofobia, preconceito contra estrangeiros.

Religioso

É a intolerância que indivíduos de uma certa religião desenvolvem em relação a outros que não pregam os mesmos valores. Os conflitos no Oriente Médio, por exemplo, advêm desse preconceito.
Sexual

Ocorre no momento em que se discrimina, limita ou cria-se esteriótipos por causa do gênero de alguém ou também pela sua orientação sexual. Entram nessa classificação o machismo e a homofobia.

Social

Acontece quando se julga o caráter ou a educação de alguém de acordo com a classe social da qual ela vem. Ele pode ser implacável com os mais pobres e com pessoas de origem humilde.

Linguístico

Quando se discrimina pessoas por causa de suas diferenças de sotaque, erros gramaticais, pronúncia e característica linguísticas. Os nordestinos, no Brasil, são vítimas comuns desse tipo de preconceito.

AUTOR: HIPERCULTURA

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