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sexta-feira, 7 de julho de 2017

PRINCESA CARABOO: A HISTÓRIA DA MULHER QUE ENGANOU UMA ALDEIA INTEIRA

O que você faria se encontrasse uma jovem caminhando desorientada pelas ruas de sua cidade? Em 3 de abril de 1817, nos arredores de Almondsbury, na Inglaterra, uma sapateiro encontrou uma pessoa assim, que vestia turbante e roupas extravagantes, falava uma língua desconhecida e estava suja e desorientada. Ele acabou a encaminhando a Samuel Worrall, um homem que cuidava de pessoas pobres, mas que não soube o que fazer com a mulher misteriosa.

Acontece que ninguém conseguia compreender quem ela era. A mulher apontou para um abacaxi e falou “ananás”, que é usado em diferentes idiomas para se referir à fruta. Depois de muitas tentativas, as autoridades locais finalmente descobriram que se tratava da Princesa Caraboo.

Sem ter muito o que fazer, acabaram “acomodando” a tal princesa em uma cadeia, até que um marinho português falou que compreendia o que ela falava. E a história que ela contava era pra lá de maluca: ela havia sido sequestrada por piratas em uma pequena ilha do Oceano Índica, navegou por vários lugares até que resolveu se jogar no mar, no Canal de Bristol, e nadou até a Inglaterra.
Princesa Caraboo: "sequestrada", "fugitiva" e com uma lábia poderosa 

A farsa desvendada

Quando descobriram se tratar de uma princesa, as autoridades logo trataram de tirá-la da cadeia, afinal, ninguém queria um problema diplomático. A tal Princesa Caraboo acabou retornando à casa de Samuel Worrall, que a apresentou à própria realeza local. A mulher acabou entrando na vida dos ricaços de Bristol, uma cidade ao sul da aldeia que a acolheu.

Só que ela tinha hábitos muito peculiares para a época: nadava nua nos lagos da região, praticava tiro com arco e rezava para um tal de Allah Tallah cobrindo um dos olhos com a mão. Sua fama rapidamente se espalhou pela cidade, e a mulher posava para diversas retratistas – e essa foi a sua ruína.

Quando um de seus desenhos foi publicado em um jornal, um leitor a reconheceu: tratava-se de Mary Baker, que trabalhara como doméstica em várias casas do condado de Devon, vizinho a Bristol. A língua incomum que ela falava sequer existia – ninguém sabe como o tal marinheiro português compreendera. Mary acabou sendo enviada aos Estados Unidos, onde tentou manter a personagem. Sem conseguir, voltou à Inglaterra em 1821 e abandonou a ideia de ser uma princesa. Ela se casou em 1828, teve uma filha e morreu em 1864, sem nenhuma regalia de realeza.
Enquanto acreditavam se tratar de uma princesa, a realeza de Bristol paparicava a mulher

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